Notas iniciais
Desculpem a demora! Mas é que tive muitos afazeres esses dias. Fiquei feliz de ver alguns reviews bem carinhosos. Brigada! Mas lembrem-se que a continuação dessa Fic depende total dos reviews de vcs, então se quiserem que eu continue, me façam feliz com muuuuitos reviews! Beijooos e espero que curtam!

Capítulo 6

– Eu sei, eu sei. É esplêndido, não é? — Effie comentou, eufórica, ao observar os olhos arregalados das selecionadas quando se depararam com o Edifício que, até o final dos Jogos, seria seu novo lar.

– Se vocês já estão assim, esperem só quando virem seus apartamentos. — Effie continuou, arrancando sorrisos de todas, exceto de Katniss e Johanna, que apenas se entreolharam. — Eles foram preparados para que vocês se sintam imensamente confortáveis. Madeline — Chamou ela. E como que, surgindo do nada, uma avox apareceu ao seu lado. — Faça a gentileza de entregar os cartões-chave para as selecionadas.

Imediatamente, a avox de nome Madeline, tratou de entregar a cada selecionada um cartão-chave.

– Cada apartamento foi escolhido baseado na ordem de chamada em que seu nome foi escolhido no dia da colheita. Portanto, — Virou o rosto para Katniss, que estava concentrada em seu cartão. — Você, senhorita Everdeen, é uma garota de sorte. — A garota franziu o cenho, sem entender. Então ela começou a explicar: — Como você foi a última a ser selecionada, ficará com o décimo andar. — Katniss ainda a mirava com cara de interrogação. — Ainda não compreendeu? Seu andar fica bem embaixo do andar de Peeta Mellark. — Concluiu, dando um sorriso satisfeito. Ao contrário de Katniss, que arregalou os olhos, surpresa. Enquanto as outras garotas fuzilaram-na com o olhar. A inveja mais uma vez estampada em seus rostos.

Que ótimo, mais um motivo para que as outras garotas quisessem matá-la. Aliás, mais um motivo para que ela mesma quisesse fazer isso. — Pensou Katniss, frustrada.

– Madeline! — Effie chamou a avox outra vez, desligando Katniss de seus pensamentos. — Traga a caixa! — Ordenou. E a avox correu em direção a uma mesa, onde estava a tal caixa que ela havia pedido. — Mais rápido, Madeline! — A pobre avox apressou o passo o máximo que conseguiu. E ao retornar, entregou a caixa para Effie, que nem se deu ao trabalho de agradecer. Talvez aquele fosse um costume na Capital. Katniss não gostou disso. E pensou que talvez fosse bem mais difícil acostumar-se aquele lugar do que imaginava. — Aqui dentro desta caixa estão os nomes dos melhores estilistas de toda a Capital, bem como, o tema que cada uma irá representar nos jogos. Este ano, a escolha será baseada em fenômenos e elementos naturais. — Explicou ela. Para em seguida levar a caixa para que cada selecionada pudesse enfiar a mão dentro dela, e pegar um envelope.

– Ei, doze, qual foi o seu? — Johanna perguntou para Katniss, que terminava de abrir seu envelope.

– Um tal de Cinna. — Katniss respondeu. — E o tema é fogo.

– Sorte sua. Porque a minha é uma tal de Portia. E o tema é a maior piada... — Fez uma careta. — Árvore. Acredita nisso?

Katniss deu uma risadinha discreta diante da fúria de sua amiga.

– Droga! — Exclamou Johanna, olhando para um ponto, onde algumas selecionadas conversavam animadamente. — Aposto que a Glitter ali pegou o melhor tema. Olha só como ela está feliz.

– Achei que o nome dela fosse Glimmer. — Disse Katniss, confusa.

– E é. Mas o nome Glitter combina bem mais com ela.

Katniss deu um sorrisinho discreto, e teve de concordar com ela. Pois a garota parecia sempre escolher os vestidos que mais possuíssem brilho.

Em meio a isso, um burburinho se iniciou entre as selecionadas. Todas já se preparando para se dirigir aos seus respectivos apartamentos.

– Esperem, queridinhas! — Pediu Effie, chamando a atenção delas, que se calaram de imediato. — Antes de saírem, preciso explicar algumas coisinhas muito importantes. Primeiro: Assim que chegarem aos seus apartamentos, vocês encontrarão uma avox a espera de vocês. Ela irá ajudá-las com tudo. Vocês só terão de ordenar. E não se preocupem porque o nome delas estará escrito em um crachá para facilitar a comunicação. — Pausou, tomando ar. — Segundo: Vocês todas estão extremamente proibidas de sair de seus apartamentos, mesmo que seja só para dar um passeio. Se fizerem isso, tenham certeza que serão castigadas. E se eu fosse vocês, não pagaria para ver! — Aconselhou ela, com uma expressão bastante sinistra em seu rosto. — Os jogos começam a partir do momento em que vocês entram em seus apartamentos. Portanto, a partir de agora, vocês receberão todo tipo de ordem, que devem ser cumpridas à risca. Ah, só mais uma coisa, amanhã bem cedo vocês receberão a primeira visita de seus estilistas. Sejam educadas e obedeçam a todas as suas idéias sem questionar. Bem, agora sim, estão dispensadas! Boa sorte a todas e que a sorte esteja sempre a seu favor! — Cantarolou essa última frase e acompanhada por sua avox, se retirou, deixando as selecionada, enfim, sozinhas.

– Melhor a gente deixar Glitter e sua turma irem na frente. Depois a gente vai. — Sugeriu Johanna — Elas estão com cara de que querem nos trucidar antes dos Jogos começarem, de fato.

– É. — Katniss concordou. — Mas, pelo que eu vi, a primeira cabeça que está a prêmio é a minha.

Johanna deu um sorriso de lado.

– Ainda bem que você sabe. — Debochou ela, recebendo de Katniss um olhar não muito amigável. Então ela deu uma risada, e puxou Katniss pelo braço até o elevador.

Quando elas entraram, cada uma apertou o botão que levava ao seu apartamento. O de Joanna era o sétimo, então a primeira parada foi dela.

– A gente se vê amanhã, doze. — Joanna disse, com a mão esticada para impedir que a porta se fechasse antes que ela concluísse seu raciocínio. — Tenha um ótima noite... Se é que isso é possível. — Deu uma piscadela e saiu.

Katniss sorriu em despedida, enquanto a porta do elevador se fechava. Para em seguida, voltar a subir.

Assim que chegou ao seu andar, a primeira coisa que se deparou foi com a porta do seu apartamento que era gigantesca, o que fez com que ela já começasse a imaginar o tipo de lugar que encontraria do lado de dentro. Pegou o cartão e passou uma vez no dispositivo. Uma luz vermelha se acendeu indicando que não tinha conseguido. Passou mais uma vez e nada. Depois passou outra e outra e outra... Até não aguentar mais e se irritar o suficiente para querer arrombar aquele lugar. Suspirou para se acalmar. Mas aquilo não serviria para abrir a porta. Precisava de alguém que a ajudasse. Teve a idéia de ir até o apartamento de Johanna. Mas era proibido, lembrou, frustrada. Espera! Se ela não entrou no apartamento, tecnicamente, ela não saiu, portanto não cabia na regra da proibição. Por isso, sem pestanejar, apertou o botão do elevador, chamando-o.

Alguns segundos depois, que pareceram eternos para Katniss, o elevador abriu. Mas para sua grande surpresa, ele não estava vazio.

– Ôpa! — Um garoto de olhos penetrantes e cabelos dourados esticou o braço, impedindo que a porta se fechasse. Katniss ficou parada, encarando-o, sem ação. — Então, vai descer? Como é?! — Perguntou o garoto, um pouquinho impaciente.

Katniss balançou a cabeça, como que saindo o transe.

– Vou. Quer dizer... Na verdade eu ia, mas é que eu já nem sei mais. — O garoto fez cara de interrogação. — Porque se for pega, posso ser castigada por isso.

O garoto arregalou as sobrancelhas.

– Aaaahh! Entendi. Você deve ser uma das selecionadas. Acertei?

– É. Sou sim. E você?

– Não. Eu não. — Brincou, mas Katniss em vez de rir, fez uma careta. — Nossa! Cadê o seu humor?

– Foi embora no momento em que eu passei a droga desse cartão na porta e ela não abriu! — Ela respondeu, com uma ponta de irritação na voz.

O garoto saiu do elevador.

– Então, o problema todinho é esse. Dá aqui o cartão! — Ela entregou pra ele sem pestanejar. Então ele foi até a porta e passou, só que, ao contrário dela, ele o fez bem devagar. E esse era o grande segredo, pois imediatamente, a luz verde acendeu. — Viu? É só uma questão de jeito. — Abriu a porta e deu espaço para que ela entrasse. E ela obedeceu sem nem olhar pra trás. — De nada. — Ela o ouviu dizer e instintivamente se virou para ele, que sorria de lado.

– Brigada. — Ela agradeceu, sem graça.

– Não foi nada. — Esticou o braço, de um lado para o outro da porta, impedindo-a de entrar. Katniss fulminou-o com o olhar. — Quando precisar é só chamar. Costumo sempre estar pronto a ajudar garotas bonitas como você. — Disse ele, olhando-a de cima a baixo com malícia. Isso irritou profundamente Katniss. Odiava esse tipo de garoto!

– Estou lisonjeada. — Katniss falou em tom de deboche.

Ele deu uma risada tão forte que até levantou a cabeça. Depois enfiou a mão em um dos bolsos, sacando de lá alguns torrões de açúcar.

– Aceita? — Ofereceu ele após colocar um dos torrões na boca e mastigar, sorrindo.

Katniss fez uma careta.

– Achei que isso fosse para cavalos.

– Achou certo. Mas eu adoro comê-los. São bem docinhos. Você deveria pegar um para ver se eles conseguem adoçar um pouco seu humor.

– Não, obrigada. O meu humor só mudará quando um certo garoto metido tirar o braço da frente da porta para que eu possa entrar.

O garoto deu outra risada. Em seguida, retirou o braço e fazendo uma reverência, permitiu que ela entrasse. Então, pisando forte, Katniss passou por ele e depois de olhar a cara de cínico que ele fazia, entrou e bateu a porta com força.

– Outra vez, de nada! — Ela ainda o ouviu gritar do lado de fora.

Garoto mais insuportável! Pensou ela, e desejou nunca mais encontrá-lo. Mas em meio ao seu pensamento, seu olhar foi arrebatado pela beleza exuberante do apartamento de luxo. Caminhou em direção ao que parecia ser a sala. Deslizou os dedos pelo tecido do sofá. Era de um tecido tão macio que a fez se jogar sobre ele para testar também a sua fofura. Sorriu como uma criança. Entretanto o seu sorriso logo morreu ao avistar sua avox parada na sua frente.

– Oi! Meu nome é Katniss Everdeen. — Apresentou-se, quando levantou. — E você é... — Encarou seu crachá. — Bonnie. É um prazer conhecer você.

Diante da apresentação, a avox fez uma reverência, e Katniss teve a impressão de vê-la sorrir, apesar de estar com a cabeça baixa.

– Olha, eu não vou ordenar nada pra você. — A avox levantou a cabeça, estranhando. — Eu vou pedir. E se você quiser, pode fazer ou não. A escolha é sua. Você é livre, certo?

A avox continuou olhando para ela, como que decidindo se acreditava ou não nela. Afinal, em sua vida inteira, isso nunca havia acontecido.

– Bom, você poderia mostrar onde fica o meu quarto, por favor?!

A avox concordou com a cabeça. E era nítido que ela havia gostado da forma como Katniss a havia tratado. Por isso, fez questão de conduzí-la até o aposento.

Chegando lá, abriu o armário para que Katniss pudesse ver a quantidade de roupas que agora pertencia a ela.

– São lindas. Mas, pra mim, elas só fazem lembrar que a partir de agora não passo de uma peça nas mãos da Capital. Assim como você.

A avox fez um gesto com a cabeça, como que se solidarizando com ela.

Vendo a tristeza no olhar de Bonnie, Katniss quis se redimir. A vida daquela avox já era bem triste.

– Será que você pode me mostrar onde é o banheiro?! Não vejo a hora de tomar um banho bem gostoso. A viagem até aqui me deixou exausta.

A avox sorriu, contente. Correu até uma das portas que ficava na lateral do quarto. E abrindo-a, mostrou a Katniss uma linda banheira, que àquela altura já estava cheia de espuma, e pelo cheiro que emanava, estava repleta dos mais cheirosos sais de banho.

Katniss sorriu. E pela primeira vez naquele dia, tratava-se de um sorriso com muita satisfação. Depois retirou toda a roupa e deitou na banheira, relaxando.

Minutos depois, vestida com um pijama de seda, Katniss foi até a sala de jantar onde um belo banquete a esperava. Comeu com moderação, apesar de estar faminta. Não desejava ter uma indigestão ao dormir.

Depois disso, foi para o quarto e deitou na cama king size, que ficava de frente a uma enorme tela. Pegou o controle e ligou. Passou por todos os canais, mas não encontrou nada de interessante. Então, entediada, saiu do quarto.

Caminhando em silêncio, foi até a sala a fim de encontrar a avox. Mas não a encontrou. Ficou decepcionada. Queria uma companhia para conversar, mesmo que para isso, tivesse de falar sozinha. Foi até à janela de vidro. Abriu-a e recostando-se nela, olhou para baixo. Observou que a Capital inteira estava escura e dormia. A impressão que ela teve foi que só ela estava acordada naquela noite. Suspirando, fechou a janela e já ia voltar para o quarto se não fosse uma vontade imensa que lhe deu de sair dali...

E foi o que ela acabou fazendo...

Enquanto isso, na Sala de Treinamento, outra pessoa parecia ter tido a mesma insônia que ela.

– Acho que você deveria dormir. — Aconselhou Boggs. — Amanhã será um dia bem cansativo pra você.

– Não. — Peeta respondeu com convicção. — Quero ficar e treinar mais um pouco. Estou sem sono.

Boggs segurou o ombro de Peeta. Ele era um dos únicos que conseguia entender a agonia dele, pois nunca concordou com os desmandes da Capital.

– Tudo bem. Pode ficar. Só não esquece de trancar bem a porta quando sair. — Alertou Boggs, entregando um molho de chaves para Peeta.

– Pode deixar. — Disse Peeta, que tentou forçar um sorriso para o amigo. Não queria que ele saísse dali preocupado. Entretanto, Boggs tinha Peeta como a um filho, por isso, sempre se preocupava, independente de qualquer coisa.

– Só quero que saiba que conta comigo. Sempre. — Boggs deixou bem claro, antes de passar pela porta de ferro e ir embora.

Sozinho, um milhão de coisas começaram a sobrevoar a mente de Peeta. Todas elas relacionadas aos Jogos que se iniciariam no dia seguinte. Teve vontade de desistir. De fugir pra bem longe. E tinha de descontar em alguma coisa. Rápido. Antes que pudesse pirar.

Por isso, se dirigiu até um barra de ferro onde se encontravam penduradas algumas bolas de ferro. Todas elas de tamanhos e pesos diferentes. Arregaçou a manga do braço direito e pegou uma das bolas. A mais pesada. Tanto que algumas gotas de suor desfilaram em seu rosto, e seus músculos e veias se sobressaíram.

Então, segurando-a com firmeza, caminhou até um certo ponto e com bastante esforço, fazendo careta, arremessou-a o mais longe que conseguiu. Contudo, o esforço foi tão grande que, arfando de cansaço, sentiu uma espécie de vertigem e caiu de joelhos no chão.

Mas o que ele jamais iria imaginar era que, ali bem perto dele, alguém o observava. E ao vê-lo quase desmaiar, teve o impulso de correr para ajudá-lo. Isso fez com que, desastrosamente, ela batesse em uma das armas e a derrubasse no chão, causando um barulho estrondoso.

– Quem tá aí? — Peeta perguntou, já se levantando e se pondo em guarda. — Responde! Quem tá aí? — Perguntou mais uma vez, mas a resposta não veio. Então, em silêncio, ao mesmo tempo em que olhava de um lado para o outro, ele se dirigiu até o suporte onde ficavam as espadas. — É você, Cato? — Insistiu, e pegou uma das espadas. — Se for você, aparece, seu covarde! — Ameaçou e começou a procurá-lo, principalmente por trás das colunas. Com a espada sempre apontada, para o caso de um ataque surpresa.

Foi aí que, de repente, em uma das colunas, ele avistou uma sombra que se movia estranhamente. Deu alguns passos até lá de forma sorrateira. O objetivo era pegar quem quer que fosse de surpresa.

– Te peguei! — Gritou ele, com raiva, apontando a espada bem para o peito de Cato...

Espera! Não tratava-se de Cato. Tratava-se de uma garota. Linda. Aliás, muito linda! Como ele nunca lembrava de ter visto na vida. Tinha os cabelos escuros, que estavam soltos em cascata, olhos azuis como o céu e sardas salpicadas em seu rosto.

– Quem é você? — Ele perguntou, fascinado, sem desviar o olhar do dela, que se encontrava arregalado pelo susto.

Seus corações batendo exageradamente rápido...