Eu e Você Para Sempre
16 Uma Briga Nos Tribunais
Notas iniciais
ANASTÁSIA STEELE
Alguns dias depois daquela maldita manchete, o advogado do Sr. Rodriguez veio me procurar, mas quem falou com ele foi Carrick, e infelizmente eu vou ter que passar por essa merda toda para provar que sou a única com quem Gabriella deve ficar.
O assédio aumentou muito, e com isso ainda não pude voltar para a empresa, nem Gabby para a escola, mas Christian está resolvendo essas coisas. Angel e Mical estão cuidando da empresa e Ross está supervisionando, o que me deixa mais tranquila. Os funcionários de Christian realmente são ótimos.
Christian está um amor por esses dias. Tirando a parte do stress por ainda não termos encontrado Ella, ele está bem calmo e me dando total apoio e atenção. Hoje será a primeira audiência, e depois de oito anos eu vou rever aquele maldito.
Carrick disse que teremos duas audiências antes do depoimento de Gabriella, e que nesse meio tempo ela deve ficar longe de mim, e em hipótese alguma deve ver José. Por isso depois de muito conversarmos ela aceitou ficar na casa da Grace. E eu fiquei bem mais tranquila com isso.
Estou me arrumando para o tribunal. Kate brincou e disse que agora sim eu deveria estar impecável, para mostrar aquele idiota o que eu me tornei, e o que ele perdeu. E claro que Christian Grey concordou com as palavras de cunhada. Ele também que esfregar na cara de José que me perdeu.
Optei por um vestido social no meio das coxas, saltos pretos como o vestido e cabelos preso em um rabo de cavalo. Coloquei um cintinho vermelho para dá um pequeno destaque.
Christian Gostoso Grey está usando um terno preto e aquela gravata cinza que faz qualquer uma pirar. Inclusive eu. Seus cabelos revoltos estão bagunçados como sempre dando um charme ainda maior.
—Pronta? —Ele me olha de cima a baixo e arqueia as sobrancelhas. —Uau.
—Gostou? —Digo dando uma voltinha.
—Srta. Steele você está muito apetitosa. —Christian diz e eu dou risada.
—Espero que aquele maldito de uma boa olhada.
—Hã?
—Para ele ver o que perdeu. E eu vou fazer questão de esfregar na cara dele que você é só minha.
—Só sua. —Sorrio e lhe abraço. —Vamos?
—Vamos.
Pego minha bolsa e coloco meus óculos. Christian coloca seus óculos também e nós dois saímos. Taylor é quem nos leva ao tribunal, quando chegamos vejo a aglomeração dos malditos jornalistas, mas também vejo que Carrick já chegou.
Taylor desce do carro com Sawyer e os outros seguranças que vieram em outro carro também descem, eles criam espaço no meio da multidão para podermos passar.
—Pronta? —Christian pergunta abrindo a porta do carro.
—Sempre pronta. —Digo sorrindo.
Ele sorri e me dá um beijo rápido, depois desce do carro e estende sua mão, assim que seguro sua mão e desço do carro, nós somos bombardeados de fotos, Christian segura meu braço e me guia para dentro do tribunal. Quando entramos Carrick nos guia por um corredor e logo chegamos a frente à sala onde ocorrerá a audiência. Vejo Carla, Kate, Mia, Ethan, Elliot e a Sr. Jones.
—Ana. —Kate diz vindo me abraçar. —Como você está?
—Bem. —Digo confiante.
—Espero que não se decepcione e perca essa confiança toda quando eu tirar a Gabriella de você.
Todos nós viramos juntos e vemos um homem de cabelos pretos, olhos castanhos e terno azul marinho.
—Olha só. José Rodriguez. —Digo de forma debochada e ele me olha de cima abaixo ficando boquiaberto.
—Eu sugiro que você pegue um balde para o seu cliente. —Elliot diz se direcionando ao advogado de José que também me olha boquiaberto.
—Não se preocupe Sr. Rodriguez. —Christian diz me puxando para o seus braços. —Minha mulher vai continuar com toda a confiança do mundo.
—Mulher? —José diz incrédulo e Christian ri dando-me um beijo casto nos lábios.
—Anastásia. —Carrick diz. —Vamos para a sala privada. O juiz já nos aguarda.
—Tudo bem Carrick. —Digo e olho para Christian que me dá um beijo suave.
—Boa sorte querida. —Ele diz sorrindo.
—Obrigada baby. —Digo e ele ri.
Carrick me indica à sala privada e José vem atrás com seu advogado.
Entramos na sala e eu vejo um senhor de cabelos brancos e olhos azuis, ele está usando uma beca preta e tem uma mulher ao seu lado que eu acredito ser a promotora.
—Srta. Steele, Sr. Grey. —Ele se direciona à nos e me dá um sorriso paterno que faz meu coração se aquecer, depois olha para José com indiferença. —Sr. Rodriguez, Sr. Burton, sentem-se, por favor.
Carrick puxa a cadeira e eu me sento à direita do juiz, depois ele senta ao meu lado. José senta à minha frente e seu advogado senta ao seu lado.
—Nós estamos aqui para tentar um acordo antes que prossigamos nos tribunais. —Diz o juiz olhando-nos.
—Senhor Meritíssimo, nós não queremos acordos. —Diz o Sr. Burton. —Queremos a guarda total da menina, e não vamos abrir mão disso.
—Entendo. Sr. Grey, alguma coisa a acrescentar? —Pergunto o juiz.
—Não Senhor Meritíssimo, se a vontade deles é prosseguir com a batalha pela guarda da Srta. Gabriella Steele é o que vamos fazer. —Carrick diz confiante e eu juro que posso ver a sombra de um sorriso aparecer nos rosto do juiz.
—Então vamos para a sala de audiência. —Diz o juiz e se levanta.
AUDIÊNCIA I
NA SALA DE AUDIÊNCIAS
Eu estou sentada no meu lugar com Carrick e mais dois advogados ao meu lado. Atrás do cercadinho, Christian está sentando na primeira fileira com Carla e Kate. Ethan, Elliot e Mia estão sentados na segunda fileira e as outras cadeiras estão alguns parentes e amigos.
Do outro lado da sala estão José, seus advogados e seus amigos e parentes.
A entrada do juiz é anunciada e todos se colocam de pé, assim que ele entra e toma seu lugar nós nos sentamos.
—Estamos aqui hoje para iniciar a briga judicial pela guarda da pequena Gabriella Rosali Steele. —Diz o juiz. —O advogado de defesa do Sr. Rodriguez tem a palavra, e a promotoria tem o direito e interferir.
—Meritíssimo. —Diz o Sr. Burton levantando-se. —Eu estou aqui hoje, para defender meu cliente, senhor José Rodriguez, e para provar que a Srta. Anastásia Rose Steele está impossibilitada de cuidar da pequena Gabriella Steele.
—Protesto. —Carrick diz se levantando. —Ele está acusando a minha cliente de impossibilidade, como se ela tivesse algum problema medico, e isso não tem a ver com o caso.
—Protesto aceito. Use argumentos melhores Sr. Burton.
—Sim senhor meritíssimo. Bom, como eu dizia, eu estou aqui para provar, que a Srta. Steele não está capacitada para cuidar da menina, e que se a menina continuar ao seu lado ela corre muitos riscos.
—Excelência. —A promotora diz se levantando. —Por que exatamente o senhor acha que ela não tem capacidade, se foi à mesma quem criou a garota sua vida toda?
—Pelas minhas fontes a Srta. Steele deixou a garota morando com os pais, e só agora decidiu cuidar dela.
—E pelas minhas fontes a mesma sempre esteve presente e nunca deixou nada faltar à menina.
—A questão não é essa Senhora Promotora, e sim que a menina corre riscos ficando ao lado da mãe.
—Que tipos de riscos? —Pergunto o juiz.
—Riscos de morte. A menina quase morreu e depois foi vendida para um casal brasileiro.
—Protesto. —Carrick diz se levantando. —A acusação em si é falsa, Excelência. A menina sofreu um acidente que todos tentaram evitar, e a parte da venda, bem. Para todos, a garota foi dada como morta, nós não tínhamos consciência disso.
—Protesto aceito. Sr. Burton eu sugiro que use argumentos mais convincentes, se não terminaremos por aqui. —O juiz diz e Carrick se senta.
—Sim excelência. Mas o que eu quero dizer é que a garota estaria muito mais segura estando ao lado do pai. Já que ela foi privada disso sua vida inteira.
—Protesto. —Carrick fala outra vez. —A Srta. Steele foi abandonada pelo seu cliente quando o mesmo descobriu que ela estava grávida, então ele se privou de estar na vida da garota.
—Protesto aceito. Sr. Burton eu realmente não tenho tempo para pessoas como vocês. Sugiro que isso tome outro rumo ou acabamos aqui.
—Me desculpe excelência, eu peço que a Srta. Steele tome o lugar para as perguntas.
—Tudo bem. Srta. Steele, por favor, tome o lugar a minha direita. —Diz o juiz e eu me levanto.
O meirinho abre o portão e eu me sento ao lado direito do juiz.
—Levante sua mão. —Diz o meirinho. —Jura dizer a verdade e nada mais que a verdade?
—Juro. —Digo com a mão direita levantada.
—A promotoria tem a palavra. —Declara o juiz.
—Obrigada excelência. —Diz a promotora se levantando. —Srta. Steele. Como já foi dito a sua filha foi criada pelos pais, por que exatamente você deixou sua filha tanto tempo longe?
—Eu tinha apenas 16 anos quando ela nasceu, estava confusa e tinha muitos problemas com meu pai. Eu achei que seria melhor para ela ter uma base, uma estrutura com uma mãe e um pai, do que ficar comigo.
—Por que exatamente você não se achava capaz de cuidar dela?
—Eu era uma criança. —Digo. —Não era muito capaz de resolver meus próprios problemas, se ela ficasse ao meu lado sofreria.
—Então você abriu mão da estar ao lado da sua filha para poder dar uma vida melhor a ela?
—Sim. —Digo com o coração apertado.
—Sem mais perguntas excelência. —Diz a promotora e se senta.
—O advogado de acusação tem a palavra. —Declara o juiz e o Sr. Burton se levanta.
—Srta. Steele. Você ficou quanto tempo longe da sua filha?
—Quatro anos praticamente.
—E por que depois de quatro anos você decidiu voltar?
—Depois de quatro anos longe da minha filha eu tinha criado uma estrutura. Eu tinha uma base e poderia dar as coisas que ela precisava.
—E por que não a levou consigo?
—Porque ela estava acostumada com os meus pais. Eu não achei certo chegar e dizer: ‘oi, eu sou sua mãe e vou te levar para longe das pessoas que você convive’. Seria egoísta da minha parte. Eu deixei minha filha, não poderia simplesmente voltar e arrancá-la das pessoas que ela estava acostumada.
—E por que exatamente você voltou?
—Porque eu queria estar perto dela. Queria que ela se acostumasse comigo e me visse como mãe. Ela tinha os avós, mas também precisava de mim. Eu me arrependi muito do que fiz, e quis consertar os meus erros.
—Confundindo a cabeça da garota? Vendo a mãe que a abandonou voltar quatros anos depois e mesmo assim não querendo ficar com ela? Um erro não consertaria o outro.
—Protesto. O Sr. Burton está partindo para um lado mais pessoal e invadindo a intimidade da minha cliente, isso não tem nada a ver com o tema em questão.
—Protesto aceito Sr. Grey. Sr. Burton, o senhor tem mais alguma pergunta real?
—Não Sr. Meritíssimo. —O Sr. Burton diz e se senta.
—O advogado de defesa tem a palavra.
—Excelência. —Carrick diz se levantando e sai da bancada. —Srta. Steele, como já foi perguntado antes, eu quero perguntar de novo, mas quero que me responda com total sinceridade. Quais foram os motivos que te fizeram voltar para perto da sua filha?
Respiro fundo e sinto meus olhos marejaram.
—Eu não queria que ela se sentisse como eu me senti. —Declaro e vejo Carla me olhar.
—Como exatamente? —Pergunto Carrick.
—Abandonada pela própria mãe. Jogada de lado como se não tivesse importância.
—E você se sentia assim?
—Sim. E eu não queria que a Gabriella passasse pelas mesmas coisas. Eu me sentia incapaz de cuidar dela, mas quando eu a conheci, quando eu a ouvi me chamar de mãe pela primeira vez, eu soube que meu lugar era ao lado dela. Que minha vida não fazia sentido algum sem ela.
—Obrigada Srta. Steele. Sem mais perguntas. —Carrick declara se sentando.
—A promotoria tem algo a dizer?
—Não excelência. —A promotora declara olhando-me com um carinho diferente.
—Srta. Steele pode voltar ao seu lugar, eu peço que o Sr. Rodriguez tome a minha direita.
O meirinho abre a porta e eu volto para o meu lugar, logo em seguida José senta ao lado do juiz.
—O advogado de acusação tem a palavra. —Diz o juiz e Carrick se levanta e por um segundo vejo um sorriso brotar em seus lábios.
—Sr. Rodriguez. O senhor abandonou minha cliente após descobrir que ela estava grávida, você era maior de idade e ela tinha apenas 16 anos, porque achou que tinha algum direito de voltar e querer tomar dela a guarda da pequena Gabriella?
—Er... —Jose balbucia. —Eu estava começando minha carreira, tive medo.
—Quer dizer que sua carreira era mais importante do que a mulher que você supostamente amava e o bebê que ela esperava?
—Eu era novo, não sabia o que fazer.
—Ela também era, e bem mais nova que você. Poderia ter escolhido impedir a gravidez, mas lutou pela filha, já foi a abandonou, nunca procurou conhecer a garota, e oito anos depois volta dizendo que ela é incapacitada de cuidar da própria filha, por quem seria capaz de dar a vida.
—Eu não sabia o que estava fazendo, ok? —José altera o tom de voz. —Eu tinha acabado de engravidar uma menina, não queria isso, queria seguir minha carreira.
O advogado de José abaixa a cabeça e se encolhe na cadeira.
—Sem mais perguntas excelência. —Carrick diz voltando ao seu lugar.
—Promotora? —Pergunta o juiz.
—Obrigada meritíssimo. —Diz a promotora levantando-se. —Sr. Rodriguez. Por que você acha que a menina Gabriella iria querer te conhecer?
—Porque eu sou o pai dela.
—Desculpe, mas eu acho que pai não é só aquele que empresta o esperma e depois some no mundo. Pais iguais a você existem em todos os lugares. E pelo que eu saiba o pai dela é o Sr. Grey. Eu quero saber por que o senhor se acha que a menina iria querer conhecer o homem que a abandonou. Você acha que isso faria bem a ela?
—Sim, eu acho que faria muito bem para ela conhecer o pai de verdade. Não o homem que finge ser pai dela.
—Fingi? —Debocha a promotora. —Desculpe, mas o Sr. Grey cria a menina, ela o vê como pai, como você acha que ela te veria? Como o homem que a abandonou?
Todos dão risada e eu me contenho com uma mordidinha no lábio.
—Ordem! —Pede o juiz batendo seu martelinho. —Mais alguma pergunta Sra. Promotora?
—Não excelência. —Diz a promotora se sentando.
—Advogado de defesa?
—Obrigada meritíssimo. —Diz o advogado de José se levantando. —Sr. Rodriguez, você como pai da menina ficou fora por muito tempo, mas pretende se aproximar dela? Por que exatamente?
—Porque eu sou o pai dela. Eu tenho esse direito, ela merece me conhecer.
—E você acha que só por causa de DNA alguma coisa mudaria? —A promotora se manifesta. —A relação de um pai e filha vai muito além disso. Não acha?
—Sim. Eu acho. —José diz por fim.
ADUDIÊNCIAS II
—A Srta. Kavanagh será ouvida agora. —Diz a promotora e Kate senta ao lado do juiz. —Srta. Kavanagh jura dizer a verdade, somente a verdade, e nada mais que a verdade?
—Juro. —Ela diz levantando sua mão direita.
—A promotora tem a palavra. —Declara o juiz.
—Obrigada meritíssimo. —Diz a promotora. —Srta. Kavanagh, há quanto tempo você conhece a Srta. Steele?
—Praticamente 15 anos. —Kate diz olhando-me e eu sorrio.
—Como é a Srta. Steele como pessoa? Defina-a em uma palavra.
—Incrível.
—E ela como mãe?
—Sem dúvidas. Incrível.
—Como é a ralação da Srta. Steele com a filha?
—Elas se dão muito bem, a Ana educou a filha como ninguém. A Gabriella é muito educada e gentil com todos, sem contar que ela é a criança mais incrível que eu já conheci.
—A Gabriella demonstra algum incomodo com a vida que tem?
—Não. Pelo contrário, ela demonstra ser muito feliz.
—A Srta. Steele costumava fazer muitas visitas enquanto não morava com a filha?
—Sim. Ela ia todos os fins de semana, e sempre que a Gabriella pedia.
—E ela costumava fazer esses pedidos com frequência?
—Muita frequência. —Kate diz sorrindo e eu sorrio.
—Mas pelo que eu saiba a Srta. Steele tem uma empresa para administrar, está me dizendo que ela abria mão da empresa para estar com a filha?
—Sim. Muitas vezes eu vi a Ana perder reuniões importantes, negócios que ela poderia ganhar muito dinheiro. Ela deixou tudo isso de lado para estar presente na vida da menina.
—Muito bem. Obrigada Srta. Kavanagh.
Kate sorri e volta para o seu lugar.
O juiz chama Carla para depor e ela vai, senta-se ao lado dele e faz o juramente solene da verdade.
—Sra. Steele. Você é a mãe de criança da Srta. Steele, certo?
—Sim. —Carla diz olhando-me com amor.
—Você e a Anastásia se dão bem?
—Muito. Ela é a minha filha.
—E como é a sua relação com a Gabriella?
—Ótima. Minha neta é como minha segunda filha.
—E a relação das duas, é boa?
—Ótima. A Gabriella adora a mãe... Elas não vivem afastadas.
—Mas elas ficaram quatro anos separadas.
—Sim, ficaram, mas a Anastásia conseguiu compensar o tempo perdido.
—E foi fácil a aproximação das duas?
—Sim. A Gabriella sempre foi apaixonada pela mãe, mesmo sem conhecê-la. E quando ela conheceu a Anastásia foi uma conexão incrível. A Anastásia cativou a Gabby só com um oi, e com a Gabby foi à mesma coisa.
—A menina mostra ter algum ressentimento pelo tempo que ficou longe da mãe?
—Não.
—O tempo que você ficou criando-a, ela perguntava da mãe?
—O tempo todo. Na hora de dormir era sobre a mãe que ela queria ouvir.
—Entendo. Obrigada Sra. Steele, pode tomar o seu lugar.
Carla volta ao seu lugar e eu seco algumas lágrimas que caíram.
O juiz chama Christian para depor e meu coração fica acelerado. Ela faz o juramento solene da verdade olhando-me nos olhos.
—Sr. Grey. Christian Grey. —Diz a promotora. —Há quando tempo você e a Srta. Steele se conhecem?
—Vinte anos. —Ele declara.
—Desculpe quantos anos? —Pergunta a promotora surpresa.
—Vinte. —Christian diz arqueando a sobrancelha. —Nós nos conhecemos quando a mãe da Srta. Steele a jogou fora. Minha mãe biológica a levou para casa e ficou cuidando dela.
—Uau... Entendi. —A promotora pigarreia e toma sua postura novamente. —Como a Srta. Steele é como pessoa?
—Eu seria suspeito a falar, mas ela é a mulher mais incrível que eu já conheci, como mãe, amiga, companheira.
—Como mãe. Diga-me como é a relação dela com a filha.
—Como já disseram antes a relação delas é ótima.
—O senhor tem uma filha, certo?
—Sim.
—Você e a Srta. Steele tem um caso conjugal, não é mesmo?
—Sim.
—E como é a relação da sua filha com a Srta. Steele?
—Incrível. A minha passou por muita coisa mesmo sendo nova, a mãe biológica tinha problemas com drogas e vendeu a menina, mas graças a Deus eu consegui encontrá-la e hoje ela vive comigo... Mas com tudo que passou ela sentiu a rejeição da mãe, e não se sentia muito a vontade para ficar perto das pessoas.
—E com a Srta. Steele foi diferente?
—Completamente. Eu fiquei surpreso quando vi a minha filha chorando para ir com a Anastásia e chamando-a de mãe... Ela recebeu a minha filha como se fosse dela, e esse foi o ato mais cativante que uma pessoa poderia ter. A Maysa adora a mãe, e não tem uma pessoa que consiga tirá-la dos braços dela.
—E a Gabriella?
—A mesma coisa. Ela adora estar perto da mãe. A Gabriella vê a Ana como um espelho, sabe? Ela se reflete muito no que a mãe faz. —Sinto meus olhos marejarem e algumas lágrimas caem. —Ela adora brincar e vestir as roupas da mãe. Agora usar o mesmo penteado, tanto é que a ela decidiu corta o cabelo como o da mãe.
—Entendo. E você acha que a Srta. Steele é uma boa influencia para a menina?
—Uma ótima influencia. Porque além de ensinar valores, éticas, ela ensina o amor à filha. O amor não é algo que você nasce com ele. Digo, você o sente nos primeiros momentos, mas nem todos tem a sorte de sentir o amor logo depois de nascer. Nem todos tem a sorte de ter uma mãe com a Ana. Eu fico admirado toda vez que a vejo com a Gabriella. A cada movimento, a cada sorriso, olhar ou palavra o amor transpira dela, e a Gabby nota isso, porque ela aspira esse amor, ela sente tanto que age da mesma forma. Não tem uma pessoa que olhe para aquela menina e não sinta o amor e o carinho em seu olhar. Ela e a mãe são as garotas mais incríveis que eu já conheci.
—Obrigada Sr. Grey. Sem mais pergunta.
Christian sai da bancada e passa por mim sussurrando um “eu te amo”.
Seco minhas lágrimas e sorrio.
O juiz chama meu pai para depor e meu coração para. Eu não sabia que ele ia depor... E muito menos que seria a favor de José. Na hora que papai senta ao lado do Juiz eu vejo Carla arrancar a aliança de seu dedo e segurar as lágrimas.
—Sr. Steele. —Diz a promotora. —O senhor é pai da Anastásia?
—Sim, sou.
—Tem certeza que é contra ela que o senhor irá depor?
—Sim. Eu tenho.
—Ótimo. Fale-me como é a sua relação com ela.
—Não muito boa. A Anastásia é uma menina de gênio complicado.
—Ela é uma mulher Sr. Grey. E não acho que o gênio dela a torne complicada. Você como pai deveria compreendê-la. Fale-me, por que você acha que ela não seria capaz de ter a guarda da filha?
—Porque ela abandonou a Gabriella.
—Mas o Sr. Rodriguez fez a mesma coisa. E sua filha voltou quatro anos depois.
—Sim, ela voltou, mas ela nunca foi uma boa mãe.
—Foi sim! —Carla se levanta e todos olham para ela que tem lágrimas nos olhos. —Você só não admite isso porque foi um péssimo pai. Você nunca foi para ela, um terço do que ela é para a Gabriella, por isso que você está fazendo isso, para tentar esconder o péssimo pai que você sempre foi.
—Ordem. —Diz o juiz batendo o martelo e Carla se senta.
—Senhor meritíssimo, peço permissão para usar o que a Sra. Steele falou como base.
—Permitido senhora promotora.
—Sr. Steele. Por que a sua mulher diz ao contrário de você? Se sua filha é tão ruim como mãe, por que todas as pessoas que deporão, foram a favor dela?
—Porque eles não enxergam quem a Anastásia realmente é!
—E quem ela realmente é? —Carla se manifesta de novo. —A garota que você abandou quando tinha quatro anos, a mesma que foi jogada na rua, aquela que você fez questão de separar das únicas duas pessoas que ela se sentia segura. A garota que você passou a vida inteira julgando até um momento que ela fugiu? Fugiu do próprio pai? Porque a bondade dela era tanta que ela preferiu abandonar tudo do quê ferir ao pai ou a filha? É dessa garota que estamos falando? Porque se for, eu só enxergo um pai ruim, não a filha.
Carla se levanta e deixa a sala.
Kate se levanta e vai atrás dela junto com Elliot.
—Senhor sem mais perguntas. —Diz a promotora.
—Encerramos por hoje, amanhã será a última audiência com o depoimento da Srta. Gabriella Rosali Steele.
O juiz bate o martelo e sai da sala.
Olho para meu pai e respiro fundo. Tenho vontade de xingá-lo, de dizer tudo que ficou entalado esses anos, mas só me contenho e saio da sala com Carrick. Carrick me leva para tomar um copo d’água e depois nós vamos encontrar os outros, mas quando chegamos vejo Carla dar um tapa na cara de papai.
—Nunca mais ouse se aproximar de mim ou das meninas. —Ela diz com amargura em sua voz e joga a aliança nele. —Você é um hipócrita. Eu nunca vou te perdoar por isso. Sabe o que você fez? Mais uma vez você tentou esconder seus erros jogando-os em cima de outra pessoa. A Ana é a pessoa mais incrível que eu já conheci, e sabe por que você nunca enxergou isso? Porque você nunca foi um bom pai. Você sempre faltou com ela. Sempre destruiu a vida da garota. Você disse que a Ella tinha morrido só para afastá-la da Ana, e com isso você destruiu a vida de todos!
—Você o que? —Digo me aproximando e vejo Elliot segurar Christian. Aproximo-me de meu pai e paro em sua frente. —É verdade?
—Ana...
—Não! —Grito e dou uma tapa e seu rosto. —Sabe o quanto eu sofri? Eu passei vinte anos me culpando por sua causa! Por sua causa! Eu pensei que ela tinha morrido quando você mentiu para todos. Eu estou farta de você. Farta de tudo. De tentar ser boa para você, enquanto você só destrói minha vida. Eu te odeio Raymond. Você nunca foi um bom pai. Eu sim fui boa, eu te aguentei por anos pisando em mim, nunca tive coragem de levantar a voz para você, mas agora eu vejo a pessoa podre que você é. Eu tenho nojo de você. Nojo! Nunca mais chegue perto de mim ou da minha filha, está ouvindo? Nunca mais!
Saio andando e as lágrimas escorrem pelo meu rosto. Sinto meu braço ser puxado e quando percebo estou nos braços de Christian. Ele me aperta e eu choro em seus braços.
AUDIÊNCIA III
—Podem trazer a menina. —Diz o juiz e Gabriella entra na sala.
Meu coração para quando ela vem correndo e me abraça.
—Mamãe eu senti muito sua falta.
—Eu também querida, mas agora você precisa ir lá.
—Ok. —Ela diz sorrindo e me dá um beijo antes de ir.
Gabby senta na cadeira e abraça sua boneca que ela nomeou de Aninha.
—Olá Gabriella. —A promotora diz sorrindo para Gabby.
—Oi. —Ela diz sorrindo.
—Quantos anos você tem Gabriella?
—Oito e meio. —Gabby diz e até o juiz ri.
—Posso te chamar de Gabby?
—Claro. —Ela diz sorrindo mostrando sua janelinha e eu explodo de amor. —Por favor.
—Gabby você pode me mostrar quem é sua mamãe?
—Ela. —Gabby diz apontando para mim e manda um beijinho. —Ela é linda, não é?
—Ah é sim, e vocês são muito parecidas.
—Obrigada.
—Gabby, me fala como sua mãe é?
—Hum... —Gabby bate a pontinha do dedo no queixo. —Ela é linda. Carinhosa... Muito boa... Gentil, paciente. Elegante... Educada e muito, muito amorosa. Ela é a mulher mais incrível do mundo e eu vou ser igual ela um dia.
Lágrimas escorrem pelos meus olhos e eu não consigo parar de sorrir.
—Você ama sua mãe Gabby?
—Mais que tudo.
—Você gostava de morar com seus avós?
—Sim e não. Com a Granny Carla, sim, as com o Ray não.
—Ray? Seu avô?
—Isso.
—E por que você não gostava de morar com ele?
—Porque ele fez a mamãe ir embora. —Gabby fala encolhendo os ombros e meus olhos marejam. —A vovó fala que foi porque a mamãe queria me dar a melhor chance, mas eu sei que não foi por isso.
—E como você sabe disso mocinha?
—Eu vejo. Toda vez que a mamãe ia lá à casa da Granny o Ray brigava com ela e dizia que ela não era boa, mas isso não é verdade, a mamãe é muito boa. A melhor mamãe do mundo.
—É mesmo? E ela te dá tudo que você quer?
—Não.
—Não?
—Não. Ela não me dá tudo que eu quero, ela me dá tudo que eu preciso. Eu não fico brava quando ela fala que eu não posso ter algo, até mesmo porque eu já tenho igual ou parecido.
—Você não fica brava?
—Não. —Ela diz sorrindo. —A mamãe me ensinou que nem tudo que queremos nós teremos, mas o que mais precisamos são o amor, e as coisas materiais nós mesmos temos que conquistar. Ela me dá o que eu peço, mas de forma moderada. Eu sei que a mamãe não quer que eu me torne uma menina soberba que acha que pode ter tudo.
—Uau.
—Você acha que sua mamãe te ama?
—Não, eu não acho. Eu tenho convicção que ela me ama. As pessoas acham que o amor pode ser apenas sentindo, mas ele também pode ser visto. Nos olhares de orgulho e emoção... Nos beijinhos de boa noite, ou nos beijinhos mágicos que fazem o dodói parar de doer. Na voz que canta a musiquinha na hora de dormir. E eu vejo o amor em tudo que a mamãe faz.
—Entendi... Onde está sua família agora?
—Estão todos aqui.
—E você pode me apontá-los?
—Claro. —Gabby sorri e nos olha, logo ela começa a apontar. —A mamãe rainha está ali. A Granny Grace ali com a minha irmãzinha Maysa. A Granny Carla. O tio Elliot, a tia Kate. A tia Mia e o tio Ethan. E o vovô Carrick.
—Não está faltando ninguém?
—Sim. O meu papai. —Ela diz dando um sorrisinho sapeca.
—E onde ele está?
—Bem ali, ao lado da tia Kate. —Ela diz apontando para Christian que sorri. —Te amo papai.
—Eu também pequena. —Christian diz.
—Sr. Meritíssimo, eu não tenho mais perguntas. —Diz a promotora. —Só tenho algo a falar. Parabéns Srta. Steele. Você é uma mulher incrível, e eu ficaria sem dúvidas muito orgulhosa de ter uma filha como você.
Todos batem palma e o juiz se levanta.
—Como juiz eu já vi muitos casos como esse, mas eu nunca vi uma mãe tão boa quanto você Srta. Steele. A sua filha é uma garota maravilhosa e está sendo muito bem criada. Eu seria um louco se tirasse a guarda dela de você, para entregá-la ao Sr. Rodriguez. Eu declaro o caso encerrado dando a guarda total a Srta. Anastásia Rose Steele. O Sr. Rodriguez não terá direitos à visitas e está proibido de se aproximar da menina. E Srta. Steele, parabéns, sua família e amigos tem razão. Você é uma ótima mãe. E você Gabriella, tem muita sorte.
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