Eu e Você Para Sempre
17 Eu, você e Ella novamente
Notas iniciais
—Obrigada. —Digo sorrindo.
O meirinho abre o portão e Gabriella desce correndo e vem para os meus braços, ela me aperta forte enquanto eu choro.
—Nós não vamos mais nos separar, não é mesmo mamãe?
—Não. Nunca mais.
—Eu te amo mamãe.
—Eu também te amo Gabby. Muito.
—Paizinho. —Gabby diz vendo Christian se aproximar e vai para o colo dele. —Eu senti sua falta.
—Eu também princesa.
—Mamãe! —Maysa grita chamando a atenção de todos.
—Ei princesa.
Abaixo-me e ela vem correndo em minha direção assim que Grace a coloca no chão. Enquanto abraço Maysa vejo José nos olhar. Confesso que sinto um pouco de pena, mas foi ele quem escolheu tudo isso. Ele quem me abandonou, e agora só está lidando com as consequências dos seus atos.
—Srta. Steele. —Levanto-me e vejo a promotora se aproximar. —Posso lhe cumprimentar? Com um abraço?
—Claro. —Digo sorrindo e lhe dou um abraço desajeito com Maysa no colo.
—Olha. Continue assim. Todos tem razão quando dizem que você é uma boa pessoa, e você demonstra isso em cada olhar. O amor que você tem por todos é tão visível. E a forma como as pessoas reagem ao seu lado é incrível. Dá para perceber o quanto seus amigos e família te amam, e você tem muita sorte de tê-los ao seu lado. Eu não sei o que aquele idiota pensou quando te abandonou, mas com certeza ele não olhou para a mulher que você é. Sua filha é incrível e estou encantada com a relação de vocês duas. Como o seu Grey disse em depoimento, o amor de vocês é tão grande que dá para ser visto até nos gesto, olha e principalmente palavras. Parabéns Srta. Steele.
—Obrigada. —Digo enxugando as lágrimas que caíram. —Muito obrigada mesmo.
—Eu que agradeço. Não é sempre que temos a sorte de conhecer pessoas como você. Continue assim. Sempre. E vocês, Grey e Kavanagh, até mesmo você Sra. Steele. Cuidem bem dela. Vocês todos têm muita sorte de terem alguém como a Anastásia em seus caminhos.
—Temos sim, muita sorte. —Christian fala me abraçando e me dá um beijo suave na cabeça.
—Parabéns. A todos vocês. Se dúvidas vão são uma família incrível. Até logo.
A promotora se vai e eu olho para todos sorrindo.
É. Ela tem razão. Eu tenho muita sorte de tê-los ao meu lado.
—Anastásia. —José se aproxima e Christian me aperta mais. —Eu sinto muito.
—Não. Você não sente. Quem sentiu fui eu. Senti por oito anos. —Sussurro, mas não sinto dor como antes. Talvez porque agora eu tenha minha família aqui. —Eu realmente cheguei a acreditar que você me amava, mas era tudo uma mentira, não é mesmo? Sua carreira foi mais importante. Eu não tenho ressentimentos, se é isso quem pensa. Até mesmo porque você me deu a coisa mais importante que tenho na vida, mas você não significa nada para ela, e nem para mim. Você teve a chance de mudar. Teve a chance de nos escolher, mas o seu egoísmo falou mais alto. Isso. —Digo gesticulando no ar. —Era o que poderíamos ser hoje. Uma família, mas você perdeu isso José. Você perdeu tudo isso. Não por mim, mas por você. Eu sinto muito, mesmo.
Viro-me e saio andando junto com a minha família.
—Mamãe. —Gabby chama antes de sairmos da sala e já sei o que ela quer fazer.
—Tudo bem, mas seja breve. —Digo olhando-a com todo meu amor.
Ela sorri e desce do colo de Christian, nós nos viramos e vemos Gabby correr e abraçar José. Ele fica surpreso, mas logo retribui o abraço. Gabriella olhando sorrindo para ele e acaricia seu rosto, depois solta-o e volta correndo para os braços de Christian.
Sim. Foi isso tudo que ele perdeu.
Saímos da sala juntos, depois saímos juntos do tribunal, e juntos somos bombardeados por fotos, mas juntos. Porque somos uma família. E família nunca se separa.
DOIS MESES DEPOIS...
—Mamãe me ajuda! —Gabby grita enquanto corre pela casa e Christian corre atrás dela.
—Ei. —Digo assim que pego-a no colo. Ela ofega e solta uma gargalhada. —Respira.
—Ok. —Ela diz respirando fundo. —Nada de correr papai.
—Ok. —Christian diz rindo e a pega no colo levantando-a. — Hora de cama.
—Hora de cama. —Gabby repete sorrindo e dá um beijinho no seu nariz.
—Mamãe. —Maysa aparece na sala coçando os olhinhos, cabelos bagunçados e pijama de ursinho.
—Ei pretinha. —Digo pegando-a no colo e ela deita a cabeça na curva do meu pescoço. —Hora de cama.
Coloco o livro que estava lendo no sofá e acompanho Christian até o quarto das nossas filhas. Coloco May na cama e Christian coloca Gabby na outra. Damos um beijo, depois um abraço e esperamos até que elas durmam, mas nossas pequenas estão muito engraçadinhas hoje e ficam rindo sem parar uma para outra.
Christian me olha e pisca para mim sorrindo.
Mando um beijo suave para ele e sorrio.
—Vocês têm mais cinco minutos, ou te deixamos sozinhas. —Christian fala e as duas param de rir.
—Boa noite Maysa. Boa noite mamãe e papai. Amo vocês. —Gabby fala abraçando Aninha e fecho os olhos.
—Noite Babby, noite mamãe, noite papai. Amo vocês. —Maysa fala abraçando seu ursinho Chris e fecha os olhos.
—Boa noite. —Christian e eu dizemos juntos.
Dois minutos se passam e as meninas já estão em sono profundo, levanto-me com Christian e nós saímos do quarto deixando a porta entreaberta e abajur ligado.
Vamos para a sala e nós sentamos no sofá. Christian senta encostado no braço do sofá e eu sento entre suas pernas.
—Nada dela ainda? —Pergunto enquanto faço desenhos imaginários em sua coxa.
—Não. —Ele suspira pesadamente. —Nada. Ela sumiu.
—Eu sinto muito querido.
—Tudo bem baby, nós vamos encontrá-la. Juntos.
—Vamos sim. Mas agora. —Digo em virando e monto em cima dele começando a beijá-lo. —Eu realmente quero aproveitar o tempo.
—Há Srta. Steele, eu adoraria aproveitar o tempo ao seu lado. —Ele diz sorrindo e vai subindo a mão pela minha coxa por debaixo do vestido.
—É melhor irmos para o quarto. Eu não quero que nos filhas nos peguem.
—Nem eu. —Ele diz rindo e se levanta pegando-me em seus braços.
Como muito esforço nós chegamos ao quarto e Christian me coloca deitada sobre a cama. Ele lentamente tira meu vestido e vá distribuindo beijos por todo meu corpo enquanto eu me contorço. Christian sobe e me olha profundamente nos olhos.
—Você tem noção do quanto eu te amo?
—Sim Sr. Grey, porque eu também te amo.
Sorrio e seguro seu rosto colocando seus lábios nos meus.
Aos poucos os toques e carícias aumentam, o desejo só cresce como o nosso amor. E sem pensar nos entregamos aos beijos e toques. Aos movimentos calmos e desejosos, as gemidos de desejo e de amor. Estar ao lado dele é ter a certeza de que esse amor nunca vai acabar. É ter a certeza de que eu sou uma mulher feliz e realizada com tudo que tenho. É ter a certeza que nunca estarei sozinha, pois ele me ama. E eu o amo.
NA MANHÃ SEGUINTE
Acordo com Christian todo enrolado em mim como em todas as manhãs. Sorrio e passo a mão pelos seus cabelos acordando-o.
—Já é hora de levantar? —Ele pergunta sonolento.
—Sim Sr. Grey. —Digo sorrindo.
Ele me beija e se levanta completamente nu e vai em direção ao banheiro.
Levanto-me e coloco meu robe. Prendo meu cabelo em um coque enquanto caminho até o quarto das meninas, abro a porta e encontro Maysa deitada como sempre na cama de Gabby. Aproximo-me das duas e começo a dar beijinhos em seus rostos e fazer cócegas.
—Bom dia dorminhocas. —Digo assim que elas abrem os olhinhos.
—Bom dia mamãe.
—Dia mamãe.
—Hora do colégio. Vamos levantar?
—Hunrum. —Gabby diz se espreguiçando.
Ela se levanta e vai em direção ao banheiro enquanto Maysa fica me olhando com aqueles olhos cinza enormes.
—Ainda com sono? —Pergunto rindo.
—Sim. —Ela diz séria e se senta.
—Vem. —Levanto-me e a pego no colo.
Caminho até o banheiro e vejo Gabby tomando banho no chuveiro. Coloco Maysa sentada em cima da pia e passo um pouco de água no seu rosto. Pego a sua escovar de dentes e a ajuda a escovar os dentes, depois a deixo ir tomar banho com Gabby.
Espero alguns minutos e depois as tiro do chuveiro ajudando-as a se enrolar na toalha.
Levo-as de volta para o quarto e ajudo-as a arrumar os cabelos e se vestir.
—Pronto. —Digo sorrindo. —Agora vão lá com a tia Gail. Ela vai dar o café de vocês.
Volto ao meu quarto e me deparo com um CEO supergostoso de terno cinza, gravata preta e cabelos revoltos e molhados.
—Sr. Grey, sinto em lhe informar, mas você está muito apetitoso nessa manhã.
—É mesmo Srta. Steele. —Ele diz se aproximando e me puxa. —Você também não está nada mal, mas está atrasada.
—Merda! —Exclamo lembrando-me da reunião.
Solto Christian e vou correndo para o banheiro enquanto ele ri de mim.
Tomo um banho rápido e depois vou me trocar. Visto uma calça preta social de cintura alta, blusa se seda cinza com mangas. Deixo os dois primeiros botões abertos e coloco meus saltos. Escovo meus cabelos deixando-os soltos e faço uma maquiagem básica.
Quando chego à sala vejo Christian sentando em frente à bancada tomando café com as meninas, ela me olha de cima a baixo e para de rir. Seu olhar fica escuro e eu mordo o lábio para provocá-lo.
—Gabby, nós estamos atrasadas.
—E seu café mamãe? —Ela pergunta enquanto desce da bancada.
—Eu vou comer algo na empresa, mas agora realmente precisamos ir.
—Ok. —Gabby diz pegando sua mochila. Ela dá um beijo em Christian, outro em Maysa e um abraço em Gail.
—Tchau bebês. —Digo dando um beijo em Christian e outro em Maysa. —Amo vocês. Até logo Gail.
—Até logo Srta. Steele. Tem um bom dia. —Gail diz sorrindo.
Pego minha bolsa e minha pasta e saio com Gabby, chegamos à garagem e eu vejo Taylor e Sawyer coversando enquanto tomam café em copinhos descartáveis.
—Tio Taylor, tio Sawyer. —Gabby diz indo abraçá-los. —Bom dia.
—Bom dia. —Eles dizem juntos e parecem envergonhados.
—Sem problemas. —Digo rindo. —Podem tomar o café de vocês em paz, eu vou com meu carro hoje. Se precisar eu ligo.
—Obrigado Srta. Steele. —Taylor diz sorrindo.
—Vamos Babby.
Abro a porta do carro e Gabby entra, coloco o sinto nela e depois fecho a porta. Entro e coloco minha bolsa e pasta no banco do carona. Arrumo os espelhos e saio com o carro. Para o meu azaro transito está infernal logo pela manhã.
—Por que você não vai pela outra rua? —Gabby pergunta ao perceber minha impaciência.
—Ok. Você tem razão, mas vamos mudar nossa rota e se perdemos tempo?
—Nós temos cerca de quarenta e cinco minutos para chegarmos à escola e depois a empresa. Sua reunião é daqui cinquenta minutos, nós não estamos tão atrasadas assim, então tempo muito tempo.
—Eu sei, mas a outra rota é meio distante do centro.
—Mas tem outro caminho, aquele que o tio Taylor faz, ele desvia e vai pelos conjuntos habitacionais.
—É verdade. Nós podemos fazer isso.
—Ok. —Ela diz sorrindo e liga a televisão.
Mudo a rota e vejo que o trânsito vai diminuindo, o que é um alívio para mim.
Logo chegamos perto dos conjuntos habitacionais, e não sei por que, mas eu sinto algo ruim.
Acelero um pouco e tento não deixar o nervosismo me dominar.
Não há muitas pessoas por aqui, apenas crianças brincando nos pátios dos conjuntos. Passamos pelas crianças e eu vejo uma mulher passar correndo em frente ao carro, freio com tudo nos jogando para frente, mas graças ao cinto nada acontece.
A mulher me olha e meu mundo para.
Ella.
—Ella! —Ouço um grito e viro-me vendo o cafetão.
Ella me olha desesperada e vejo o medo estampar seus olhos.
Não penso duas vezes e abro a porta do carro, ela entra correndo e eu arranco com o carro.
—Mamãe, o que está havendo? —Gabby pergunto preocupada.
—Nada meu amor.
—E por que ele esta aqui atrás de nós? —Ela começa a chorar. —Foi ele que me tirou de você mamãe.
—Amor, fica calma. —Digo vendo pelo espelho o maldito entrar em um carro e vir atrás de nós.
—Mamãe eu estou com medo.
—Gabby. —Ella diz passando para o banco de trás. —Você lembra-se de mim?
—Si-sim. —Gabby diz soluçando. —Você disse que ia achar a mamãe e o papai.
—Isso. Lembra que eu disse que tudo ficaria bem?
—Sim.
—Então, eu preciso que você se acalme, e tudo ficará bem.
—Está bem.
Olho pelo espelho e encontro os olhos de Ella.
Deus! Eu não acredito que é ela.
—Você consegue se acalmar também? —Ela pergunta olhando-me.
—Não. —Sussurro. —Mas vou tentar. Só que eu preciso de ajuda.
—O que eu faço?
—Me dá meu celular, está na bolsa. Eu preciso do Christian.
—Tudo bem. —Ela diz me entregando o celular e eu coloco no suporte de Bluetooth, disco o número de Christian e logo ouço sua voz.
—Baby, está tudo bem? —Christian pergunta.
—Não muito. —Digo nervosa e acelero mais o carro.
—O que aconteceu Anastásia? —Ele quase grita.
—Eu estou no carro com a Gabby e a sua mãe, e nós estamos sendo seguidas.
—Seguidas por quem? —Consigo sentir o nervosismo em sua voz.
—Por ele. —Sussurro e Christian fica em silêncio.
—Minha mãe? —Ele pergunta confuso.
—A Ella. —Digo baixinho.
—Porra Anastásia! Você ainda vai me matar do coração. —Ele diz e mesmo nervosa acabo rindo. —O Taylor já está te rastreando, tente manter a velocidade, mas fique calma.
—Eu estou tudo, menos calma. Tem um louco me seguindo, eu estou com a minha filha e a minha sogra no carro. Então, eu não consigo ficar calma. —Digo alterando o tom de voz.
—Eu sei baby, mas preciso que se concentre.
—Me concentrar? —Digo vendo o maldito se aproximar mais de nós e o fecho.
—O que foi isso?
—Nada. Eu só o fechei. Desculpe, eu estou nervosa.
—Ok... Deixe-me pensar... Sabe de uma coisa?
—O que?
—Eu acho que te amei por vinte anos, mesmo estando longe de você. —Meu coração dispara com sua declaração. —Quando eu te revi naquele maldito restaurante eu te olhei e pensei: “porra! Foi por essa maldita que eu em apaixonei mesmo estando longe?”. Eu passei dias imaginando como seria te encontrar, em como você estaria linda. E porra, você conseguiu superar todas as minhas expectativas. Quando eu te tive em meus braços eu descobri que o que faltou em mim todos esses anos foi a sua presença. Eu era um filho da puta com todos, mas quando você chegou você me mostrou o quando eu poderia ser melhor. Eu me sinto um filho da puta muito sortudo agora.
—Você quer me fazer chorar? Porque está conseguindo. —Olho para trás e vejo o carro de Sawyer e Taylor aparecer. Respiro com alívio e o maldito cafetão ultrapassa correndo e Taylor vai atrás dele. Freio o carro e desço vendo Christian descer do carro de Sawyer. Corro para os seus braços e lhe beijo. —Eu te amo.
—Eu também te amo. —Ele diz me abraçando.
Gabby desce do carro e vem correndo para os nossos braços, Christian a pega no colo e eu vejo Ella descer do carro. Ela para e nos olhos com um brilho diferente nos olhos. O vento sopra e nossos cabelos balançam. Respiro fundo e caminho lentamente em sua direção. Paro em sua frente e levanto a mão acariciando seu rosto, ela fecha os olhos e coloca a mão sobre a minha. Lágrimas escorrem pelo meu rosto e ela me puxa para um abraço. Um abraço que eu esperei vinte anos para sentir.
—Me desculpe. —Digo apertando-a. —Me desculpe por tê-lo tirado de você. Você quase morreu. Por minha causa. Eu não sabia que ele tinha te obrigado a ir. Por favor, me perdoa. Me perdoa Ella.
—Ei. —Ela diz segurando meu rosto entre suas mãos. —Passou Anastásia. Foram vinte anos. Eu superei isso. Sabe o que me deu forças? Saber que vocês estavam bem, e estavam seguros. Isso me deu forças para continuar. E não se desculpe, a culpa não foi sua.
—Eu seria louca por dizer que amo a mulher que deu a vida por mim?
—Não. Porque essa mulher também te ama muito.
Abraço-a mais uma vez e tento conter o chora, mas é impossível.
—Oi meu menininho. —Ella diz soltando-me e abraça Christian. —Me perdoa, por favor. Me perdoa.
—Não se vá, por favor. Eu não quero te perder outra vez.
—Eu não vou meu menininho, eu prometo. Eu estou aqui. Estou aqui com vocês.
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