Eu e Você Para Sempre
23 Está Completo De Novo
Notas iniciais
Jack estaciona o carro em frente ao lago que cerca a cidade e meu coração para completamente. Ele desce do carro junto com Sthella. Sthella abre a porta e me puxa para fora do carro.
—As mãos! —Ela ordena.
—O que você vai fazer? —Pergunto.
—As mãos! —Sthella grita e eu estendo minhas mãos. Ela amarra-as com uma corda e depois me coloca sentada no banco do carona, prende meu cinto de segurança e dá um sorrisinho. —Não vamos faltar com a segurança.
Jack dá a volta no carro e prende Maysa e Gabriella com os cintos de segurança. As duas estão chorando muito e isso é desesperador. Sthella caminha até a porta do motorista e coloca a chave na ignição.
—Por favor, não faz isso. —Imploro sentindo o medo voltar. —Eu sou sua filha.
—Não Anastásia, você nunca será minha filha.
—Por favor.
—Nossa dívida está paga. Adeus Srta. Steele. —Sthella diz e puxa o freio de mão.
—Não! —Grito vendo o carro andar em direção ao lago. —Não, Maysa, Gabby. Não!
—Mamãe! —Gabriella grita enquanto o carro começa a afundar. —Me ajuda.
Sinto o carro prender em algo e ficar com apenas a frente submersa.
—Gabby eu preciso que você solte o cinto.
—Eu não consigo. —Ela diz desesperada enquanto Maysa chora ao seu lado.
—Gabriella isso não é brincadeira! Você tem que conseguir.
—Mamãe me ajuda! —Ela grita quando o carro dá um tranco.
—Gabriella eu não posso. Eu preciso de você filha. —Lágrimas rolam pelo meu rosto quando vejo seu desespero. —Lembra como você foi corajosa para salvar a Maysa? Eu preciso que você use essa coragem de novo.
Gabby começa a apertar o botão do cinto e logo ele se solta, mas o carro afunda mais e ela grita quando cai na parte da frente.
—Gabby abre a porta. —Ordeno. —Vai logo. Abre a porta e sai daqui com a Maysa.
—Mas e você?
—Gabriella só faz o que eu mandei.
—Mamãe, por favor...
A porta do carro abre sozinha e Gabriella cai, no mesmo momento o carro se afunda e o desespero toma conta de mim.
Tento soltar o meu sinto, mas ele trava e eu não consigo me mexer.
Meu coração está acelerado e eu não consigo pensar em nada.
Apenas consigo ouvir os gritos de Maysa enquanto ela chora e chama por mim.
O carro afunda na água e tudo que eu vejo é uma garotinha de três anos se debatendo e clamando pela mãe.
Não consigo pensar em nada, minhas mãos não se mexem e eu já não tenho forças.
Lentamente o carro vai afundando e logo tudo que vejo é água pela claridade das lanternas do carro.
Fecho meus olhos sentindo a dor me consumir.
Eu não tenho mais forças... Tudo se quebra dentro de mim.
Uma imagem me vem à mente e ouço Maysa me chamando de mamãe e me dando um de seus lindos sorrisos de covinhas.
Abro os olhos e viro vendo Maysa ainda presa ao cinto, ela não está se mexendo.
Céus!
Minha filha!
Tento lutar contra a água, mas parece tão difícil.
Minhas mãos estão presas e o cinto de segurança não ajuda muito.
De repente o porta-luvas abre eu vejo várias coisas flutuando na água, no meio delas um espelho pequeno.
Vai ter que ser ele.
Estico-me um pouco e o consigo pegá-lo.
É uma luta contra o tempo, seu corpo quase vencido pelo cansaço diz pare, mas sua mente diz que ainda há motivos para lutar. O ar falta e parece que tudo dói dentro de você.
A água tentando a todo custo invadir seus pulmões.
Mas eu ainda tenho um motivo para lutar.
Minha filha!
As cordas se partem e eu consigo me livrar do cinto, com muita dificuldade e já sem muito ar nos pulmões abro as portas.
Só mais um pouco. Você consegue.
Repito esse mantra várias vezes.
Eu tenho que salvar minha filha.
Abro a porta e vou até Maysa, puxo-a pela janela do carro, mas o cinto a prende. Pressiono o botão várias vezes lutando contra o tempo, mas ele não parece que vai soltar. Tento achar o espelho, mas acho que o deixei cair.
O ar falta mais nos meus pulmões e eu sinto o cansaço dominar-me cada vez mais.
CHRISTIAN GREY
—Porra! —Grito a ouvir Taylor me dizer que Anastásia foi levada pelo maldito cafetão. —Nós temos que encontrá-la Taylor. —Grito segurando seu colarinho. —Eu não posso perder aquela mulher e aquelas meninas! Elas são tudo na minha vida!
—Taylor! —Sawyer entra ofegante na sala. —Nós conseguimos as imagens. O Ryan já está rastreando os carros. Eles foram em direção ao lago.
—Vamos logo! —Grito soltando Taylor.
Corro com Taylor, Sawyer e Ryan para os carros e nós seguimos para o lago.
No caminho avisamos Clarck e Ray, eles também vão em direção ao lago, mas chegamos à frente.
Meu mundo para quando chego e vejo Sthella, Jack e Maison parados em frente ao lado vendo um carro afundar.
Puta que pariu!
Taylor freia o carro e os pneus cantam no asfalto.
Os malditos se viram, mas antes que possam fazer qualquer coisa Sawyer dispara. O primeiro tiro pega Sthella e ela cai de joelhos na nossa frente. Os dois próximos tiros, disparados por Ryan acertam Jack, e um último tiro que é disparo por Taylor acerta o coração do maldito cafetão.
Seu último olhar é direcionado para mim. Logo me vejo como um menininho, mas volto à realidade ao lembrar-me de Ana.
Nós três corremos para o lago e eu vejo Gabby ser jogada para fora do carro enquanto ele afunda. Sem pensar duas vezes pulamos na água. Nadamos até Gabby e eu a pego em meus braços. Ela se segura em mim e começa a chorar.
—Papai não! Você tem que salvá-las. Elas vão morrer! Faça alguma coisa. —Gabriella implora em meio ao desespero.
—Taylor. —Grito entregando Gabby a ele. —Tire-a daqui.
—Sr. Grey nós podemos tirá-las de lá. Somos treinados.
—Foda-se! É a minha mulher que está lá embaixo.
Arranco meu blazer e a minha camisa e mergulho na água.
Tudo está escuro, mas eu consigo enxergar pela luz dos faróis e pela lua que está clareando o lago.
Nado em direção ao carro e quando estou chegando perto vejo Anastásia tentar abrir a porta, eu estou cansada e quase sem ar, mas ao vê-la cansada enquanto luta para salvar minha filha algo maior me motiva.
Vou em direção a elas e Ana logo me vê, ela me olha e eu vejo o desespero em cada parte do seu corpo.
Tiro Ana da frente da porta e olho vendo Maysa presa ao cinto.
Meu coração é tomado pelo medo.
Medo de não ter tempo.
Medo de não conseguir salvá-las.
Medo de perder as pessoas mais importantes da minha vida.
E é por esse medo que sou movido.
Consigo soltar o cinto de Maysa e a puxo para meus braços. Seguro Ana com o outro braço e começo a nadar para a superfície sendo guiado pela lua.
Quando o ar toma meus pulmões na superfície eu tomo uma longa respiração, mas não há tempo a perder. Ana toma Maysa dos meus braços e nada para a margem com ela.
Ray e Clarck já estão aqui com seus homens, eles nos ajudam a sair da água.
Anastásia está tossindo muito, mas não deixa ninguém tocá-la, ou em Maysa.
Ela coloca nossa filha no chão e se debruça ouvindo seu coração.
—Maysa não! —Anastásia grita e meu coração praticamente para. —Por favor, não me deixa Maysa.
Ah senhor! Por favor, filha não!
Ana começa a fazer massagem em seu peito, mas ela não reage.
Vejo todos darem um olhar perdido enquanto Ana tenta reanimar Maysa que nem se mexe.
Por favor, filha.
O medo me invade e eu não consigo imaginar minha vida sem essa garota.
Anastásia debruça-se sobre ela e começa a fazer respiração boca a boca, tento uma, duas, três vezes, mas nada.
Me pego fazendo uma oração silenciosa e sinto algumas lágrimas rolarem pelo meu rosto.
Por favor. Se tem alguém me ouvindo não me deixe perder essa menina, ela é tudo para mim e para Ana também!
Olho para o céu e sinto que a lua brilha mais forte.
Anastásia massageia o peito de Maysa mais uma vez e tenta a respiração boca a boca de novo, na segunda tentativa Maysa começa a tossir e cuspir água. Vejo todos suspirarem aliviados.
Meu coração volta a bater e eu fico vendo Ana levantar a cabeça de Maysa para ela cuspir toda a água.
Aproximo-me e abraço-as apertando-as contra meu peito.
Muito obrigada.
Obrigada.
Sinto Ana ser dominada pelo cansaço e logo ela desmaia em meus braços.
—Chamem os médicos agora! —Ray grita e só agora vejo que minha mãe Grace está aqui.
Ela corre e toma Maysa dos braços de Ana levando-a para a ambulância.
Tento me levantar, mas sou tomado pelo cansaço e tudo se apaga.
ANASTÁSIA STEELE
Ouço um barulho distante. Talvez estejam chamando meu nome, eu não sei muito bem o que é. É confuso. Eu consigo sentir pessoas correndo à minha volta, mas não entendo o que elas dizem.
Meus olhos se recusam a abrir e meu corpo não obedece meus comandos.
Sinto-me fraca e sem forças, tudo volta a se apagar...
Ainda posso ouvir chamarem meu nome, eu consigo ouvir, mas não me mexer.
Sinto algo quente contra o meu peito, dói, mas é uma dor boa. Sinto de novo e de novo e um barulho estranho começa a tocar.
É como se uma tecla de piano tivesse sendo pressionada várias e várias vezes.
Tudo se apaga.
Minha cabeça está doendo, parece que estão dançando em cima dela, há uma luz forte batendo nos meus olhos e eu consigo ouvir barulhos de máquinas e acho que estou em um hospital.
Abro meus olhos e levo alguns segundos para me acostumar com a luz.
Olho para o lado e vejo meus pais e Kate.
—Mamãe. —Sussurro confusa.
—Ana. —Ela grita e minha cabeça lateja.
—O que houve?
—Você não se lembra? —Kate pergunta.
Fecho meus olhos e forço algumas lembranças.
Vejo Jack, Sthella e Maison juntos.
Gabriella caindo para fora do carro.
Maysa chorando.
Depois o carro.
O lago.
Céus!
—Onde estão as minhas filhas? —Peço já chorando. —Me diga que elas sobreviveram, por favor. E o Christian? Eu quero vê-los.
—Calma! —Mamãe pede. —Eles estão internados aqui também. Os três estão vivos. Você salvou a Maysa, Ana.
—Ah céus! —Encosto minha cabeça e suspiro com alivio. —E aqueles três?
—Estão mortos. —Diz Papai. —O Taylor, Ryan e Sawyer chegaram a tempo com o Christian. Eu cheguei logo em seguida, mas tudo que vimos foi a Gabby ser tirada da água pelo Taylor, e logo depois o Christian e você saíram com a Maysa. Você conseguiu reanimá-la e depois desmaiou.
—Eu fiquei com tanto medo. —Volto a chorar. —Eu pensei que fosse morrer.
—Tudo bem. —Mamãe me diz e segura minhas mãos. —Já passou.
Sinto o olhar de alguém sobre mim e viro para a porta vendo Christian parado.
Ele tem um pequeno curativo no supercílio e seu lábio está um pouco inchado.
—Christian... —Sussurro chorando.
—Olá baby. —Ele diz sorrindo.
—Nós vamos deixar vocês as sós. —Kate fala e sai do quarto com meus pais.
Christian sorri para eles e se aproxima de mim abraçando-me. Ele coloca algo no meu pescoço e quando olho e vejo que é meu colar.
—O que... O que isso significa? —Pergunto confusa.
—Você disse que quando eu lembrasse eu poderia colocar isso de volta em você. —Ele diz sorrindo.
—Você se lembra... —Sussurro.
—De tudo. —Ele diz sorrindo.
Como a chorar e logo sinto seus lábios tomarem o meu em um beijo desesperado e cheio de saudades.
Aperto-o em meus braços e choro ainda mais.
—Não chore baby, tudo passou. Nós estamos juntos agora.
—Eu te amo tanto.
—Eu também te amo.
—Mamãe... Daddy. —Viramos para a porta e vemos Gabby parada.
—Oi amor. —Digo e ela começa a chorar correndo para os nossos braços. —Está tudo bem querida, já passou.
—Me desculpa, eu não consegui te ajudar.
—Ei, claro que você me ajudou, você foi muito corajosa e eu estou muito orgulhosa de você. E o papai também.
Gabby não olha para Christian apenas fica abraçada comigo.
Acho que ela ainda não sabe que ele lembrou.
—Ei. —Christian senta ao meu lado e pega Gabby de mim. Ela protesta, mas se conforma. —Sabe de uma coisa?
—O que? —Ela diz brava.
—Quando tudo isso passar, sabe o que podemos fazer?
—Não.
—Ter uma revanche.
—Revanche?
—Sim. Eu não aceito ter perdido um jogo de futebol para uma garotinha, e se o Taylor tomar aquela surra de novo eu juro demiti-lo.
—Ah! —Gabby grita e agarra Christian. Ele segura seu rosto entre as mãos e o encara. —Você lembrou?
—Sim. De tudo. Inclusive. —Christian diz colocando o braço ao redor do meu ombro. —Que eu tinha feito um pedido de casamento a certa senhorita e ela ainda não me respondeu.
—Vai perder essa oportunidade mulher? —Gabby diz me olhando e eu solto uma gargalhada.
—É claro que eu aceito me casar com você Sr. Grey.
Christian me dá um lindo sorri enquanto Gabby comemora com palmas.
Ouvimos gritinhos e assovios e olhamos para a porta vendo nossa família parada sorrindo amplamente para nós.
Mia está com Maysa nos braços e a traz para mim, pego minha pequena e abraço.
Agora sim somos um coração completo.
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