Eu estrelo você

29 Estrela supernova parte I


Notas iniciais
~ Esse e o próximo capítulo estão sendo postados juntos porque originalmente, eram um único capítulo. Eu os dividi semana passada enquanto fazia algumas edições para ficar mais separadinho mesmo. Os dois se passam no mesmo dia e a parte I é contada na perspectiva do Vinícius, sendo que a II, é contada na perspectiva do Gabriel. As duas são importantes pois coisas diferentes acontecem nelas. ~ Qualquer erro de digitação que vocês virem tanto nesse quanto no próximo, por favor, comentem ou mandem uma mensagem no privado avisando para que eu possa arrumar. ~ Espero que gostem :3

Vinícius POV

Uma semana depois: Segunda feira, dia 12 de Abril de 2019 às 06:10 da manhã.

Acordei com uma música estranha tocando bem alto: era a música que o celular do Gabriel tocava ao despertar. Eu não gostava dela, mas era a abertura de um dos animes que ele curte.

— Desliga... — Falei.

— Você tá mais perto Vini, desliga você. — Murmurou ele, enquanto virava pro outro lado na cama.

— Aff. — Estiquei meu braço e peguei o celular que tava tocando na estante. Em seguida, arrastei com o dedo para parar o despertar.

— ...

— Tu não vai levantar? — Perguntei.

— Levanta você... Primeiro. — Respondeu ele.

— NÃO! LEVANTA! — Exclamei, enquanto sentava na cama e puxava a coberta de cima dele. — FOLGADO.

— Que saco Vini, para de gritar logo de manhã e tá frio, aaaaa. — Reclamou ele.

— Pelo menos você dormiu de camisa! Eu que dormi sem tô aqui sem reclamar.

— Você é um tarado.

— E você coloca músicas idiotas como despertador.

— Não é idiota, é a opening de JoJo. — Disse ele.

— Nunca vi, zoado.

— Zoado é você. — Falou ele, enquanto sentava do meu lado e me dava socos leves no braço. — Ora ora ora ora ora ora ora!

— Para! Para! Vou te bater. — Falei.

— Oh não! Que destino cruel! Vivi por 16 anos da minha vida pra chegar agora e ser maltratado por esse anarquista! Temo que terei um futuro horrendo daqui em diante, meu príncipe, me salve! — Disse ele, imitando uma voz diferente enquanto puxava a coberta e deitava de novo.

— AH, MAS EU AVISEI! — Exclamei, enquanto beliscava ele por cima da coberta.

— PARA, PARA, AI, QUE MERDA VINI!

Fiquei em pé na cama e puxei a coberta de vez, jogando-a no chão em seguida.

— LEVANTA!

— NÃO, POR QUE VOCÊ NÃO DEITA? — Perguntou ele, colocando um pé entre as minhas pernas e me passando um rodo.

Perdi o equilíbrio e caí em cima dele.

Eu dormi na casa do Gabriel naquele fim de semana. Eu estava lá desde o sábado e o combinado era que eu fosse embora hoje na segunda. Iríamos juntos pra escola e lá eu já ia pra minha casa.

Peguei recentemente um costume de dormir só de cueca, e fiz isso mesmo dormindo com o Gabriel.

Dormimos abraçadinhos nesses dois dias, de todas as maneiras, mas sempre acabávamos afastados um do outro quando acordávamos.

Não fizemos nada sexual, além de algumas carícias ali e aqui. Ele também não deixou eu beijá-lo quando eu quis beijar.

Sim, eu tentei beijar ele mas ele colocou a mão na frente.

Fui rejeitado pelo Gabriel.

"Vou fazer cu doce mesmo, pois você não me estrela", ou algo assim, foi o que ele disse.

Aaaahh, mas eu queria tanto ter beijado ele. Queria tanto beijar ele agora, também. Quando será que ele vai dei... Ou melhor, quando será que saberemos que eu também o estrelo? Eu não sei ao certo, mas acho que sim, eu acho que já amo o Gabriel.

Mesmo eu tendo conhecido um garoto na saída da escola semana passada que trocou umas ideias comigo pelo Face, ainda me sinto conquistado pelo Gabriel. Acho as coisas um pouco diferentes dessa vez.

Ahh, o cara é legal e tal, mas eu só to conhecendo ele agora. Ele me chamou pra passar na praça com ele hoje depois da escola, mas ainda não sei se eu vou.

— No que você está pensando, Vini? — Perguntou ele.

— Em nada, e você?

— Estou pensando que seu rosto é lindo demais. — Respondeu, enquanto colocava as mãos no meu rosto.

— Ah, é? E você é fofinho.

— Falso.

Pior que eu não estava mentindo, realmente estava achando o Gabriel bastante fofinho.

— Como faço pra provar? — Perguntei.

— Me abrace e me solte só às 07:00 — Respondeu ele.

— AÍ A GENTE PERDE A AULA! CADÊ? PENSEI QUE TU FOSSE NERD!

— Nerd, não CDF.

Dei um beijinho no nariz do Gabriel e me levantei da cama.

Por que o nariz? Porque ele não deixaria na boca e o nariz dele é perfeito.

Abri a porta do quarto e fui pro banheiro na frente. Me olhei no espelho e percebi que meu cabelo estava uma zona.

— Cu. — Afirmei, enquanto ligava a torneira e molhava as mãos pra passar no cabelo.

E então, senti alguém me abraçando por trás enquanto envolvia seus braços em minha cintura.

— Ain, não faz isso que eu gamo... — Falei.

— Ah, é mesmo? — Perguntou o Gabriel, enquanto passava uma das mãos pela minha barriga, continuando abraçado comigo.

— ............

— E que tal isso? — Indagou, colocando dedo por dedo dentro da minha cueca na parte da frente.

— DEPOIS EU QUE SOU TARADO! — Falei.

— Mas você é, bobo. — Disse ele, tirando os dedos antes de colocá-los totalmente.

Mano, pensei que ele fosse pegar no meu pau, aff.

— Veja! Você ficou duro! — Exclamou.

— ...E você também. — Falei, pois estava sentindo o pau dele devido ao Gabriel estar me abraçando por trás.

A propósito, ele estava apenas de cueca e com uma camiseta comprida. Ele dormiu sem shorts e sem calça.

Penteei o cabelo, escovamos os dentes lado a lado e saímos do banheiro.

— Seu pai já foi? — Perguntei.

— Sim, ele sai às 05:45. — Respondeu ele.

— Já pensou ele cata a gente se abraçando no banheiro, hahahaha. — Falei.

— Seria constrangedor Vini, mas depois eu não ligaria mais.

Me sentei em uma das cadeiras da cozinha, na mesa, e mexi na sacola de pão.

— Tem mortandela? — Perguntei.

— Se tem mortandela eu não sei, mas talvez você encontre mortadela se olhar dentro da geladeira. — Respondeu ele.

— AFF, cu. — Me levantei e peguei a mortadela dentro da geladeira.

— A propósito, o que você vai fazer depois da aula hoje, Vini? — Perguntou Gabriel, enquanto mexia um copo de leite com nescau utilizando uma colherzinha, na pia.

— Hoje eu vou pra casa ajudar a Thalia com a limpeza, por que? — Respondi. Achei melhor não falar pro Gabriel que eu iria sair com meu amigo, porque não sabia como ele iria reagir.

O cara faz academia e parece mesmo estar a fim de mim, então, se ele soubesse, provavelmente pensaria que eu ainda sou o mesmo de antes e eu não quero passar essa impressão pra ele.

Talvez fosse pior mentir, mas tudo bem, eu não iria fazer nada mesmo.

— Entendi. Eu ia te chamar pra ir comprar um jogo de Xbox comigo, mas tudo bem, posso ir sozinho. — Disse ele. — Meu pai me deu dinheiro ontem de noite.

— Saquei. — Afirmei.

Depois de tomarmos café da manhã, fomos pra escola. É uma boa caminhada da casa do Gabriel até lá, ele mora no fim do mundo.

Chegamos às 06:58 mais ou menos, sete minutos antes do portão fechar.

— Você vai subir pra sala? — Perguntei à ele.

— Não, eu vou na sala do clube de jornalismo buscar o Nell. Ele fica lá agora quando chega. — Respondeu.

— Tá bom, eu vou subir. Acho que a Isabel foi pra sala já. — Falei.

— Okay, até o intervalo Vini. — Disse ele.

— Até. — Fui andando em direção às escadas, mas, ouvi o Gabriel me chamando.

— Ei.

— O que? — Perguntei.

— Eu estrelo você. — Respondeu ele, fazendo um coraçãozinho com as mãos.

— Um coração?! Você não deveria fazer uma estrela?!

— Hihihihihihi, como eu faria uma estrela Vini?

— SEI LÁ HAHAHAHA. — Respondi, enquanto subia as escadas.

Assim que cheguei na sala de aula, encontrei a Isabel lá sentada no lugar dela. Já tinha chegado um povo da sala também, mas aquilo era meio estranho, porque geralmente a Isabel só subia pra sala às 06:10. Isso, 06:10! 5 minutos depois do portão fechar e 10 minutos depois do sinal bater, mas sei lá, já era normal pra gente fazer isso.

— POR QUE TU TÁ AQUI FI DE RAPARIGA? — Perguntei.

— Cara, tem pergunta da apostila pra entregar hoje pra Joana. — Respondeu ela.

— PUTZ, É MESMO, EU NÃO FIZ. — Falei, enquanto me sentava e tirava o material da mochila.

— Copia aí viado.

— Em que página você tá?

— Na primeira ainda. — Afirmou Isabel. — Começa na 19 e vai até a 25.

— Beleza. — Falei.

— Dormiu bem, viado?

— Aham.

— Dormiu bem............................? Viado! — Exclamou ela. — Hãhãhãhãhã.

— PARA SUA IDIOTA! A gente não fez isso que você tá pensando.

— Por que não??

— Sei lá, ele não quis.

— Por que? Transa não se recusa pow. — Disse Isabel.

Abri a apostila na página que a Isabel tinha indicado e juntei minha mesa com a dela pra copiar.

— É que ele fala que não quer fazer essas coisas até eu amar ele.

— E tu não ama?

— Não sei, talvez, sei lá. — Respondi.

— Que frescura, talvez você começasse a amar ele se vocês transassem, ele podia testar isso pra te viciar com o fruto proibido. — Disse ela.

— Duvido, ele nunca faria algo assim.

— Verdade, é o Gabriel ner.

— Ér.

— Mas e tu? Isso tá tudo bem pra você?

— Não sei...

— Tipo "Vini", se tu não ama ele como ele quer, então deixa quieto. Você acha que vai começar a amar ele com o tempo? Acho isso difícil, acho que não vai acontecer. É mais fácil você parar de se iludir e iludir o coitado. — Disse ela.

— ...

— Você devia seguir logo sua vida e encontrar alguém à qual você saiba que ama de verdade.

— Isso nunca aconteceu antes comigo, eu acho difícil é encontrar assim. — Falei.

— É né, mas um dia você encontra! Você ainda tem muitos anos pra viver e nunca se sabe o dia de amanhã. De repente, a gente tá aqui agora e amanhã tudo muda.

— Eu sei Isa, eu sei.

— E o Gabriel já falou que entenderia qualquer decisão que você tomasse ner?

— Sim.

— Então!

— Mas eu não sei ainda, sério, não quero ter pressa. — Falei.

— ...?

— Tenho medo de fazer algo que não deveria e perder ele, tenho medo de quando chegar o dia em que eu precisar e o Gabriel não estiver mais lá pra mim.

— Que osso né, você não se decide.

— O que você acha Isa? Tu acha que eu amo ele?

— Acho que não, porque se não seria diferente.

— Diferente como?

— Sei lá Vinícius.

— Assim tu não ajuda né doida.

— Tô copiando.

— Eu também, duh.

— E o Sato? — Perguntou ela.

— O que tem?

Quando fiz minha pergunta, o sinal tocou. Acho que ele atrasou um pouco, já devia ser umas 07:03.

— Tu vai sair com ele hoje?

— Acho que sim. — Respondi.

— O cara não é da escola, ele fica aí na frente pra encontrar as amigas só mas ele mora aqui perto e é legal. — Disse ela.

— Eu sei que ele é, a gente conversou no Face.

— Tu vai ficar com ele?

— Não quero.

— Por que?

— Só não quero, não vou me sentir bem.

— Então tu ama o Gabriel, será? — Perguntou.

— Não sei também, arg, que raiva.

— Oooooolha... Convenhamos, o Sato é o tipo de cara que tu adora. Aquele corpinho dele, ui, delicia, até eu queria. — Disse ela. — Se tu resistir à ele, pode crer que você tá xonadinho no Gabriel.

— Para de graça caralho, já falei que não vou ficar com ele.

— E por que tá dando chance? Tu sabe que ele te chamou pra ir na praça pra te pegar. — Disse ela.

— Ah sei lá, talvez não.

— Acorda Vinícius, larga de ser tonto, essa tua indecisão tá te deixando leléco?

— Aff.

— Se tu não quer ficar com ele, então manda logo uma mensagem e diz que não quer, larga de querer iludir.

— Eu não quero iludir, é que é só... Difícil.

— Porra. — Falou ela.

— Já tá acabando, né? — Perguntei.

— O que?

— Nosso tempo junto. Você vai voltar a morar na capital com sua mãe e vai se transferir daqui nas próximas férias de julho.

— É, pois é seu viado. Temos que aproveitar esses últimos três meses que faltam. — Disse ela. — Mas relaxa, você ainda vai poder me visitar todo o fim de semana se quiser e eu virei pra cá bastante também pra visitar minha avó.

Os pais da Isabel se divorciaram no passado, por isso, parece que agora ela vai morar apenas com a mãe.

— Tá bom, eu sei.

O professor já tinha entrado na sala e começou à passar sua matéria pra gente.

A professora da apostila era só na terceira aula, então ainda tinha tempo.

No intervalo, desci com a Isabel e fomos direto pro refeitório. O Guilherme estava lá na fila e nos chamou pra irmos junto com ele.

— Valeu Gui. — Falou Isabel.

— É, valeu. — Falei.

— Por nada, eu sei que sou demais. — Disse ele.

— E os rolo com o Pedro?? Conta aí! — Disse Isabel. — Tô loca pra saber.

— Viixi cara, não tá muito bem não... — Falou.

— Por que não? Vocês não tão se comendo todo dia? — Perguntei.

— Até que estávamos mas ontem ele ficou puto quando viu minhas conversas. Sem querer eu deixei aberto e ele leu. — Respondeu o Gui.

— Porra! Que anta você hein! — Exclamou Isabel.

— É, eu sei, foi um erro deixar daquele jeito com ele lá, é que eu esqueci mesmo Isa.

— Mas o que tinha lá? Tu tava saindo com outros caras também? — Perguntou ela.

Me senti um pouco de fora do assunto, eu não estava tão interessado em saber sobre a nova relação do Guilherme com o Pedro.

— Não saindo né, mas já tava marcando uns rolê e dando umas flertadas pelo tinder. — Disse ele.

— Foi o celular, puuutz. — Disse Isabel.

— Pois é, desgraça.

— Adivinha, a anta do Vinícius marcou de sair com um boy hoje mas tá de cu doce por causa do Gabriel. — Falou ela.

— CALA A BOCA SUA FOFOQUEIRA.

— Eita! Eu pensei que você já tivesse namorando com o Gabriel já. — Afirmou o Gui.

— Não tô. — Afirmei.

— Mas ele gosta muito de você, não é? Vai deixar ele pra sair com um cara qualquer aí? Que mancada. — Falou ele.

— AH, MAS TU TA ABRINDO AS ASINHAS MESMO TANDO O PEDRO, E EU TAMBÉM NUNCA FALEI QUE VOU FICAR COM O CARA, É ESSA MELEQUENTA DA ISABEL QUE FICA DISTORCENDO AS COISAS. — Falei.

— Eu não curto tanto o Pedro assim cara, sei lá. Ele é meio chato pra algumas coisas, nós somos muito diferentes. — Falou o Gui.

— É porque o Pedro é um CDF, daí ele fica bravo por ser burro perto dele. — Disse Isabel.

— Né bem isso. — Concordou o Gui. — Ele dá umas tiradas loucas as vezes, apesar de ser um lerdo que demora pra entender as coisas.

— QUAL O SIGNO DELE? É PEIXES? — Perguntou Isa.

— Sim. — Respondeu o Gui.

— POR ISSO, ACERTEI!

— Não curto essas paradas de signo. — Disse Gui.

— É mesmo, qual o teu signo Gui? — Perguntei.

Me lembrei que nunca havia perguntado ao Gui antes qual era o signo dele. O da Isabel eu já sabia que era touro, mas o dele eu não fazia ideia de qual seria.

— É touro. — Respondeu ele.

— SÉRIO? IGUAL O MEU! ME BEIJA! — Falou Isabel.

— BEIJO! — Falou Gui.

— ZOERA HAHAHA. — Disse ela.

— Pow, só porque eu queria.

— Aí o Pedro me mata.

— Mata nada não. — Afirmou ele.

O Gabriel deve estar no clube de jornalismo ou na biblioteca agora. Aliás, no clube de jornalismo, tenho certeza, ele só deve ficar lá agora que tá brigado com a Márcia e também tem o Nell que ficou amiguinho da Verônica.

Não quero ir lá.

Não vou muito com a cara do Nell, nem da Verônica.

Queria ficar um pouco com o Gabriel hoje, mas ah, acho que não vai dar.

Deixa pra amanhã... Já passamos o fim de semana juntos.

Não demoramos muito na fila e logo as merendeiras nos serviram. O prato de hoje era arroz, feijão, salada de alface e frango.

Não aconteceu nada de mais nesse dia na escola, foi todo normal. Depois do intervalo, eu e a Isabel voltamos pra sala e ficamos ocupados com as atividades até a hora de ir embora.

Na saída, Sato não estava lá, acho que só o veria na praça mesmo.

Também não vi o Gabriel, nem o Pedro, nem o Guilherme, nem a Verônica e nem o Nell. Ah, não vi a Márcia também, mas vi o Kaio.

Será que as salas deles saíram mais cedo?

Acho que sim, pois reparei que várias salas estavam vazias enquanto saíamos da escola.

Depois da escola, fui pra minha casa só pra tomar um banho rápido e tirar o uniforme pra ir ver o Sato na praça. Eu não estava muito animado em relação à sair com ele, hm... Eu diria estar bastante nem aí, mas fui mesmo assim.

Às 13:12 na praça, me encontrei com ele em frente à entrada onde haviam os espelhos d'água.

— Eae Vinícius, de boa? — Perguntou Sato, assim que eu o encontrei e fui até ele.

Ele trajava uma camiseta regata e bem grande, que chegava até as pernas. Essa regata por ser grande demais, deixava à mostra parte dos seus peitorais definidos e muito dos seus braços musculosos.

Além da regata, usava uma calça jeans com a parte dos joelhos rasgadas, e, um tênis de esporte da olympicus.

Sato era asiático e ao mesmo tempo, possuía uma pele bastante morena. Não faço ideia de que tipo de linhagem ele possui, mas, o povo chamava ele de coréia.

O cabelo dele é liso e curto em forma de moicano, e a cor dos seus olhos eu não faço ideia de quais sejam. É meio puxado, mas chuto que sejam castanhos.

— Tudo sim, e contigo? — Perguntei.

— Também.

— Quais os seus planos para hoje?

— Ah cara, só dar uns rolê e bater um papo, sabe? Vou comprar umas pipocas pra nóis também, então bora entrar?. — Sugeriu ele.

— Beleza.

Começamos a andar pelo caminho que dava a volta no espelho d'água e levava à entrada da praça. Era um caminho curto, por isso não era permitido andar de bicicleta, skate, patins e derivados por ali.

— Zoou muito na escola hoje? — Perguntou Sato.

— Não, eu só conversei mesmo, normal. Hoje foi um dia bem entediante. — Respondi.

— Ah.

— Tu já terminou a escola né Sato?

— Sim.

— Vai fazer alguma faculdade?

— Sei lá, por enquanto eu não quero não, é caro mano, e também não curto fazer vestibular.

Já vi que esse aí não vai crescer na vida, é tipo um Gui número dois, de bom só tem o corpo.

Nesses aspectos o Gabriel é muito superior à eles.

Ele é bonito, fofinho, inteligente, busca por um futuro e pensa em coisas que vão muito além de só me pegar.

Acho que se ele estivesse aqui, daria um sermão no Sato para que ele fosse atrás de fazer uma faculdade o quanto antes.

Hahahahahahahaha. "Eu não gosto de estudar essas matérias generalizadas, mas, amo estudar coisas que eu gosto."

Essa é uma das frases dele, daquele bobo.

— Entendi. — Afirmei.

— E tu? Vai fazer o que quando terminar? — Perguntou ele.

— Não sei, eu ainda não pensei muito nisso, mas, eu e meu amigo temos conversado bastante sobre o que podemos fazer. — Respondi.

— Maneiro.

— Tu é coreano mesmo?

— Não né cara.

— HAHAHAHAHAHAHAHA. Será que eu posso te chamar de coréia também?

— Faz isso não, por favor, nunca te pedi nada. — Falou.

— Hm... Hm... Hm... Vou pensar se atendo ao pedido ou não.

— Beleza. — Disse ele. — Ow, tu prefere pipoca salgada, doce ou batata?

— Pipoca salgada. Eu vou aceitar porque tô com fome, mas da próxima compro algo pra você também. — Falei.

— Então vai ter próxima?

— É né, por que não teria?

— Beleza. — Afirmou ele, enquanto ia até o carrinho de pipoca.

Droga, acabei falando algo que não devia.

Não deveria ter dado chance para ele perguntar se haveria uma próxima vez, inferno, cu.

Me coloquei numa posição onde não tive como dar outra resposta que não fosse uma positiva.

Ah... Por que eu vim aqui pra começo de conversa? Que vontade de ir embora.

Talvez eu seja mesmo como todo mundo pensa que eu sou.

Mesmo não querendo, eu vim pra cá. Talvez seja porque no fundo eu quero ficar com esse cara.

...

...

Mas eu não quero.

Quero ir pra casa.

— Oi, aqui, pega a sua pipoca. — Disse ele, me entregando um pacotinho de pipoca.

— Você não comprou pra você? — Perguntei.

— Não quis, é só eu comer da sua também. — Respondeu ele. — Bora ali, gosto de sentar naquele lugar.

— Ali aonde?

— Vem. — Disse ele, enquanto me mostrava o caminho para onde queria ir.

Fomos andando no meio daquela praça de eventos, onde, saímos de perto do playground das crianças e chegamos numa área ampla e aberta, coberta por milhares de paralelepípedos no chão. No fim dessa área, havia um palco que era usado para shows quando havia algum evento na cidade, e, à direita desse palco, havia uma rua asfaltada que dava pro lado de fora da praça.

Porém essa rua não era usada pra veículos, porque havia um portão bem no meio dela; um portão que separava a área da praça da rua ao lado de fora.

Acho que aquele portão só era aberto em ocasiões especiais.

Sato me levou até essa rua, onde, do lado direito, havia um rio de esgoto e um murinho de pedras que separava o rio da área da praça.

— Vamo sentar ali. — Afirmou ele, me orientando à sentar em cima do muro.

Esse cara vai me matar??? E que porra é essa? Me trazendo para o lado de um esgoto? Está um fedor horrível, aff.

— Não quero, vou ficar aqui mesmo... — Respondi, me sentando no meio do asfalto.

— ...Beleza. — Disse ele, sentando-se ao meu lado.

— Por que me trouxe aqui?

— Gosto daqui, sei lá, é meio que o meu lugar.

E então, um trem começou a passar na ponte um pouco a frente; essa ponte passava por cima do esgoto e das ruas que haviam no local.

Aquele trem passou numa velocidade bem alta, então, não demorou muito até que passasse totalmente.

Gabriel com certeza comentaria alguma coisa ao vê-lo passando, se estivesse aqui.

Esses trens modernizados da CPTM, é, eles são bonitos mesmo.

— Tá tudo de boa? Você ficou quieto. — Disse Sato, enquanto colocava o braço por de torno dos meus ombros.

— ...Tá sim, eu só tava pensando. — Falei.

— Dá uma aí. — Falou ele, pedindo uma pipoca.

— Pega, pega tudo. — Entreguei o pacote à ele.

— Você não quer mais?

— Não, depois eu pego. — Respondi.

— ...

— ...

— Você não está...

— Acho que não, desculpa. — Falei.

— Beleza.

— Quero ir pra casa, não estou muito legal hoje pra essas coisas.

— Aconteceu alguma coisa? — Perguntou ele.

— Não, eu só não estou a fim mesmo. — Respondi.

— Tá bom mano, foi mal, acho que não foi uma boa ideia te chamar hoje.

— Não tem problema.

— Vamos embora então. — Falou ele.

Às 13:46 do mesmo dia, no meu quarto.

— Ahhhh! Isso foi horrível! Que osso! — Reclamei, me jogando na cama. — Aquele clima estava tão estranho, mas tão estranho, mas tããão estranho, que eu tenho quase certeza que nunca mais vou ter assunto com o cara de novo.

Bom, é melhor assim. Ele não é grande coisa mesmo.

Viu Isabel? Eu falei que não faria nada.

Além disso, eu realmente não tive vontade no fim das contas.

O Gabriel, o que será que ele está fazendo agora? Será que ele já foi comprar o jogo?

Ah... Sei lá... De noite eu mando mensagem pra ele.

Desdobrei meu cobertor e me enrolei nele, pra tirar uma soneca durante a tarde.

Continua no capítulo 30.