-Se vamos lutar, é melhor que seja em local sem testemunhas.

Super boy olhava com desgosto para seus adversários. Os dois garotos provavelmente tinham habilidades formidáveis, que trariam riscos ao embate.

-Nos limites da cidade, alguns quilômetros daqui, tem uma região deserta e rochosa. Parece um local muito apropriado para lutar.

No extremo leste do ponto atual, encontrava-se uma vasta área inóspita e sem vida. O ponto era de baixíssimo fluxo circulatório de pessoas, o que garantiria uma luta tranqüila. Teddy sugeria o terreno, mas fitava um pouco apreensivo para seu namorado, será que ele estava bem para lutar?

-É mais que perfeito, vamos todos então.

Robin ponderava, aceitando a sugestão. O pequeno grupo de pessoas se colocou a andar vagarosamente. Teddy escorava Billy, dando seu ombro como apoio, para que o rapaz conseguisse se equilibrar e locomover-se.

-Tem certeza que quer vir junto, Rock Star? Eu sou mais que suficiente para acabar com os dois.

-Não subestime seus oponentes, ou você pode ser vencido. Ambos parecem peritos em combate. Eu estou bem... Se for isso que o preocupa.

-Mas o seu pé?! Quase não consegue andar, quem dirá brigar?

-Teddy, já disse que estou bem!

Aos poucos a marcha atingia seu objetivo, Teddy ainda estava muito preocupado com seu namorado, mas resolvia apostar em um resultado positivo. Apesar de tudo, Asgardian era um super-herói, e deveria ser tratado como tal.

-Chegamos, agora vamos botar pra quebrar.

Super-boy exibia um sorriso zombeteiro e orgulhoso. Estava certo que poderia vencer, sendo dotado de uma força descomunal e impiedosa. Não conhecia as habilidades dos rivais, só que no momento isso era irrelevante.

Os lutadores tomavam distância de si, preparando-se física e psicologicamente pra a batalha. Super-boy posicionava-se na linha de frente à Teddy, mostrando ainda estar aborrecido pelos ocorridos mais cedo. Billy encarava Robin, ambos se analisando e decidindo quais abordagens seriam de menos riscos.

-Está na hora de acabar com isso de uma vez!

Gritando como animais selvagens, Super-boy e Billy corriam para a frente um do outro, até o momento de se chocarem. O rapaz loiro. que poucos instantes atrás tomava espaço na arena, for substituído por um ser musculoso e verde. Hulkling estava transformado e pronto para guerrear.

Com agilidade e força monstruosas, os dois lutadores desferiam socos, chutes e diversos outros movimentos de combate. Defendiam-se e atacavam violentamente, a luta a curta distância estava em pé de igualdade. Quem acertasse o primeiro golpe, estaria automaticamente em vantagem.

Próximo de Super-boy e Hulkling, Robin e Billy ainda se analisavam para poder atacar. Diferente de seus parceiros, que tinham grande habilidade em combate à força, os outros heróis eram adeptos das lutas estratégicas.

Robin era muito novo e um pouco impaciente, resolvendo atacar primeiro. Sacou de seu cinto de utilidades, diversas esferas explosivas e as atirou na direção de seu oponente. Billy ascendeu aos céus rapidamente para poder escapar do golpe, olhou atentamente para seu redor e pensava ainda em algum plano.

-Você acha que está em vantagem porque voou um pouco?
Prevendo uma possível desvantagem, Robin sacava uma bomba de fumaça e a atirava no solo. O nevoeiro artificial ocultava sua localização e ele usaria isso a seu favor no confronto. Billy se limitava a subir mais alto no céu.

-E você acha que está seguro por estar em meio de fumaça?

Robin havia percebido que as habilidades de seu oponente o permitiam controlar certos elementos da natureza. A cortina de gás tinha como intuito estimular o adversário a se preocupar em dissipa-la, o que abriria uma brecha em sua defesa.

Um sorriso torto invadiu as faces do combatente alado, que agora evocava seus poderes para criar nuvens de tempestade. Após alguns segundos, o céu parecia estar em cólera, trovões eclodiam em todos os lugares. A mando de Billy, diversos raios se dirigiam ao solo.

-Merda...!

Aquele movimento atrapalhara toda a idéia original de Robin, que agora via-se em apuros. Precisava escapar de seu abrigo, pois um simples contato da névoa com a eletricidade, faria ele ser mandado para os ares.

O menino prodígio sacava uma espécie de arma, cuja munição era um gancho gigantesco, preso em um fio elástico e resistente. O garoto disparava o objeto em um cume próximo, onde a ponta se prendia firmemente. Robin era puxado para fora da cortina de fumaça que ele mesmo criara. Quando a névoa entrava em contato com o ataque de Billy, uma enorme explosão se formava.

-Ufa, essa foi por pouco!

Ocupado demais em planejar sua fuga, Robin não se atentara aos outros movimentos de seu oponente. Billy se aproveitara do momento para saber a localização do adversário, se movendo sorrateiramente para um encontro.

-Agora você perdeu.

Billy fechava sua mão, surpreendia Robin e o acertava na face, fazendo-o soltar-se do local que se escorava. O menino prodígio caia livre em direção ao chão. Pensava se conseguiria fazer algo para salvar-se, ou este seria seu fim. Antes que pudesse tomar qualquer atitude, o garoto sentiu uma forte rajada de vento o jogar violentamente em direção ao cume, pressionando-o contra as rochas.

-Não vou deixar que você se recupere.

Robin caia atordoado no chão, estava com o corpo todo dolorido e quase não conseguia se movimentar. Teddy se aproximava do oponente vencido, preparado para o golpe de misericórdia, que levaria um fim ao embate.

-Agora você ...

A batalha de Super Boy e Hulkling continuava em pé de igualdade, ambos se esforçando para encontrar uma brecha no estilo de combate do rival. Uma explosão próxima fez com que os guerreiros dessem atenção para a luta acontecendo ao lado.

-O que aconteceu, Robin?!

-Billy. Você ta bem?!

Ambos os combatentes preocupavam-se com seus parceiros, Super-boy usava sua visão apurada para se informar da situação atual. Após a poeira baixar, ele vislumbrou Robin desmaiado no chão, pronto para ser executado por seu carrasco.

Aquilo causou um reboliço de emoções no interior de Super-boy, temendo pela vida de seu amado companheiro. Sem muito raciocinar, o rapaz corria em socorro do colega e ignorava completamente à Hulkling.

-Não vou deixar que faça nada de mal com o Robin!
Super-boy estava exasperado, mas algo o fez voltar a realidade. Sentiu uma dor aguda nas costas e viu seus joelhos fraquejarem, caindo no chão. Fora acertado por um golpe de Hulkling, após ter deixado uma enorme lacuna em sua defesa, o que poderia resultar em uma derrota humilhante.

-Agora vocês dois já eram.

Hulkling segurava o rival pela gola da camisa, olhava-o firmemente, mas notara que algo o distraia. Super-Boy estava aflito em relação à Robin, querendo desesperadamente estar perto do amigo, não conseguiria se perdoar caso algo acontecesse ao outro herói.

-Por favor, por favor, admitimos a derrota, mas não machuquem o Robin! Façam o que quiser comigo, mas poupe-no, ele é só um garoto normal e sem poderes!

O desespero invadia o tom de voz do jovem super-herói. O tom orgulhoso e confiante desaparecia, dando lugar a súplicas sinceras e desespero. Queria a todo custo evitar algo de ruim com seu amigo, e também amado.

-Não se preocupe, ninguém vai machuca-lo.

Billy notara toda a preocupação de Super-boy, decidindo não infringir dor maior ao rapaz. Erguia Robin em seus braços e voava em direção dos outros dois heróis. Entregava o menino prodígio ao seu colega, fitando-os com um ar de seriedade.

-Obrigado, obrigado... Ele significa muito para mim, mais do que qualquer coisa nesse mundo.

-Tudo bem, mas vai precisar vir conosco primeiro.

Billy ainda tinha o rosto sério, olhando para os perdedores do combate. Sabia que Super Boy perdera, apenas por ter se distraído com sua preocupação. Um segundo confronto poderia não ter o mesmo fim, por isso um diálogo talvez acabasse com os problemas gerais.

-O que quiserem, mas primeiro... Deixe-me cuidar dele, por favor...

Os cabelos negros de Robin eram acariciados pela mão grande e quente de Super-boy, por pouco algo ruim não acontecera. O coração do Super-Herói mirim ainda batia muito forte, só se acalmaria de verdade ao ver o colega recuperado.

-Pode fazer isso na minha casa, mas sem truques! Ainda não confio em você!

A mão de Billy se apoiava no ombro de Hulkling, pedindo para que ele cessasse com as palavras. Suspirando de cansaço, o monstro verde encolhia e dessa vez voltava para forma original. Teddy olhava para Robin, sabia que havia certa preocupação sincera pela parte de Super-boy, mas não sabia até que ponto.

-Primeiramente, como devemos chamar você?

-Meu nome é Super-boy, mas minha segunda identidade é Connor Kent.