Notas iniciais
Eu amo sofrer rsrsrsrs

Hoje faz dois anos da nossa derrota no Interhigh pro Aominecchi.

Eu ainda continuo gostando do senpai.

Isso me deixa meio triste.

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Kasamatsu-senpai escolheu fazer faculdade na cidade vizinha, então nós nos vemos com certa frequência, principalmente porque ele concordou em me ajudar a estudar pra entrar pra faculdade também.

Quero ir pra mesma que ele.

Eu odeio o terceiro ano.

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—Kise, presta atenção.

—Eu tô prestando atenção.

—Você colocou que 3 x 3 é 6, seu idiota.

—A culpa não é minha que Matemática é difícil. — jogo o lápis na mesa.

—A culpa é sua por fazer a Matemática ficar mais difícil do que ela já é. Se você se esforçasse um pouco mai-

—Eu tô me esforçando. — senpai cerra os olhos. Respiro fundo, deitando a cabeça sobre o caderno e fechando os olhos — Desculpe, não quis te responder, senpai. Eu só tô nervoso e estressado.

"E tô de saco cheio de gostar de você e não ter coragem de falar. Eu só quero..."

"Quero saber se você gosta de mim também."

Sinto uma pancada na cabeça, mas mesmo assim sorrio.

—Seu cabeça-oca.

Kasamatsu-senpai suspira e coça a nuca.

—Vamos fazer uma pausa.

—Oh, Deus, sim. Por favor.

Jogo-me para trás e deito no chão. Encaro o teto por um tempo. Ouço o barulho do teclado quando Kasamatsu-senpai digita no celular; ouço os carros lá fora e o rangido da madeira quando o senpai se apoia numa mão e encara meu rosto como se estivesse tentando descobrir alguma coisa.

Ele não tem que descobrir nada. Eu vou falar pra ele. Preciso falar, ou não vou conseguir me concentrar em mais nada, e... Eu preciso saber da resposta. Mesmo que isso arruine nossa amizade.

Eu prezo tanto nossa amizade. Seria péssimo terminá-la desse jeito.

Não posso fazer mais nada. Eu preciso falar pra ele. Se sair tudo bem, ótimo. Se não, acho que está na hora de seguir em frente.

Dois anos é tempo demais.

—Senpai.

Ele continua me olhando, e eu tenho vontade de rir. Meu coração acelera um pouquinho, mas tudo sai naturalmente.

—Eu gosto de você.

Ele ainda me encara seriamente, e sua expressão não muda.

—Eu gosto de você desde aquela derrota no Interhigh, e só agora tive a coragem de falar. Eu preciso de uma resposta. Eu preciso saber se você também gosta de mim.

Encaro o rosto sério do senpai, esperando algum tipo de reação. Passam-se dez segundos de absoluto silêncio; os olhos dele brilham, e meu coração tá batendo mais rápido agora. Minha boca está incrivelmente seca.

—Gosto.

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Não tenho certeza de como fui nas provas. Só espero ter ido bem pra poder entrar na mesma faculdade que o senpai. A outra que escolhi fica longe. Espero que eu passe na dele.

Não sei dizer direito o que tá acontecendo entre a gente, mas acho que estamos, de certa forma, juntos. Ele gosta de mim e eu gosto dele. A gente se beija e dorme um na casa do outro e vai no cinema. De qualquer jeito, nenhum de nós ainda pronunciou a palavra "namorado". Não sei como me sentir sobre isso.

Tudo bem. Só de estar com o senpai eu fico feliz. Não preciso de um título. Quero a companhia dele.

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Uma semana depois, o senpai disse pra gente se encontrar no banco da pracinha. Eu cheguei lá e imediatamente soube que não era coisa boa.

O olhar na cara dele era meio triste e meio impaciente.

—Não tá funcionando — ele disse, parado na minha frente com as mãos nos bolsos.

—Não?

—Não. A gente é diferente demais.

—É verdade. Mas e daí? A gente sempre se deu bem.

—Só porque a gente se dá bem não quer dizer que nos damos bem como... como casal.

Eu literalmente sinto alguma coisa dentro de mim morrer.

—Olha, Kise, você tem as suas coisas, as suas rotinas, os seus hábitos e jeitos, e eu tenho os meus. Eles não se encaixam muito bem. A gente é diferente demais. Não tamo dando certo.

Ele evita olhar nos meus olhos a todo custo, mas eu não consigo parar de encará-lo.

—Por isso eu acho que a gente deveria parar de, sei lá, sair. Seguir em frente, conhecer outras pessoas.

Ainda bem que eu não falei que tinha passado na prova da mesma faculdade que ele. Acho que vou ter que escolher a outra agora.

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Olho pra garota na minha cama e tenho vontade de vomitar.

Ela é bonita e engraçada e legal. Ela daria uma ótima namorada. Ela é o que todos os caras querem, e eu me sinto enjoado só de olhar pra ela.

Acho que nunca vou ser feliz com outra pessoa a não ser ele.

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Não sei se acredito em destino ou se foi pura coincidência, mas alguma coisa aconteceu pra ele ter entrado no bar hoje.

Nunca me senti mais miserável.

Aquela vez na pracinha foi a última vez que a gente se viu. Nunca ia suportar olhar pra cara do senpai de novo depois daquilo... Porque, para mim, a gente se dava bem, e dava certo.

Nunca dei tão certo com alguém do que com o senpai. E fazia dois anos desde a última vez que a gente se viu.

O cabelo dele estava um pouco mais comprido, mas o resto continuava igual — para a minha desgraça. Ele entrou sozinho e sentou no banco, olhando para o celular.

—Posso pegar seu pedido?

Acho que ele reconheceu minha voz, porque ergueu os olhos no mesmo segundo e abriu a boca.

Os olhos dele... Sempre foram meu ponto fraco. Continuam da cor do céu.

Kise Ryouta, você é um filho da puta de um masoquista.

—Ki- — ele parece meio bobo — Kise.

Estava doendo tanto que mal conseguia sentir outra coisa. Não estava feliz de encontrá-lo. A única coisa que eu queria era ir para casa e enfiar a cabeça no travesseiro.

E talvez chorar um pouquinho, porque a gente dava muito certo.

—Já escolheu o que vai querer?

Acho que ele percebeu que eu não estava muito a fim de papo, por isso respondeu:

—Me dá uma Bloody Mary. — viro para pegar a vodka, mas ouço sua voz novamente — Depois dessa, acho que vou precisar de um shot de tequila também.

—Acho que vou ter que te acompanhar nessa.

O bar estava vazio e o chefe não estava por perto, então não teria problema.

Pego dois copinhos e encho de tequila até a boca. Entrego um a ele. Nós brindamos e tomamos tudo num gole só. Isso arde, mas é bom.

Viro para fazer o drink dele.

—Nunca pensei que fosse te encontrar aqui — ouço-o suspirar. — Você sempre disse que odiava bares.

—Eu odeio, mas preciso pagar minha faculdade. — minha boca está incrivelmente amarga, mas continuo preparando a bebida, tentando distrair a cabeça.

Ele adora bares.

—Eu estava pensando em você esses dias.

Ah, ele pensa em mim? Pensei que fosse o único. Afinal, quem disse que "a gente não dava certo" foi ele, não eu.

Quero dizer, por que ele tá aqui? Por que ele tá falando comigo? Isso não é justo.

—Estava pensando no Interhigh daquele ano, e aquele tempo que a gente saiu... Foi bem legal.

Bato o copo no balcão com mais força do que o necessário, derramando um pouco da bebida. Por algum motivo estou com uma vontade louca de dar um soco na cara dele.

Foi?

—Foi.

Estico a mão e seguro na gola da camisa dele, apertando-a com força. Não consigo acreditar que estou ouvindo isso. Não consigo acreditar.

Meu coração bate rápido. Fazia tempo que não ficava com tanta raiva.

—E depois que a gente, hm, terminou, eu comecei a sair com outras pessoas, mas eu me toquei de uma coisa.

Eu quero muito ir pra minha casa agora.

—Eu me toquei que... — ele até sorri um pouco por trás da feição triste — Que eu nunca vou conseguir ser feliz com alguém a não ser você, Kise.

Ele tem razão. Ele tem razão quando diz que nós somos muito diferentes e que não damos certo. Eu que não percebi na época. Nós brigávamos toda hora, e logo depois estávamos rolando no chão no meio das roupas aos beijos. E depois a gente brigava de novo. E de novo, e de novo, e de novo.

A gente é muito diferente, mas dessa vez as diferenças não se atraíram.

—Eu também nunca vou conseguir ser feliz com alguém a não ser você, Kasamatsu-senpai.

Um sorriso triste surge na minha cara enquanto continuo:

—Mas eu sei que a gente não seria feliz juntos, também.

A gente nunca daria certo de qualquer jeito.

Notas finais
"eu só consigo ser feliz com você, mas não funcionamos juntos"