Notas iniciais
Ok, eu queria admitir uma coisa. O jeito que o Kise está nesse capítulo é o jeito que eu me comporto na internet e ocasionalmente na vida real. Quem me segue no twitter sabe do que eu to falando. . Eu amei escrever esse capítulo e ele deve ser um dos meus favoritos até agora. Espero que gostem também.

Nenhuma palavra do mundo pode descrever o quanto eu amo The Beekeepers.

E as músicas.

E o vocalista.

Quero dizer, Kasamatsu Yukio é o tipo de cara que é a paixão de todo mundo. É impossível não gostar dele. Ugh, eu sou uma fangirl escandalosa quando se trata dele.

Odeio essa vida.

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Quando minha irmã chegou em mim e disse que tinha arranjado ingressos pro show deles em Março, eu meio que pirei e acabei tendo cãibras nas mãos. Nunca me senti mais feliz na vida. Caraca, estava indo no show da minha banda favorita!! Iria ver Kasamatsu de perto e oh meu deus acho que vou desmaiar só com esse pensamento.

No dia do show eu não conseguia ficar quieto e minhas irmãs ameaçaram colocar algemas em mim. Elas me deixaram no portão principal e eu pacientemente fiquei 8 horas na fila para pegar um lugar bom. Valeu totalmente a pena.

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Puta. Merda. Ele está a dois metros de mim. Dois. Metros. De. Mim. Kise Ryouta, se controla. Pelo amor de Deus, se controla.

A voz dele é tão boa que quero morrer.

Ele canta de um jeito tão apaixonado e toca com o coração. Acho que isso que me deixa meio louco por ele. Puts, como eu amo The Beekeepers. Como eu amo o Kasamatsu.

A multidão ao meu redor pula sem parar na música mais animada do álbum, e eu me agarro forte à grade para não perder meu lugar. O suor dele pinga em mim e eu acho que nunca mais vou lavar o rosto. Consigo ver direitinho as veias saltadas do pescoço dele. Consigo ver como ele sorri enquanto canta porque todos os fãs cantam junto. Absolutamente não vou para o céu depois dessa noite.

–Estão curtindo o show?

Fico surdo com a gritaria atrás de mim. Kasamatsu ri e eu quase desmaio.

–Que bom. Vocês sabem que gostamos de tocar aqui. Vocês são muito animados. O que querem ouvir agora?

Ouço milhões de vozes gritando as mais diversas músicas, mas não consigo despregar os olhos dele.

–Fireplace? Ou I Hate Love Songs? Fireplace, certeza? Ok. Mas dessa vez eu vou chamar alguém pra vir cantar aqui no palco. Hm, vejamos...

Quase sou engolido pela multidão atrás de mim e meus tímpanos quase explodem, mas permaneço lá, imóvel, ainda encarando aqueles olhos azuis, e mal percebo quando eles pousam em mim.

–O loirinho aí da frente. Pode vir.

O quê?

No segundo seguinte, um segurança me puxava pelos braços para fora da pista na direção do corredorzinho na frente do palco. Tento ficar de pé, mas meus joelhos tremem. Puta merda, eu vou pro palco.

Eu vou pro palco com os The Beekeepers e com Kasamatsu-fucking-Yukio. Esse é o melhor dia da minha vida!!

O segurança me empurra até a escada e eu escuto as pessoas reclamando e até chorando na multidão do meu lado. Uma garota de cabelo rosa até tenta segurar minha blusa, mas o segurança me empurra e logo eu estou de frente para mais de cinquenta mil pessoas, ao lado da minha banda favorita.

Estou tão feliz que poderia morrer.

–E aí, cara, tudo bom?

AI MEU FUCKING DEUS ELE TÁ VINDO NA MINHA DIREÇÃO E ESTICANDO A MÃO E PUTA QUE PARIU EU TO CUMPRIMENTANDO KASAMATSU YUKIO VOU VOMITAR

–Gosta de Fireplace?

Sacudo a cabeça como um maníaco. Nunca sorri tanto na vida.

–Beleza. Vamos cantar juntos então.

Ah.

Ahn?

Espera.

As primeiras notas da guitarra soam e a multidão vai à loucura. Fico lá parado no palco esfregando as mãos. Não, não, não, não...

–That's when she told me-

Kasamatsu coloca o microfone na minha frente e parece extremamente confuso quando não canto de volta. Ele ergue a mão e a banda para de tocar.

–Você tá bem?

Balanço a cabeça. Como explicar pra ele que sou mudo?

Começo a fazer um monte de sinais com as mãos, e ele arregala os olhos. Posso vê-lo ficando com vergonha.

–A-Ah... B-Bom... Ahn, pode ficar aqui se quiser... Poxa, desculpa aí, de verdade.

ELE TÁ CORANDO E EU VOU SAIR DAQUI E PEGAR A ESCADA ROLANTE DIRETO PRO INFERNO

Dou de ombros e a música volta a tocar. Danço lá no palco, encarando as meninas escandalosas da primeira fileira, e rio delas. Vou cumprimentar o resto do pessoal da banda. Cada um me dá um sorriso e um aperto de mão e é hoje, meu Deus, é hoje que eu pago por todos os meus pecados. É hoje que eu sofro.

Nem consigo acreditar que tudo isso tá acontecendo e eu to no palco com a minha banda favorita e com o meu crush de longa data. Daqui a pouco o próprio diabo está vindo me puxar pro inferno. Esses pensamentos não são dignos nem do purgatório.

A música está terminando e Kasamatsu está olhando para mim enquanto faço uma dancinha estranha no palco, e ele parece estar se divertindo. Quando os últimos acordes soam, ele ergue a guitarra alto no ar e a multidão perde o resto da sanidade, e eu consigo entender porque ele gostava tanto de estar em cima de um palco. A sensação aqui era diferente de tudo o que já senti na vida. Era intenso e acolhedor.

Foi a melhor experiência da mINHA VIDA PUTA MERDA ELE TA VINDO NA MINHA DIREÇÃO DE NOVO E ELE TÁ SORRINDO JESUS CRISTO SEGURA NA MINHA MÃO E NÃO SOLTA

Ele chega perto de mim com o microfone e sacode minha mão de novo.

–Hm, qual seu nome, garoto?

OH DEUS POR FAVOR SE FOR PRA MORRER QUE NÃO SEJA AGORA

Apalpo os bolsos rapidamente e tiro de lá minha carteira. Pego minha carteirinha do cinema e entrego a ele.

–Kise... Kise Ryouta? Isso? — sacudo a cabeça e minhas bochechas doem de tanto que sorrio — Legal, prazer te conhecer. UMA SALVA DE PALMAS PARA O KISE!!

Aquela multidão toda está gritando pra mim. Eu me sinto ótimo. Kasamatsu tá parado do meu lado com um sorriso bem maneiro e eu acho que vou vomitar agora, muito obrigado. Ele vira e sinaliza alguma coisa pra moça que está na saída do palco, e depois me diz:

–Olha, vai lá com ela que depois a gente se fala, ok?

O QUÊ

–Obrigado por ter vindo.

O QUÊ

WHAT THE FUCK IS GOING ON HERE I WAS NOT READY

Tropeço nos próprios pés, tentando andar pra frente e olhar pra Kasamatsu ao mesmo tempo, e quase rolo escada abaixo.

–Bom, o Kasamatsu disse que queria falar contigo depois, certo? — a moça loira sorri pra mim e meu coração vai parar na boca — Que tal você ficar agora na pista premium e depois ir pro camarim?

MEU CORAÇÃO QUASE VOA PRA FORA DO PEITO OBRIGADO JESUS OBRIGADO DEUS OBRIGADO JEOVÁ OBRIGADO TOM CRUISE E BRAD PITT

Sacudo a cabeça e ela me guia até a pista premium — um pequeno espaço logo na parte direita da pista normal, e lá tem refrigerante e comida de graça.

Esse está sendo — de longe!!!! — o melhor dia da minha vida.

Eles tocam mais cinco ou seis músicas e eu já entro em depressão pós show. Kasamatsu me acha no meio da pista premium e acena pra mim, e eu quase morro pela quinta vez naquele dia. Meu cardiologista vai me matar; isso definitivamente não pode ser saudável pro coração.

Enquanto todo mundo começa a chorar por causa do fim do show, eu honestamente não poderia esperar pelo fim dele. Eu estava indo pro camarim, porra!!! Aquela tiazinha loira ficou comigo até todo mundo ir embora da casa de show e depois me guiou para uma porta preta imensa com um cara maior ainda parado na frente dela.

A moça mostrou o crachá e ele deixou a gente passar.

Oh Deus. Oh mEU DEUS DO CÉU.

Aquele corredor parecia infinito, mas eu definitivamente podia ouvir vozes por trás das portas. Uma ou outra pessoa passava correndo carregando guitarras ou partes da bateria, e meu coração começou a bater muito rápido. Muito rápido mesmo.

Nós andamos até a metade do corredor e paramos na frente de uma porta preta que tinha uma plaquinha escrito:

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The Beekeepers

(tragam mais batata frita!!!)

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EU TAMBÉM AMO BATATA FRITA CARAMBA

–Pode entrar. Fique a vontade.

A moça abre a porta e de repente estou no céu.

Estou no céu.

Não sei por qual motivo, mas os anjos não usam camisa.

Não que eu esteja reclamando, por sinal.

–Ah, você é o garoto mudo, certo? Kiko?

–É Kise, seu babaca! Entra, por favor.

ELES ESTÃO TODOS SEM CAMISA????? EU SOU GAY???

Quero dizer, Moriyama, o baixista arrasa-corações, está jogado (sem camisa) no sofá de couro e acena para mim. Kasamatsu sorri na minha direção, também sem camisa, e eu acho que vi Jesus.

Como vou olhar nos olhos da minha mãe depois de ter pensado umas coisas desse tipo? Não serei capaz.

Ele tem na nuca uma toalha branca, e seca o cabelo molhado com ela. Nas poltronas estão Kobori e Hayakawa, o segundo guitarrista e o baterista respectivamente, jogando video game, e eles também me cumprimento quando passo pela porta e encosto contra a parede ainda sem acreditar direito na minha sorte.

Eu sou um filha da puta de um sortudo.

–Meu... — Kasamatsu se aproxima de mim e eu SINTO meu rosto ficando mega ultra blaster quente e eu acho que é agora que eu desmaio — Kise, cara, desculpa. Desculpa mesmo. Nunca que eu ia saber que você era mudo... — AI MEU D E U S D O C É U ELE TÁ FICANDO ENVERGONHADO SATÃ POR QUE VOCÊ FAZ ISSO COMIGO POR QUÊ?? — Eu peço desculpas de verdade. To me sentindo um bosta.

Faço vários gestos com as mãos, tentando dizer pra ele parar de ser besta e que não tem absolutamente nenhum problema, mas Moriyama diz:

–Você deu uma de idiota lá na frente, hein, Kasamatsu. Amanhã vai estar no Youtube e vou rachar o bico assistindo aquela- AI FILHA DA MÃE!

Kasamatsu tinha enrolado a toalha e a fez de chicote nas pernas de Moriyama, que pulou do sofá num segundo.

–Cala a boca, seu merdão. Quando as garotas caírem aos seus pés a gente conversa.

–Ok, isso foi injusto. Olha, tá deixando o Kise sem graça — ele estica a mão na minha direção — Viu o que você tá fazendo? Seja mais sensível.

–Kise, senta aí. Quer jogar videogame? — Kobori sorri e faz um gol em Hayakawa, que joga o controle para cima e grita de raiva.

–KOBORIVOCÊNÃOPODESERTÃOAPELÃOSABEEUSOURUIMEMFUTEBOL

–Fala mais devagar senão ninguém entende, babaca. — Kasamatsu dá um soco na cabeça do baterista e senta no braço da poltrona.

Isso é mesmo real? Eu estou mesmo na mesma sala que a minha banda favorita? Eu estou mesmo vendo e ouvindo e respirando o mesmo ar que eles? Oh, Deus. Essa é a minha sentença de morte.

Timidamente vou até o sofá de couro e sento na pontinha, amassando as mãos juntas. Meu peito lateja de ansiedade.

–Toma, pega isso. Acho que fica melhor pra gente conversar.

Moriyama coloca na minha mão um bloco de papel e uma caneta. Acho que ele não sabe o quanto eu to tremendo pra conseguir escrever alguma coisa.

Mas, bem, eu tento.

GOSTO TANTO DA BANDA DE VOCÊS E NÃO CONSIGO ACREDITAR QUE TÔ AQUI

Moriyama ri quando lê o que eu escrevo, e cutuca Kasamatsu para que ele olhe também.

–Culpa dele — diz o baixista, apontando para o amigo.

–Eu já pedi desculpas. De verdade. Fiquei com tanta vergonha que achei que ia explodir. — as bocHECHAS DELE ESTÃO FICANDO VERMELHAS DEUS ME AJUDA — Espero que não esteja nada mau entre a gente. Né?

Minha letra sai "a bosta" do século, mas:

Não tem absolutamente nenhum problema e tá tudo ótimo entre a gente, não precisa ficar com vergonha nem nada do tipo, essas coisas acontecem toda hora, juro

–Ahn... — Kasamatsu lê e franze a testa — Bom, eu sinto muito por isso, então.

Ouço Moriyama rindo enquanto vai para perto de Kobori, e ele diz baixinho, mas ainda alto o suficiente pra todo mundo ouvir:

–Acho que o Kasamatsu achou a maior fangirl dele. Tadinho do garoto.

pu T A QU E O PA RI U

Eu me encolho no lugar, quase afundando a cabeça entre os ombros, e escondo as mãos no meio das pernas. Minha cabeça inteira queima de vergonha.

Kasamatsu pega a almofada mais próxima e taca na orelha de Moriyama, que quase cai do braço da poltrona.

–Desculpe por isso, é que ele foi o único baixista que a gente conseguiu arranjar.

–Fala mal mas paga um pau, né?

–QUIETO AÍ

Kasamatsu ri sem graça e desvia o olhar. Meu coração não suporta isso. O que eu fiz pra merecer essa dor, esse sofrimento? Eu pequei, meu Deus? EU NÃO MEREÇO KASAMATSU YUKIO MUITO OBRIGADO!!!!

–Hehe... Então... Kise, tá a fim de comer alguma coisa? Batata frita? A gente pediu faz um tempo mas eles ainda não entregaram.

–Saiam os pombinhos pra pegar comida chinesa pra gente.

–EUQUEROYAKISOBAMASNÃOESQUECEOBISCOITODASORTEOK?

–QUE É ISSO! — Kasamatsu grita, jogando outra almofada, dessa vez diretamente na nuca de Kobori, que ria baixinho — OLHA QUE BOCA A DE VOCÊS! QUEREM APANHAR OU O QUÊ? SÓ AVISEM!

Estou para desmaiar. Vou desmaiar.

Não posso desmaiar agora, afinal ESTOU SAINDO PARA PEGAR COMIDA CHINESA COM O MEU CRUSH DE LONGA DATA ENTÃO ACHO QUE POSSO CHAMAR ISSO DE UM PSEUDO-ENCONTRO??? AI MEU PAI AMADO

–Vamos, Kise. Deixa esses babacas sozinhos.

Ele me puxa pela mão até a porta e eU ESTOU TOCANDO NELE

Kasamatsu está vermelho até as orelhas e eu já aceitei o fato de minha cara ter virado um tomate, mas nós andamos pelo corredor em silêncio, indo na direção daquela portinha de emergência verde lá no final.

–Enfim... — ele tosse um pouquinho para quebrar o gelo — Ser mudo deve ser complicado. A maioria das pessoas não sabe linguagem de sinais.

Minhas irmãs sabem, por isso que eu sempre saio com elas. Infelizmente hoje elas não quiseram vir no show, então vim sozinho mesmo.

Graças a Deus elas não vieram hoje.

–Entendi...

Ele olha para o outro lado e por que eu sinto o clima ficando tão estranho?

O que tá acontecendo?

–Bom, então eu acho que... Que se a gente quisesse sair eu teria que aprender pelo menos o básico, né?

Eu não vou ficar carregando um bloquinho pra sempre.

Ele ri e quase caio de cara no chão.

Notas finais
Acho que eu coloquei no Kise tudo o que sinto em relação ao Kasamatsu. E mais: Moriyama: fala mal mas paga um pau, né? (orkut 2005 - ele tinha um fake da Lindsay Lohan) AU: i’m mute and you’re the lead singer of my favorite band who just pulled me on stage to sing with you au