Eu Vou Conquistar Você
31 Despertar
Notas iniciais
Treze dias após as confusões que envolviam Hermione, Gina, Molly e Lilá, Rony acordara. O garoto parecia muito bem diante dos exames médicos. Recuperava-se muito rápido, e agora que estava acordado podia ajudar com seus exames e tratamentos.
A pancada que levara na cabeça durante o atropelamento não afetara sua memória, ele se lembrava de tudo, menos do que lhe fizera parar ali naquele leito. O que ele considerava uma coisa boa, afinal, não gostaria de ficar revivendo aquele momento em sua cabeça várias vezes. Mas ele sabia o que havia acontecido antes de chegar até ali e estava preocupado com Hermione, faziam três dias que ele estava acordado e a resposta para quando ele perguntava sobre ela era sempre: “ela está fora da cidade!” e nada mais.
Já estava agoniado com aquilo. Queria saber como ela estava, queria vê-la! E todos se negavam a ficar lhe respondendo perguntas.
Naquela manhã quando ele abriu os olhos, deparou-se com Gina ajeitando-lhe os lençóis. Já devia ser o horário de visitas.
— Bom dia, princesa! — Gina disse para o irmão que logo montou uma carranca ao ouvi-la lhe chamando pelo apelido que seus colegas de serviço lhe deram.
— Bom dia pra você também, Ginevra Molly! — agora era a irmã que estava carrancuda.
— Muito engraçado, há-há-há! Palhaço! — ela disse lhe dando um tapa.
— Ei, eu estou hospitalizado, cuidado! — reclamou ao sentir dor.
— Olhe bem a minha cara de preocupada! — ela disse ainda com raiva do irmão por tê-la chamado por seu nome composto que tanto odiava.
— Foi você que começou!
— Ronald, faça-me o favor de calar a boca?
— Que grosseria, Gina! O que aconteceu?
— Olha, me pediram para evitar ficar falando de tudo com você porque está fraco e tudo o mais, mas no seu lugar eu iria querer o mesmo que você, então...
— Então? — incentivou-a a continuar.
— Vou lhe contar o máximo que posso sobre tudo, antes que a mamãe entre aqui, ok?
— Vai mesmo?
— É claro! Sou sua melhor irmã, lembra? — ela perguntou puxando a poltrona para ficar mais perto da cama do irmão.
— Ginny, você é a minha única irmã.
— E daí? — ela foi ajudar o irmão a sentar-se no leito e logo depois sentou-se em sua poltrona — Isso não me desqualifica do posto de melhor irmã.
— Você é hilária!
— Eu sei! — deu de ombros — Bem, vejamos por onde eu começo...
— Hermione... — ele disse, mas fora cortado pela irmã.
— Calma! Eu vou chegar nesse ponto, e é exatamente por isso que vou te contar tudo. Mas vamos com calma!
— Ok, pode começar. — disse desapontado.
— Bem, primeiro... O que você sabe?
— Fui atropelado, quebrei algumas partes do corpo, bati a cabeça com força e fiquei em coma. Só.
— Só?
— Só.
— Sabe há quanto tempo estava desacordado?
— Não sei... Dois dias talvez?
— Dois dias... Ron, já faz dois meses que você está assim.
— Dois meses? — perguntou assustado alterando o tom de voz.
— Fala baixo! Quer que a mamãe venha aqui antes que eu te conte tudo?
— Não, desculpe. Mas, dois meses? É muita coisa, Gina!
— Sim, é. E muita aconteceu nesses dois meses, por isso quero que fique calmo e não fique se exaltando enquanto eu lhe conto tudo, ok?
— Ok, ok.
— Você sabe que chegou aqui com a ajuda da Tory, não é?
— Da Tory? Me lembro de tê-la visto...
— Sim, ela chamou a ambulância porque disse que o Draco e a Mione estavam com outros problemas.
— Draco conseguiu ir atrás da Mione como eu pedi? Ele foi ajudá-la? Graças a Deus! — ele disse profundamente aliviado.
— O que você pediu? O que estava acontecendo?
— Termine de contar tudo, ok? Antes que a mamãe chegue. — ele disse e ela revirou os olhos, mas concordou.
— Ok. Assim que a Tory deu entrada com você no hospital nós fomos avisados, viemos pra cá correndo. Eu, nossa mãe e nosso pai. Não demorou muito e a Mione chegou com o Draco, ela não parecia muito bem...
— Parecia como?
— Eu tenho certeza que ela tinha chorado muito antes de vir pra cá, ela estava muito assustada mesmo. Mas naquela altura ninguém ligou muito pra isso, estávamos todos muito assustados.
— Ela não estava machucada, estava?
— Ah, ela estava bastante maquiada pra esconder o choro, mas agora que perguntou... Apareceu uma pequena cicatriz na bochecha dela, o que aconteceu, Rony? — Gina perguntou curiosa.
— Nada, Gina, termine de contar, por favor.
— Ok. — bufou — Desde então ela tem vindo te visitar todos os dias, quase em todas as visitas. Ela vem aqui na visita da tarde antes de voltar pro trabalho e quando ela é liberada mais cedo na faculdade ela vem para a visita da noite, agradeça muito a ela, pois ela parece bastante exausta com esse ritmo entre trabalho, faculdade e você.
— Ela tem vindo aqui mesmo? Jura? E o namorado dela, o que acha disso? — arriscou perguntar.
— Até onde sei, os dois não estão mais juntos. O que acho que deixou ela ainda mais ansiosa, Tory me disse que quando terminou o namoro com ele da primeira vez ela não comia nada. Agora, a ansiedade até a fez engordar de tanto comer. O que eu particularmente invejei, pois até engordando aquela magrela continua com a cinturinha dos meus sonhos! — disse aborrecida.
— Mas eles terminaram mesmo?
— Como eu disse: até onde sei, sim. Ela que me disse.
— Se ela te disse, então posso confiar.
— E é ai que chegamos aonde eu queria: confiar em Hermione.
— Como assim?
— Digamos que eu confio muito nela, e foi confiando que nós descobrimos uma coisa não muito legal...
— O que?
— Tem certeza que está preparado para ouvir?
— Fala logo, Gina!
— Ok, aí vai: Lilá não está grávida.
— Tá, continue.
— Como assim “tá, continue”? — perguntou indignada.
— Continue, oras.
— Isso não te deixa chocado?
— Eu já sabia disso, Gina...
— Arrá! — Gina se exaltara — Então você deve saber que segredinhos são os que Hermione e Harry estão guardando!
— Segredinhos? Que segredinhos?
— Você não sabe?
— Claro que não, Gina. Eu acabei de descobrir que estou dormindo há dois meses, como vou saber o que esses dois estão fazendo? Mas me diz, que segredinhos são esses?
— Ah, bem... — ela começou desapontada por não obter resposta do irmão — Depois da briga os dois saíram juntos e...
— Briga? Que briga?
— A briga em que eu, mamãe e a Mione demos uma surra na Lilá.
— Vocês o quê?
— É exatamente isso que você viu! — ela afirmara orgulhosa.
Então a partir daquele momento, Gina narrara toda a confusão para Rony que estava incrédulo com as atitudes de sua mãe e de Hermione, menos com as de Gina. Afinal, demorara e muito para a ruiva atacar a loira de acordo com ódio que sempre afirmou sentir dela.
A história narrada pela irmã lhe roubou boas e altas risadas, era bom descontrair-se com a caçula. Desde que acordara há três dias todos o tratavam como se estivesse em uma doença terminal, até então ela tinha sido a única que o tratara normalmente.
Imaginar a cena de Gina e Molly atacando Lilá enquanto Arthur tentava controlá-las era extremamente divertida, divertida a ponto de sua mãe escutar as gargalhadas e entrar rapidamente no quarto.
— Ginevra! Seu irmão não pode se esforçar dessa maneira!
— E desde quando rir é esforço, mãe? — perguntou.
— Faz pouco tempo que ele está respirando sem aparelhos, os pulmões dele ainda estão se fortalecendo. — Molly bronqueara a mais nova ao ver Rony tossir depois de tanto rir.
— Ai, mamãe. Já ouviu falar que rir é o melhor remédio?
— A saúde do seu irmão não é brincadeira!
— Tá, tá, tá! — ela disse impaciente — Vou até sair pra não colocar a vida do meu irmão em risco de novo... Se bem que eu sempre quis aprontar um atentado com a vida dele!
— Mãe, não precisava falar assim com ela... — disse fracamente ainda recuperando o fôlego.
— Vocês são dois maluquinhos, ein? Não me faça proibi-los de se verem enquanto estiver aqui.
— Isso é impossível!
— Não é não, sou a mãe de vocês dois e olhe só: Isso me dá o direito de mandar em vocês dois! Olha só que coisa boa, não é? — disse irônica.
— Está passando muito tempo com a Gina. — disse em reclamação a ironia da mãe.
— Não sou eu que estou passando meu tempo com ela, ela que passou tempo demais comigo.
— Sei, sei.
— Mãe, — Gina disse abrindo a porta — parece que a senhora vai ter que brigar com mais pessoas por causa do barulho... Olha só quem está aqui! — assim que dissera aquilo as cabeças de Neville e Luna surgiram entre a ruiva e o batente da porta.
Os dois entraram sorridentes trazendo alegria para o quarto. Rony ficara muito feliz ao ver os amigos entrando junto com Gina, e Molly logo os avisara sobre o barulho, mas disse que aproveitaria o momento para tomar um café na lanchonete do hospital e saiu deixando o quarteto sozinho.
— E aí, Roniquinho! — Neville dissera.
— Oi, Rony! Que bom te ver!
— Oi, Luna! É bom te ver também. — o ruivo respondeu.
— Como está se sentindo?
— Quebrado. Muito quebrado!
— Ah, mas nos disseram que você está se recuperando muito bem! — ela dissera animada.
— É o que me disseram também! — Rony disse e os outros três riram — Estou feliz que estejam aqui.
— E nós estamos mais felizes ainda em ver você, cara. Não sabe o susto que nos deu, ein? Nunca mais faça uma coisa dessas seu babaca! — Neville dissera indo dar um tapa na cabeça de Rony.
— Aí! Será que ninguém aqui percebeu que eu estou hospitalizado? — ele disse bravo, já tinha apanhado duas vezes naquele dia.
— Nev, cuidado! — Luna o advertiu — Mas e aí, Rony? Como está indo tudo? Recebeu muitas visitas?
— Não muitas, ainda estou esperando a Hermione...
— Ah, é, ela está passando os finais de semana na casa dos pais dela pra levar tudo aos poucos.
— Como assim?
— As coisas dela! Logo ela consegue um emprego e se muda de vez.
— Conseguir um emprego? Hermione já tem um emprego, um emprego que ela sempre sonhou. Por que ela precisa de outro?
— Conseguir um emprego na cidade em que os pais dela moram, né Rony.
— Está querendo me dizer que Hermione vai se mudar?
— Então deve ser isso que ela e o Harry andam me escondendo! — Gina disse após soltar um ruído surpreso.
— Espere aí, ela não contou pra vocês?
— Não! — os ruivos disseram indignados.
— Ops! — Luna disse arrependida.
— Hermione vai se mudar, Luna? Por que ela vai se mudar? — Rony perguntou exasperado forçando sua voz que fraquejava.
— Rony, calma! — Gina pediu preocupada para o irmão.
— Por que ela vai se mudar, Luna? — insistiu.
— Olha Rony, acho que não era pra eu ter dito nada... É melhor você falar com ela, tá?
— Luna, por favor!
— Acho melhor eu sair daqui... Foi bom te ver, Rony! Te espero no carro, Nev. — ela disse e saiu correndo, deixando Rony gritando por ela para trás.
— Cara, não fique se esforçando desse jeito por favor! — Neville pediu — Se te serve de consolo, Luna é muito próxima a Hermione e eu sei que ela volta pra casa hoje e vem te ver a noite.
— Vem mesmo?
— Pelo menos foi o que ela disse pra Lu.
— Ok, obrigado Neville. — ele disse respirando fundo, já sentindo o efeito do esforço que fizera.
Então ele trocara um olhar significante com a irmã, os dois sabiam que tinha alguma coisa muito esquisita naquela história toda. E aparentemente só Hermione e Harry sabiam o que era.
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