Novamente o cenário era à noite, Hulkling espreitava as ruas da cidade onde vivia. Tudo parecia calmo e silencioso, as estrelas brilhavam imperialmente na paisagem escura. Provavelmente nada aconteceria, em cidade pequena eram poucos os casos que merecessem a atenção de um herói, geralmente a polícia local dava conta do serviço.

Um sorriso torto e cansado, olhos sonolentos e cabelo desgrenhado. À tarde de hoje foi provavelmente a melhor que já teve, desde que colocou os pés em sua nova casa. Billy era muito divertido, apesar de introspectivo e um pouco quieto. Depois de almoçarem, os garotos se divertiram com o vídeo-game de Teddy e conheceram mais um do outro.

Para a surpresa, não tão surpresa assim, descobriram que Billy ficaria no mesmo colégio e sala que Teddy. Ter alguém pra conversar decentemente era revigorante, parecia que todos neste lugar evitavam pessoas de fora. Simplesmente as tratavam como inexistentes ou invisíveis.

-Pelo menos agora, posso ser invisível com um amigo.

Hulkling já estava por desistir de permanecer patrulhando e ir para casa, quando um pequeno grito feminino a alguns metros de distância, rompeu pela escuridão. Ao menos não seria uma noite completamente perdida.

O mais rápido que conseguiu, o protagonista correm em direção ao som que foi ecoado. Temia um pouco pela segurança da vítima então se apressou ainda mais. As ruelas e casas pareciam formar um labirinto, tudo estava igual em todos os cantos. Por um momento o herói temeu o pior, mas um rugido alto soou novamente. Toda via este novo som não era da vítima, muito menos de uma arma de fogo, assemelhava-se à uma forte corrente de vento e depois um baque surdo.

Quando Hulkling chegou à cena do crime, notou que a moça se encolhia apavorada em um canto qualquer. Apavorada, porém perfeitamente bem. Olhou para o chão e viu um homem e uma pistola em sua mão, desacordado por alguma coisa. Por alguma razão, Teddy já sabia quem fez aquilo.

-O que te trouce aqui?

As palavras saiam severas da boca do gigante verde, aparentando indiferença à boa ação do rapaz misterioso em sua frente. Era certamente a mesma pessoa de ontem à noite, desta vez se intrometendo em outro caso de violência.

-Só quis ajudar.

-Tá, já sei, mas quem é você e o que quer?

A paciência do grandalhão musculoso diminuía em ritmo acelerado. Controlava o braço para não acertar um soco na figura desconhecida em sua frente. Como poderia confiar nele, se nem sabia seu nome ou habilidades? Certamente algo estava errado.

-Pode me chamar de... Asgardian

-Asgardian?

Levantando uma das sobrancelhas, cuspindo a palavra com todo desdém que possuía, Hulkling deu um passo ao outro herói e ameaçou soca-lo. Receou um pouco, e assim deu chance para que Asgardian ascendesse aos céus e fugisse.

-Droga, seu maldito filho da...

O gigante controlou suas palavras, dirigiu um olhar para a vítima encolhida perto de um muro, andou até o assaltante e o colocou nos ombros. Suspirou e tentou dizer da maneira mais doce e educada possível.

-Vou levar o rapaz aqui, para um lugar onde não possa mais fazer mal a ninguém. Por favor, espero que preste queixa o mais rápido possível em uma delegacia e volte para casa em segurança.

O olhar assustado da moça não cedeu nem uma vez, ela apenas assentiu com a cabeça e se encolheu um pouco mais. Hulkling decidiu que o melhor era partir logo, para evitar intimidar mais ainda aquela pobre mulher.

-Do Capitão América, Homem de Ferro ou o Thor elas não tem medo, já de mim...

E assim o rapaz saia resmungando pela noite. Certificou-se de deixar o criminoso em um lugar de fácil encontro dos policiais e retirou-se. Por hoje as aventuras estavam de muito bom tamanho, a cidade dificilmente teria outro infortúnio tão cedo.

Novamente o gigante verde desaparecia e dava lugar para o rapaz loiro e atlético, que estava à cima de qualquer suspeita de todos. Teddy ainda tinha uma carranca na cara por causa do ser que o incomodara mais cedo.

-Asgardian, o que é ele? Uma versão reduzida do Thor? Quem ele pensa que é pra chegar no meu território e...

Enquanto andava, o rapaz não parava de praguejar e gritar inúmeros palavrões. Chegou pilhado em casa e se jogou na cama com raiva. Ainda não eram nem meia-noite, teria um bom tempo sozinho até o sono chegar.

O loiro se sentou no colchão e fez uma careta amarga, virou o olhar pra janela para distrair-se, naquele exato momento deparou-se com Billy em sua janela também, observando as estrelas e o céu. Por hora não havia muito do que reclamar, Teddy finalmente fez um laço com alguém neste inferno de lugar. Poderia almoçar com alguém, pedir ajuda nas lições de casa ou simplesmente papear alguma bobagem aleatória.

Billy percebeu que era observado e acenou para seu espião, sorriu um pouco constrangido e apontou para as estrelas. Esta noite estavam tão lindas, reluziam gloriosamente no céu, em grandes cidades não se via estrelas.

Os rapazes trocaram um último cumprimento e se retiraram para seus aposentos, Billy sentava-se em uma cadeira e ligava a TV do cômodo.

-Amanhã começa um novo dia.

O agora estava promissor, provavelmente a escola seria mais fácil de suportar com um conhecido ao lado. Billy tinha curiosidade em saber se o pessoal das redondezas, realmente tinham aversão à forasteiros. Com tanto que este sentimento não se tornasse agressão, estava tudo realmente bem.

Billy mexia os dedos dos pés, no piso frio de madeira do seu quarto. Estava com o estômago repleto de borboletas e a cabeça vazia de ideias. Tinha medo de que algo ruim acontecesse, mas não poderia faltar com os deveres escolares por conta disso. O jeito era dormir, assim tudo se resolveria.


Notas finais
Quero reviews, comentários - Nem que sejam simples. Ou paro de escrever a Fic