Eu Odeio Você!!!
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Boa leitura e feliz ano novo!!!
- Ocê num devia ter me procurado... – Sai andando. – Num tenho nada que falar com ocê!!!
Viviane – Chico... Eu só vimaqui pedi discurpa por tudo que eu fiz...
Chico (Desconfiado) — Discurpa?
Viviane (Envergonhada) – Eu num sei onde enfiar minha cara... – Sem graça. – Sabe Chico.... Eu sempre tive olho procê... – O garoto fica vermelho e pensa em se afastar, ma s viviane é mais rápida. – Num é esse tipo de olho que ocê tá pensando... Chico... Ocê sempre me tratou bem... Eu sempre quis se sua amiga, mas nunca tive coragem de me aproximar...
Chico (Surpreso) – Ara Viviane... Pru que ocê nunca me disse isso antes? Como ocê tá me dizendo agora?
Viviane –É que eu penso que agora que ocê vai precisar de minha amizade... Eu num sabia como chega em ocê... Mas quando eu descobri me deu tanta pena... – Cabisbaixa – Que eu fiz aquilo com ocê de vingança... – Começa a chorar compulsivamente. Chico, confuso acaba puxando a garota para se sentar em um dos bancos, vai até um bar e compra uma água, traz a Viviane. Ele também estava nervoso! O que afinal a menina queria?
- Ocê tá nervosa por dimais... Me conta logo o que aconteceu...
- É horrivér Chico!!! Eu to com vergonha só de conta!!! A Rosinha...
- FALA LOGO VIVIANE!!! – Ordenou o garoto. Estav tão aturdido com o estado de Viviane que a sacudia pelos ombros tentando arrancar alguma coisa.
- A ROSINHA E O TIÃOZINHO TEM UM CASO!!!
- QUE? – Perguntou não acreditando em nenhuma palavra da garota. – Ora Viviane eu num vou mais perde meu tempo!!!
Viviane – Mas é tudo verdade!!!
Chico (Firme) – Num crêdito em palavra nenhuma!!!!
Viviane ( Corajosa) – Porque tá sendo tonto!!! Pior cego é aquele que não quer ver, Chico Bento, mas é tudo verdade!!! Você se lembra porque o Tião te deu aquela surra? – Uma pequena platéia já assistia a discussão dos dois. A rodoviária ficava em frente ao bar do Nhô Zico, um dos pontos mais freqüentados pelos peões de toda redondeza. Aquele dia estava cheio e os fregueses que acompanhavam a briga do casal estavam interessados no desfecho.Viviane cresceu com o publico. – Ele não falou aquilo por falar não!!!A Rosinha tem sim um caso com ele e eu vi os dois juntos!!! – Chico ia levantar o braço, mas um velho conhecido impede de fazer uma besteira. Nhô Lau segura a mão do garoto não deixando que ele agrida Viviane.
- Deixa essa garota falar Chico e ruma pra sua casa!!! – Mesmo com o sangue quente o garoto sabia que aquela era melhor atitude. Nunca encostou a mão em mulher nenhuma e não seria agora que iria começar. Nhô Lau estava certo.
- Pode me sorta Nhô Lau, eu num vo me suja com isso... – Disse desdenhando de Viviane. Mesmo assim ela não se satisfez.
- Só to tentando abri seus zóio Chico... O Tiãozinho me enganou com aquela ali como ocê tá sendo enganado... Só que o seu caso é bem pior que ocê tá se prendendo pru causa dela... Eu soube que ocê foi chamado pra trabalha em Sum Paulo... – Diacho de povo linguarudo! – Ocê acha que ninguém repara no seu olho que ocê tem vontade de ir... Inda mais depois que fico suzinho? – Solta um riso irônico. – Sabe como eu sei? – Pausa. – Eu já senti isso antes!!! – Outra risada jocosa.
-Me deixa em paz!!!
- Será que é na paz memo que ocê que fica? Tem certeza que as luzes da cidade grande não é pra ocê? Aqui é tudo tão bonito, tão calmo, tão belo? Mas será que isso que é futuro?
– Ingerir aquelas palavras não estava sendo nada fácil. – Ocê que paga de bocó, que pague, mas saiba que tá jogando a chance da sua vida pela janela!!! Bom... A vida é sua e eu não vo me mete mais nela... Com licença...
- É bom memo!!!-Disse antes de pegar o rumo de casa.
- Espera Chico, eu levo ocê... – Nhô Lau ofereceu, estava de jipe. No bar todosfalavam da discussão e ele não queria fazer parte daquele circuito de fofocas. O melhor era ir embora. Chico agradeceu, mas preferiu caminhar precisava pensar.
Que diabo que aquela maluca implicou com ele? Estava tudo tão bem... Será que ela dizia a verdade? Sobre Rosinha e Tiaozinho, tinha certeza que não! Mas e o resto? Não deixava de gostar da roça, dos banhos de riacho, da roda de viola, da prosa do fim de tarde e dos pés carregados de goiaba. Aquilo tudo sempre fez parte do Chico Bento. Mas... Sempre tinha um mas... Aquela carta mexia em seus brios. Que garoto de 18 anos não sentiria atentado com uma proposta de emprego em uma cidade desconhecida, tendo moradia e comida garantidos? E que garoto não sentiria ainda mais atraído sabendo que seus melhores amigos foram para esse lugar? Ele não sentia! Era feliz com a simplicidade daquele lugarejo. Era bicho de rio e de mato. Defendia aquela gente, aquele lugar porque amava aquilo e nunca passou pela cabeça em sair dali, mas já que tinha tanta certeza porque não amassava a carta e jogava fora? Queimava? Forrava a gaiola dos passarinhos?
Não fechava dentro da gaveta e deixava esquecida lá. Será que era isso que fazia com sua real vontade? Trancava numa gaveta e esquecia? Será que o futuro o reservou somente aquilo? Pés de goiaba carregado, rodas de viola, prosa fiada, banhos de rio e o noivado com rosinha. Será que o futuro reservou Rosinha?
Lembrava das palavras de Viviane, da despedida de Zé Lelê e, sobretudo, de Zé da Roça.
Flashback
-Iscuita... Cê um dia ocê precisa de um lugar pra ficar lá em Sum Paulo, de dinheiro ou de um amigo, se num pensa duas veiz... – Sobe no degrau do ônibus que começa a se deslocar.- Fechado?
Chico faz um movimento de positivo com o dedo e fala alguma coisa que por meio de leitura labial, Zé entende que é “fechado.”
Fim de Flashback
“Besteira. É só começo de saudade daqueles dois,” concluiu. Ao chegar em casa abriu a gaveta e retirou a carta, decidido em queimá-la. Quando estava com o fósforo próximo do papel, ouviu a voz do pai da sala.
- Chico, sua mãe preparou doce de abóbora... Vem comê!!! – Deixou o fósforo e a carta de lado. O doce de abobora de dona Cotinha era imperdível. A carta que esperasse.
Um pouco distante dali, Rosinha termina de fechar a escola. Dava aulas noturnas de alfabetização para adultos. Já passava das dez da noite trancou a porta, pronta para ir para a casa. Sentiu uma mão de pele grossa tocar em seu ombro.
Chico? – Perguntou contente.
- Não é ele... – Tiãozinho respondeu em um tom sério. – O Chico Bento sumiu Rosinha.
Rosinha -QUE? – Desesperada. – Tiãzinho, pela amor de Deus, diz que é brincadeira...
Tiãozinho – Né não... Viram ele na rodoviária e depois sumiu!!! O coronel mando a peonada toda procura por ele... A única coisa que nóis sabe é que ele foi embora a pé rumo ao Riberão...
Rosinha – Ele foi pro Riberão á noite? Mas e se um bicho pega ele?- Começa a chorar desesperada. – E se acontece uma coisa com ele, sozinho naquela mata?
Tiãozinho (Sem graça) – Ele num tava sozinho... Tava com a Viviane...
Na hora Rosinha sentiu uma fisgada no peito. Parecia até ser uma picada de alguma cobra venenosa.
Tiãozinho – Rosinha?! Ô Rosinha ocê tá bem?! – Pegou no braço dela. – Ocê tá gelada. O que tá acontecendo com ocê?
Rosinha — Tiãozinho ocê tá a cavalo? – O garoto apenas confirma com a cabeça.– Então eu vo junto com ocê procurar o Chico!!!
Tiãozinho – Mas Rosinha...
Rosinha já montava em seu cavalo e estava á espera de Tiãozinho.
- Anda logo homem que nóis tem muito que anda...
- Já que você insiste... – Montou em seu cavalo e galoparam lado a lado rumo a região do Ribeirão. Rosinha tinha mordido a isca. O plano de Genésinho dava certo.
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-Magali, tem certeza que isso vai dar certo? – Pergunta cascão, ainda temeroso.
Magali – Claro que vai... Eu mando a mensagem de celular da Mônica, é só a gente mandar a mensagem para o Cebola pra ele passar no anfiteatro e depois seguir coma parte B...
Cascão – Que é a mais difícil, para variar... – Recebe um beijinho de incentivo da namorada. Orgulhoso. – Mas eu sou o cara e consigo a chave no mole...
Magali – É bom mesmo que consiga... Vou desenvolvendo a parte A, ok? – Vê Mônica entrando no portão da escola. Acena. – Mô, aquiiiii!!!
Cumprimentam-se com um beijo.
- Nossa Maga, saiu cedo de casa, hein? Passei lá e já tinha sumido... – Acena ao sujinho. – Tudo bem Cascão?
Cascão – Beleza Mônica? Aí tenho um convite pra vocês...- Retira uns panfletos do bolso.- Eu ganhei uns flyers de uma festa hoje, você não quer ir? A Maga e eu vamos, né amor? – Disse dando um beijo em seu rosto. – Chama o Flavinho...
Mônica – Não dá, hoje a gente vai fazer a prova do figurino da peça, já confirmei com todo mundo... O Flavinho também tem que experimentar a roupa dele. A peça já é no próximo fim de semana. Mesmo assim,brigada Cas...
Cascão – De nada... – Despedindo-se. – Eu vou ver se o Cebola quer... Já volto... – Saiu correndo para executar a parte mais difícil do plano. Conseguir a chave do anfiteatro.
Magali pega seu celular, hora da entrada logo o sinal toca. Hora também de por sua parte do plano em ação. Fingiu que o celular estava com algum problema.
-Mô, eu precisava falar com minha mãe agora, mas meu celular acho que tá sem crédito, empresta o seu pra ligar pra ela.
Mônica – Claro aqui es... –BEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEM. – Na classe você me devolve...
Assim que Mônica se encaminhou para sala de aula, Magali sentou no banco e mandou para cada integrante do grupo de teatro que Mônica pertencia, uma mensagem desmarcando o encontro para a provação de figurino. Flavinho foi o ultimo dos contatos que mandou. Apagou todas as mensagens da caixa de saída. Mas faltava uma pessoa. Procurou o nome do troca letras na lista de Mônica e mandou o seguinte recado. “Espero você no Anfiteatro da escola: Acho que precisamos conversar, por favor não falte. Bjo Mô.”Após mandar, excluiu a ultima mensagem e foi para a sala de aula. Se fosse outro aluno Rubens daria bronca, mas Magali quase nunca deslizava em suas aulas apenas assentiu com a cabeça sua entrada. Após ocupar o seu lugar devolveu o celular a dentuça.
- Obrigada Mô!!!
A amiga de Magali volta a prestar atenção na aula. Já a comilona se ocupa em perguntar ao namorado através de leitura labial se ele tinha conseguido executar sua parte do plano.
- Consegui!!!
- Ótimo Cascão. Então como você foi o único que conseguiu, não vai importar em fazer o exercício da página 96 na lousa, não?
- Imagina fêssor... – Disse levantando-se, com vontade de enforcar Magali, mas disfarçando em um sorriso amarelo.
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- Como sumiu dona Marocas?! – Chico perguntou espantado. Dona Marocas, ex professora de Chico, Zé Lelê e toda garotada da região, conhecia o garoto muito bem e sabia que as palavras que ia dizer o deixariam nervoso.
-Ontem a noite eu deixei ela fechando a escola e fui embora, depois ninguém mais viu a Rosinha...
-Ela não passou a noite em casa? – A professorinha, ponderada como sempre apenas fez um não com a cabeça dando fim ao dialogo.
O Ribeirão da Vila Abobrinha ficava bem afastado do centro da cidade. Casas de madeira predominavam na beira das águas. Mulheres lavam roupa e davam banho em seus filhos que brincavam nus dentro do rio. Aquelas famílias se sustentavam de pequenas criações de galinhas e plantações. Quando a família de Genésinho adquiriu um terreno próximo ao local e começou a construir um hotel de grande porte chamado Resort das águas, muitos chefes daquelas famílias foram trabalhar na obra. Chico e outros peões também trabalhavam para Genésinho. Após perceber o grande desmatamento que a obra estava causando e o atraso nos pagamentos, em protesto Chico pediu as contas e resolveu atrasar a obra acampando no terreno, até o filho do coronel Genésio assinar um documento garantindo a preservação das arvores e pagar os roceiros. O garoto foi muito persistente. Ficou dias acampado chegando até brigar coma namorada, mas fez Genesinho ceder.
A esperança de Rosinha era que Chico tivesse saído tarde da rodoviária e tivesse pernoitado na casa de um dos roceiros, já que a casa de dona Cotinha era mais distante do centro. Junto a Tiãozinho perguntou de casa em casa, mas a resposta era a mesma, Chico não tinha sido visto.
- Só resta a outra margem? – Perguntou desanimada a Tiãozinho.
A Margem esquerda do Rio não era habitada. Floresta pura. Mata fechada que poucos sabiam se guiar, e levava a um atalho até a casa de Chico. Será que ele seria tão louco de enfrentar á floresta,á noite?
- Ocê num é doida de entrar naquela mata!!! Aquilo lá é só pra homem armado, é cheio de onça, de cobra de...
- Se o Chico entro mais aquela sirigaita eu também posso entra!!! Ocê vem comigo ou não? – Disse já dando galope no cavalo.
-Ará... – Tiãozinho resmungou, sem saída, correndo atrás de Rosinha.
Cavalgaram uns quinze minutos ate chegar na floresta. Chamaram pelo nome do garoto e de Viviane diversas vezes. Nada!!! Foi então que Rosinha avistou uma velha construção de madeira, cheia de teias de aranha.
- Dizem que era do pai do pai do coronér Genésio... – Informou o peão. Rosinha ficou um bom tempo admirando, quando ouviram a primeira trovoada e logo a água caiu sem avisos. Malditas chuvas de verão!!! Correram para dentro. – Melhor espera o temporar passar...
E era melhor mesmo. Além da chuva atarapalhar a busca, servia de descanso para os dois que tinham montado a noite toda no lombo dos cavalos.
Rosinha encharcada tinha apenas um pensamento.
“Será que ele pegou essa chuva?!”
A menina encostou-se à rede e acabou cochilando em seus pensamentos. Logo Tiãozinho pegou o rádio que trazia no bolso e comunicou com Genésinho.
- Seu plano vai sair bem melhor que nóis tava pensando...
- Já falei com o Chico, a peonada toda tá procurando você e a Rosinha... Daqui uma hora e meia, mais ou menos, estamos chegando! Segura ela aí, ok? – Respondeu o loirinho que em seguida desligou. Tiãozinho sorria satisfeito ao ver Rosinha na rede. Arrancou a camisa encharcada e acomodou-se ao seu lado. Abriu o zíper da calça.
- Vai ser bem melhor do que eu pensava... Bem melhor!!!
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O sorriso de Zé Lelê, sem duvida, era o maior de todo o ônibus. Falou sem parar a viagem inteira. Os passageiros que desciam estavam irritados. Além do corpo todo moído o percurso tinha sido cansativo. Zé da Roça não pulava de alegria como Zé Lelê, estava com sono. Mas por outro lado, finamente tinha chego a São Paulo.
- Nem crêdito que nóis cheguemo!!! – Exclamou o loirinho segurando uma frasqueira inseparável e que Zé da Roça ignorava o conteúdo.
- ô Zé, cê já falou isso uma deiz vez...
- É que eu num crêdito memo!!! E finarmente eu vou vê minha noiva...
-Dá pra anda e fala menos!!! Que coisa!!! – Esbravejou Zé da Roça. Enquanto o loirinho andava, um barulho esquisito saia da tal frasqueira que tinha furinhos. – Que isso hein Zé?
- Presente... Presente pra noiva de eu!!!- Chega na porta do ônibus. – Finarmente ar puro de Sum Paulo!!! – Respira com toda força dos pulmões e se engasga. Um passageiro impaciente empurra os dois.
- ANDA PASPALHO!!!
Lá fora,
Todos os corações procuram a sua órbita
Novas propostas pro mundo
Novos encaixes pras coisas
- SÓUM IDIOTA PRA CHAMAR ISSO DE AR PURO!!! – Reclama outro também empurrando.
Que ainda não estão no lugar
Atento às diversidades
Em busca da chacrete espacial
É preciso provar das loucuras
Ativar novas possibilidades
De volta ao Planeta dos Macacos
- Desce logo senão nóis vai perde as mala Zé!!! – Apressou Zé da Roça enquanto corria para junto do bagageiro do ônibus, o motorista ia retirando as malas. Zé Lêle ia descarregando quase toda sua bagagem, quando um trombadinha, aproveitando da ingenuidade do garoto se ofereceu em “ajudar” com uma das malas. Quando o garoto ia sair correndo foi freado por Zé da Roça que tomou a mala de volta.
- O moço parecia tão boa gente!!!
- Tem que ficar com os zóio bem aberto com esses espertinho Zé!!!
Nana Banana Nanananana Banana
Nana Banana Nanananana Banana
Na saída da rodoviária uma avalanche de motoristas ofereciam.
- TAXÍ, TAXÍ, TAXÍ!!! – Tentavam atravessar, mas não sem esbarrões, encontrões e tropeços. Pareciam que a cidade toda estava partindo ou chegando. Nada lembrava a pacata estação da Vila Abobrinha.
Macacada reunida
Rapazeada sambando, xingando
Rodando na pista
O transito fora da rodoviária era intenso. Tanto de carro quanto o de pessoas. O número de ambulantes vendendo quinquilharias também era grande. Ficaram uns dez minutos tentando atravessar a rua. Mesmo assim correram para chegar ao outro lado da via.
Macacada reunida
Galera pelejando e dançando
Procurando uma saída
Zé da Roça tentou para alguém para pedir informação, em resposta recebia vários não ou caras viradas. Um barulho estrondoso vinha do céu. Será que era chuva?
É...cê não tá sabendo não?
Agora é lei: \"Cada macaco no seu galho\"
Olharam para cima. Um majestoso avião sobrevoava entre os arranha-céus. Devia pousar no aeroporto que tinha próximo. Nunca tinham visto um tão de perto. Zé da Roça chocado com a vista retirou o chapéu e ficou observando a aeronave desaparecer.
-Ará... – Admirou-se boquiaberto, ainda olhando para o céu, quando sentiu uma trombada. – Ará discurpa eu!!!
Nana Banana Nanananana Banana
Nana Banana Nanananana Banana
- Imagina não foi nada... – Respondeu a moça loira. Encarou o garoto de cima baixo. Tinha simpatizado com ele. – Hey, você veio da Vila Abobrinha?
- Cê conhece ela Zé?! – Zé Lelê perguntou, admirado coma eleza da moça que sorria para os dois.
Que tá faltando emprego no planeta dos macacos
- Só por telefone... Vocês devem ser Zé da Roça e Zé Lelê né? Eu sou a dona do apartamento do Limoeiro, que vocês alugaram o quarto...
-Ará então ocê é a Xabér, que falei no telefone!!!! – Deduziu Zé da Roça. Com a confirmação da garota, apertou sua mão. – Prazer Zé da Roça... E esse e o...
- Zé Lelê... Ele tem cara de Zé Lelê mesmo!!! – Disse já ganhando a simpatia dos meninos. Olhou as malas em volta. – Eu sabia que vocês iam vim de bagagem, peguei o carro da mamãe emprestado!! Bora?
Zé da Roça – Bora, ará!!!
Após guardarem tudo no porta malas, entraram no carro. Zé da Roça no carona, Zé Lelê atrás. Enquanto dirigia ia conversando com os garotos, conhecendo-os mais. Tinha voltado para o Limoeiro há pouco tempo. Não quis ir para a casa dos pais. Tinha economizado um dinheiro e deu pra comprar um apartamento de dois quartos, no mesmo prédio que Marina, Titi e Jeremias. Mas estava sentindo muito só e resolveu alugar um dos quartos. Pela internet fez acordo com um garoto chamado Genésinho que explicou a situação dos dois. Alugou o quarto. Para eles até que era bom. Era sempre melhor se enturmar com um entendido da cidade nos primeiros dias para não ficar tão por fora. Olhava os dois de rabo de olho. Ficavam com os olhos colados em cada paisagem paulista. Já tinha se sentido assim quando saiu da casa dos pais e foi para o Rio. Sabia a sensação de susto e liberdade de cada um.
- E então, qual é a primeira coisa que vão querer fazer quando chegarem em casa?
- Ará toma um banho!!! – Respondeu Zé da Roça.
- Eu quero é vê a minha noiva!!!
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Embora tivesse suas adversidades com o garoto, Chico não tinha mais a quem apelar. E Genésinho bem que estava sendo generoso. Além de liberar a peonada em procura de Rosinha, ele próprio pegou seu cavalo e foi lombando ao lado de Chico. Mas a situação estava critica, não tinham mais aonde ir. O loirinho percebia que o outro já estava desesperado quando sugeriu tentarem buscar no outro lado do rio, que não era habitável. Assim que a chuva deu trégua seguiram caminho.
- Quem sabe ela foi tentar pegar um atalho e ficou perdida...- Disse.
- Então borá ruma pra lá!!! – Decidiu Chico. E foi que fizeram. Chico Genésinho e mais de quinze peões atravessaram o rio. Procuraram e todos os cantos da mata, até que Genésinho seguiu até a cabana abandonada. Chico logo reconheceu Cipó, o cavalo de Rosinha.
- Se ocê tá aí a rosinha também tá, né Cipó... Rosinha!!! – Continuou a chamar. — Rosinha!!! – Entrou na cabana. – Rosinha!!! – Deu mais alguns passos e então se deteve.
- Rosinha?
A cena parecia de um filme de terror. A menina cochilava, acomodada no peito da pior pessoa do mundo. Tiãozinho. Ele estava sem camisa e coma braguilha aberta, também dormia. Os olhos encheram de lágrima, preferia ficar cego a ver aquilo. A voz de Viviane , impregnada em seus ouvidos, cheia de ironia dizia:
- Só to tentando abri seus zóio Chico... O Tiãozinho me enganou com aquela ali como ocê tá sendo enganado...
- ROSINHA!!!!! – Gritou cheio de dor e ódio. A garota desperta sem entender onde estar e se da conta de Tiãozinho. Empurra-o.
- Chico? – Pergunta espantada. O garoto movido a ódio apenas faz um movimento negativo com a cabeça querendo não acreditar nas palavras da menina e de Tiãozinho que “afirmava” que não tiveram nada de sério. Ao fundo Genésinho esboçava um sorriso de vitória.
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Assim que tocou o sinal da saída a sala de aula do terceiro ano do ensino médio do Limoeiro ficou vazia. Cada um atrás de seus afazeres. Dorinha se encaminhava a saída, quando sentiu uma mão em posar em seu ombro e em seguido um perfume de menta.
- Oi namorada!!!
- Me deixa em paz Do Contra, por que você não vai encher a sua namorada de verdade hein?
- Só quero acompanhar a dama até em casa, não se pode mais ser cortes?
-NÃO!!! – Disse curta e grossa. Um rapaz de sotaque caipira e com uma roupa bizarra aproximou do casal.
- Tarde!!! Ocê estudam na escola do Limoeiro...
-Não!
-Sim! — Respondeu Dorinha desmentindo do Contra.
-Ará então ocês podem ajudar eu encontrar minha noiva...
-É alguma professora da escola?
- Não é aluna memo!!!
-E qual o nome dela? – Perguntou a garota.
- Dinisi!!! – Zé Lelê respondeu orgulhoso. – Ocês conhecem?
Do contra olhou a figura de cima a baixo. O roceiro vestia um terno que parecia que o defunto de cima era maior, já que as mangas eram largas e cumpridos e o de baixo era menor. As pernas da calça batiam na canela do garoto. Uma camisa verde marca texto abotoada até o pescoço contrastava com o terno puído marrom claro. Um chapéu de caubói, botinas e uma frasqueira que fazia um barulho esquisito arrematavam o visual. O noivo parecia ter saído de uma quadrilha de São João.
- Então você é o noivo da Denise? – Perguntou o garoto segurando o riso. Dorinha sabia que alguma coisa tinha de errado. Se Do Contra estava se divertindo, aquilo tinha cheiro de furada. Tentou salvar Denise.
- Não sei se ela veio hoje... Eu vou ligar pra ela e avisar pra procurar você outra hora... – Começou a discar.
- Viu Zé... É melhor ocê procurar sua noiva outro dia... – Tentou também Zé da Roça. Se dava conta do papelão que o amigo estava prestes a fazer.
- Que outro dia que nada. – Tomou o celular da mão de Dorinha.
-DO CONTRA!!! – Censurou a garota em vão.
- Denise, oi, tem uma pessoa te esperando aqui fora... O nome? Qual é mesmo seu nome?
- José Leôncio.
- José Leôncio!!!
Assim que desligou o celular na cantina, Denise falou em alto e bom som para que todos escutassem.
- O José tá aí fora!!!
-O José? – Repetiram todos. Já sabiam bem quem era o José, Denise só falava nisso a quase três meses. Muitos duvidam que ele fosse de verdade. Estavam curiosos para saber quem era o tal do José. Denise, acompanhada de Mônica, Magali, Cascão, Cebola, Carmem, Aninha, Xaveco, entre outros conhecidos, correu para a saída para enfim conhecer o seu príncipe nórdico. A ruivinha logo viu Do Contra, Dorinha e um menino parados na saída, passou por um maltrapilho que vestia um terno horrível que segurava uma mala e perguntou ao irmão de Nimbus.
-Cadê ele?! – Olhou para os lados, não viu ninguém que poderia ser o rico fazendeiro. — Isso é hora de trote? Brincadeira mais sem graça Do Contra!!!
- Mas o seu noivo esta ali!- Disse apontando o risonho Zé Lelê que já reconhecia a ruivinha e lhe acenava.
- E vê se num é a noiva de eu!!!
- Noiva? – Perguntou Carminha, espantada como todos.
Denise parece em estado de choque.
De volta ao Planeta dos Macacos
Nana Banana Nanananana Banana
Nana Banana Nanananana Banana
- Ará, ela é noiva de eu!!! Num é não Dinise? – Disse abrindo os braços, pronto para receber um abraço.
- Eu acho que eu não me sentindo bem... – Denise disse em um fio de voz, antes de desmaiar entre os braços de Mônica e Aninha.
Nana Banana Nanananana Banana
Nana Banana Nanananana Banana
-Denise!!! – Gritaram tentando ampara—la.
Nana Banana Nanananana Banana
Nana Banana Nanananana Banana
Macacada reunida
Rapazeada sambando, xingando
Rodando na pista
Macacada reunida
Galera pelejando e dançando
Procurando uma saída
É...cê não tá sabendo não?
Agora é lei: \"Cada macaco no seu galho\"
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