Durante a madrugada Gustav se acordou e pediu para me chamarem e ir até o quarto. Fui lá e ele estava com uma carinha de dar dó.

- Anna, obrigado.

- Não tem o que agradecer. Eu não iria ficar de braços cruzados e deixar aquele homem de bater.

- Tenho que agradecer sim. Você se colocou na minha frente para me proteger e se feriu, por minha causa. Ninguém nunca tinha feito algo tão nobre e bonito por mim.

- Então, agora eu fiz.

- Porque? Você não tem motivo nenhum para ter feito isso por mim.

Devido aos efeitos dos remédios ele estava começando a ficar sonolento e acho que dormiu.

Então falei baixinho:

- Porque eu te amo. Amo mais que tudo. Na verdade larguei tudo para arriscar e jogar com a sorte se iria te conhecer.

Pensei que ele não fosse me ouvir, mas...

- É verdade? — disse ele.

Olhei para ele, não consegui responder e saí correndo da sala, morrendo de vergonha. Quando cheguei ofegante na sala de espera, todo mundo ficou me olhando.

- Porque você vermelha desse jeito? -perguntou Georg.

Só olhei para eles e saí correndo. Nem desci de elevador, fui de escada mesmo. Na hora nem lembrei que ainda estava meio manca.

Peguei um taxi e cheguei em casa bem louca. Deuuus ele ouviu! Com que cara eu iria olhar para ele??

No outro dia acordei parecendo um zumbi. Na noite anterior não dormi nem 3 horas e nesse também pois fiquei no hospital. Fui trabalhar normalmente. Mais uma vez cheguei na casa de Anne mais machucada do que como eu entrei. HAHA.

Era 12:00 e então... :

triiiim triiim (tá, não era assim o toque do celular mas coloquei isso para representar só).

- Alô. Juliana?

- Sim, eu mesma. Quem fala? ( a voz era grave do outro lado da linha.)

- Georg. O Gustav me contou o que aconteceu aqui no hospital ontem. Ele não sabe que peguei teu número mas precisava te ligar e dizer que desde o acidente ele tem falado constantemente de ti. -disse Georg.

- Nossa. Sério? Não sei o que dizer.

- Sério mesmo. Olha, eu queria te conhecer. Saber quem é a garota que meu melhor amigo fala. Que tal tomar um café mais tarde?

- Sim. Bom, eu solto do trabalho as 17:00.

- Onde é? Posso te buscar?

- Pode. É na rua Beethovenstraße, número 20 (a rua existe mesmo mas o número é fictício).

- OK. Te vejo as 17:00. Tchau Juliana!

- Tchau Georg.

Como assim, ele fala de mim para o Georg? Fiquei chocada.

Impossível não esperar passar a tarde com ansiedade.

Anne chegou da escola e mais uma vez lá fui eu contar tudo.

- Ai Juh, estou te dizendo, vocês vão ficar juntos. ( Anne me chamava de Juh, de uma forma muito engraçada)

- Que isso menina! Como tu com essa idade vai entender? E além do mais, acho que nem faço o tipo dele... Eu nem sou loira, não uso vestidos curtos, não sou sensual.

- Pode não ser loira, não usar vestidos curtos mas tu que não acha que é sensual. Não está estampado na sua cara, você é sensual quando precisa e é natural. Não algo bitch.

- Anneeee!!!

- Mas é verdade! Agora vai ajeitar tuas coisas que daqui a pouco o lindo do Georg vem te buscar.

- Como assim, o lindo do Georg? Nem sabia que tu acha ele lindo.

- Está sabendo agora.

- Menina louca tu hein.

Saí do quarto da Anne e fui na minha dispensa arrumar minhas coisas e colocar uma make no rosto. Haha. Eu iria conhecer o Georg lindão e fofo. Awwwnn.