Eu e Você Para Sempre
21 Minha Maior Prova De Amor é Estar Ao Seu Lado
Notas iniciais
CHRISTIAN GREY
Olho Anastásia sorrir enquanto vê a filha dançando e logo percebo o quanto isso mexe, o quanto vê-la sorrir me faz sentir-me o cara mais sortudo do mundo. Eu olho para ela e não tenho lembranças, mas meu coração diz o quanto ela é importante, e eu sei que não é pelo nosso passado, é algo a mais. É como se vivessem dois Christians dentro de mim. É como se um cara a amasse mais que tudo, e o outro tivesse medo desse amor tão grande.
Eu estou em um conflito comigo mesmo e não sei o que fazer.
A única coisa que eu sei é que não posso perder essa mulher, eu sinto que devo lutar por ela, e eu vou fazer isso. Eu não vou deixa-la sofrer longe de mim porque eu filho da puta me fez esquecer-me de quem era ela. Se eu cheguei a amá-la, meu coração com certeza se lembra disso, eu só preciso fazer minha mente lembrar, e eu vou fazer isso.
Levanto-me e caminho até Anastásia e seguro sua mão fazendo-a se levantar.
—O que você está fazendo Christian? —Ela pede e todos param de rir e começam a nos olhar.
—Vocês, continuem ai. A Anastásia e eu vamos conversar. —Puxo-a para o andar de cima e entro em um dos quartos.
—Você é louco de sair me arrastando assim? —Ela grita. —Qual o seu problema?
—Meu problema é você! —Exclamo e seus olhos marejam. —Eu sei o quanto você deve estar magoada agora. Quem sabe até me odiando, mas tenha certeza, ninguém sente mais ódio do que eu. Eu olho para você e, não, eu não vejo mais aquela garotinha que eu considerava uma irmã! Eu sei que tem algo a mais porra! Eu não tive culpa do que aconteceu. Ver você e a Gabriella chorar por minha causa me destruiu, mas infelizmente eu não posso forças minhas lembranças a voltarem, porque se eu pudesse, pode ter certeza, eu faria. Nesse momento eu estou em uma guerra comigo mesmo, porque ao mesmo tempo em que eu sinto que te amo, eu tenho medo de te amar. Não é fácil você acordar e descobrir que se esqueceu da pessoa mais importante da sua vida, ver essa pessoa chorar e não poder fazer nada para aliviar sua dor. Eu me sinto um filho da puta quando olho para você e não consigo lembrar-me de nenhum de nossos momentos, os mesmo momentos que todos falam que me transformaram! A única coisa que eu me lembro, é de ser um cara amargurado, com um passado fodido, que não conseguiu em vinte anos esquecer tudo que sofreu. Eu sinto muito Anastásia, sei que você quer ficar longe porque essa porra está te machucando, mas se eu te amei, e você me mudou como todos falam, eu não vou te deixar ir. Nem que eu tenha que te prender a mim!
—Ah Christian! —Anastásia corre para os meus braços e chora contra meu peito.
Aperto-a e não sinto a escuridão vir, não sinto medo, só sinto meu peito inchar, e não sei por que, mas essa é a melhor sensação que já me lembro de ter sentido. É como se todo o meu corpo estivesse acostumado com o seu. É como se sentir seu coração bater ao lado do meu me completasse.
Eu sei que não lembro, mas meu coração faz questão de lembrar.
—Me perdoa, por favor. Eu sei que fui uma tonta com você. —Ela diz entre soluços. —Eu sei que independente de tudo você ainda me ama, você só não se lembra, mas é que é muito doloroso ter que te olhar e ver que todos os nossos momentos ficaram perdidos em lembranças e que você podem nem se lembrar de mim.
—Isso não importa. —Seguro seu rosto entre minhas mãos. —Se eu me apaixonei por você uma vez é porque você deve ser incrível, e eu sei que posso me apaixonar todos os dias, não importa se eu acordar amanhã e não me lembrar de você também, porque eu sei que sempre me apaixonarei por você. E se você ficar ao meu lado nós dois podemos, sem dúvidas, construir novas lembranças.
—Oh Christian. —Ela soluça. —Eu te amo tanto.
—Eu também baby. —Digo não para confortá-la, mas porque eu realmente sinto isso. —Mesmo que eu não me lembre de você, eu sinto que te amo, e o quanto você é importante para mim.
—Não me deixa ir, por favor.
—Nuca baby. Eu vou te reconquistar, você vai ver.
—Você não precisa me reconquistar. —Ela me solta um pouco e me encara com seus lindos olhos azuis. —Você nunca me perdeu Christian.
—Não, eu perdi, nós dois sabemos disso, mas nem que eu tenha que mover montanhas, eu vou te reconquistar baby. Minha maior prova de amor é estar ao seu lado.
ANASTÁSIA STEELE
Já faz algumas semanas desde a minha conversa com Christian, confesso que fiquei mais aliviada, mas mesmo assim a dor ainda é grande, mas estar ao lado dela ameniza-a. Ele é o mesmo. Mandão. Autoritário. Superprotetor. Um ótimo pai. Ótimo amigo e amante. Tenta se esforçar ao máximo para ter as lembranças de volta, por mais que ele possa nem conseguir se lembrar, ele se esforça.
Gabriella sente falta do outro Christian, aquele que a conhecia tão bem, aquele que sabia cuida da filha como ninguém. Para a Mayzinha nada mudou. Mas para a Gabby sim. Ela se sente culpada por tudo que aconteceu, por mais que Christian já tenha conversado com ela tantas vezes, ela continua se culpando por toda essa perda, mas nós vamos ter que esperar que o tempo sare as feridas.
Tenho ajudado Christian como o médico mandou, mostrando fotos, vídeos, e contando sobre todos os nossos momentos, ele adora ouvir as histórias e se esforça para lembrar, por mais que tenha tido alguns flash ultimamente, nada sai muito concreto, apenas imagens distorcidas de momentos felizes.
Nós dois não estamos nos relacionando como um casal, por mais que doa eu respeito isso, foi decisão dele, e eu não vou cobrar nada, o que importa é estar ao seu lado.
Chego da empresa mais uma vez sozinha, já que Christian saiu mais cedo e decidiu ir beber um pouco. Quando entro na sala me deparo com Gabby, Maysa e Elena. Paro e encaro Elena.
—Ana. —Ela diz vendo-me e abre um sorriso que só ela tem.
—Elena. —Digo sorrindo e vou abraçá-la.
Ela tem quase a minha idade e é uma mulher incrível, assim como eu ela construiu seu pequeno império, mas no ramo de salões de beleza. Christian me apresentou a ela um pouco depois que Gabby foi sequestrada, e posso dizer, ela é uma das pessoas mais incríveis que eu já conheci.
—Como você está? —Ela pergunta.
—Bem. —Sussurro cansada. —E você?
—Bem, mas você não me parece tão bem assim.
Dou um sorriso forçado e acho que Elena entende, ela só balança a cabeça.
—Mamãe, a tia Elena estava nos ensinando a fazer trança francesa. —Gabby diz animada enquanto trança o cabelo de uma daquelas bonecas que ficam em salões. Aquelas que têm só a cabeça.
—Uau, que legal. —Digo sorrindo.
—Gabby, May, fiquem ai que a vovó Ella já deve estar chegando, eu vou ali com a mamãe preparar um chocolate-quente. Ok?
—Ok tia. —Gabby diz sorrindo.
—Ok tia. —Maysa repete.
Deixo minha pasta e minha bolsa no sofá e vou até a cozinha com Elena.
Pego as coisas para fazermos chocolate para as meninas e coloco em cima do balcão.
—Como ele está? —Ela pergunta.
—Na mesma. —Sussurro. —Ele não consegue se lembrar, por mais que se esforce. Às vezes ele tem alguns flashs quando está dormindo, mas não passa disso. Eu sinto como se estivesse perdendo-o.
—Ana, eu sei o quanto o Christian te amo, e eu tenho certeza disso, qualquer pessoa que o via antes poderia afirmar com total convicção.
—Antes... Mas agora eu sinto que o amor esta morrendo, das duas partes. Eu acho que não consigo mais amá-lo, não como antes.
—E você vai desistir? É assim? Só porque você caiu você acha que é certo ficar no chão? Você acha que as pessoas vão pegar na sua mão e te ajudar a levantar? Não Anastásia, eu sinto muito, mas elas não vão. Se você ama aquele cara e quer tê-lo de volta, você terá que lutar por ele, caso contrário vai sim perdê-lo. Entenda uma coisa querida: infelizmente o mundo não gira em torno da sua dor, não importa em quantos pedacinhos seu coração tenha partido o mundo não vai parar de girar para você consertá-lo. Você quer que as coisas sejam diferentes? Corra atrás, mude-as, não existe fada-madrinha nesse mundo, apenas a sua força. Lute pelos seus ideais, lute por aquilo que você ama. Lute pelo homem que você ama e o faça enxergar o quanto você o amo, canso contrário, ai sim, você vai perdê-lo.
Não consigo dizer nada depois de tudo isso que ouviu, apenas encaro Elena boquiaberta. Nesse tempo todas as pessoas estavam apenas passando a mão na minha cabeça e dizendo que tudo ia melhorar, mas ela sim tem a razão. Tudo aconteceu de um forma ruim, e infelizmente o mundo continuo rodando. As pessoas estão pouco se doendo se eu estou sofrendo ou não, é cada um com a sua dor e foda-se o resto.
—Agora trate de tirar essa porra dessas lágrimas dos seus olhos e colocar um sorriso, você não merece chorar por isso. —Ela diz me fazendo rir. —Eu sei o tamanho da sua força e você vai lutar pelo homem que você ama.
—Obrigada por ser tão dura comigo. —Digo rindo enquanto seco as lágrimas.
—A dureza faz parte dessa vida, mas de nada. Agora vamos fazer chocolate-quente, eu realmente estou com vontade. —Ela diz acariciando sua barrindo de seis meses.
—Vamos sim gravidíssima. —Digo rindo.
Começamos a fazer o chocolate e conversar sobre o bebê. Elena está doida para que a filha nasça logo. Ela fala dela com tanto carinho, tanto amor e isso mexe comigo. Depois de Gabriella eu não pensava em ter outros filhos, mas quando eu comecei minha família com Christian nós pensávamos nessa possibilidade, mas as coisas mudaram.
—Não! —O grito de Gabriella vindo da sala faz meu coração gelar. —Eu não acredito que você fez isso.
Olho para Elena e sem dizer nada, corremos para a sala. Entramos e nos deparamos com um Christian todo amarrotado e bêbado agarrado com uma mulher (lá puta). Uma única lágrima rola pelo meu rosto e eu trato de secá-la rapidamente.
—Você estragou tudo! —Gabriella grita. —Como você pode? Agora que as coisas estavam ficando legais, você fez isso? Que tipo de pessoa é você?
—Gabby... —Ele sussurra envergonhado.
—Não me venha com essa de Gabby. —Ela grita cortando-o. —Eu não acredito que você traiu a mamãe.
—Nós não temos mais nada. —Digo entrando na conversa. —O Christian é livre para fazer o que quiser.
—O que? —Elena grita entrando na conversa. —Gabriella, leva a Maysa para o quarto, por favor, nós precisamos ter uma conversinha aqui.
Gabby olha com amargura para Christian e sai da sala levando Maysa.
Elena encara Christian com as mãos na cintura. Ela dá um olhar para a mulher que está ao seu lado que a faz dar meia-volta e sair do apartamento.
—Eu estou decepcionada com vocês dois. —Ela diz olhando-nos com desaprovação. —Com você Ana, por ser fraca a ponte de desistir do amor da sua vida, depois de tudo que conversamos. E com você Christian, por ser um idiota e deixar a mulher que você ama acreditar que você desistiu dela.
—Elena, por favor. —Christian sussurra.
—Por favor, o caramba! —Elena grita. —Que tipo de homem é você? Como assim você traz uma puta para dentro de casa sabendo que suas filhas e sua mulher estão aqui.
—Ela não é minha mulher! —Christian grita e eu sinto lágrimas molharem meu rosto.
—Eu nunca pensei que você fosse tão fraco Christian! Nunca imaginei o quanto você fosse ser parecido com aquele maldito cafetão.
—Não me compara com ele! Eu nunca vou ser igual a ele.
—Não? —Ela diz de forma debochada. —Nunca? Haha! Olha só para você, ai bêbedo, com cheiro de cigarro. Uma puta ao seu lado. Fazendo uma mulher e duas crianças chorarem por sua causa. Tem certeza que não há nada parecido? Sinceramente Christian, quando eu te conheci eu acreditei que você era mais que isso, mas vejo que não. E você Ana. —Elena diz me encarando. —Eu realmente achei que você fosse mais forte, achei realmente que vocês fossem mais fortes. Achei que não fosse desistir desse amor que é a coisa mais sincera que eu já tinha visto. Mas olhem só vocês. Dois cacos, dois nadas! É isso que vocês são: NADAS! Vocês querem ficar ai sofrendo, achando que o mundo vai sentir pena de vocês? Fiquem! Mas infelizmente as pessoas estão pouco se fodendo para o que acontece na vida de vocês. O mundo não vai parar por vocês! Entendam isso de uma vez! O mundo não liga para o sofrimento de vocês! Vocês querem se destruir acabando com esse amor? Fiquem à vontade, mas lembrem-se; os únicos a sofrer são vocês dois, e infelizmente, pra esse show, não há plateia.
Elena pega sua bolsa no sofá e vai em direção à saída empurrando Christian, ela passa pelas portas duplas batendo-as o que nos faz encolher os ombros.
—Ana...
—Não! Tenha pelo menos a dignidade de vir falar comigo quando você não estiver cheirinho à bebida e a cigarro.
Dou as costas para Christian e vou para o quarto ver as meninas.
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