Eu e Você Para Sempre
12 Um Jogo Em Família
Notas iniciais
CHRISTIAN GREY
Kate e Mia entram na sala, já vestidas para o jogo com shorts de lycra e regata. O que as mulheres têm com esses malditos shorts?
Elliot entra atrás vestindo um short preto como o meu, camisa rosa e tênis de mola. Ficamos esperando Ana com as meninas e quando elas chegam à sala eu quase tenho um ataque. Eu só tinha que me preocupar com uma, mas pelo visto tenho que me preocupar com todas, até com a minha mãe.
Acho que não foi uma boa sugerir jogar futebol ¬¬
—Estamos prontas. —Ana diz sorrindo.
—Então vamos. —Mamãe fala.
—Está faltando o Ethan. —Kate diz, mas seu irmão adentra a sala vestindo uma calça de moletom preta e regata branca. —Não está mais. Vamos.
Olho para Mia e vejo seu rosto enrubescer com a chegada de Ethan.
Puta que pariu!
O que essas mulheres têm hoje?
Mamãe, papai Mia e Ethan vão com um carro. Kate e Elliot vão de moto, e Ana, Maysa, Gabby e eu vamos com outro carro.
Levamos mais ou menos duas horas para chegar ao campo, Gabby e Maysa vão o caminho inteiro cantando, ora falando sobre futebol ou dormindo. Assim que Gabby vê o campo todo cercado com grades e algumas seguranças já no local ela quase pira, mas apenas desce do carro correndo com a bola na mão.
Alguns fotógrafos e repórteres estão no local e eu fico imagino que eles devem ter nos seguido, ou feito alguma mágica para descobrir que estaríamos aqui.
Entramos todos no campo e Gabby quase nos obriga a alongar-nos, o que fazemos depois de receber um olhar de terrorista dela. A menina realmente leva isso a sério.
—A regra é homens contra mulheres, e vale tudo. —Gabby fala sorrindo. —O tio Taylor e o tio Sawyer vão jogar para compensar a May e eu.
—Você acha que pode nos vencer? —Elliot fala rindo e se encolhe depois que Gabby dá um sorrisinho meio assassino para ele. —Ela pode?
—Pode. —Ana e Kate dizem juntas.
—Eu fico no gol. —Kate fala. —Não quero ficar correndo feito uma louca nesse campo.
—Tio Elliot vai para o gol também, depois vocês trocam. —Gabby fala e Elliot obedece. —Mamãe você e o papai são os capitães do time. Tirem impa ou par. Agora!
—Ok. —Ana diz rindo e nós tiramos impar ou par. Escolho impar e ganho. —Campo ou bola?
—Campo... —Sussurro rindo com a seriedade disso tudo.
—Ok. —Ana sorri e pisca para Gabby.
Gabby pisca de volta e cochicha algo no ouvido de Maysa que gargalha.
Deus! O que elas estão tramando?
Caminho para a parte do campo escolhida com papai, Ethan, Sawyer e Taylor, no outro campo ficam Ana, mamãe, Mia, Maysa e Gabby. Maysa me dá um olhar sapeca e apoia as mãozinhas no joelho, ela conta de um até três e o jogo começa.
Nem pisco direito e Gabby derruba Taylor e faz um gol.
Olho aquilo inconformado. Ela derrubou o Taylor?
Puta que pariu! To ferrado.
As meninas comemoram com pulos e gritos e eu entreolho os rapazes que estão com a mesma cara de espanto que eu.
Elas voltam a se espalhar pelo campo enquanto algumas pessoas param para nos assistir. Continuamos a jogar e suar a camisa apanhando muito das meninas. Ninguém nunca me falou que eu tinha uma Ana que jogavam tão bem quanto a filha. E minha mãe? Ela derrubou meu pai três vezes fazendo dois gols de lavadas.
Maysa é claro que fez um gol também, mas depois de ter roubado a bola e corrido com ela.
Estamos a uns quarenta minutos jogando e eu estou envergonhado com o placar de 15x07. As meninas estão ganhando. Claro!
Ana me agarrou e Gabby fez dois gols em seguida, quando eu fui reclamar elas disseram que deixaram bem claro que tudo valia, então eu tive uma pequena reunião com os rapazes dizendo que teríamos que usar táticas melhores.
Kate e Elliot entraram no campo e Ethan e Mia foram para o gol.
Como combinado, eu e os outros rapazes tiramos nossas camisas para esquentar as coisas.
—Hu-hum. —Gabby fala colocando as mãos na cintura e balançando a cabeça. —Isso pode confundir elas, mas eu não caio nesse seu jeitinho de moço bonito.
—Hã? —É a única coisa que consigo dizer antes de ver minha mãe, Ana e Kate tirarem as regatas e ficarem só de top. Viro para encarar meu pai e Elliot. —Acho que é melhor desistirmos.
—Agora eu realmente quero continuar. —Gabby diz e chuta a bola voltando ao jogo.
Depois de tomar uma surra com todas as letras, nós desistimos de jogar.
Meu pai não conseguiu se conter todas as vezes que mamãe o provocou e o agarrou, ele caiu feito um pato e ela fez mais três gols. Nós conseguimos fazer mais cinco, mas ai Kate usou todo aquele maldito charme que sabemos que ela tem para deixar Elliot confuso. Ana claro que ficou me provocando o jogo inteiro mordendo aquele maldito lábio e rebolando sempre que possível.
Gabriella deu uma surra tão grande em Taylor que eu acho que preciso de um novo segurança.
E claro! Maysa! Ela fez o máximo de manha que conseguiu e ganhou três gols de Sawyer.
Como uma menina de dois anos pode ganhar de um homem com esse tamanho todo?
Depois de terminarmos o jogo com 36 a 17 sentamos no gramado para tomar água e ficamos assistindo Gabriella jogar com Maysa.
Abraço Ana e começo a beijá-la para descontar todas as provocações.
—Christian, para. —Ela diz me empurrando. —Nossas filhas estão olhando.
Viro-me e vejo Gabby e Maysa paradas com as mãos nos quadris olhando para nós dois. Pisco para elas que começam a rir e voltam a jogar.
—Eu vou comprar um suco. —Digo me levantando. —Quer um baby?
—Não. —Ana sorri. —Mas compra para as meninas.
—Ok.
Caminho pelo campo para atravessar e quando passo perto de Gabby roubo a bola dela que protesta, dou risada e jogo à bola para ela de novo. Saio do campo e vou até um homem que está vendendo sucos. Começamos a conversar sobre coisas banais e eu acabo me distraindo.
GABRIELLA STEELE
Christian chuta a bola e segue para a fora do campo, tento fazer embaixadinhas, mas Maysa chora e eu dou a bola para ela. Percebo que mamãe está nos olhando e sorrio para ela que logo se distraí e volta a conversar novamente. Sinto algo ruim e olho em volta sentindo alguém me olhar. Paro por alguns segundos vendo um carro parado perto de onde papai está. O mesmo carro que estava perto da casa da mamãe e também da vovó Grace.
Cai em mim quando vejo que Maysa não está mais do meu lado. Meu coração dispara quando vejo ela correndo atrás da bola que saiu para fora do campo e está indo para o meio da rua.
Assim que Maysa atravessa o portão o carro começa a andar em direção a ela.
—Mamãe! —Grito, mas mamãe está muito longe e não me ouve. —Mãe!
Ela não em ouve então começo a correr atrás de Maysa.
ANASTÁSIA STEELE
Ouço um grito de Gabby e meu coração para. Quando olha vejo-a atravessar o portão correndo indo atrás de Maysa que está no meio da rua enquanto um carro vem em direção as duas. As vozes vão ficando distante e tudo anda em câmera lenta.
Levanto-me e grito por Gabby e só agora todos olham na mesma direção que eu, inclusive Christian que estava do outro lado da rua. Começo a correr, mas não chego a tempo.
CHRISTIAN GREY
Estou tão distraído conversando que me esqueço de voltar, mas o grito de Ana me faz virar. Meu mundo para quando vejo Maysa no meio da rua e um carro em alta velocidade vindo em sua direção, mas antes que o carro possa acertá-la Gabriella a empurra e May cai no grama.
O carro acerta Gabriella em cheio e ela cai no chão e o mesmo foge.
Corro em direção à elas e chego apenas a tempo de segurar Ana que vai para cima de Gabby.
—Elliot pega a Maysa! —Grito e Elliot e Kate pegam Maysa.
—Minha filha! —Ana grita tentando se soltar e eu vejo Gabriella se contorcer no chão chamando por Ana.
—Ana não! Você não pode encostar nela. —Digo com o coração em pedaços, mas Gabby pode ter quebrado algo.
—Por favor. —Ana implora chorando e começa a cair, mas eu a seguro.
—Gabby. —Mamãe corre até Gabby e segura em sua mão. —Eu preciso que você fica acordada.
—Vovó... —Ela sussurra olhando mamãe. —Está doendo muito.
—Eu sei querida. Eu sei. Mas não durma. —Mamãe fala.
Os fotógrafos vêm com tudo para cima de nós, mas Sawyer e Taylor tentam mantê-los longe e eu fico admirado quando um grupo de pessoa também se junta para afastar os fotógrafos.
—Carrick, ligue para o hospital, fala que eu preciso de uma ambulância. E rápido. —Mamãe fala e papai obedece.
—Mamãe. —Gabby chama chorado. —Eu estou com medo. Fica do meu lado mamãe.
—Me deixa ficar com ela. —Ana implora chorando e eu encaro.
—Ana. —Sussurro. —Só fique do lado dela, não a toque.
—Tudo bem.
Solta Ana e ela vai para o lado de Gabriella e abaixa segurando sua outra mão.
—Mamãe, eu estou com muito medo. —Ela diz soluçando e meu coração se aperta.
—Ana, ela não pode falar. —Grace diz.
—Tudo bem amor, a mamãe está aqui com você. Não tenha medo. —Ana diz passando a mão no rosto da filha. —Mas eu preciso que você fique quietinha.
Os olhos de Gabriella reviram e ela começa a se debater. Ana grita e Grace tenta empurrá-la para longe.
—Christian tira-a daqui. —Mamãe grita e eu faço o que ela manda. —Ela está tendo uma parada cardiorrespiratória.
—Gabby. —É a última coisa que Ana diz antes de desmaiar nos meus braços.
—Mãe, por favor. —Sussurro.
—Eu não posso fazer muito. —Ela diz prestando os primeiros socorros e logo vejo a ambulância se aproximando.
Todos começam a correr, Gabby é colocada na maca e depois levada para ambulância. Levo Ana para o carro e a coloco deitada. Maysa está chorando muito e Kate não consegue acalmá-la, então eu tenho que pegá-la e Elliot vai para o carro com Kate para levar Ana ao hospital.
Minha cabeça está quase explodindo e tudo parece me incomodar. Mia e Ethan vão para o carro com papai e Mamãe vai na ambulância com Gabby. Sawyer e Taylor vão em outro carro comigo e todos nós seguimos para o hospital.
Vou o caminho inteiro muito nervoso e preocupado com Ana e Gabby, eu ainda não acredito que isso aconteceu.
Gabriella pode morrer! E ela fez isso para salvar a Maysa.
Me pego fazendo uma oração silenciosa para que tudo fique bem.
Deus, essa menina é muito especial, não a deixe morrer assim... Por favor, ela não merece isso. A culpa é toda nossa por não prestar atenção nas meninas. Nossa não! Minha culpa, eu deixei a merda daquele portão aberto. Se algo acontecer a Gabby eu nunca vou me perdoar.
Céus! E a Ana? Se algo acontecer ela não vai aguentar. Por favor, Deus. Eu sei que o Senhor pode todas as coisas... Não a deixe morrer.
ANASTÁSIA STEELE
Já se passaram três horas. Três malditas horas. Gabby ainda está dentro daquela maldita sala de cirurgia.
Eu estou sentada em um dos bancos no corredor de espera, Christian está ao meu lado e Maysa está dormindo em seus braços. Carrick está de pé conversando com Taylor, Sawyer e o Detetive Clarck que está investigando tudo que aconteceu principalmente aquele carro.
Mia está sentada no chão e Ethan está ao seu lado abraçando-a. Kate está do outro lado, também sentada no chão, Elliot ao seu lado segurando firme sua mão.
A porta da sala se abre e todos nós levantamos e encaramos Grace e o médico ao seu lado. Ambos estão com caras péssimas e o cansaço estampa seus rostos. Meu coração se quebra em mil pedaços quando Grace me olha e começa a chorar.
—Nós fizemos tudo que podíamos... Mas. —Ela não consegue terminar sua frase pelos soluços que começam a sair. Carrick corre e a abraça.
Fico em silêncio sentindo meu coração ser dilacerado. Minhas pernas fraquejam e eu caio de joelhos no chão, tudo dói por dentro. Eu quero gritar e chorar, mas minha boca se fecha. Eu não tenho forças... Não tenho palavras.
Christian abaixa na minha frente e me puxa para seus braços, mas eu não quero isso. Eu não sinto como se devesse ser consolada. Empurro-o e me levanto olhando para o nada.
—Minha filha está morta? —Pergunto prendendo um soluço.
—Eu sinto muito Srta. Steele. —Diz o outro médico.
Tudo fica em silêncio e eu apenas fico olhando para o nada sem dizer uma única palavra.
—Ana! —Viro-me vendo Carla entrar na sala. Ela corre me abraça e agora eu sinto todo o peso cair em cima de cima e chorando feito uma criança em seus braços. —Eu sinto muito filha. —Ela diz chorando.
—Ela morreu mamãe. —Digo soluçando e mamãe me aperta. —Eu perdi minha menininha.
—Sinto muito. Eu sinto muito filha. —Ela diz me balançando.
CHRISTIAN GREY
Fico olhando para Ana no colo de Carla.
Foi um grande sacrifício tirá-la do hospital, ela surtou quando dissemos que precisávamos ir. Foi horrível vê-la gritando e chamando pela filha, dizendo que não poderia deixar sua menininha sozinha. Aquilo me destruiu, eu me sinto completamente culpado. Gabriella morreu para salvar a minha filha. Maldita hora que eu fui deixar aquele portão aberto.
—Ela dormiu. —Carla diz acariciando o rosto da filha. —É melhor você colocá-la na cama.
—Tudo bem. —Digo acabado.
—Onde está a Maysa?
—Com a Kate e o Elliot, eles estão lá em cima com Mia e Ethan.
—Sugiro que você deixe a Maysa longe um pouco, vai ser doloroso a Ana ver outra menina que não seja a filha dela.
—Eu sei... Sinto muito.
—Não foi sua culpa querido. —Ela sorri fracamente. —A Gabby faria qualquer coisa pelas pessoas que ama. Ela não deixaria a Maysa morrer, principalmente considerando-a uma irmã mais nova. Foi inevitável.
—Eu só queria ter impedido aquilo. —Uma lágrima escorre pelo meu rosto e eu fecho os olhos. —Ela não merecia isso.
—Não mesmo, mas aconteceu.
—Gabby... —Ana sussurra enquanto dorme. —Filha.
—Tudo bem baby. —Digo pegando-a nos meus braços. —Eu vou deitar com ela, fique à vontade.
Caminho até meu quarto com Ana e a coloco deitada sobre minha cama, ela chama por Gabby mais uma vez e isso me destrói completamente. Deito ao seu lado e a puxo para os meus braços. Ana acorda e me olha, seus olhos marejam e ela volta a chorar contra meu peito.
—Não chore... —Imploro sentindo muita dor. —Eu não suporto te ver chorar e saber que não posso fazer nada para mudar isso.
—Me desculpe. —Ela implora e isso acaba comigo.
—Não. Tudo bem. É melhor você colocar para fora, eu vou estar aqui. —Digo abraçando-a. —Eu sempre vou estar aqui baby. Sempre.
Ela chora por horas contra meu peito e eu apenas a consolo sem dizer uma palavra se quer.
Infelizmente nós seres-humanos não fomos treinados para saber lidar com a dor. Principalmente com a dor de uma perda. É algo horrível sem dúvidas. Uma hora você está lá, sorrindo e brincando com a pessoa e do nada descobre que ela morreu... No começo é como se nada daquilo tivesse sido real, como se todos os momentos que vocês passaram juntos tivessem existido só na sua cabeça... E ai o tempo vai passando e essa sensação só vai aumentando. Aquela pessoa que você tanto amava se torna só um personagem imaginário. Alguém que você nunca realmente conheceu. Ou passou tempo suficiente ao lado.
Os abraços quentes que você ainda podia sentir esfriam-se. Os beijos não se sentem mais. Os risos e as vozes já não são mais escutados. Mas de vez em quando, quando o vento bate no seu rosto e você lembra-se daquela pessoa, por um segundo você pode se deixar ouvir aquela voz que fazia seu coração bater mais forte.
O tempo passa... Os momentos vividos morrem, a lembrança começa a se apagar... E monotonamente você vai sobrevivendo com isso. Não que você não sinta falta daquela pessoa. Você sente. Muita. Mas infelizmente o mundo não vai parar para você consertar um coração quebrado. Então você simplesmente aprende a viver com a falta daquela pessoa.
Até mesmo os maiores estudiosos não podem explicar a dor que uma pessoa sente ao perder outra. Eles não podem explicar a vida o amor. Você vive e qualquer hora pode morrer. A vida não passa disso. Você tem que viver todos os dias com esses riscos. Eles podem acontecer a qualquer minuto. Num piscar de olhos, você perde a pessoa mais importante da sua vida. E nesse mesmo piscar de olhos, outra pessoa nasce e se torna a mais importante da na vida de algum desconhecido. Essa é a vida.
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