Eu existo!
1 /one-shot/
Notas iniciais
parece coisa de maluco, yeah, mas a one foi inspirada nesta página do Facebook. https://www.facebook.com/DoesNewZealandExist?ref=ts&fref=ts
Aqui eu tentei mesclar uma coisa meio fluffy com um pouco de humor, mas acho que não ficou engraçado como deveria ter ficado, porque minhas piadas são péssimas, então... A história ficou meio bugada q
Enjoy the reading~ o3o
A personificação da Nova Zelândia estava meio p da vida. O que era um tanto incomum, visto que a mesma estava sempre sorridente.
Wayne subiu na varanda, passos fortes, mãos cerradas. Estava cansado de ser aquele fulaninho gentil e fofo que ama suas ovelhas e é sempre deixado em segundo plano nos livros de Geografia, mas nunca se manifesta. E após as provas, ninguém lembrava-se dele. Ninguém lembrava de sua bela Nova Zelândia, porque a Austrália era maior e mais legal por causa dos cangurus, dos surfistas radicais e do maldito molho barbecue.
Por esses e por outros motivos, ele chutou a porta azul-claro da casa de seu afamado companheiro, adentrou sem pedir licença e encontrou um australiano quase adormecido estirado num sofá verde, com a boca aberta.
- Oi! Nossa, você por aqui? Que inesperado! Tá quente, né? — o dito cujo disse ao sair de sua atual zona de sonolência, acenando para o neo-zelandês com uma garrafa de cerveja, que aparentemente estava geladíssima, enfiada entre seus dedos. Um pequeno ventilador branco fazia os cabelos de Jack se movimentarem como um boneco inflável de um posto de gasolina.
- AUSSIE! — então ele se deu conta de que já havia começado errado; "Aussie" era gentil demais. — Com isso eu quis dizer "Porra, Austrália!".
- Mas quê que eu fiz? — Um tanto assustado, ele largou a cerveja e desligou a televisão, que estava sintonizada no National Geographic, a exibir algum programa tosco sobre crocodilos. — Me fala. Você nunca diz essas palavras feias. — ele sentou-se, ereto, encarando o companheiro com uma preocupação que parecia sincera — suas sobrancelhas espessas estavam franzidas, a mais clara evidência de que ele se importava, sim — pelo menos um pouquinho, mas se importava.
Wayne sentou-se no sofá oposto ao onde Jack estivera esparramado, e suspirou, com uma veia latejando discretamente em sua testa. Ele estava desejando fortemente que o ventilador se virasse para ele. Precisava de vento na cara para refrescar. Maldito calor australiano. A Austrália era tão quente.
O menor corou ao perceber que seus pensamentos quanto ao calor eram ambíguos, mas pelo menos o rubor passou despercebido, já que as altas temperaturas já haviam deixado-o da cor de uma pimenta malagueta.
- Quer mesmo que eu diga? — falou o neo-zelandês, com os olhos semicerrados.
- Claro! — Aussie deu uns pulinhos no sofá.
Houve um instante silencioso antes de Wayne começar.
- Você tem ideia de como é chato quando ninguém lembra de você? De como é chato abrir um livro de geografia americano e ver que eles acham que nossa vasta Oceania resume-se a você? Eles só lembram de você, e às vezes pensam até no Taiti, aquele cara paradisíaco com resorts! Mas em mim não. Você é legal, recebe um monte de turistas toda semana, e tem esse bronzeado da moda! — ele disse, o mais rápido que pôde, finalmente tirando o peso que era guardar um desabafo. — Eu sou o cara mais chato do Oceano Pacífico. E quase todo mundo que vem me fazer uma visita são aqueles nerds fãs de Lord Of The Rings. — Revirou os olhos.
- Bronzeado da moda...?
- Ignore, eu disse sem pensar. — Wayne encarava os próprios pés quando sentiu Jack empurrando-o com delicadeza, com intuitos de sentar-se ao seu lado. Ele tentou relaxar e não encarar Jack. Com isso, estufou as bochechas e cruzou os braços, como uma criança pirracenta quando não ganha doces e ingressos para o circo. — Eu queria ser um cara legal tipo você.
- Olha só. — Aussie deslizou o braço pelos ombros do amigo, que ainda insistia em não encará-lo. — Você realmente importa-se? Eu acho Senhor dos Anéis legal... Meus turistas são chatos. Eles vêm até mim para ver ornitorrincos e coisas do tipo. Não que eu não curta ornitorrincos, porque eu os adoro. E, ahn... Se isso não te convenceu, recomendo que você arrume um troço bem louco, tipo peixes que parecem gelatina. Isso chama a atenção de...
A voz do australiano falhou.
- Você não vai olhar para mim, Wayne? — ele suspirou, tentando ver a expressão que pairava no rosto do neo-zelandês. — Bem, saiba que eu acho ótimo que o mundo não ligue para seu país. Seria horrível se eu tivesse que disputar sua atenção com o resto do mundo...
Acontece que agora Wayne não sabia bem como prosseguir. Estava afundado ali, naquele sofá, bem ao lado daquele cara com bronzeado da moda por quem ele tinha uma quedinha, e esse cara havia acabado de dizer claramente que odiaria ter de disputar a atenção de Wayne com o resto do mundo. A mudança de assunto deixara Wayne arrepiado. E ele sentia o australiano cada vez mais próximo; o sofá parecia ficar gradativamente mais apertado. Tudo inesperado demais.
- Estou com calor, Jack. Afaste-se de mim! — ele mordeu os lábios, tentando empurrar o australiano para longe de si, mas aconteceu que Jack tinha quase o dobro de seu peso.
- E se eu não quiser? — ele disse parecendo despreocupado. Argh, aquele sotaque!
O menor já ia preparando sua resposta, mas engasgou na metade.
- Claro q-que você quer! Eu estou pedindo! — disse, tentando dar cotoveladas.
- E eu estou pedindo que você olhe para mim. A propósito, você fica bonitinho quando tá emburrado. E olha que é uma cena rara. Tem certeza de que era só por causa daquilo que você estava nervoso?
Wayne, finalmente, encarou Jack, porém fechou os olhos com força. O estômago do neo-zelandês parecia estar cheinho de borboletas, e elas voavam para todos os cantos, causando arrepios e cócegas importunas.
Então Austrália agarrou as bochechas do menor, sem qualquer tipo de aviso prévio.
- Já disse que você se parece com uma ovelhinha, NZ? — sussurrou ele, sorriso grudado no rosto como um adesivo, enquanto brincava cruelmente com as bochechas de Wayne.
- A-Aussie! — Wayne arregalou os olhos e cerrou os punhos. Jack praticamente atirara-se para cima do pobre neo-zelandês. Este ficou sem quaisquer reações para demonstrar quando o outro apertou suas bochechas. — Aussie, pare! — repetiu, tentando dar uns tabefes no australiano, mas o dito cujo imobilizou-o agarrando ambos os pulsos dele e erguendo aqueles braços pálidos no ar. Para isso, Jack teve de largar as preciosas bochechas, e então executou o ato mais inesperado daquela tarde calorenta.
Tascou um selinho casto nos lábios do neo-zelandês, ainda erguendo os braços dele no ar para que ele não tentasse estapeá-lo por causa de tal atrevimento.
- Mmmgh! — Wayne debateu-se como um peixe fora de seu hábitat aquático, mal acreditando que seus lábios estavam em contato com os de Jack. Mas já era tarde demais para lutar. E, pensando bem, por que lutar? Ele estava gostando.
Aquela fora uma reação que ele jamais achava que o Austrália tomaria, até porque ele mesmo achava que sua queda pelo cara maneiro dos coalas era unilateral, e também que o cara maneiro dos coalas era um sujeito completamente heterossexual.
Ele não tinha inveja da popularidade do Austrália. Ele tinha mesmo... Ciúmes.
O menor tinha tornado a arregalar os olhos, mas acabou cedendo a Jack e deixou-se levar. O australiano afrouxou o aperto; largou-o e deixou-o enlaçar-lhe o pescoço com os braços. Wayne agarrou os cabelos do companheiro. O beijo se aprofundava, tornando-se algo menos parecido com apenas uma diversão amorosa de aspecto juvenil e inocente; agora as línguas investiam uma contra a outra, e Wayne nunca se sentira tão... Distraído? Os lábios do australiano aprontaram um pouco pelo pescoço e pela clavícula do neo-zelandês. O loiro conseguiu represar alguns gemidos ao morder os lábios.
~[xx]~
O ventilador, outrora barulhento, parecia emitir um ruído muito distante agora.
Aussie puxou o loiro para si de um jeito bonitinho e desajeitado, encaixou-o entre seus braços e começou a afofar-lhe os cabelos claros.
- Eu posso te dar toda a atenção que você quiser. Pode ser? — ele disse.
- Pode ser. — o menor olhou nos olhos do companheiro. Recebeu um beijo suave na testa.
Sorriu interna e externamente. Naquele momento, mais ninguém precisava saber que a Nova Zelândia existia.
Notas finais
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