Eu Tenho O Melhor Namorado Do Mundo
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Super-boy direcionava sua atenção para Billy, um pouco surpreso pela preocupação do outro. Era meio... Estranho ter alguém que fora seu inimigo, querendo conversar de maneira tão amistosa e verdadeira. Connor sentava-se no assoalho de madeira, encolhendo os dedos do pé em seus sapatos, meio rubro e sem jeito.
–Eu vou entender se você não quiser falar sobre...
Billy fez um gesto de cabeça, apontando para o Robin adormecido e cabeça dura. O herói-mirim dormia tão docemente, que deixava a atmosfera do quarto meio lenta. Tentando ser o mais amistoso e simpático possível, o bravo combatente e estrategista de outrora, sorria como um irmão compreensivo.
Torcendo os lábios, e ainda sem saber direito como reagir, Connor avaliava os prós e os contras de um diálogo. Colocando tudo em uma balança, provavelmente não haveria praticamente perda significativa. O garoto de ferro se encontrava cansado disso, e nunca se abrira antes com alguém da liga. Sempre esteve solitário, cultivando algo que parecia impossível, talvez fosse hora de se abrir um pouco...
–Eu sempre mantive isso em segredo para os demais... E vivi com um pequeno sofrimento, vivendo em mim diariamente. De tanto me machucar, não me curei, mas aprendi a suportar...
As palavras profundas de Connor prenderam a atenção e Billy, sentia que o rapaz resolvera abrir as portas de seu coração. Por trás daquele exterior bruto, existia alguém que estava preocupado com tudo aquilo, não sabendo se deveria ou não insistir em seu sentimento.
–Eu não sei se o estou magoando, ou distanciando-me do Robin... Estou tentando por acreditar que é possível, mas cada vez mais tudo parece em vão...
Era difícil para Super-boy aceitar que podia estar sendo rejeitado, sentia-se tão solitário e sem lugar neste mundo. Parecia que sua existência só servia para ser a sombra do Homem de aço, porém encontrou algo do qual quisesse fazer importante... Todavia as coisas não seguiam bem.
–Não sofra por antecipação, há muitas coisas abaixo das percepções, coisas não ditas e escondidas. É impossível ter certeza de qualquer coisa.
Billy deixava seu banco, sentando-se no chão ao lado de seu novo amigo, passando a olhar o céu pela janela. Sentia-se com tanta esperança, estava feliz por ter encontrado o próprio amor, e queria poder tentar ajudar alguém a encontrar também.
–Mas o Robin... Ele me rejeita de todas as formas, e não me aceita quando o toco. Queria tanto tê-lo em meus braços, queria que ele soubesse que posso ser algo como um lar, que sempre o receberia.
O desejo e o amor de Connor eram puros, porém uma sombra de lágrima maculava seus pensamentos. Encobria qualquer brilho de fé que poderia nascer, no fundo queria crer que tudo se acertaria, e que tudo tomaria seu lugar(independente do qual fosse).
–Talvez ele não esteja pronto para assumir um sentimento tão grande, as suas convicções estão muito claras, mas as dele ainda precisam amadurecer. O tempo vai mostrar se Robin está a altura do afeto que você depositou.
De maneira meio manhosa, o grande herói que a tudo quebrava, encolhia-se como uma criança com medo. Colocava-se a refletir sobre tudo, tinha um pouco de receio das respostas que obteria, mas certamente sabia que elas viriam.
–Como pode...? Alguma pessoa ter tanta influência sobre você. Não tem medo que seu loiro-esquentado te largue? Como lida com isso?
Torcendo os lábios, formando uma careta pensativa e sonhadora, Billy pensava em uma exposição de seus pensamentos. Certamente esse tipo de questão já passou por sua cabeça, e lembrava-se que no início de relacionamentos tudo é lindo. Suspirou para o alto, deixando uma única lágrima escorrer do próprio rosto.
–Temos de abrir mão dessa ilusão de controle, aceitando o risco de outra pessoa nos machucar, lembrando que temos igual poder para ferir.
–Ilusão de controle?
Connor pensava um pouco na expressão, seria tudo tão mais fácil se as coisas fossem previsíveis. Os enigmas inexistiriam, e provavelmente muito sofrimento seria evitado, só que a vida não transcorria como nas utopias.
–Não posso obrigar o Teddy a me amar, nem mesmo posso fazê-lo ficar comigo o tempo que quero, porém consigo desfrutar de cada minuto em que ele me abraça. Esse presente que me é uma dádiva.
–Acho que comecei a entender melhor seu ponto de vista.
O silêncio e a compreensão inundavam o cômodo. Não havia mais palavras a serem ditas, Super-boy sentia-se um pouco melhor depois de tudo, olhou com gratidão para seu novo amigo, fazendo um cafuné em sua cabeça.
–Obrigado Billy, você tem um grande coração, desculpe por todo mal que causamos a vocês.
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