Eu Te Dou Meu Coração

19 Um dia de "Uma linda mulher" - POV Bella


Estava ajudando Alice a fechar a loja.

Depois que ela presenciou meu ataque de ciúmes com Edward no telefone, por causa dela, ainda não tínhamos trocado muitas palavras além de: Por favor e obrigada.

Não é que eu não confiasse nela, afinal, ela sempre foi uma amiga espetacular pra mim.

E também não é que eu não confie nele. É claro que eu confio nele, eu o amo mais que tudo. E sei que ele me ama. Edward é o namorado perfeito.

Mas eu sei que ele ta acordando pra vida agora, que está conhecendo essa coisa de relacionamentos agora. Beijos, carinhos, amassos, sexo.

E bem, ele só conhece isso comigo. Meu medo é que ele tenha vontade de experimentar com outras mulheres também. Pra conhecer, sei lá.

Quer dizer, eu sei que ele não faria isso comigo, me trair. Mas... Bem, eu não sei o que pensar. Ele é tão lindo, atencioso e romântico. Eu nunca tive isso, e agora que encontrei, morro de medo de perder.

Percebi que enquanto fechávamos tudo, Alice olhava de rabo-de-olho pra mim.

Suspirei, e me virei em sua direção.

— Me desculpe, ok? Eu confio em você, amiga. Mas eu só... Sei lá. Foi instinto. – ela fez uma careta.

— Você sabe que amo Jasper, e sabe que mesmo se eu não tivesse ninguém, nunca iria fazer uma cachorrada desse tipo com você. – estava bem magoada.

— Alice, eu sei. Eu sei... Apenas me desculpe. É tudo muito novo pra mim. Todo esse sentimento. Eu não sei lidar direito com isso. – pedi sinceramente.

— Você tem medo de perdê-lo, certo? – ela deu dois passos em minha direção.

— Muito. Quer dizer, não posso nem pensar nessa possibilidade. – balancei a cabeça. – Essa coisa toda de ter alguém querendo cuidar de mim, querendo me agradar, é uma sensação tão nova. Eu não estou disposta a perder isso. Não, de jeito nenhum.

Alice me deu um sorriso carinhoso.

— Eu não estou chateada com você, ok? Eu te entendo. – pegou minha mão. – Conheço sua história, garota. E sei que por trás dessa capa toda de eu-não-me-lembro-mais-daquela-época, você ainda tem um trauma. – neguei.

— Claro que não, Alice. Nem me lembro mais dessa coisa toda. Aliás, eu lembro, mas não fico me lamentando. Não sou a única mulher no mundo que perdeu um bebê. Essas coisas acontecem. – dei de ombros.

— Acontecem sim. Mas não por um espancamento. Espancamento esse, que até hoje você nem sabe o porquê. – ela tocou na ferida. Soltei minha mão da sua.

— Alice, eu reconheço que foi um período difícil. Mas já passou. Não posso passar o resto da minha vida lamentando por isso. – olhei em seus olhos. – Pessoas que passam a vida inteira se lamentando o quão sofridas são, esquecem de viver o presente, e ficam presas a um passado que na verdade, deveria ser esquecido.

— Você não esqueceu. – afirmou.

— Não. Eu não esqueci. Mas superei. Não adianta nada eu ficar remoendo essa coisa toda dentro de mim. Nada que eu fizer irá fazer o tempo voltar, e eu escolher as coisas certas pra minha vida. Esse era o meu caminho. E eu passei por ele.

— Bella, eu só me preocupo as vezes por você ter se recuperado disso tão rápido.

— Não se preocupe, Alice. Doeu, afinal sou um ser humano normal, e eu já amava aquele serzinho dentro de mim. Mas se ele teve que ir antes de estar em meus braços, foi porque Deus quis assim. – ela sorriu ternamente pra mim.

— Você pensa em engravidar novamente?

— Bem, pensar eu sempre penso. Dessa vez seria planejado. Três anos atrás eu era uma idiota que engravidou do primeiro namorado, que era um canalha asqueroso. – ambas torcemos o nariz. – Mas, não sei se será possível.

— Como assim? Não entendi. Por que não será possível?

— Edward não pode ter filhos. – Alice pareceu chocada. – Quer dizer, não é que não possa. Mas eu andei pesquisando na internet e tal. A probabilidade de paraplégicos terem filhos é bem mínima. Algo como os espermatozóides serem fracos demais.

— Mas ainda sim, há a possibilidade, não há? – mordi o lábio.

— Eu não sei. Todos os casos de casais em que o homem era paraplégico, que eu pesquisei, ou adotaram ou recorreram a inseminação artificial. Bem, caras com deficiência, além de terem o esperma fraco, ele é bem pouquinho. Bem, isso quando conseguem ejacular.

— Mas o Edward... – ela não terminou a pergunta.

— Sim, sim. Ele consegue. Mas bem, é bem pouquinho que sai. – ela me olhou com certa pena. – Mas ta tudo bem, pelo menos ele consegue. Não são todos os caras deficientes que conseguem ter relações, e sentir prazer.

— Então, vocês não terão bebês? – ela parecia uma criancinha quando descobre que Papai Noel não existe.

— Não sei se Edward concordaria com inseminação artificial. Pelo que conheço dele, provavelmente vai preferir a adoção. Mas bem, um bebê nosso, gerado da forma normal... Não. Nós não teremos. Tanto que a gente nem usa proteção nenhuma em nossas relações.

— E se por um milagre, ou ironia do destino você engravidar? – suspirei.

— Seria a notícia mais feliz da minha vida, Alice. Mas essa chance é tão mínima, que prefiro nem acreditar nela. É triste, mas é a realidade.

— Não subestime o poder do amor. – ela disse séria, olhando em meus olhos.

— Não estou subestimando o poder do amor. – dei de ombros. – Estou subestimando o poder de uma gozada. – ela me olhou assustada, e segundos depois, só se escutava nossas gargalhadas dentro da loja.

— Você é uma idiota. – ela disse.

— E você é outra idiota, porque riu. – pisquei.

Logo após isso, fechamos a loja, e eu fui pra minha casa.

Ainda conversei mais um pouco com Edward, por telefone, após o jantar.

[...]

Quando cheguei na loja, pela manhã, já logo avisei a Alice que eu teria que ir em uma loja no centro encontrar com a cunhada de Edward.

Eu ainda não sabia por que tinha que ir lá, mas eu iria, já que ele pediu. E alegou que faria parte da surpresa.

Alice disse que eu poderia ter uma hora a mais de almoço, se eu precisasse. E até fiquei surpresa. Eu não pediria essa uma hora a mais. Alice é uma boa patroa, mas não gosto de abusar.

[...]

No horário do almoço, peguei minha bolsa, e caminhei para o endereço que Edward me passou.

Ficava no Centro da cidade também, mas era na extremidade contrária da loja de Alice.

A loja de Alice ficava na parte mais popular do centro. Onde havia lojas de departamento, bares, pequenos escritórios e essas boates com aquelas mulheres que dançam seminuas em um poste.

Bem, o endereço que Edward me passou, ficava no lado do centro da cidade onde havia grandes clínicas, os grandes escritórios de advocacia, restaurantes onde o preço de um prato custa metade do meu aluguel, e muitas boutiques, tipo aquelas em que a Julia Roberts, como Vivian em Uma Linda Mulher, fez compras.

Eu podia perceber as pessoas me olhando um pouco estranho. Nesse horário, a maioria dos homens estava de terno circulando por essas ruas, e as mulheres naquelas roupas de secretárias de grandes executivos.

Bem, digamos que eu estava um pouquinho diferente.

Meu all star de sempre, uma calça jeans apertada bem comum, uma blusa baby look com desenho de um panda na frente, e a minha bolsa de lado, com alça transversal.

Cheguei a tal loja e me deparei com um lugar que acho que nunca entrei antes.

Era essas lojas do tipo que só quem é rico entra. Aqueles vestidos lindos, calças maravilhosas. Acho que só vejo gente vestindo essas roupas nas revistas.

Olhei um manequim com uma blusa linda. Verde, com um belo decote nas costas. E a calça, maravilhosa. Não sei nem que tecido é esse, mas é lindo. Ela parece ao mesmo tempo social e esportiva. É branca, tem dois bolsos frontais. Linda.

Mexi um pouco na calça, encontrei a etiqueta e por curiosidade olhei o preço.

— Oh meu Deus! 2 mil dólares por uma calça? – me assustei, e acho que falei alto demais, pois logo um protótipo da Barbie veio em minha direção.

Aquele narizinho empinado. Ela me olhava com uma leve expressão de desaprovação.

— Pois não? – parecia me atender forçadamente.

— Ér... eu... – droga, por que estou gaguejando com essa mulher? Ah, já sei. Ela me intimida, com toda essa coisa de cabelinho perfeitamente alinhado, cara de superior.

— Bem, imagino que não tenha vindo comprar nada.

— Não... – qual era o meu problema. Por que não ia direto ao assunto? Essa mulher está me intimidando.

— Bem senhorita, tendo em vista que não irá escolher nenhum produto de nossa loja. Entendo que já esteja de saída. – disse calmamente, mas me olhando com aquelas sobrancelhas pintadas (eu tenho certeza que são pintadas) arqueadas.

— Claro. Estou de saída sim. Eu nem deveria ter entrado aqui. – Mas que merda. Como Edward me manda vir em um lugar desses pra ser destratada? Será que essa é a tal Rosálie?

Me virei pra sair da loja, e escuto meu nome sendo chamado.

— Isabella? Ei, você é Isabella, namorada de Edward? – uma bela loira, muito bem vestida e com um sorriso simpático em seu rosto veio em minha direção

— É, sou eu. Mas olha, eu já estou de saída. A colega aí já falou comigo. – apontei pra vagabarbie ao meu lado.

— Como assim de saída? – se virou pra outra loira, que já estava com a cara um pouco assustada. – Mellody, o que você falou pra Isabella? – parecia nervosa.

— Bem Rosálie, eu... eu disse apenas que se ela não fosse comprar algo, eu achava que ela estava... bem... de saída. – gaguejou.

— E o que te faz achar que você tem o direito de tratar uma cliente assim? — Ui, da-lhe Rosálie. Espere aí, cliente? Eu sou cliente?

— Me... me desculpe Rosálie. Eu não poderia imaginar que ela fosse, bem, que ela fosse cliente. Ela não disse se iria comprar nada.

— Claro, claro. Agora então eu pago seu salário pra você julgar quem você acha que é cliente ou não? – adorei Rosálie.

A loira aguada abaixou a cabeça, e pediu desculpas. Ui, to amando isso. Só faltou uma pipoquinha pra assistir a queda da vagabarbie.

— E bem Mellody, já que você achou que Isabella não seria uma potencial cliente, presumo que atendê-la não te interessaria. Você pode sair pro seu horário de almoço. – ela se virou, e foi em direção ao balcão bem devagar. Quase tive pena, eu disse quase. Mas não, eu não tive pena. Estava era rindo por dentro. – Mary Anne, venha me ajudar com Isabella. – falou um pouco mais alto. — Compras com cartão de crédito ilimitado. – cantarolou. — A comissão é sua. – Rose chamou a outra atendente, uma ruiva simpática. E a loira aguada arregalou os olhos em nossa direção.

Rosálie é cruel. E eu a amei por isso!

Ela se virou pra mim.

— Bem Isabella, sou Rosálie, como você já deve saber. Muito prazer em conhecê-la. – me deu um abraço carinhoso.

— O prazer é meu, Rosálie, já ouvi falar muito de você.

— Como eu escutei sobre você. – ela pegou minha bolsa de mim, e me puxou em direção ao balcão. Largou minha bolsa em um canto e me olhou da cabeça aos pés. – Bem, eu separei muitas peças, e bem, parece que acertei o tamanho só pela breve descrição.

— Rosálie, eu adorei te conhecer. Mas, Edward pediu pra eu vir aqui, e pra falar a verdade, não estou entendendo nada. – fui sincera.

— Ele veio me visitar ontem. E nós conversamos muito. E se me permite falar. Ele te ama, garota. – piscou pra mim. Corei um pouco.

— Eu também o amo muito. – disse um pouco sem graça.

— Você veio pra nos conhecermos finalmente, e nos tornamos amigas, que eu já tinha certeza que iria acontecer, antes mesmo de bater os olhos em você. – sorriu. – E bem, digamos que seu Edward apaixonado se inspirou em outro Edward que você o apresentou.

— Espera, não entendi. – isso estava soando bem confuso.

— Uma Linda Mulher, baby! Hoje é o seu dia de Vivian, e eu sou sua fada madrinha.

[...]

Uma Linda Mulher — Pretty Woman

Pretty woman, walking down the street

Pretty woman, the kind I like to meet

Pretty woman, I don't believe you you're not the truth

Noone could look as good as you

Mercy!



Pretty woman, won't you pardon me

Pretty woman I couldn't help see

Pretty woman,

That you look lovely as can be

Are you lonely just like me

Linda mulher, descendo a rua

Linda mulher, do tipo que eu gosto de conhecer

Linda mulher, eu não acredito que você não é a verdade

Ninguém poderia ser tão bom quanto você

Misericórdia!



Linda mulher, não vai me perdoar?

Linda mulher, não pude deixar de ver

Linda mulher,

Que você está tão linda quanto alguém pode ser

Você está sozinha como eu



Eu podia escutar a famosa música dos Beatles.

Eu estava até me divertindo com essa coisa toda de experimentar roupas.

Põe vestido, tira vestido. Veste a calça, tira a calça. Calça a sandália, tira a sandália.

Até que fazer compras é bem legal. Eu só via isso em filmes. Nunca imaginei que faria isso na vida real. E estava simplesmente amando.

Saí do trocador com um vestido pra noite, preto, pouco decotado na frente, e muito, mas muito decotado nas costas.

Rosálie e Mary Anne sorriram com admiração pra mim.

— Está linda. Edward vai pirar. – Rose disse vindo em minha direção.

— Você gostou mesmo? Quer dizer, não está muito decotado, não? – estava insegura.

— Está perfeito. Você está linda. – andou ao meu redor. – Realmente, está perfeito em você esse vestido. Pode ir tirar ele. – se virou para Mary Anne. – Ela vai levar esse.

A ruiva assentiu e anotou algo em sua prancheta.

— Rose, você não acha que vai ficar muito caro, não? – apesar de estar amando a sessão de compras, eu me preocupava que Edward me achasse uma consumista quando visse a conta. Apesar de Rose me garantir que ele me liberou pra comprar o que quisesse, eu não queria abusar de meu namorado.

— Querida, você em breve será uma Cullen. Se acostume a ter sempre o melhor. E esse nem é o mais caro do Georges Xakra.

— Quanto custa esse vestido? – perguntei e Rose negou. – Por favor, Rose. Só me diga quanto é esse vestido. Sabe, curiosidade. – fiz minha melhor cara do gatinho do Shrek. Acho que funcionou.

— Bem, esse não é de gala. É apenas esporte-fino. Ele é vinte.

— Vinte? Vinte o que, Rose?

— 20 mil dólares, ué. – deu de ombros.

— Oh meu Deus! – foi a única coisa que consegui falar. Mary Anne ao nosso lado, deu uma risadinha. Rosálie começou a pegar mais roupas pra eu experimentar. E eu já escutava novamente a musiquinha do filme.


Pretty woman, stop a while

Pretty woman, talk a while

Pretty woman, give your smile to me...

Pretty woman, yeah yeah yeah

Pretty woman, look my way

Pretty woman, say you'll stay with me

'Cause I need you I'll treat you right

Come with me baby be mine tonight



Pretty woman, don't walk on by

Pretty woman, don't make me cry

Pretty woman

Don't walk away hey ok

If that's the way it must be ok

I guess I'll go on home it's late

There'll be tomorrow night but wait



What do I see?

Is she walking back to me?

Yeah she's walking back to me

Oh oh pretty woman



Linda mulher, pare um pouco

Linda mulher, fale um pouco

Linda mulher, dê seu sorriso para mim ...

Linda mulher, yeah yeah yeah

Linda mulher, olhe para mim

Linda mulher, diga que vai ficar comigo

Porque eu preciso de você, eu vou tratá-la bem

Venha comigo, baby, seja minha esta noite



Linda mulher, não siga em frente

Linda mulher, não me faça chorar

Linda mulher

Não vá embora, ei, ok

Se é assim que tem que ser, tudo bem

Acho que vou para casa já é tarde

Haverá amanhã à noite, mas espere



O que eu vejo?

Ela está voltando para mim?

Sim, ela está andando de volta para mim

Oh oh mulher bonita



[...]

— Rosálie, muito obrigada por tudo. Nossa, eu nem sei o que dizer. – estava me despedindo de Rosálie. Céus, Alice vai me matar por dois motivos. Primeiro: eu extrapolei duas horas do meu horário de almoço. E segundo: Eu fiz compras e ela não participou.

— Você não tem que me agradecer, Bella. Foi um prazer te receber aqui. E maior prazer ainda, me tornar sua amiga. Sempre que quiser, pode vir me visitar. – me abraçou.

— Virei sim, Rose. Bem, agora eu tenho que ir. Já extrapolei meu horário de almoço.

— Sim, sim. Pode ir tranqüila. As suas compras serão entregues em sua casa hoje, ás 20 horas. Edward já programou tudo. Um motorista, acho que o da empresa, vai vir buscar tudo e levar pra você.

— Sim, as 20 horas eu já estou em casa. – sorri. – Nossa, isso é tão surreal pra mim. Obrigada por me ajudar com tudo.

— Já disse, não precisa agradecer. – sorriu pra mim.

— Ok, agora eu vou então. Tchau Rose, tchau Mary Anne. – a ruiva acenou brevemente pra mim. Olhei pra loira aguada que já havia voltado do almoço. – Tchau Mallody, lhe desejo boas vendas. Afinal, você perdeu uma bela comissão.

Me virei para sair da loja, mas ainda pude escutar o som de alguém bufando, e a risada de Rose e Mary Anne.

Assim como Vivian encontrou seu príncipe encantado, Edward, e viveu seu conto de fadas no filme.

Eu encontrei meu príncipe encantado, meu Edward, e estou vivendo meu conto de fadas.

Quem disse que a vida não imita a arte?