Eu Te Amo
2 Boas Vindas
Notas iniciais
Segue ai capitulo novinho, e vou focar na história, pra conseguir postar mais capítulos por semana..
Aguardo mais comentários e dicas...
Jordana Bastos, obrigada pela dica....
Estou no meu quarto me arrumando e escuto bater na porta.
– É o Pedro. Posso entrar?
– Claro maninho, entre.– Eu estava só de calcinha e sutiã, nós nunca tivemos vergonha um com o outro.
– Fiu-Fiu! — Ele assobia e faz um elogio – Mana você esta mais linda do que nunca. Vou ter muito trabalho com você de volta.
Jogo uma escova ele e caímos na gargalhada. Realmente muita coisa mudou comigo nesse tempo que fui embora. Eu era meio gordinha ha dois anos atrás, e assim que cheguei a Nova York tratei logo de me matricular em uma academia e começar algumas dietas, também mudei meu estilo de me vestir e maquiar. Meus cabelos estão mais compridos e loiros nas pontas, estilo “ombré hair”. Me olhando no espelho eu realmente estava bem.
– Como estão as coisas lá em baixo? – Pergunto, até com medo da grandiosidade do evento.
– Nossa mãe não parou um segundo desde que você chegou. Ela está radiante, alias todos nós estamos. Você não tem ideia de como essa casa ficou triste todo esse tempo que você esteva fora.
– Mas agora eu voltei maninho e estou muito feliz por encontrar todos bem e animados com o meu retorno. Vocês também me fizeram muita falta.
– Você sabe que ele vem hoje né? – ele fala logo mudando o assunto.
Eu sei quem é o “ele” que meu irmão está falando e meu coração acelera e parece que tenho mil borboletas no meu estomago, meu sorriso cai, mas preciso manter a calma e a postura, afinal esses dois anos não podem ter sido em vão, eu preciso ter superado.
– Ele quem maninho? Pergunto, fazendo de desentendida enquanto me maquio em frente ao espelho do banheiro. Graças a Deus ele está na minha cama e não pode ver minha cara de desesperada. Meu Deus o que eu vou fazer quando ele chegar, eu ainda me sinto a mesma de antes de ir embora, por mais que tenha mudado por fora e ficado mais forte em relação a muita coisa, quando penso no Artur meu coração derrete, para e começa a bater de novo, minha cabeça flutua. Preciso segurar na bancada pra não cair, por que meus joelhos fraquejam só de pensar em revê-lo.
– O Artur. – Ele fala com um tom mais sério.
Eu largo o pincel em cima da pia e me dirijo pra dentro do quarto. Visto o robe de seda branco que estava em cima da poltrona e sento na cama ao lado do meu irmão.
– Pê, o que aconteceu foi há muito tempo, não tem nada entre nós dois, eu segui minha vida longe daqui e com certeza ele também se ajeitou. Aquilo foi um erro, nunca deveríamos ter feito o que fizemos, nós estávamos bêbados.
– Iza, eu sei que você sempre foi apaixonada por ele, desde criança, sempre vi no seu olhar o quanto você o admirava, e ele também. Quantas brigas ele comprou por você, quantos olhos roxos ele ganhou pra te proteger?
– Eu o admirava como irmão, assim como eu admiro você. E ele me protegia como uma irmã também, você era pequeno e ele não deixaria você se meter em encrenca.
– Iza, eu sei o que eu via. E o que rolava entre vocês dois era tudo menos amor de irmão. Eu sei o que é amor de irmão, por que eu te amo.
– Pedro, não era isso. E não vai acontecer de novo. Eu voltei pra começar uma nova vida. Quero e pretendo deixar isso morto e enterrado.
– Tudo bem mana, mas só pra você saber, eu estou do seu lado e vou te proteger agora. Ninguém vai te machucar e nem te afastar de casa. Sempre que você precisar não será necessário nem me chamar por que vou estar do seu lado. – Ele me abraça forte e é como se nada mais existisse, nem mesmo a proximidade de me encontrar com o meu passado.
– Obrigada!
– Agora vou ver se a mamãe precisa de ajuda e deixar você terminar de se arrumar.
Assim que ele sai, deito na minha cama e abraço minhas pernas, sentindo um medo terrível do momento que se aproxima. Estou conseguindo me manter forte, mas não sei até quando. Fico ali uns dez minutos até estar mais calma e me levanto pra terminar de me arrumar. Eu preciso estar bonita, pra me sentir segura. Então, escolho uma maquiagem leve e um vestido azul clarinho, com um decote generoso nas costas.
Deixo meu cabelo solto pra disfarçar um pouco o fato de estar com as costas nuas. Coloco um Christian Louboutin, passo o meu perfume que foi uma das únicas coisas em mim que não mudou. Dou uma ultima olha no espelho e gosto, muito do que vejo
Quando chego à escada consigo escutar o barulho que vem de baixo. Ah meu Deus casa cheia, minha mãe realmente se superou dessa vez. Odeio ser o centro das atenções, não gosto que ninguém me observe, minha vontade é voltar pro meu quarto e me esconder lá até que todos tenham ido embora. Sei que todos aqui ou são parentes ou amigos próximos. Ai meu Deus! Respira! Respira! E se ele já tiver chegado? Ai Senhor, vou ter uma crise de pânico. Respiro mais algumas vezes e decido. Não tem outro jeito a não ser descer. Coloco um sorriso no rosto e desço.
Todos me olham e a sensação que eu tenho é que vou cair e rolar escada abaixo. Pra não ficar pior a sala estoura em uma salva de palmas e gritos de boas vindas. Eu vou cair, começo a ficar tonta e meu irmão está lá do meu lado.
– Não te disse que não precisava nem me chamar. Ele fala em meio a um sorriso lindo. Eu me sinto tão segura agora.
– Eu te amo!
Assim que chegamos ao pé da escada, ele me abraça e fala que eu estou linda. Meu pai e minha mãe me abraçam emocionados.
–Meu Deus, minha princesa já é uma mulher, e uma das mulheres mais lindas do mundo. – Diz meu pai visivelmente emocionado.
– Meu amor, você está deslumbrante, que vestido lindo! – Fala minha mãe, babando.
Eu realmente tenho a família mais linda e especial desse mundo, como consegui ficar tanto tempo longe deles. Nesse momento varias pessoas se aproximam de mim e me cumprimentam, vários amigos da empresa do papai com seus filhos que crescemos juntos. Os pais do Artur, Tia Deli e Tio Afonso, vêm em minha direção para me abraçar e eu fico nervosa. Dou uma olhada pela sala procurando aqueles olhos verdes, mas não consigo encontrar. Respiro um tanto aliviada, mas o que me assusta é que também fiquei um tanto decepcionada.
– Ele ainda não chegou. – Meu irmão me diz ao pé do ouvido.
– Melhor assim. Falo com convicção na voz.
A campainha toca e meu coração para de bater, até que alguém abre a porta e não é ele. Graças a Deus! Graça a Deus! Repito mentalmente. Entra alguns amigos do Pedro e ele corre para recebê-los. De repente escuto uma pessoa gritando — Segura essa porta.– e uma cabeleira ruiva de olhos azuis irrompe pela sala, toda desastrada quase tromba no garçom, antes do meu irmão puxa-la pro seu lado. Oh meu Deus, é a Mari! Minha amiga, minha melhor amiga, quantas saudades eu senti dela. Eu corro pra abraça-la.
– Mari, que saudade. Falo emocionada enquanto pulo nela e dou um abraço muito, muito apertado.
– Iza, meu Deus, nunca achei que esse dia fosse chegar de novo. Diz ela em meio à lagrimas.
Eu e a Mari temos uma amizade que transcende o tempo e a distancia. Ela foi a única amizade verdadeira que fiz ao longo do tempo. Talvez por que ela foi a única que se aproximou de mim pelo que eu sou e não pelo dinheiro da minha família. Ela também vem de uma família tradicional, mas nunca ostentou o dinheiro que tem. Nós nos demos bem desde o primeiro dia que nos vimos em um domingo no clube do papai. Naquela época nossos pais estavam fazendo negócios juntos e nossas famílias se tornaram amigas desde então e nós duas nos tornamos irmãs.
– Ah Mari, quanta falta você me fez.
– Você me fez muita falta também amiga. — Ela diz e se afasta pra me olhar. – Mulher você está muito linda. Esses dois anos foram fizeram muito bem pra você.
– Ai amiga para, você que é linda, sempre foi. Temos tanto o que conversar você precisa me contar tudo que aconteceu por aqui enquanto estive fora.
– Claro, e eu nunca mais deixo você ir embora.
Ficamos ali matando a saudade enquanto as outras pessoas me cumprimentavam. Eu estava no meio da sala de costa pra porta e de repente os cabelos da minha nuca se arrepiam e eu sinto um calor estranho percorrer pelo meu corpo. Eu olho primeiro pro meu irmão que está na minha frente, mas do outro lado da sala, em um segundo ele esta do meu lado. Eu olho pra traz e lá está ele. Por mais que eu soubesse que esse encontro fosse inevitável, eu ainda tinha esperança que ele não viesse aqui hoje. Que poderíamos nos encontrar em algum outro momento, em um futuro distante. O Pedro logo se adianta a cumprimenta-lo pra me tirar do transe.
– Artur, que bom que você veio cara.
Eu preciso me acalmar, isso iria acontecer, eu sabia e me preparei pra esse dia. Eu posso fazer isso. Ele abraça meu irmão, depois abraça a Mari. E chega até a mim.
– Oi.– Ele fala
– Oi.
– Senti sua falta, Iza, você fugiu de mim antes de ir embora?
– Artur, não vamos discutir o que passou. Ainda mais em uma festa da nossa família, no meio da sala dos meus pais. – Eu digo forçando um rosto tranquilo como se estivéssemos apenas nos cumprimentando.
– Mas nós precisamos conversar.
Eu olho pro lado e nossos pais estão em uma conversa animada. Tia Deli e minha mãe provavelmente falando sobre alguma fofoca de revista e papai e Tio Afonso admirando as belas mulheres que tem.
– Tudo bem, mas não aqui. Outro dia. – Dia este que eu farei de tudo pra que não chegue.
– Você está linda! Nunca achei que seria possível você ficar mais linda do que já era. – Ele fala sem tirar os olhos de mim. Eu me sinto tão aquecida com aqueles olhos me cobrindo dos pés à cabeça.
– Iza, esqueci meu celular dentro do meu carro. Você vai comigo buscar? – Mari, nota o meu mal estar e me tira da sala.
– Claro, vamos lá.
Me sinto aliviada, quando chegamos do lado de fora de casa.
– Mari, muito obrigada! Te devo essa.
– Amigas são para essas coisas. Mulher que tensão sexual foi aquela?
– Que isso, não tem nada demais. Só estávamos ha muito tempo sem nos ver.
– Uhum, sei! – Ela fala em um tom brincalhão.
Ficamos um tempo do lado de fora, até meu irmão nos chamar, pois o jantar seria servido. Estava tudo uma delicia. Comidinha simples bem brasileira que minha sabe que eu adoro e que eu não tinha em NY. Muitas pessoas poderiam achar esquisito, uma família com tanto dinheiro como a nossa, comer feijoada com Chopp na festa de boas vindas da filha, mas não importa por que somos felizes assim. Depois de me acabar de comer e depois de algumas taças de Chopp me sinto bem relaxada. Já são 01:30h, a maioria dos convidados já foram embora. Ficaram somente, os amigos do meu irmão, que caíram na piscina, pra aproveitar a noite quente, a Mari, Tio Afonso, Tia Deli e ele.
– Isa eu preciso ir, amanhã tenho um compromisso logo cedo e só não vou me arrepender de estar acordada até agora, por que é por uma bela causa: Receber minha melhor amiga.
– Ah não, pensei que você iria dormir aqui em casa, relembrar os velhos tempos.
– Não posso amiga, mas prometo que volto outro dia pra dormir.
– Almoço amanhã? Você escolhe o lugar por que estou um pouco desambientada.
– Combinado. Te pego às 12:00.
– Ok. Vai com cuidado. Te amo!
– Também te amo!
– Carol nós também estamos indo – Tia Deli fala pra mamãe.
– Obrigada Deli, por terem vindo.
– Imagina, viemos receber nossa sobrinha preferida. É uma honra. – Ela diz e me da um abraço.
– Obrigada pelo carinho, tia.
– Artur, meu filho, você quer uma carona? Tio Afonso pergunta após me abraçar.
– Não pai. Estou de carro, obrigada!
– Filho, juízo e vem almoçar comigo amanhã, seu pai vai viajar logo cedo e vou estar sozinha.
– Mãe, tenho um compromisso amanhã, mas te ligo pra confirmar.
Papai e mamãe assim que se despedem dos nossos tios sobem pra descansar. Eu acompanho a Mari e meus tios até o estacionamento.
– Podemos conversar agora?
– Ai que susto Artur. Você não pode ficar escondido e assustar as pessoas assim.
– Eu não conseguiria dormir enquanto não nos falássemos.
– Artur, eu estou cansada, fiz uma longa viagem, ainda não dormi. Estou toda atrapalhada com o fuso horário. Eu preciso descansar.
– Por que você fugiu de mim? Você não atendeu minhas ligações. Não respondeu meus e-mails. Você simplesmente sumiu.
– Por favor, não vamos falar sobre o que já passou.
– Iza, eu preciso saber, o que aconteceu?
– Artur, o que aconteceu foi um erro, nós nunca deveríamos...
Eu perco a fala, quando sinto seu toque, ele segura meus braços me puxando pra perto dele, quase encostando seu lábio contra o meu. Eu posso sentir o gosto dele de tão próximo ele está de mim. Eu puxo meu braço, fazendo com que ele me solte e se afaste.
– Realmente foi um erro. Mas o erro foi meu, eu fui um babaca de te mandar embora aquele dia. Eu fiquei assustado, com vergonha, você é minha prima, caramba, eu cresci te amando como irmã, eu sempre te protegi, sempre afastei os canalhas de perto de você, eu não tinha o direito de ser um. Por favor, me perdoa. Eu vivi o inferno esses dois anos achando que você me odiava. Você era minha melhor amiga. Eu não quero que você se afaste de mim, agora que você voltou.
Amiga? Amiga. Isso somos amigos. Primos. Nada além disso. Isso me machucou profundamente. Por mais que fosse o certo, eu queria poder acreditar em mais, mas não era permitido. Mesmo se ele quisesse, nossa família jamais aceitaria. E eu sei que seria impossível construir uma família ao lado dele.
– Artur, não importa mais, já passou. É claro que somos amigos. Você é como um irmão pra mim, e o que aconteceu, fica no passado. Nós tínhamos bebido, e agimos sem pensar. Eu já estava de viagem marcada lembra?
– Mas a sua viagem iria demorar 1 mês, Iza.
– Artur, realmente eu precisava me afastar, eu estava confusa, com vergonha e com medo de perder sua amizade. Eu errei em ir embora sem me despedir, mas quem não erra né? – Eu disse tentando manter a serenidade, por que minha vontade era pular no pescoço dele e beija-lo até o dia amanhecer.
– E por que você não me atendeu ou respondeu meus e-mails?
– No inicio pelos mesmos motivos que me fizeram antecipar minha viagem. Depois muita coisa aconteceu. Eu me mudei, o número do meu telefone mudou, perdi minha conta de e-mail, e você parou de ligar.
– Eu tive que parar de pensar em você, e no que eu tinha feito. Eu estava ficando louco sem noticias suas. Minha mãe estava percebendo que meu descontrole era por sua causa. E eu não podia complicar mais as coisas. Eu ainda morava com ela.
– Você não mora mais com seus pais? – Eu perguntei, com um medo de que ele estivesse morando com alguma namorada.
– Não mais. Eu moro sozinho, já tem mais de um ano. Não fica longe daqui, você quer ir conhecer minha casa? – Percebi um brilho diferente nos olhos dele, uma certa ansiedade.
– Artur, eu vou conhecer sua nova casa, mas não hoje. Já é muito tarde, eu preciso descansar e você também.
– Tudo bem, mas você vai jantar comigo terça, pra você conhecer meu apartamento e nós matarmos a saudade?
Será que eu consigo jantar com ele, no novo apartamento e me controlar? Não estou conseguindo me controlar aqui no jardim de casa, com meus pais dormindo lá dentro e meu irmão e seus amigos na piscina. Como vai ser quando estiver juntos em um apartamento, sem nenhuma supervisão?
– Combinado. Eu disse sem muita certeza na voz, que ele parece não ter percebido.
– Ótimo, te pego às 19:00.
– Ok. Boa noite e obrigada por ter vindo.
– Não precisa agradecer. Eu não perderia sua festa de boas vindas por nada nesse mundo. Você é a pessoa mais especial do mundo pra mim. Boa noite, Iza. Dorme com Deus.
Ele me deu um beijo no rosto e foi embora. Eu comecei a tremer, um pouco de frio e muito de nervoso.
– Oh meu Deus, foi tudo como tinha que ser, ninguém percebeu nada, ou melhor, ele não percebeu.
Ainda bem que esse dia acabou, emoções demais pra um único dia. Cama, preciso deitar e dormir. E é isso que eu faço, assim que subo tomo um banho quente coloco um pijama confortável e deito na minha antiga cama, o sono logo chega.
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