Eu e a vida da garota ao lado
5 Capítulo 5 Presente de consolação
Notas iniciais
—Melhor eu parar por aqui.
—N-não! Por favor senpai! Continue!
Ele parou mas Atsuhiko insistiu chacoalhando-o sem parar fazendo ele errar o desenho:
—E-está bem...-Ele suspira.-Uma das noites eu ouvi o Sr.Hirot conversando com a Asuki no quintal, eles pararam em frente a casa, ele se agachava e falava baixo , e calmo com ela e durante toda a conversa ela ficava de cabeça baixa e eu me lembro vagamente da conversa , ele tentava arrancar da Asuki tentando fazer com que ela dissesse o que estava acontecendo na escola mas a resposta era sempre a mesma “Nada”, então o Sr.Hirota a abraçou, logo em seguida ela cobriu os olhos com as mãozinhas e ele foi para dentro da casa e em silêncio, a Sra.Hirota saiu com a câmera ligada na mão e focou em Asuki com os olhos fechados, então ele saiu com um filhote de golden retriever com um enorme laço rosa no pescoço , e quando ela tirou a mão dos olhos eles se arregalaram e então ela começou a chorar, logo em seguida ela enxugou os olhos e pegou o cachorro e o abraçou e não parava de soluçar enquanto seu pai ria...-Ele piscou com força tentando manter-se acordado.-Era engraçado por que o filhote de cachorro era quase do tamanho dela e ela tinha dificuldade para segura-lo.
—Que bonitinha essa cena.Parece até um comercial de natal.
—Sim... E Então ela voltou a ser uma garota sorridente, ela ignorava os comentários maldosos, voltou a fazer penteados malucos e sempre voltava o mais rápido possível pra casa. E o meu odio ao vê-la feliz aumentava a cada vez que ela sorria todas as noites brincando com a cadela no quintal , enquanto os meus pais brigavam pela minha guarda. Meu pai discutia toda vez pelo telefone enquanto a minha mãe gritava do outro lado da linha...—Hideki para, respira fundo e volta a desenhar.-Eu achava injusto aquela garota ser tão feliz e eu ter que passar por tudo aquilo... Até que alegria dela durou três meses quando estraguei tudo...-Ele deu um suspiro.
—O que você fez senpai?...
Hideki suspirou e encarou Atsuhiko, voltou a desenhar e suspirou mais uma vez:
—A cadela tinha somente três meses e não era domesticada, e eu sabia disso. No fim da tarde as duas brincavam no quintal, eu voltava das aulas de natação e Asuki estava sentada no chão, com os olhinhos fechados e a cachorra esfregava o focinho no rosto dela, intencionalmente eu abri o portão , a cadela ouviu o barulho ,viu o portão sendo aberto, rapidamente ela veio correndo na minha direção "FECHA O PORTÃO!" Ela gritou mas eu não fiz isso, quando a cadela passou pelo portão ela gritou “HIDEKI SEGURA ELA!”...Minutos depois o resultado foi o atropelamento da cadela em uma avenida a menos de um 1km dali...Foi uma cena inesquecível...-Ele engole em seco.-É muito difícil de esquecer a cachorrinha com lacinhos xadrez nas duas orelhas, estirada sobre uma enorme poça de sangue e agonizando...-Ele engole em seco novamente e passa a mão no cabelo.-E ela se ajoelhou ao lado dela e ,lógico, começou a chorar enquanto eu fiquei em pé ao lado dela, olhando ela tomar coragem pra tocar na cadela morta enquanto o motorista saia do carro, preocupado ele começou a se desculpar, por sorte ela ainda estava viva, ele foi correndo até o banco de trás do carro, pegou uma toalha , enrolou a cadela e nos colocou no banco de trás e fomos correndo até o veterinário mais próximo. Asuki chorou o caminho todo enquanto segurava ela no colo, e naquele momento a culpa caia sobre mim e eu não sabia o que fazer, eu só conseguia segurar o choro e assistir aquela cena enquanto o homem tentava consola-la.
—Senpai...
—Sim, matar cachorrinhos é mais uma das coisas na minha lista de criança malvada.
—E a cadelinha...
—Enfim... Quando chegamos e a cadela foi pra sala do veterinário, o homem ligou para os pais da Asuki e quando eles chegaram a primeira coisa que ela fez foi agarrar o pescoço de sua mãe enquanto o homem explicava a situação, eles foram compreensivos o tempo todo e em nenhum momento culparam o motorista. Depois todos nós fomos para casa e eu não era tão cruel ao ponto de dormir tranquilo aquela noite, eu não consegui fechar os olhos-
—Ainda bem! Isso prova que você não é um psicopata.
—Talvez sim...No dia seguinte nós fomos a escola, ela não abriu a boca e muito menos olhou pra mim. Na escola as brincadeiras começaram logo na primeira aula e ela *optou por estudar na enfermaria-
—Eu já estudei milhares de vezes lá.
—E-eu sinto muito.
—N-não deixa pra la.
—Na volta pra casa foi um silêncio mortal e tortuoso até que finalmente chegamos na rua de casa e quando chegamos em frente a casa dela a Sra.Hirota havia acabado de chegar com o carro e foi ao nosso encontro, se agachou na frente dela e começou a esfregar os bracinhos dela e logo em seguida deu um sorriso triste, Asuki abraçou o pescoço dela e começou a chorar, e então eu fiz a babaquice de perguntar “O que aconteceu?”...Pfff! Por que eu fiz aquilo? Essa pergunta foi o motivo do meu primeiro tapa no rosto-
—Não me diga que a Sra.Hirota te deu um-
—N-não! A Sra.Hirota nunca bateria em ninguém, ela era do tipo de pessoa que não machucava uma formiga-
—Então o senpai levou um tapa no rosto de uma garota de oito anos?
—Si-sim.É...foi um tapa ninja, em um segundo ela estava abraçando a mãe e no outro ela acertou em cheio o meu rosto...UUAAH!-Ele boceja.-Eu vou dormir agora.
—N-não! Por favor!
—Eu tenho trabalhos pra apresentar amanha.
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