Eu Te Amo, Idiota.
5 Capítulo V- Primadonna
Notas iniciais
— Por que, como eu já disse, vocês são um casal...
— Nota onze numa escala de um há dez. — Eu disse a interrompendo.
— Exatamente.
~^^~ Eu Te Amo, Idiota ~^^~
— Você é a pessoa mais difícil de conviver, meu Deus. — Ela disse quase surtando. — Por que não apenas fala para ele que você gosta dele?!
— Mas eu não gosto dele. — Eu respondi.
— Mas... Você acabou de falar que gosta dele! — Íris gritou a última parte, quase arrancando os cabelos loiros claros.
— É culpa dele.
Comecei a rir da cena. E me lembrei de como gosto daquele moreno dos olhos castanhos escuros, não que isso fosse alguma coisa para ser lembrada, mas admitir mentalmente era bem surpreendente. Quero dizer, não deveria lembrar-se disso pois eu não deveria gostar tanto assim dele, já que o conheço a menos de uma semana.
Senti-me arrepiar por inteira quando senti as duas mãos de Marshall em meus ombros, virei e o encarei, dizendo:
— Oi, Marsh. Senta aí.
Ele se sentou na cadeira ao meu lado, ainda com uma das mãos em meu ombro direito, me arrepiando simultaneamente. Aposto que Íris surtou internamente após essa cena, pois ela disse:
— Oi, Lee. Nós estávamos justamente falando de você nesse exato momento!
— De mim? — Ele perguntou. — Por que estavam falando de mim?
Íris insinuou falar, mas eu logo a interrompi.
— Você tem uma banda, certo? — Ele assentiu com a cabeça. — Vão fazer um show na sexta, não?
Ele concordou e eu disse que precisava de um ingresso, pois eu queria vê-los. Íris me olhava com um olhar irônico, enquanto eu ria internamente.
— Você já precisou muitas coisas essa semana, você não merece isso. — Ele disse.
— Não posso evitar de precisar das coisas. E, tem mais, eu tenho as coisas porque eu as peço, não porque as mereço.
— O.K., vou tentar, mas não posso garantir o ingresso. — Ele levantou da cadeira e bagunçou meus cabelos. — Bem, tchau.
— Desde quando te dei intimidade? — Eu perguntei.
— Desde quando você começou a me chamar de Marsh, não de Marshall.
Então ele foi para a aula, senti minhas bochechas se avermelharem conforme eu ouvia a risada de Íris como música de fundo daquele momento. Ela deu um grito e começou a mesma coisa de sempre:
“Meu Deus, casem logo!” “Acho que o filho de vocês dois vai ser muito lindo.” “Casal perfeito!”
— Sério Íris. Isso já está começando a irritar. — Eu pensei.
Depois das aulas, tínhamos que voltar aos quarto. Tomei cuidado para atravessar a porta, para não ser encharcada, como da última vez. Abri com delicadeza e muito devagar a porta, no meio do caminho, percebi que, se tivesse um balde d’água ali, já teria caído. Então não me importei de simplesmente jogar a porta para longe, fato que logo depois me arrependeria de cometê-lo. Pois Marshall havia colado com fita adesiva uma buzina aonde iria bater a maçaneta, fazendo um enorme barulho juntado com o meu grito de susto.
— Patético... — Eu murmurei, indo para o banheiro para tomar banho.
Quando chego lá e abro a porta, um balde de água gelada cai sobre minha cabeça.
— Marshall! — Eu grito, depois de bufar.
Depois do banho, enchi uma arminha d’água e esperei Marshall chegar. Quando o fato citado aconteceu, o atirei água em toda sua roupa, depois de rir, perguntei:
— Você faria qualquer coisa por mim?
— Hã? — Ele perguntou, retirando a camiseta encharcada.
— Você ouviu. Você faria qualquer coisa por mim? — Me avancei um passo á frente. — Compraria um anel de diamantes para mim?
— Você sabe que... — Ele não conseguiu terminar a frase, pois coloquei meu dedo em sua boca, em sinal de silêncio.
Larguei a arma de brinquedo, a deixando cair no chão, e coloquei minha outra mão no peitoral pelado de Marshall. Analisando cada detalhe de seu corpo. Notei que o próprio me encarava intensamente, virei meu rosto e depositei um beijo demorado em seu pescoço, logo depois sussurrando em seu ouvido:
— É melhor que a resposta seja sim, pois agora tenho você na palma da minha mão.
Deitei em minha cama, peguei meu caderno e comecei a escrever
Sinceramente, por que deveria escrever sobre meu dia-a-dia aqui?
Entretanto, vamos começar. Assumi para mim mesma que gosto do Marshall, quer dizer... É eu gosto dele. Acho que essa semana está passando muito rápido, você não?
Espera, eu acabei de perguntar se a semana passou rápido para um caderno? O.K., vamos fingir que eu não sou nem um pouco paranóica.
Eu beijei Marshall, mas não foi bem um “beijo”, eu o beijei no pescoço. Aliás, ele está me encarando até agora, e está começando a me assustar.
Amanhã será o último dia da Semana das Pegadinhas, e tenho um plano especial para esse glorioso dia, mas não vou contá-lo agora.
Parece que eu vou a um show de Marshall sexta-feira, ou não. Isso depende dele. Que tipo de música ele toca? Eu acho que realmente não vou gostar nem um pouco.
Bem, até mais.
Guardo o caderno em minha mochila e vejo que Marshall ainda me encarava, então bufo.
— Marshall — Eu gritei, o despertando do transe. —, pare! Está me estuprando pelos olhos!
Ele parou automaticamente, me fazendo rir e, conseqüentemente, o fazendo rir também. Ele sentou em sua cama e começou a escrever em um caderno, provavelmente uma música.
— Você gosta de mim? — Perguntei.
— É claro que gosto de você, você é minha amiga.
— Não, não como amiga.
— Por que não gostaria? — Ele perguntou, largando o caderno e começando a me encarar.
Os olhos negros de Marshall entravam nos seus sem pedir permissão, o que eu achava uma coisa extremamente estranha e um pouco desagradável, mas também era fascinante. Você se vê perdida nesses olhos, e é quase impossível achar uma saída.
— Eu gosto de você, Marshall. — Eu disse, já sentindo minhas bochechas ruborizadas. — Muito.
Num momento de confusão, o beijei. Fechei os olhos e, mesmo nesses poucos segundo que foram a duração desse beijo, pude sentir o gosto de sua boca. Era um beijo significativo, uma mistura de amizade, paixão, confusão e alegria. O beijo terminou-se e tive medo de abrir os olhos, mas pude ouvir Marshall sussurrando que queria ver meus olhos. Os abri, e neles se plantavam um olhar de paixão e confusão, já os de Marshall haviam um certo brilho encantador de esperança.
— Então — Eu disse, após dar uma risada nervosa. —, você faria qualquer coisa por mim?
Fale com o autor