Eu escolhi você!
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Capítulo 15
– Você tá linda, patinha. — Katniss disse para irmã caçula quando terminou de fazer uma trança em seu cabelo. Naquele instante, elas estavam em frente a um grande espelho.
Há meia hora atrás, Cinna tinha aparecido em seu apartamento, levando os uniformes que ambas usariam nas competições.
– Queria parecer com você. — Disse Prim, desanimada com sua aparência.
Katniss virou a irmã para que ela ficasse de frente pra ela. E segurou seus ombros.
– Não. De jeito nenhum. Eu é que queria parecer com você.
Prim sorriu ainda desanimada, e abrindo os braços, agarrou a cintura da irmã.
– Estou com medo, Kat.
Em resposta, Katniss estreitou-a nos braços — Não fique, patinha. Eu não vou deixar nada de ruim acontecer com você. Eu prometo.
Prim levantou a cabeça para fitar a irmã — Eu acredito em você.
Katniss sorriu com ternura. Em seguida tascou um beijo no alto da cabeça de Prim. E se soltando dela, pegou o broche de tordo e com cuidado prendeu-o na roupa dela.
– Acho que isso deve ficar com você. Pra te dar sorte.
Prim sorriu, e concordou com a cabeça, agradecida.
Foi nesse momento que o som da campainha tocou em alto e bom som.
– Termina de se arrumar que eu vou lá ver quem é. — Tascou um beijo no rosto da irmã. — Já volto. — E saiu do quarto.
Ao atravessar a sala, foi até a porta e ao abrí-la se deparou com...
– Peeta?! O que tá fazendo aqui? — Perguntou Katniss, tentando desviar o olhar dos músculos dos braços de Peeta, que estavam à mostra por causa do estilo do uniforme.
Peeta deu um sorrisinho de lado. — Eu vim pra te dar boa sorte. Já que lá embaixo, vou ter que fingir que não me importo.
Katniss baixou a cabeça, sorrindo sem graça. Mas não disse nada.
– Recebeu meu bilhete?
Katniss levantou o olhar, que se encontrou com o dele. — Recebi.
– E... — Peeta quis saber, ansioso.
– E... Eu não entendi porque você quis se explicar daquele jeito.
Peeta riu, soltando o ar pelo nariz. — Porquê? Você sabe por quê. — Katniss sacudiu levemente a cabeça. Então ele continuou: — Bem que o Finn disse que eu ia precisar de muito tempo pra te convencer.
Katniss franziu a testa, com uma pontinha de indignação. — Finnick? O que ele tem a ver com isso? Você não contou pra ele que você me beijou, contou?
– Contei sim... Que nós nos beijamos. Porque eu não me lembro de ter beijado sozinho.
– Mas o beijo não devia ter acontecido.
Peeta enfiou as mãos nos bolsos. — Por que não? — Perguntou, indignado.
– Porque foi um erro.
Peeta baixou o olhar, decepcionado. — Um erro...? — Em seguida, levantou o olhar. — Então o que você acha que a gente deve fazer?
Katniss desviou o olhar por um segundo antes de responder. — Não sei. Acho que o melhor é a gente esquecer.
Peeta encarou-a com tanta intensidade que fez com que Katniss sentisse suas pernas bambearem.
– Eu não quero esquecer. — Peeta murmurou por fim.
Katniss engoliu a seco quando observou ele aproximando os lábios em direção aos dela... Lentamente.
Ela sabia que precisava agir rápido antes que o beijo acontecesse outra vez. Afinal, no dia anterior, tinha conhecido sua resistência aos encantos de Peeta e constatara o quanto era frágil nos braços dele.
– Peeta, não. — Pediu ela. E, por instintivamente, ele se afastou. — Desculpa, mas as coisas mudaram. A Prim está aqui. E tudo que agora eu consigo pensar é em protegê-la. Então acho que o meu coração... Não tem espaço pra isso.
Peeta ficou por alguns segundos em silêncio, pensativo. Katniss tinha sido sincera... Não podia insistir. Não tinha esse direito.
– Tudo bem. Eu entendo. — Disse Peeta por fim. Em seguida, deu um suspiro profundo. — Bom, acho melhor eu ir descendo antes que o Cato mande um pacificador me procurar... A gente se vê lá embaixo, certo?
Katniss sorriu com ternura e concordou com a cabeça. — Certo.
Então, dando um último sorriso, — o maldito sorriso de lado que sempre mexia com Katniss — ele entrou no elevador.
Por alguns segundos, Katniss e Peeta ainda permaneceram se encarando, apaixonadamente, até que a porta corrediça do elevador se fechou.
*******
Mais tarde, no horário marcado, Prim e Katniss chegaram no Salão de Treinamento. Ambas perceberam que o local estava lotado de câmeras por todos os lados. E que se encontrava todo preparado para o que quer que Cato tivesse em mente.
Segurando a mão de Prim, Katniss se posicionou ao lado de Johanna, que cumprimentou-as como sempre fazia. Então passeou o olhar por todo o salão até se deparar com o olhar que procurava... O de Peeta.
Ela não sabia o porquê, mas o olhar dele tinha sempre o poder de acalmá-la.
Peeta estava ao lado de Cato, Tresh, Marvel e Finnick.
– Quando quiser, Cato. — Caesar informou através de um telão, que ficava no alto de uma das paredes laterais.
– Obrigado, Caesar. — Cato agradeceu, e todas as câmeras se voltaram para ele. — Boa noite, Panem e boa noite, selecionadas. Como vocês já sabem, hoje teremos a nossa primeira competição. Mas antes de dizer sobre o que se trata, peço que olhem para o telão, onde o nosso sorteio acontecerá dentro de alguns segundos.
Todas os rostos se viraram em direção ao telão. Os nomes das vinte selecionadas apareceram escritos nele. Então quando Cato apertou um botão, todos os nomes começaram a se embaralhar e alguns começaram a desaparecer até só restar seis nomes: Latarsha, Amber, Cashmere, Delly, Clove e, para desespero de Katniss, Prim.
– Aí estão as nossas seis primeiras competidoras! — Anunciou Cato com entusiasmo, mas antes que pudesse continuar, Katniss gritou de onde estava.
– Eu me ofereço! — Todos se viraram em direção a ela. O olhar de Peeta era de preocupação. — Eu me ofereço para competir no lugar da minha irmã.
Em resposta, Cato deu um sorriso cínico. — Ora, ora, parece que os Jogos Vorazes deste ano será bem mais divertido do que eu imaginava. Tudo bem. Se é o que você quer, quem sou eu para impedí-la.
Prim agarrou a irmã, desesperada — Não, Kat. Não precisa fazer isso.
Katniss segurou o rosto da irmã entre as mãos. — Preciso sim. E vou. Lembra que eu prometi te proteger...
– Mas... — Prim tentou argumentar, mas Katniss já estava decidida e se soltando dela, se dirigiu até onde as outras cinco meninas estavam.
Cato sorriu, satisfeito, ao ver Katniss se posicionando no lugar de Prim. Enquanto isso, Marvel mandou que todas as outras selecionadas se dirigissem até às arquibancadas. Pois a partir dali, elas só poderiam assistir.
– Ótimo. Agora, finalmente, vamos começar a nossa primeira competição que será... — Cato fez um suspense antes de anunciar: — Luta livre.
Todas as seis selecionadas se entreolharam sem compreender. Mas foi Peeta quem se aproximou de Cato para tirar a dúvida.
– Qual foi, Cato?! Achei que tivesse dito para elas treinarem suas habilidades.
Cato se virou para Peeta, com o mesmo sorriso cínico de sempre. — Eu menti.
Em resposta, Peeta trincou os dentes e apertou os punhos.
– Bem, as primeiras a subirem no tablado são... — Cato continuou sem dar a mínima para cara indignada de Peeta. — Amber e Cashmere.
Obedientes, as duas garotas se dirigiram até uma espécie de arena quadrada e alcochoada, cercada por cordas vermelhas.
– A regra é o seguinte: As duas lutarão uma com a outra até que uma delas consiga derrubar e pressionar a adversária no chão. Mas... Aviso logo que a luta só acabará quando eu achar conveniente. — Dizendo isso, Cato lançou um olhar sugestivo para Peeta e depois para Katniss. E ambos sabiam o que isso queria dizer.
Minutos depois de tudo estar devidamente explicado, a luta se iniciou. E a primeira a ganhar foi Cashmere, que não encontrou nenhuma dificuldade em derrubar Amber. Depois disso foi a vez de Cashmere lutar contra Delly, e por incrível que pareça, Delly foi a vencedora.
As próximas a lutarem foi Delly e Clove, mas com os golpes traiçoeiros de Clove, Delly acabou perdendo. O que levou à próxima luta, entre Clove e Latarsha. E o resultado nada surpreendente foi a vitória de Clove.
Então finalmente foi a vez de Katniss subir no tablado para lutar contra Clove.
A luta começou com um golpe certeiro de Clove no rosto de Katniss, que revidou com um soco no estômago dela, o que conseguiu deixar Clove um pouco tonta. Devido a isso, as duas se afastaram para preparar uma nova estratégia. Então quando Katniss acertou o joelho de Clove, viu o primeiro clarão de raiva nos olhos dela. Nos cinco minutos seguintes as duas trocaram vários socos, com Katniss acertando mais duas vezes o estômago de Clove. Mas quando Clove acertou a têmpora de Katniss lhe arrancando sangue, a garota viu estrelas e acabou caindo de costas no chão.
Ao vê-la caída, Peeta correu desesperado em direção ao tablado e teve de ser segurado por Tresh para não acabar entrando na luta.
– Me solta, Tresh! — Gritou Peeta, revoltado. Mas Tresh não fez nem menção de obedecê-lo.
Foi aí que Clove colocou o braço no pescoço de Katniss, pressionando-o para que ela continuasse no chão. A garota se debatia, engasgada. E Prim, de onde estava, começou a chorar, sendo consolada por Johanna, que também já se encontrava altamente revoltada.
Os dez segundos começaram a ser contados pelas selecionadas. Mas ao chegar no zero, Cato não falou absolutamente nada.
– Chega, Cato! — Gritou, Peeta, ainda segurado por Tresh. — Para logo a droga dessa luta! A Clove vai acabar matando a Katniss!
Mas Cato parecia não ouvir o apelo de Peeta, continuando a observar Clove apertando o pescoço de Katniss, o olhar sanguinário.
Segundos preciosos tiquetaquearam no coração de Peeta, que ficava cada vez mais desesperado. Mas quando Cato começou a perceber que as forças de Katniss começava a se esvair, gritou em alto e bom som:
– Chega! Já pode soltá-la, Clove. Você venceu!
A garota deu um sorriso de canto a canto da orelha, enquanto soltava Katniss, que tossia, engasgada. E, apesar dos pesares, houveram alguns aplausos por parte de algumas selecionadas da arquibancada.
Foi aí que Peeta conseguiu se soltar de Tresh. Correu rapidamente até o tablado e com um só pulo em cima da corda vermelha, entrou na arena e foi até onde estava Katniss. Chegando lá, se ajoelhou e colocou a cabeça de Katniss em seu peito, abraçando-a.
Nesse entremeio, Cato encerrou o programa, anunciando a vitória de Clove e seu possível prêmio: Um encontro com Peeta. Além de, fazer uma chamada para a próxima competição que seria dali a uma semana. Então, depois disso, as câmeras foram desligadas.
– Você está bem? — Perguntou Peeta para Katniss, com um semblante extremamente preocupado.
– Hum... — Katniss gemeu. — Estou... Mas... A minha cabeça... Ela está doendo muito. — E desmaiou nos braços de Peeta.
Peeta segurou o local onde Clove a havia acertado e sua mão acabou ficando embebida em sangue. Prim e Johanna se aproximaram correndo.
– Kat! Kat! — Prim gritava, desesperada. Johanna segurava-a em seus braços, tentando acalmá-la.
– Johanna, cuida da Prim porque eu preciso levar a Katniss na enfermaria. — Peeta avisou, erguendo Katniss em seu colo.
– Pode deixar! Vai lá, conquistador! — Johanna respondeu e até que o apelido por sua boca não soou tão insuportável como Peeta imaginava.
*********
– O que aconteceu? — Murmurou Katniss, quando acordou deitada em um leito da enfermaria. Ela estava com um curativo na têmpora.
– Você desmaiou depois de levar um golpe da Clove. — Peeta respondeu. E só aí Katniss se deu conta da presença dele ao seu lado. Ele segurava sua mão com carinho.
Katniss encarou-o — Onde está a Prim?
– Ela está bem. Não se preocupe. Pedi a Johanna para cuidar dela.
Um sorrisinho agradecido se formou no rosto de Katniss. — Obrigada.
Peeta sorriu de volta. — De nada.
– Quanto tempo se passou desde que eu desmaiei? — Katniss quis saber.
– Não sei. Umas duas horas, acho.
Katniss arregalou o olhar, abismada. Então Peeta fez um carinho em seu cabelo.
– Melhor você descansar mais um pouco. O médico falou que a pancada foi muito forte. E você só terá alta amanhã de manhã.
Katniss fez uma careta. — Amanhã? Isso quer dizer que eu vou ter que dormir aqui?
– Vai. Mas não se preocupe. Eu vou ficar aqui com você.
Mesmo sem querer, Katniss acabou se emocionando com aquele gesto. Então, sem pensar nas consequências daquele gesto, ela pressionou seus lábios contra os dele e tascou um beijo bem gostoso.
Quando seus lábios se descolaram, os olhos de Peeta se abriram lentamente até que seus olhares se encontraram.
– Depois disso, aí mesmo é que eu não saio mais de perto de você. — Peeta sussurrou. E katniss sorriu.
– Deita aqui comigo.
Peeta foi pego de surpresa, mas antes que ela pudesse mudar de idéia, ele se sentou atrás dela, envolvendo-a em seus braços e se aconchegou, de maneira que a cabeça dela ficou apoiada em seu peito enquanto sua mão delicada e pequena acariciava seu tórax.
– Katniss, amanhã quero te mostrar um lugar... — Peeta falou baixinho antes que ela dormisse. — Acho que você vai gostar.
Katniss deu um suspiro e remexeu a cabeça no peito de Peeta. Nunca havia se sentido tão protegida. Depois daquele dia talvez nunca mais soubesse dormir longe dele, pensou.
– Qualquer lugar... Desde que seja com você. — Katniss sussurrou por fim. E Peeta apertou-a nos braços com carinho.
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