Eu Vou Conquistar Você
14 Mês 4
Notas iniciais
Depois de colocar a cobertura na torta ela foi direto para o chuveiro tomar um banho rápido. Saiu do banheiro envolta em seu roupão e com uma toalha na cabeça, abrira seu guarda-roupa e ficou o encarando: O que usaria?
Não sabia que roupa seria adequada para a ocasião, o que alguém usa para conhecer seus sogros? Ou seria seus não-sogros? Estava confusa demais para decidir que roupa usaria ou que os pais de Rony significavam pra ela. Resolveu que colocaria algo que a fizesse se sentir segura, então sem mais delongas pegou uma roupa que adorava! O vestido godê vermelho que ganhara de sua mãe. Era bem simples e comportado, ia até um pouco acima de seus joelhos e por não ser decotado achou que era uma boa opção.
Colocou o vestido e calçou sapatilhas – seu calçado favorito – pretas, não era necessário que tentasse ficar alta no momento. Secou os cabelos e fez uma bela trança embutida que caia por seu ombro. Resolveu que não usaria uma maquiagem forte, então apenas passou um gloss nos lábios, estava pronta. Logo o interfone tocou e ela autorizara a subida de Rony, correu para a porta e o recebeu com um forte abraço.
— Eu disse que não precisava subir aqui, podia ficar me esperando lá embaixo que eu desceria! — disse assim que entrou em sua casa.
— E o meu cavalheirismo como fica nessa situação? — brincou sentando-se no sofá — Onde está o Cedrico? Você está sozinha?
— Sim. Já, já ele chega. Está fazendo hora extra no trabalho aos sábados. — disse indo sentar-se também.
— E como você está? Sua semana foi boa?
— Foi sim, um pouco corrida e cheia de trabalho, mas foi boa. E a sua?
— Cheia de trabalho como a sua, muitos processos! Mas foi boa também. Eu estava ansioso pro fim de semana.
— Eu também! — disse aliviada por não ser a única ansiosa.
— Está pronta pra conhecer meus pais?
— Acho que sim.
— Acha?
— Acho, é que eu estou um pouco nervosa.
— Não precisa ficar, meus pais são bem tranquilos!
— É bom saber disso! Mas você estará lá comigo, acho que está tudo bem! Vamos então? — perguntou levantando-se.
— Vamos! — Rony dissera levantando-se e encaminhando-se na direção da garota. Envolveu-a pela cintura e depositou um beijo em sua bochecha rosada e outro em seu pescoço. — Você está linda.
Desde o dia em que foram no parque Rony estava achando que tinha o total direito e liberdade sobre o pescoço de Hermione. A garota cogitou a ideia de ele estar obcecado por aquela região, mas sabia que ele só o fazia porque sabia que aquele era seu ponto fraco. Ela estava louca para colocar um basta naquilo e fazer o jogo limpo daquela relação, mas justo em seu ponto fraco? O ruivo definitivamente não estava fazendo o mesmo jogo que ela, ele estava fazendo o jogo sujo.
— Obrigada! — Hermione disse soltando a respiração que percebeu ter prendido.
— Você gosta de vermelho? Me disse que a Luna tinha te obrigado a usar batom vermelho nos nossos dois primeiro encontros. — disse fazendo aspas com os dedos.
— Eu amo vermelho, só não gosto que me obriguem a fazer o que não quero. Na verdade eu tenho um estoque de batons vermelhos.
— Então a Luna é mandona?
— Sim, ela é. Na verdade todos os meus amigos são! — Hermione disse se retirando.
— Que bom saber que ela é mandona, agora tenho mais artefatos pra zombar com a cara do Neville. — Dissera assim que a garota voltara com uma travessa nas mãos — O que é isso?
— Sua família gosta de torta de morango? Não quero aparecer por lá de mãos vazias!
— Nós adoramos, mas não precisava levar nada, Mione. Eu é que te convidei pra almoçar lá em casa!
— E eu é que estou levando torta pra gente!
— Meu casal favorito! — Cedrico adentrara a porta gritando como sempre — Uau, minha nanica está vestida pra matar! Onde vão?
— Eu não sou nanica, Ced! Eu te contei que ia conhecer os pais do Ron hoje.
— Ah é mesmo, tinha me esquecido! O que é isso na sua mão?
— Torta de morango.
— Torta de morango? Por que não faz essas coisas pra mim? Agora só pensa no Ronald, né? Esqueceu de mim?
— Pare de drama, Ced. Eu faço tudo pra você!
— Mas não faz torta de morango! Você sabe que eu amo sua torta de morango.
— É uma ocasião especial, Ced. Outro dia eu faço uma pra você, ok?
— Junto com strogonoff?
— Junto com strogonoff. — Hermione respondeu a criancice a do primo.
— Obrigado, você é a melhor! — disse a abraçando — E acho bom tratarem minha princesa bem lá na sua casa, senhor gostosão Weasley. Se ela não gostar de um grãozinho de arroz eu vou...
— Ced, menos né? Bem menos!
— Fique tranquilo, eu cuidarei dela! — Rony dissera rindo.
— Acho bom!
— Ron, vamos logo antes que o bebezão dê outro ataque de histerismo?
(...)
— Belo jardim! — Hermione disse.
— Minha mãe é a melhor em tudo que faz, por isso o jardim é lindo!
— E deve ser mesmo, estou ansiosa pra provar as delícias dela depois daquela geleia de morango.
Hermione e Rony caminhavam lado a lado até a porta de entrada da casa dos Weasley e passaram pelo jardim de flores de Molly que era muito bem cuidado.
— Deixe que eu levo pra você! — Rony dissera pegando a torta das mãos de Hermione.
— Um verdadeiro cavalheiro! — disse rindo.
— Estou apenas te ajudando, é bom estar de mãos livres quando for atingida pelos jatos vermelhos que estão atrás da porta!
— Serei atingida de uma maneira boa ou ruim?
— Não vou te garantir nada, mas espero que seja boa! Está pronta? — Rony perguntou segurando a maçaneta da porta e a morena assentiu, então ele abriu a porta e adentrou com ela em seu encalço — Mãe, pai? Nós chegamos! Venham conhecer a Mione!
— Estávamos na cozinha, meu filho! — uma senhora baixinha que acabara de surgir de um corredor dissera — Ah, que alegria! É um prazer te conhecer!
— O prazer é todo meu, senhora Weasley! — Hermione disse assim que acabara de receber um abraço da ruiva.
— Só Molly está bom, querida! Sinta-se a vontade, estamos todos muito animados com sua vinda pra cá.
— Eu também estou muito feliz por estarem me recebendo aqui, muito obrigada!
— Então essa é a famosa Hermione! — agora fora um senhor ruivo que surgira do mesmo lugar que a senhorinha á segundos atrás.
— Sim, sou eu.
— É um prazer conhecê-la, meu anjo. Seja muito bem-vinda! — o senhor disse beijando as bochechas de Hermione.
— Obrigada, senhor Weasley. O prazer é todo meu!
— Só Arthur está bom pra mim também!
— Olha o que a Mione fez pra gente, mãe! Que fique bem claro que eu não pedi nada, ela fez porque quis! — Rony disse mostrando a torta para a mãe.
— Oh, querida... Não precisava ter o trabalho de...
— Não foi nenhum trabalho, senhora Weasley. Eu gosto de cozinhar!
— Que bom que gosta, por isso conquistou o Roniquinho.
— Esse aí come feito um porco! — quem dissera aquilo foram dois ruivos altos e jovens que chegaram na sala, eram os gêmeos Fred e Jorge.
— Eu sou o Fred!
— E eu sou o Jorge, sabemos que é um prazer nos conhecer! — Hermione riu.
— Eu sou a Hermione, é um prazer conhecê-los!
— E será um prazer mantê-la longe desses dois! — Rony dissera de cara amarrada pros irmãos.
— E qual é o problema, Roniquinho? — um dos gêmeos perguntara.
— Nenhum, mas eu não confio em vocês dois.
— Era só o que me faltava! Somos muito confiáveis, Hermione. Não confie no Ronald, isso sim!
— Tentarei seguir seus conselhos...
— Fred! — o gêmeo completou — Não nos confunda, por favor! Somos bem diferentes!
— Não são não!
— Somos sim!
— Deixem a menina em paz, garotos! Vão arrumar algo pra fazer! — Arthur dissera e os dois saíram — Hoje eu fui pra cozinha por sua causa, Hermione! Vai experimentar minha famosa lasanha!
— A lasanha do meu pai é a melhor! — Rony dissera.
— Me sinto lisonjeada, senhor Weasley.
— Fred e Jorge acabaram de me dizer que chegaram!
— Ginny, cuidado! — Rony dissera assim que a irmã aparecera no hall da casa e correra na direção de Hermione para abraçá-la.
— Oi! — Gina disse separando-se da morena — Eu sou a Gina, a irmã mais linda do Rony.
— E a única também! — Harry dissera vindo do mesmo lugar que a ruiva para abraçar Hermione também — Oi, Mione!
— Oi, Harry! — Hermione dissera na ponta dos pés para retribuir o abraço do garoto.
— Vejo que acabou de conhecer minha namorada barra irmã do Rony!
— Sim. — Hermione disse sorrindo.
— Ah, que grande absurdo! Meu namorado já trata ela com apelidos e eu só a conheço à quase um minuto. — Gina dissera brava.
— Amor, isso é só porque eu e o Rony trabalhamos no mesmo lugar. Ela vai lá quando os dois saem pra almoçarem juntos.
— E daí? Ela pode vir aqui também pra ir almoçar com ele.
— Você vive dizendo que eu tenho que ficar na minha casa ao invés de ficar aqui enchendo seu saco! — Rony se defendera.
— E daí?
— Bem, se serve de consolo eu já vi todos os seus porta-retratos que estão no escritório do Ron. — Hermione dissera.
— Serve só um pouquinho! Nós temos muito que conversar hoje, Hermioninha.
E foi assim que fizeram. Depois do maravilhoso almoço com as gostosuras de Molly e a maravilhosa lasanha de Arthur, Gina alugara Hermione só para ela. As duas conversaram muito sobre várias coisas, e descobriram o que tinham em comum e suas diferenças.
Hermione também conhecera o resto dos irmãos e cunhadas de Rony que também apareceram para o almoço. Como de costume, durante a tarde os homens da família jogavam uma pequena partida de futebol, então Gina a levara para o quintal para assistir o jogo junto com ela. Hermione ficou impressionada com a estrutura da casa dos pais de Rony, e logo depois pensou que com sete filhos um casal teria que ter uma casa realmente enorme. Ela e Gina pegaram as cadeiras de descanso da piscina e as trouxeram para perto de onde os meninos jogavam e ficaram lá deitadas observando.
— Acho legal vocês terem o costume de sempre se reunirem. — Hermione dissera para Gina que estava ao seu lado.
— Também acho.
— O resto das meninas não ficam pra assistir o jogo deles? — ela se referia as namoradas e esposas dos garotos que jogavam.
— Não, nem sei porque eu ainda fico. É sempre a mesma coisa de sempre, eles é que insistem nisso. Sabe, não é porque somos os criadores do futebol que temos que gostar de futebol sabe? Não me lembro de ter feito algum juramento nacionalista pra isso. — Gina dissera e Hermione riu.
— Por que é sempre a mesma coisa?
— Olhe só para a divisão de times: papai, Gui e Carlinhos contra Fred, Jorge, Rony e Harry.
— O que tem de mais? É injustiça terem um time com um jogador a mais?
— Não claro que não! A história é a seguinte: quando éramos crianças o time dos mais novos sempre perdia porque os mais velhos eram maiores né, mas desde que o Rony fez uns onze anos todos já sabiam jogar direito, então começaram a ganhar sem parar. Até hoje eles disputam a famosa revanche que sempre dá na mesma: o time do papai perde.
— E por que eles não trocam de time?
— Porque papai, Gui e Carlinhos são muito orgulhosos. Se eles trocarem vão acabar admitindo que são péssimos e isso vai destruir o ego deles!
— Então eles são bem orgulhosos mesmo, estão perdendo feio.
— É claro que estão! Fred e Jorge são bem ágeis, Rony como goleiro é uma muralha e o Harry é um artilheiro e tanto, é meu orgulhinho! — Gina dissera apaixonada — Já do outro lado temos o Gui que é um desengonçado, o Carlinhos que tropeça na bola e o meu pai que está tentando ter um ataque do coração, só pode! Acho que ainda não percebeu que já é um idoso. — as palavras da ruiva fizeram a morena gargalhar.
— Ai, Gina. Você é muito engraçada!
— Faço o que posso! — vangloriou-se — Mas essa não era pra ser engraçada, é a verdade! Hermione, acho que precisamos ter uma conversa séria.
— Uma conversa séria? — disse inclinando o rosto para encarar Gina.
— Sim.
— Por quê?
— Porque assim como todos aqui eu sei de tudo, mas sou a única com coragem o suficiente pra questionar você.
— Quando você diz tudo...
— Digo sobre o acordo que vai durar dez meses.
— Ah sim... — Hermione estava desconcertada, com quantas pessoas teria que falar sobre aquilo quando nem ela e Ron falavam? — Pode dizer.
— Quero saber sobre as suas intenções com meu irmão.
— Ok... Gina, eu serei sincera com você! Eu não sei o que pensar, não sei o que realmente quero. O seu irmão é um cara maravilhoso, mas eu não quero entrar num relacionamento e sair magoada dele depois.
— Você acha que meu irmão é um canalha?
— Não, eu não acho. E esse é o problema! O último cara que fiquei era um príncipe encantado até se tornar um sapo, não quero isso de novo.
— Então você é uma medrosa?
— Eu não sou medrosa!
— É claro que é! Está com medo de arriscar. Se não tentar ficará solteira pro resto da vida.
— Não ficarei não!
— Ficará sim! Todos os caras podem ser babacas e todos podem ser príncipes encantados, você só vai saber se conhecê-los de verdade e se vocês se amarem de verdade.
— Não é tão simples assim...
— Hermione, o Rony é um maluco! Mas... ele também já se magoou muito. Não sei se tenho o direito de sair falando da vida dele, mas antes de você ele também teve uma decepção amorosa.
— Sério?
— Sério. Tinha uma garota que ele gostava, e gostava muito mesmo! Eles saíram por um bom tempo, mas ela só usava como um passatempo e quando ele propôs algo sério ela fez questão de deixar isso bem claro pra ele. Assim como você ele amou uma pessoa que não o amava de verdade, e sofreu muito! Naquela noite em que vocês se conheceram foi quase um milagre termos conseguido levá-lo pra sair.
— Vai me dizer que ele também desistiu de qualquer relacionamento e se tornou um viciado em trabalho assim como eu?
— Está tão óbvio assim que você até adivinhou! E é por isso que eu peço que você tente saber o que está fazendo, não quero que meu irmão seja usado de novo, entende?
— Eu entendo.
— Sabe, eu estou tão feliz que ele esteja saindo com você. Você está fazendo um bem danado pra ele, há muito tempo eu não o via feliz assim. Não quero que isso se perca, e acho que você também não devia querer.
— Eu também não quero perdê-lo!
— Então dê uma chance a vocês! Se você ainda não tem certeza de nada, tente conhecer o seu Rony de verdade.
— Meu Rony de verdade?
— Sim, isso mesmo. Você nunca vai saber o que quer de verdade se ficar fugindo toda vez que ele se aproxima, daqui a seis meses você não terá uma resposta concreta sem conhecer o seu Rony.
— Eu conheço o Ronald, Gina.
— Você conhece o Rony amigo e não o Rony namorado. Dê uma chance a ele, experimente, deixe as magoas pra trás e entre de cabeça nessa relação. Conheço o meu irmão o suficiente para garantir que não vai se decepcionar, mas e se for qual o problema? O que é a vida sem algumas lágrimas?
— Eu gosto do seu irmão, gosto muito mesmo. Não quero magoa-lo, muito menos me magoar.
— Então aproveite, curta esse tempo. Ele gosta de você, Hermione. O Rony sempre foi o certinho galanteador, ele não entraria num acordo desses se não gostasse de você de verdade! Ele se dispôs a abandonar os próprios princípios por sua causa, espero que esteja disposta a abandonar os seus por ele também.
— Obrigada pelo conselho.
— De nada! Estou fazendo isso porque realmente quero que você seja minha cunhada, e acho que o resto da família também quer!
Depois daquela conversa as garotas ficaram observando o jogo até seu término. Assim que o jogo acabou alguns garotos jogaram-se na piscina, e Gina aproveitou para mergulhar também. Rony preferira ir para o chuveiro tomar um banho rápido.
Assim que terminou o banho, Rony fora para o quintal e sentou na cadeira que Gina ocupara há um tempo atrás e passou a fitar Hermione que ainda estava deitada observando seus irmãos se divertirem na piscina.
— Minha irmã te perturbou muito?
— Não, na verdade ela foi um amor comigo. Acho que seremos grandes amigas.
— Você literalmente tem muita paciência né? Devia ser eleita algum tipo de deusa ou algo parecido, porque aguentar a minha irmã não é fácil... — disse fazendo a morena rir.
— Parece que aqui todos gostam de implicar uns com os outros né?
— Sim, isso é chatice!
— Isso é amor! Sua família é linda, Ron! Obrigada por me trazer aqui.
— Você será sempre bem-vinda aqui.
— Será mesmo? Acha que gostaram de mim?
— Hermione, você é a personificação da fofura. É impossível não gostar de você!
— Mesmo assim...
— Eles gostaram sim, eu tenho certeza!
— Por quê?
— Porque eu gosto, e isso já é motivo suficiente para eles.
— Gosta mesmo?
— Mais do que muita coisa! — ele disse e ela deu um sorriso de lado — Seu sorriso é muito fofo sabia?
— Vem aqui. — ela disse chamando Rony para sentar-se na mesma cadeira que ela.
Ela não precisou fazer a proposta duas vezes, o ruivo já estava na cadeira – que por sorte era grande – junto com ela e surpreendeu-se quando a garota aconchegou-se em peito, então tratou de envolve-la num em seus braços.
— Minha mãe disse para ficarmos até o café da tarde, ela está fazendo bolo. — ele disse e sentiu Hermione apertando-o num abraço que logo foi retribuído.
— Eu amo bolo, eu poderia ficar aqui pra sempre.
— Eu adoraria que ficasse. — o ruivo disse apertando-a mais contra si, pois sabia que não era da casa de seus pais que ela estava falando.
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