Eu Te Odeio Vs. Eu Te Amo
2 Família Cullen
Notas iniciais
Eu não acreditava no que tinha feito. Por que eu fiz isso, Meu Deus? Casar com um estranho?Um estranho playboyzinho? Eu peguei a minha vida e enterrei, ainda mais, no lixo no qual ela já estava.
Eu estava de vestido branco e sapatilha rosa, tudo para agradar a família Cullen. Eles chegariam daqui a quinze minutos e eu chorava como se não houvesse amanhã. Tomei essa decisão na raiva e na tristeza, mas agora pensava, 4 meses não é pouco tempo. Mas a decisão já estava tomada, não havia nada que eu pudesse fazer. Passei a maquiagem e desci.
Estava um clima estranho com meu pai, é claro. Fiquei sentada no sofá esperando meu futuro “marido”.
A campainha tocou, só que parecia mais alta do que realmente era, não sei se por culpa do silêncio ou do meu nervosismo. Ninguém se levantou e fui até a porta.
Respirei fundo e abri. Quem estava lá era Carlisle e ele era loiro e bonito. Disse um Olá e apertei sua mão para cumprimentá-lo.
Logo depois apareceu “ele”.
Já havia ouvido falar de Edward Cullen, mas nunca imaginei que ele pudesse ser tão...tão...hipnótico. Ele tinha olhos verdes lindos e um cabelo cor de bronze desgrenhado. E o rosto...bom, o rosto...duvido que um anjo fosse mais bonito. Fiquei parada como uma tonta na porta e ele passou por mim sem falar nada. Estava com uma expressão carrancuda. Por instante, fiquei chateada. Não era como se ele ficasse feio,não, ele era lindo de qualquer jeito. Mas me senti meio...Sei lá. Depois percebi porque ele estava chateado. Pelo mesmo motivo que eu estava. É natural que ele tenha raiva de mim. Assim como eu tinha antes de conhecê-lo. Na verdade ainda tenho raiva dele. Só que eu não consigo parar de pensar no seu rosto magnífico.
Me tirando do transe, aparece, a garota que se apresentou como Alice. Me deu dois beijos na bochecha e sussurrou no meu ouvido: “Limpa a baba”. Imediatamente passei a mão na boca e Alice riu. Que mala!!
[...]
Depois das devidas apresentações, todos nos sentamos a mesa para jantar. A Sra. Cullen se chamava Esme.
Todos estavam sendo bem simpáticos, exceto ele. Durante todo o jantar, Carlisle conversou com meu pai sobre negócios, Esme conversou com minha mãe sobre sapatos e Alice ficou me enchendo a paciência e querendo saber tudo sobre mim.
Lá pelas dez horas eu não aguentava nem mais um segundo daquilo. Disse a Alice que ia ao banheiro mas fui ao jardim. Fiquei olhando as estrelas. Tão longe elas estavam. Podiam estar sofrendo em sua existência de estrela, talvez porque o pai dela não deixava ela brilhar como gostaria. Mas nunca se sabe. São só estrelas. Quem se importa com estrelas? Aí pensei que se as estrelas pensassem, certamente pensariam: Quem se importa com planetas? Ou seres que possam viver lá, ou seus problemas inúteis? Quando dei por mim, estava chorando. Limpei as lágrimas. Não era uma atitude que fosse beneficiar minha sanidade. Chorar por estrelas, pensamentos sobre estrelas. Isso parecia loucura. Talvez porque fosse. Achei melhor voltar pra casa.
Aguentei mais um tempo de jantar e depois todos foram embora. Eu pensei que teria paz, mas assim que eles botaram os pés para fora da casa, meu pai me chamou para uma conversa.
– Bella, vamos até o escritório conversar.
– Eu já aceitei não foi? O que mais você tem para falar comigo?
– Para o meu escritório, agora.
Sem poder argumentar fui ao escritório.
– O que você quer? – perguntei diretamente.
– Sente-se Bella.
– Estou sendo direta com você, seja comigo também.
– Tudo bem, você que pediu...O casamento está marcado pra daqui a 3 semanas.
– Quer dizer que eu vou ter que usar um vestido de noiva, véu, grinalda, buquê e essas coisas? É um casamento por contrato, achei que só precisasse assinar um papel. – Eu já estava começando a ficar alterada.
– Não, Bella. É só assinar o papel, mas Esme insistiu em preparar um jantar para celebrar. Organizar essas coisas leva um tempinho.
– Tá, pai. Já entendi. Casamento daqui a três semanas, pode deixar que eu anoto na minha agenda pra não esquecer.
Ele bufou e eu saí do escritório. Minha mãe me viu e perguntou:
– O que ele queria, filha?
Nem me dei ao trabalho de responder. Fui direto ao meu quarto e fechei a porta com força. Foi um momento adolescente, mas só fui pensar isso, quando a vizinhança toda estava ouvindo Linkin Park junto comigo.
A música alta e as lágrimas fluindo não estavam aliviando a dor. Por um momento, me veio uma lembrança da adolescência nada fácil que eu tive nessa casa.
– Flashback on –
Estava trancada no quarto chorando. Tinha acabado de discutir com meu pai. O assunto era o mesmo de sempre: eu queria sair da cidade, para fazer faculdade, mas meu pai só dizia que a única faculdade que eu faria seria aqui em Seattle. Eu queria morar em Nova York e ter uma vida que fosse MINHA. Percebi que era um sonho impossível. Eu já devia ter percebido isso, mas sempre mentia para mim mesma achando que um dia teria essa tão sonhada vida.
Fui até o banheiro e peguei uma lâmina. Fiz um corte pequeno no pulso. Doía menos do que parecia. Era um alívio e tanto. A dor no peito ficava em segundo plano. Junto com o sangue saíam todas as minhas aflições tolas. Dei um sorriso e fiz outro corte.
– Flashback off –
Naquele dia meu braço ficou todo marcado. Depois disso os corte ficaram frequentes. Só quando entrei na faculdade (daqui de Seattle mesmo) prometi a mim mesma que nunca mais me cortaria. Hoje parecia uma ideia extremamente tentadora quebrar essa promessa. Mas não o fiz. Tentei ver as coisas pelo lado positivo:
Eu ia me casar em três semanas.
Eu já tinha aceitado isso.
Depois disso eu poderia ser livre e levar a vida que eu sempre quis.
Eu poderia sobreviver durante esses quatro meses, não poderia?
Eu não sabia a resposta.
Fale com o autor