Eu, Tu E O Passado

1 Falar é fácil...


Notas iniciais
Apresentação de: Emily, Duarte, Camila, Bruna, Mara, Carlota, Cloé, Laura, Xico, Débora, Enzo, Kevin, Helena, Bryan.

É manhã de sexta-feira e o sol já brilha forte.

Em Cascais, entre as várias casas de famílias ricas, uma casa se destaca pela sua arquitetura moderna com jardins e uma piscina infinita revelando uma vista privilegiada da cidade de Lisboa.
Emily (38 anos, professora e filha de um banqueiro inglês de renome mundial, humilde e uma mulher simples apesar da boa vida, presa muito a educação dos filhos e é daquelas grandes mulher que um homem de negócios precisa) de blusa branca e quase transparente, levanta-se da cama e abre os cortinados da grande janela deixando os raios de sol entrarem pelo quarto.
Duarte (41 anos, gere o negócio do sogro em Portugal, muito dedicado ao trabalho, o que o rouba tempo com a família, tem ar e espírito jovem apesar das grandes responsabilidades) sente a movimentação e acorda com o sol a bater-lhe na cara.
— Bom dia. — sorri — Que horas são?
— Quase sete. — sorriu de volta.
— Tenho uma reunião importante hoje no banco.
— Acordas a pensar no trabalho? Precisas relaxar. Não me queres fazer companhia no banho? — pergunta com olhar sedutor.
— Hm...estás a provocar-me, é?
De costas para ele e olhando-o por cima dos ombros, deixa cair a blusa revelando o seu belo corpo. Duarte levanta-se da cama e abraça-a por trás, entre risos, os dois se dirigem para o banheiro da suite.

Numa das ruas de Lisboa, encontram-se uns edifícios novos e com vários espaços verdes ao redor.
Bruna (13 anos, linda, extrovertida, romântica, simpática, é a típica adolescente que quer viver a vida ao máximo) toma o pequeno-almoço na cozinha. De pé, come os cereais enquanto mexe no smartphone acompanhado de breves sorrisos. Arrumada, Camila (36 anos, enfermeira e muito trabalhadora, faz tudo pelas filhas e sua relação com elas é mais de amigas que mãe e filhas) entra pela cozinha.
— Já vais, mãe? — pergunta Bruna atenta ao telemóvel.
— Sim, tem sido um caos nas urgências. Prefiro chegar cedo. — enquanto pega uma maçã e passa-a por água — A tua irmã?
— No quarto a acabar de se arrumar. Podes ir, ela disse que vamos de mota.
— Vocês sabem que não gosto quando vão à escola naquela Vespa. — diz apreensiva.
— Oh, aquilo nem anda nada...
— Mesmo assim. Tenham cuidado então, e não se atrasem. Vou indo.
— Umhum... Até logo. — Bruna responde desviando o olhar do telemóvel.
— Ah! Ia me esquecendo... — recua quando já saía — Não te esqueças que este fim-de-semana vais passá-lo com o teu pai.
— Sim, não me esqueci. Mas tem mesmo de ser, mãe? Não temos culpa do pai ter ido viajar no fim-de-semana dele.
— Eu sei, é só para compensar, querida. Vá, come sentada. Até logo. — já saindo da cozinha.
Bruna puxa uma cadeira e senta. Mara (18 anos, é a típica rapariga super linda que todos querem, não deixa ninguém indiferente por onde passa, mas prefere passar por despercebida, simpática, amiga dos seus amigos e com um ar angelical, adora moda) vem a correr para a cozinha.
— Mãe... A mãe?
— Tarde de mais, já foi.
— Viste o meu rímel que comprei na semana passada?
— Não. Mas também não sou eu que o tenho!
— Tens a certeza? Olha que vou ver no teu quarto. — ela sai.
— Estás à vontade, não vais encontrar nada! — encolhendo os ombros.

Carlota (uma menina de 6 anos, dócil, linda, curiosa, brincalhona e de riso contagiante, faz balé nos tempos livres e gosta de se divertir) entra de pijama no quarto dos pais, deita-se no meio da cama e tapa-se. Ouvem-se risos vindos da casa de banho. Duarte e Emily vêm para o quarto de roupão, agarrados e aos beijos. Embaraçados, largam-se quando vêem Carlota deitada com olhar triste.
— Hey honey... — diz Duarte tentando disfarçar.
— Então pequena, o que tens?
Emily senta-se na ponta da cama fazendo-lhe festas ao cabelo.
— Tive um sonho mau. — a pequena responde triste.
— Pronto, foi só um pesadelo, sim? — ela responde à mãe com a cabeça — Vamos tomar banho para ir para a escolinha?
— Não. Não quero ir à escola, quero ir contigo buscar o mano. — diz encolhendo-se e tapando-se ainda mais.
Emily olha para Duarte, este aprova com um sinal.
— Então vai pedir à dona Helena para te dar banho, depois vamos buscar o mano. Pode ser? — Emily sorri para ela.
— Boaaa! — levanta-se feliz, dando um beijo à Emily e descendo da cama.
— Então e eu, não mereço beijinho? — pergunta Duarte enquanto se baixa à altura de Carlota.
Esta dá-lhe um beijo e sai a correr do quarto.
— A que horas vais buscar o Bryan ao aeroporto?
— Ao meio-dia. Calhou bem não ter aulas, só tenho à tarde.

Colégio Dinis de Melo, um colégio do básico ao secundário, vemos alunos de várias idades.
Uns chegam a pé em grupos, outros de bicicleta, de carro com os pais e outros de mota.
Mara estaciona a sua Vespa, onde estão estacionadas outras motas. Bruna, que se encontrava no lugar de trás, desce.
— És uma seca, porque não aceleraste mais? — reclama tirando o capacete, também branco.
— Já te disse que não volto a andar a alta velocidade contigo, não insistas Bruna. — descendo e tirando o capacete — Esqueceste do que nos ia acontecendo no outro dia?
De repente chega outra pessoa de mota, com um barulho insuportável que chama atenção de toda a gente que se encontra no pátio do colégio. Estaciona aos olhos de todos.
Do outro lado do pátio, Cloé (18 anos, brasileira, cabelos negros, seu estilo é próprio, anda quase sempre de preto, adora tatuagens e tem muitas epalhadas pelo corpo, apesar da aparência é o contrário do que todos julgam, é divertida, sempre bem disposta e de mente aberta, adora música, toca teclado e canta, é Vegan e namorada de Rafa) e Laura (também 18 anos, é a mais tímida dos seus amigos e não gosta muito de pessoas, em muitas das vezes prefere estar no seu canto, com amigos é super sociável, o seu estilo é descontraído, usa quase sempre camisas, e calças escuras, tem bastante jeito a escrever poesia e contos que inventa) olham.
— Af...mas será que esse moleque tem sempre de chamar atenção? — reclama Cloé num sotaque brasileiro.
— Oh, até parece que não conheces o Xico, o grande arrebatador de corações. — suspira no final da frase.
— Ei... — olha surpresa para ela — ...eu ouvi um suspiro? Você tem que esquecer esse cara, Laura! Ele nem deve saber que você existe!
— Falar é fácil... — responde olhando para ele.
Xico (19 anos, com estilo de bad boy, é um dos rapazes mais cobiçados do colégio e ao mesmo tempo um dos mais odiados por alguns, pensa que é a última bolacha do pacote, por vezes consegue ser arrogante e não gosta de perder, pratica desportos radicais e música é o seu passatempo favorito, toca guitarra e canta, é integrante principal da dupla com Enzo) desce da moto e cumprimenta Mara com um beijo na boca inesperado, esta o afasta olhando para as pessoas.
— Pára! Estão todos a olhar, Xico. Ainda pensam que temos algo...
— E depois? Sabes que não me importo que eles pensem que temos algo, barbie. — diz tentando beijá-la novamente.
Mara solta um riso enquanto o afasta.
— Credo, não me chames barbie.
— Eh...eu...vou procurar pela Patrícia. O ambiente aqui já está a ficar estranho. — Bruna diz afastando-se a passos lentos.
— Olá para ti também, Bruna! — diz Xico olhando para ela.
Bruna já um pouco afastada, vira-se fazendo-lhe uma careta.
— A tua irmã adora-me. — sorridente.
— Não ligues, ela até te acha engraçado. — sorri — Já é um bom começo para me conquistares. — diz Mara olhando nos seus olhos.
— Ah tenho de conquistar a tua irmã primeiro? — sorridente.
— Claro... — enquanto Xico consegue roubar-lhe outro beijo. — Pára, parvo! — sorrindo.
Débora (18 anos, mulata, linda, seus cabelos aos caracóis são cheios como se tivessem vida própria, super divertida, extrovertida, é quase sempre a voz da razão dos amigos, com ela ninguém consegue ficar triste, gosta de se divertir e fazer coisas novas todos os dias, ex-namorada de Enzo) e Enzo (18 anos, é totalmente a versão masculina de Débora, extrovertido, divertido, brincalhão, é a alma da festa, não se interessa muito pelos estudos, gosta de correr riscos, toca guitarra e bateria, também um dos rapazes mais cobiçados pelas raparigas do colégio, parceiro inseparável de Xico com quem tem uma banda) chegam sorrateiramente.
— Ui...bom dia pombinhos. — a sorrir no canto da boca enquanto Mara e Xico se viram para eles.
— Olha quem fala. Nunca vos vi chegarem juntos desde... — sorrindo com cara de gozo.
— O que tem? Encontrámo-nos por acaso no café, ok? — as duas se riem.
— Então, prontos para mais uma sexta-feira, pessoal? — Enzo pergunta empolgado — Temos de sair logo à noite!
— Óbvio puto. Anda cá, tenho de te contar uma coisa — Xico puxa-o pondo o braço em volta do seu pescoço.
Os quatro caminham em direção à entrada.

Emily e Carlota tomam o pequeno-almoço na cozinha quando Duarte aparece pronto para sair.
— Até logo meninas. — despedindo-se delas com um beijo na testa.
— Estão atrasados amor, o rapaz vai entrar às nove e faltam... — olha para o relógio do pulso — ...vinte minutos.
— Não te preocupes, chegamos lá num instante. — enquanto faz festas ao cabelo de Carlota.
— Com o trânsito infernal de Lisboa, Duarte? Kevin despacha-te!!! — ela grita em direção à porta.
Kevin (14 anos, o mais rebelde dos irmãos, é brincalhão e não gosta de ter responsabilidades, leva a vida na boa e quer aproveitá-la ao máximo, não gosta de ser tratado como criança, anda de skate e o seu guarda-roupa está cheio de roupas "swag") aparece com mochila às costas.
— Estou aqui, já estou pronto.
— Porque levas o skate? Vais para as aulas, não vais andar de skate! — Emily reclama quando o vê com o skate.
— Oh mãe, reclamas sempre que levo o skate, vou andar depois das aulas né?! Vamos pai?
Duarte encolhe os ombros sob o olhar de Emily, e os dois saem.
— O teu pai é tão liberal convosco, meu deus... — depois de um profundo suspiro.
Carlota afasta a taça vazia dos cereais.
— Acabei. — sorri para Emily — Podemos fazer um cartaz com o nome do mano e uns corações para levarmos, mãe?
— Claro, vai buscar uma cartolina e uns marcadores. — responde sorridente.
— O que é marcadores? — pergunta curiosa.
— Markers, honey.
— Ah... — ela desce do banco e sai a correr.
— Dona Helena? ... — grita chamando-a — Dona Helena?
Helena (63 anos, empregada interina e prestável, uma senhora de confiança da família) aparece na cozinha.
— Sim? Chamou-me?
— Chamei, sim. Dê os últimos retoques ao quarto do Bryan, quero que esteja tudo perfeito. Ah, e não se preocupe com o almoço, ninguém vem almoçar à casa.
— Sim, senhora.
— Mas quero que prepare um jantar elaborado, o meu filho chega hoje de Londres.
— O menino Bryan?
— Sim. Vai adorá-lo. — sorri.
— Então vai voltar a ter a família toda reunida novamente.
— Finalmente, depois de um mês com o Bryan longe... Sabe, a transição de Londres para cá até que não tem sido nenhum bicho de sete cabeças como pensei no início. Até acho bom o fato dos miúdos conhecerem outra cultura.
— É verdade, senhora. — sorri — Alguma preferência quanto ao prato?
— Sim...pode ser bacalhau com natas, ele adora.
Carlota volta com a cartolina e os marcadores.

No Aeroporto de Lisboa, Emily de mão dada à Carlota, que traz o cartaz consigo na outra mão, dirigem-se às chegadas de passageiros e ficam à espera.
— Mãe, achas que eles ainda demoram? — pergunta ansiosa.
— Não querida, chegamos mesmo na hora. Olha, já estão a sair! — aponta.
Carlota abre um enorme sorriso e levanta o cartaz que diz ''Bryan'' e uns corações em volta.
Depois de alguns passageiros, eis que aparece o Bryan (17 anos, de cabelos negros e pele morena, olhos azuis, simpático e educado, toda a gente gosta dele, é romântico, preza muito a amizade, é arrumado e quase sempre certinho, gosta de se divertir e aproveitar os dias na companhia de amigos, toca guitarra e música é sua vida e seu sonho, um de seus talentos é mesmo cantar) com apenas uma mochila às costas, o saco com a guitarra e um carrinho com uma mala.

Notas finais
E aí, gostaram? Há algo que achem que deva melhorar? Comentem, dêm feedback ;)