Eu não devia estar aqui
32 Hora da pesquisa!
Notas iniciais
Finalmente depois de mais dois dias eu pude sair da ala hospitalar...
Claro que eu ainda ando meio devagar e mancando um pouco, mas pelo menos eu pude sair.
Nesse momento estou almoçando com o pessoal. Eu realmente quero arranjar alguma brecha para poder escapar e ir na biblioteca para pesquisar melhor sobre “Vítima da destruição”. Desde que Jane me falou aquilo sobre o Jeff, isso não tem saído da minha cabeça.
Assim que eu terminar de comer, eu vou inventar alguma desculpa, e fazer uma visitinha à biblioteca.
Estavam todos conversando sobres as próprias lutas que tiveram. Eu me concentrei em ficar fora da conversa e terminar logo minha comida.
– Eu consegui ganhar minha luta! – comentou Jane – Passei raspando...
– Eu consegui ganhar minha luta contra a Cherry – comentou Dave.
– Eu não sei como você ganhou – murmurou Masky – Eu teria perdido no seu lugar. A Cherry é chata, mas é bem gostosa! — falou rindo.
– Bem... Eu não prestei muita atenção nisso – Respondeu Dave corando.
– Há... Fala sério! Cherry tem um peitão... – Masky falava com um sorriso safado. Tá... Conversa de idiota! Enquanto Masky ficava falando besteiras pervertidas, de repente Hoodie se levanta, corado e fala:
– Eu vou para a biblioteca! – Falou evitando olhar para Masky. Ho... Ho... É impressão minha ou Hoodie está afim de Masky?
– Espera! – Falei – Eu vou com você! Eu preciso ir na biblioteca também! – Disse me levantando e andando ao seu lado.
– Tá... – ele murmurou dando ombros. Assim que saímos do refeitório, eu me virei para ele e perguntei.
– Hoodie, você está afim de Masky?
– O QUE? – Ele gritou corado – N-não... B-bem... S-Sim... – Finalmente ele admitiu, cabisbaixo – M-Mas por favor... – Ele acrescentou logo em seguida — ... Não conta para ninguém que eu sou... – A voz dele se perdeu. Senti um Déjà vu. Está extremamente parecido com a vez que falei com Dave.
– Tudo bem... Não conto – falei lhe acalmando. Ele suspirou aliviado, e então olhou para o teto.
– Sabe... Já faz um tempo desde que eu percebi que gostada de Masky... Mas... Ele é todo “100% hétero” – Falou fazendo um sinal de aspas com as mãos.
– Entendi... – murmurei. O resto do caminho à biblioteca foi em silêncio. Mas em um ato para quebrar esse silêncio, eu acabei falando – Eu acho que o Dave gosta de você – falei.
– O que? – Hoodie engasgou. Eu corei.
– Bem... Uma vez... Ele disse para mim que... Era gay... – Falei olhando para o teto. Hoodie me encarou por uns bons dez segundos.
– S-Sério? B-Bem... E-eu não sei se eu realmente gosto dele assim... Mas... – Ele deu ombros, corado.
Nesse momento finalmente chegamos a biblioteca.
– Eu vou pelo outro lado! – falou Hoodie – Eu disse que ia a biblioteca, mas foi somente uma desculpa para sair dali... – Ele disse corado.
– Okay – Eu falei com um sorriso amigável – Te vejo depois Hoodie! – falei. Ele assentiu, sorrindo, e então eu entrei na biblioteca, ainda com a história de Hoodie martelando na cabeça.
Por um momento eu esqueci do que eu estava procurando... Céus... Porque eu sou tão trouxa a ponto de esquecer o que vim fazer na biblioteca?
Há! Lembrei... Eu vi pesquisar sobre a tal “vítima da destruição”. Ai... Minha memória está péssima!
Enfim... Eu encarei as enorme prateleiras de livros. Eu acho que nunca descrevi direito a biblioteca... Mas enfim...
Tem enormes prateleiras de madeira, com livros velhos, alguns mofados, alguns até com a aparência de novos. E no canto tem uma enorme mesa, com vários computadores em cima.
Como uma biblioteca normal da escola. Mas eu sei que, com certeza tem coisas bizarras, sangrentas e perturbadoras dentro dos livros.
Mas enfim... Por onde eu começo a procurar? Decidi olhar nos computadores primeiro.
Eu sentei na frente de um computador e liguei. Em seguida ele desligou sozinho. Eu dei um suspiro.
– Ben, é você? – Eu murmurei. Ele saiu de dentro do computador, com alguns bit´s flutuando em sua volta.
Ele cruzou os braços e disse:
– Há... Quando você fica calma, não tem graça! – Disse emburrado.
– Ben... Você pode me ajudar? – Perguntei.
– Com o que?
– Você sabe onde eu posso encontrar algum livro que fale sobre uma tal “vítima de destruição”? – Perguntei. Tá, é melhor perguntar, vai que ele sabe...
– O QUE? – Ele perguntou com raiva – Eu tenho cara de bibliotecária? Daquelas velhinhas malditas que ficam mandando todo mundo calar a boca? – Ele gritou com raiva. Eu me encolhi.
– Desculpa... – Gaguejei corada.
– Mas respondendo sua pergunta – Ele disse se acalmando de repente – Tem sim! O livro “Seres relacionados aos Creepypastas, volume 2”, na prateleira que tem marcado um “S”, depois do livro “Seres relacionados aos Creepypastas volume 1”. – Eu lhe encarei, pisquei os olhos duas vezes.
– Tá... – Falei levantando uma sobrancelha.
– O que foi? – Ele disse cruzando os braços com raiva – Eu passo o dia aqui sem nada, além de hacker os computadores, para fazer!
– Entendi... – Eu disse.
– Okay, valeu, falou! – Ben falou se transformando em bits e entrando dentro do computador novamente.
Eu dei uma risadinha, e fui procurar o tal livro.
Olhei as prateleiras até achar denominada com um “S”, e então eu comecei a procurar.
Eu o achei depois de uns cincos minutos passando os olhos pelos títulos dos livros.
Não era muito grande, não tinha aparência de velho nem de novo. Não sei dizer, é como se aparentasse que alguém tivesse “reformado” o livro. Sei que é estranho, mas é o que parece.
Tinha uma capa de couro duro, e em letras grandes e vermelhas escritos na frente “Seres relacionados aos Creepypastas, volume 2”.
Eu o levei até uma massa, onde me sentei e comecei a folheá-lo. Ele tinha páginas meio amareladas, mas não eram frágeis a ponto de eu precisar tomar muito cuidado.
Passei as páginas. Algumas palavras como “fantasma” me chamaram atenção, mas decidi focar no meu objetivo principal.
Finalmente, eu encontrei o capitulo que falava sobre a “Vítima de a Destruição”
Eu li atentamente.
“Vítimas da destruição são coisas terríveis para nós, Creepypastas... Terríveis.
É considerado uma doença pela maioria dos Creepypastas.
Acontece quando um Creepypasta tem sobre si, total arrependimento de ter matado uma vítima. Na maioria das vezes, essa vítimas são humanos pelo qual o jovem Creepy teria muito afeto. Alguém por qual o Creepypasta não queria fazer sofrer.
Vítimas de destruição realmente são muito raras, já que nós somos seres que não temos arrependimento em relação as vítimas.
O nome veio representando exatamente o que acontece. É a vítima. A vítima da destruição de quem a matou.
O sentimento de transtorno de alguém que tem uma vítima de destruição é tão avassaladora, que seria impossível expressar neste livro.
Temos apenas pouquíssimos relatos de Creepypastas que têm vítimas de destruição, e uma boa parte deles, acabam se suicidando.
Mas caso encontre um deles, nem ouse perguntar qualquer informação sobre a vítima. Por mais que eles possam parecer controlados, e que passassem anos, ou até séculos de calma, eles nunca esquecem que um dia tiveram nas mãos, o sangue de sua vitima de destruição.
Os sintomas de possuir uma vítima são:
– Uma sanidade muito quebrada, até demais para os Creepypasta.
– Ataques de raiva.
– Ficar em “estado de choque”, onde o Creepy pode ficar horas sem fazer nada, como se a alma tivesse saído do corpo.
– Depressão. Que muitas vezes leva consequentemente ao suicídio e a morte.
Alguns casos de vítimas:
Elise Mirian: 5 anos.
Morta pelo Creepypasta: Dead Hunter.
Relação entre os dois: Pai e filha.
*
Jake Larnsei: 20 anos.
Morto pelo Creepypasta: Lady Bad
Relação entre os dois: Namorados.
*
Liu Woods: 14 anos.
Morto pelo Creepypasta: Jeff The Killer
Relação entre os dois: Irmãos.”
Eu li tudo atentamente. Na parte onde tinham os “casos das vítimas” tinham algumas fotos, mostrando as vítimas.
Na primeira, mostrava uma menininha baixinha e banguela, com olhos castanhos e grandes, e um cabelo loiro platinado batendo sobre os ombros.
Na segunda foto mostrava um rapaz alto, de pele morena, cabelos negros e olhos cinzentos.
E a última vítima... Liu Woods... Eu arregalei os olhos assim que vi o nome “Jeff The Killer”, eu olhei para o final da página a fim de ver a foto, mas levei um sobressalto ao notar que fora rasgada. Eu rapidamente passei para a próxima página. Fora uma pequena coisa escrita em cima da masca de rasgado, não tinha nada.
Eu li o que tinha escrito.
“Se você está lendo isso, é porque é um filho da puta curioso! Nada de fotos dele em qualquer local! Entenderam?”
Eu me levantei rapidamente, consequentemente fazendo com que a cadeira arranhe o chão fazendo um barulho que ecoou pela biblioteca. Olhei em volta, como se a pessoa que tivesse rasgado e escrito no livro estivesse na biblioteca.
– Ei! – Ben gritou lá dos computadores – Pode fazer menos barulho? – Ele perguntou com raiva – Estou tentando dormir aqui! – Tá... O Ben realmente está parecendo uma bibliotecária velhinha e gorda.
– Ben... Tem um livro rasgado! – falei.
– Há... É mesmo – Ele disse com um bocejo – Quando comecei a morar na biblioteca, o livro já estava assim.
– Há... – Eu murmurei decepcionada.
– Agora já terminou? Eu posso voltar para dentro do meu confortável computador? Obrigada, valeu, e falou! – Disse entrando dentro do computador novamente.
Eu comprimi os lábios e olhei para o teto, confusa.
Quem é que rasgou o livro?
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