Eu não devia estar aqui
2 Meu inferno pessoal
Notas iniciais
Acordei com o sol em meu rosto. Mas nem por isso levantei, somente enterrei minha cara no travesseiro enquanto ouvia o despertador tocar. Segunda feira. Que o inferno comece... Levantei-me, com a menor vontade de sair da cama.
– Clarissa! – Grita minha madrasta, Lucia do outro lado da porta – Levante desgraça! — Ela reclama.
– Quantas vezes vou ter que repetir? Meu nome é Claire! – Resmunguei me levantando.
– Não importa! – Ela disse abrindo a porta – Já não basta eu ter que acordar todo o dia cedo para meu trabalho, ainda tenho que aguentar tú, as imprestável, até você fazer dezoito anos! – Ela disse cuspindo as palavras. E em seguida se retirou do meu quarto batendo a porta.
Bom dia para você também, Sra. Lucia, meu inferno pessoal... Pensei. Quase falei, mas se dissesse em voz alta... Bem... Já era Claire...
Relutante, eu fui em direção ao banheiro que ficava no meu quarto, e me despi, entrando no boxe do chuveiro. Tomei uma ducha fria para despertar, e me enxuguei na toalha. Voltei ao meu quarto, e abri o armário. Coloquei minha roupa intima e comecei a vasculhar as gavetas em busca de uma roupa decente.
Coloquei uma calça jeans preta, um tênis All Star jeans, um moletom preto que é um pouco folgado em mim, e vai até as minhas coxas. Arrumei minha mochila escolar, e sai de meu quarto. Eu suspirei ao depara a casa vazia.
È sempre assim... Lucia grita comigo, meu pai me ignora e quando eu saio do quarto eles já saíram para trabalhar. Mas que inferno de vida!
Dirijo-me a cozinha, e abro a geladeira pegando uma maçã. Olho para o relógio na parede para constatar que estou atrasada.
– Droga – Murmuro indo em direção à porta de casa. Eu a tranco e começo a correr até o ponto de ônibus enquanto comia minha maçã como “café da manhã”
Quando chego ao ponto de ônibus, ele está quase partindo.
– ESPERA! – Eu grito ao motorista, mas ele já estava começando a acelerar. Eu bufo correndo mais rápido, chegando à frente da porta do veículo.
– Abre! – Imploro, correndo junto do ônibus, segurando-me na porta para me apoiar. O motorista para de supetão, e eu quase caio. Suspirei aliviada entrando no veículo.
– Atrasada de novo Sra. Miller? – Ele fala em um sorriso simpático.
– Obrigada por me esperar – Falei irônica. Ele riu.
– Vá se sentar – Ele diz ainda rindo.
Se eu sou amiga do motorista de ônibus? Pode se dizer que sim. Thomas Vicentwood tem apenas vinte anos, e com certeza é mais simpático do que a maioria dos alunos dessa escola.
Eu comecei a andar até meu assento no fundo do ônibus, pulando algumas pernas no meio do caminho para me fazer cair, e alguns comentários fúteis sobre mim.
Pois é, minha vida é igual àqueles clichês dos filmes americanos. Ou melhor, estão iguais aqueles contos de fadas da cinderela. Minha madrasta me odeia, sou menosprezada pela maioria, meu pai nunca está presente. A diferença é que eu não tenho um final feliz.
Sentei-me no fundo, no lado da janela. Eu sempre gosto de olhar a janela.
Por ironia do destino começou a chover. Eu suspirei abraçando meus braços. È como se o clima estivesse refletindo meu humor.
– Claire – Ouvi meu nome ser chamado. Virei aminha cabeça, e sorri ao deparar com a pessoa a minha frente.
– Oi Matt – Murmurei. Ele sorriu para mim se sentando ao meu lado. Mathews pode ser considerado meu melhor amigo na escola. Ele é quatro anos mais novos, tem a pele parda, cabelos negros e olhos cinzentos. Por mais que ele ainda seja uma criança, é bem mais simpático do que todas as pessoas de minha idade que conheço.
– Claire! Ontem eu fui ao circo com meus pais! Lá tinham vários palhaços, e é muito engraçado. – Ele disse com um sorriso de criança inocente. Eu ri bagunçando seus cabelos.
– Que divertido Matt – Falei inclinando a cabeça para o lado – Mas eu não sou muito fã de palhaços, eles me dão arrepios – Falei fingindo estar me arrepiando, fazendo Matt rir.
– Sua boba! – ele disse rindo – Palhaços são feitos para rir, e não para se assustar. – Ele disse ainda gargalhando.
– Há... – Falei com um risinho – Imagina só... Você a noite em um quarto escuro, quando um cara com a cara toda branca e a boca toda vermelha aparece para puxar seu pé à noite – Falei rindo. Matt me encarou.
– Tem razão, desse ponto de vista é realmente um pouco assustador – Ele disse rindo. De repente ele parou, e encarou outros estudantes entrando no ônibus. Matt engoliu um seco. Eu acompanhei seu olhar e encontrei uma menininha ruiva de olhos verdes pele clara e cheia de sardas. Eu sei um riso.
– è a sua namorada, Matt? – Falei rindo. Ele me encarou corado.
– O-oque? – Ele falou perplexo – Não!
– Vai lá falar com ela – Eu falei gesticulando com a cabeça.
– Você vai ficar bem? – Ele disse em um tom amigável. Mesmo que ele ainda tenha doze anos, sabe muito bem sobre como eu sou solitária. Eu dei um riso seco.
– Eu vou ficar bem Matt... Eu sou solitária, aceite! Mas nem por isso jogue fora sua vida social – Eu disse afagando sua cabeça. E em seguida ele fez algo que não esperava.
Ele me abraçou.
– Obrigado Claire! – Ele sussurrou, e em seguida foi correndo em direção à garotinha ruiva, e se sentando ao seu lado. Eu suspirei os observado. Para Matt é tão fácil ser amigo dos outros. Por quê? Bem... Porque ele ainda é uma criança. Eu acho que bem mais fácil fazer amigos quando se é criança. Quando se ainda é pura...
Eu suspirei enquanto o ônibus parava na frente da escola. Desci do veiculo e fui direto para minha sala. Mal sabia o que o resto do dia aguardava.
As aulas passaram voando. Quando me dei conta eu já estava voltando para casa.
Eu abria a porta da frente e entrei.
– Você chegou cinco minutos atrasada – Reclama Lucia assim que coloco os pés em casa.
– Bom te ver também Lucia... – Falei irônica. Ela me lançou um olhar venenoso.
– Vá ver se tem correspondência – Ela sibilou. Eu revirei os olhos saindo de casa e indo em direção a caixa de correio. Peguei as encomendas e voltei para dentro, jogando-as de qualquer jeito em cima do balcão.
Lucia murmurou alguma coisa qualquer, provavelmente alguma ofensa contra mim e foi verificar a encomenda.
Subi até o meu quarto e comecei a fazer meus deveres de casa. Coloquei meus fones de ouvido e fiquei ouvindo “This is War” da banda 30 seconds to mars. Ouvi meu nome ser chamado, mas ignorei. Provavelmente seria Lucia querendo me perturbar.
Estava tão inerte na musica, quando de repente meus pensamentos são distraídos por Lucia abrindo a porta do meu quarto de supetão.
– Pode me explicar o que é isso aqui mocinha? – Ela disse erguendo uma carta.
– Uma carta? – Falei levantando uma sobrancelha.
– Eu sei que é uma carta – Ela sibilou – Eu quero saber o porquê dela estar sendo destinada a você!
– Uma carta para mim? – Falei perplexa. Senti o ar faltar em meus pulmões.
– Não se faça de desentendida! Está na cara que você tem algum dedo nisso!
– E-eu não sabia de nenhuma carta! Eu juro – Falei engolindo um seco.
– Pare de mentir – Ela berrou.
– O que está havendo aqui? – Ouvi a voz de meu pai no corredor. Em um segundo ele apareceu na porta de meu quarto.
– Essa peste... – Disse Lucia apontando para mim – Ela recebeu uma carta! – Ela disse. Por pouco não parecia que caia veneno se sua boca.
– Uma carta? – Perguntou meu pai confuso – Filha, de onde veio isso? – Ele falou me encarando.
– Eu não sei! – Falei revirando os olhos.
– Filha... Diga para o papai, de onde veio a carta. – Ele falou me encarando. Eu suspirei. Meu pai nunca convive comigo, e sempre que a Lucia diz que eu sou uma peste, ele acredita.
– Pai... – Eu suspirei – Eu não sei... Olhe dentro dela primeiro – Eu disse pegando a carta da mão de Lucia e a abrindo.
Querida Claire Miller,
Se você está lendo essa carta, então parabéns! Você fora aceita na Creepy School!
No dia 28/07 iremos reabrir a escola. Arrume as malas e traga seus pertences pessoais.
Veremos-nos em breve...
Assinado: Diretor Slender.
No final ainda tinha mais uma informações dessa tal escola, mas antes de terminar de ler Lucia puxou a carta bruscamente de minha mão.
– Escola interna? – Ela falou lendo a carta.
– Eu não vou ir – Falei.
– Vai sim – Afirmou meu pai – Vai ser melhor para você.
– Melhor para mim... – Eu sussurrei fechando os olhos.
– È melhor assim, para ver se você aprende – Murmurou Lucia. Sério, aquela foi à gota da agua.
– Para ver se eu aprendo? – Murmurei – Para ver se eu aprendo? – Repeti – O que eu tenho que aprender? me responda Lucia! Eu nunca fiz nada contra você, e mesmo assim você cisma em transformar a minha vida em um inferno! — Falei liberando minha fúria, e em seguida encarei meu pai – E você, papai... – Falei com ironia – Nunca está presente, e por isso sempre acredita em qualquer merda que essa diaba fala – Eu falei apontando para Lucia.
– Claire! – Meu pai repreendeu – Pare com isso!
– Não! – Eu falei – Eu não paro! Vocês sempre me colocaram para baixo! Ficam falando que vão me colocar nesse raio de escola que nem conhecem, dizendo que é para meu bem, mas a única coisa que vocês querem é se livrar de mim – Falei. Senti algo molhado escorrendo pelas minhas bochechas. Eu chorava – Querem saber? Vai ser bom mesmo eu ir para lá! Quem sabe eu me livro do inferno de vida que eu tenho morando com vocês! – Sibilei. Em seguida eu os empurrei para fora de meu quarto e bati a porta, trancando-a.
Eu suspirei. Se eu me arrependo do que disse? Não! Qualquer coisa é melhor que esse lugar!
Peguei uma mala e comecei a colocar minhas roupas dentro. Peguei meu diário e coloquei na minha mochila do computador.
Já era hora de eu dar adeus a o inferno que eu vivo. Preciso ir para algum lugar melhor.
Mas o que eu não sabia é que eu logo eu iria me arrepender de minhas escolhas.
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