Eu Tenho O Melhor Namorado Do Mundo
4 Capítulo 4
Billy acordara cedo para seu primeiro dia letivo, saltava da cama sem muita animação e aprontava-se da maneira mais molenga e preguiçosa possível. Quando chegou a vez de escovar os dentes, quase colava o rosto no espelho do pequeno banheiro. Terminada a higiene, desceu para a cozinha.
Não havia nada para comer, ontem ficou tanto tempo ao lado do novo vizinho, que nem conseguiu uma pausa para dirigir-se ao pequeno mercado da região.
–Porque diabos, tudo em cidade pequena fecha cedo?
O comércio local se mantinha aberto até pouco depois do anoitecer, os grandes mercados que resolviam abrir modestas lojas por aqui, ficavam perto da rodovia de saída. Infelizmente teria que comprar algo no caminho para forrar o estômago, tudo bem.
Enquanto tomava um copo de água da torneira, o barulho da campainha soava alto. Billy correu para a porta, preparado para sair com seu novo companheiro de sala. Teddy foi recebido com o sorriso mais simpático possível, e ambos se colocaram a caminhar.
–Tem alguma padaria por aqui?
–Sim, vamos passar por uma no caminho, qual a razão?
–Não tomei café-da-manhã, e estou morto de fome.
Teddy assentiu e correu com seu companheiro para a panificadora. Chegando lá, Billy comprou salgados frescos e colocou-se a caminhar e comer. Educadamente ofereceu um para seu amigo, que recusou veemente.
–Coma você, vai precisar de energia em seu primeiro dia de aula.
O caminho diminuía em cada passada, não demorou para que chegassem no prédio escolar de destino. Com um pouco de folga no relógio, Billy teve tempo de analisar o recinto, fitando discretamente os rostos de seus colegas. Todos pareciam adolescentes normais, cujos avós conviveram juntos, e bisavós e etc...
–Não sei o que tem de errado com eles, parecem com qualquer escola comum.
–Espere pra ver, eles são mais frios do que aparentam.
Mais uma sonda rápida, o sinal de entrada batia impiedosamente. Já estava na hora de todos entrarem para suas devidas salas. Ao chegar em sua classe, Billy teve de esperar do lado de fora, até que a professora comunicasse sua aquisição ao núcleo estudantil.
–Queridos alunos, hoje tenho a felicidade de informar que mais um garoto fará membro, da nossa feliz família escolar. Quero que recebam com todo carinho, Billy Kaplan.
A professora, uma velhinha simpática e de vestes engraçadas, fez sinal para que a nova pessoa entrasse no ambiente. Billy deu de cara com mais de 30 pessoas de sua idade, nem uma mostrava sinal de animação, ou mesmo atenção em sua presença. Não que o garoto esperasse uma recepção calorosa e festiva, porém alguns olhares seriam comuns nessa situação.
–Mais frios do que aparentam.
Ele sussurrou baixo para si mesmo, havia um lugar vago perto da janela, atrás de Teddy. A professora (de nome Minerva) pediu para que Tommy, aluno sentado ao lado de Billy, emprestasse o caderno para que o garoto ficasse a par da matéria. O rapaz fez nem que sim, nem que não, apenas encarava seu novo colega, de maneira penetrante.
Iniciada a aula, os dois primeiros períodos foram monótonos. Vários alunos conversando entre a explicação da matéria, eventuais broncas e momentos de atividade, mas estranhamente ninguém dirigia palavra à Billy. O garoto sentia-se agoniado de ser tratado daquela forma, esperava que ao menos uma alma caridosa o estendesse a mão, coisa que não acontecia.
Teddy parecia saber os pensamentos do rapaz em suas costas. Enquanto a professora Minerva estava ocupada, redigindo matéria no quadro, ele se virou e mostrou a língua para o companheiro. Billy riu bem baixo, o que não despertou a atenção de ninguém. Era estranho o modo como estava sendo tratado por todos nessa classe, mas ao menos tinha em quem se apoiar.
O sinal tocou, a mudança de professores se iniciava e Billy foi até Tommy para pedir o caderno. Para a surpresa dele, foi recebido com uma resposta rude e raivosa. Sem qualquer motivo aparente.
–Por que vou querer emprestar meu caderno para você? Se precisa de ajuda, tem outro garoto da sua laia na sua frente, seja amiguinho dele e nos deixe em paz.
Os olhos de Billy se arregalaram, instintivamente se encolheu e desculpou-se, mesmo sem o menor motivo para isso. Não sabia o que tinha feito de errado para despertar tanta ira em um desconhecido, mas certamente não era algo que poderia ser mudado.
–Escute, nós vivemos bem nessa cidade, sem a intromissão de seres de outros lugares. Você não é bem vindo.
Tommy virou-se de costas e deu por terminado aquela conversa. O rapaz havia deixado bem claro sua opinião sobre Billy, infelizmente agora ele entendia o que Teddy queria dizer sobre tudo aquilo. Provavelmente todos naquele recinto tinham problemas de xenofobia.
O barulho de algo batendo em sua mesa, fez Billy tornar a atenção para sua frente. Teddy estendia gentilmente seu caderno para o amigo. Infelizmente ele também havia tido o mesmo recebimento, por parte de todos naquele local.
Billy se sentiu muito grato por já ter feito uma amizade antes de vir estudar, tinha pena de Teddy por todo tempo que passou sozinho. Ao menos esses dias para ele chegaram ao fim, poderiam fazer companhia um ao outro, como o time dos excluídos naquele estranho lugar.
Dado o sinal do intervalo, Teddy disse precisar ir a biblioteca devolver e pegar alguns livros, orientou seu mais novo colega de como chegar na cafeteria da escola, e disparou para seu destino.
Billy andava sozinho pelos corredores enormes que o cercavam. Sentia-se apreensivo por ficar em um ambiente, onde claramente não o acolhia. Em toda sua vida, o menino não se importou com popularidade ou com a opinião de alheios, mas agora estava cercado de desconhecidos que o odiavam.
Conseguiu chegar em paz na lanchonete, foi até a fila do lanche e fez sua modesta compra. Procurou um lugar vazio em qualquer canto do refeitório e sentou-se, torcendo para que Billy chegasse logo. Sentiu uma mão tocar seu ombro, animou-se pensando que seu colega enfim terminara seus afazeres. Para o azar, estava errado.
Olhando seriamente para o protagonista, Tommy segurava duramente o ombro de Billy, as faces inexpressivas e severas. Não demorou-se com dialogo, apenas ordenou que o acompanhasse para fora do prédio. Um convite irrecusável, tendo em vista que dois armários com pernas, estavam em seu alçado.
Um soco no rosto, acertado em cheio e sem piedade. Repetidos chutes na barriga e empurrões contra a parede. Billy já imaginava o motivo para aquelas agressões. Infelizmente soube que seria torturado, no momento que olhou seu companheiro de sala o tocar.
Golpes eram desferidos covardemente. Tommy apenas observava enquanto um de seus capangas segurava sua vítima, outro o acertava no estômago repetidas vezes. Já era hora de alguém mostrar para estes forasteiros o lugar deles, casos contrários viriam em bandos e trariam o caos para onde ele morava. Considerava todos um monte de lixo imperdoável.
A dor de Billy, deliciava os olhos de Tommy. Sentia vontade de fazer o mesmo com o outro lixo forasteiro, que se instalara em sua escola. O único problema é que Teddy aparentava ser forte o bastante para revidar a agressão. Felizmente o físico de Billy, era de um rapaz franzino e que não se metia em brigas. Alvo perfeito.
Tommy ordenou que seus seguidores parassem um pouco a surra, segurou o rosto de Billy e ria desvairadamente. Levantou o braço, preparando-se para socar sua presa, mas no momento que descia o punho, foi acertado por alguém nas costas.
Com uma fúria assassina, Teddy puxava o agressor para um combate de curta distância. Tommy tentava desesperadamente escapar, mas era impossível. Seus companheiros se assustaram com a ira assassina do loiro e bateram em retirada, fazendo Billy cair de cara no chão.
Billy permanecia com seus olhos fechados, tudo em seu corpo doía. Não sabia quanto tempo estava deitado no solo, porém estava grato por não ter mais punhos violentos o agredindo. Entristecia-se, não conseguia defender-se do ataque cruel, e agora pagara um preço alto por isso. O menino quase perdia a consciência, quando algo envolveu sua cintura e o levantou.
–Billy, Billy fale comigo! O que fizeram com você? Esta se sentindo bem? Fale comigo!
Teddy carregava desesperadamente o seu colega, não passou por sua cabeça que havia esse perigo espreitando o colégio. Por muito pouco não tornava a forma da besta verde, que era sua segunda identidade. Quando o loiro chegou no refeitório, estranhou não encontrar seu amigo, resolvera procura-lo e quando se deparou com a cena de covardia, enfureceu-se. Não sabia com quanta força tinha batido em Tommy, mas com certeza ele pensaria duas vezes antes de fazer isso novamente.
Agora socorrer à Billy, era tudo que importava.
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