Eu Me Lembro - Crepúsculo
43 Revelações
Eu soltei devagar do abraço do Jasper.
Ele ainda parecia meio em choque.
Na verdade… todos pareciam.
Mas eu não queria deixar ninguém triste.
Então sorri pequeno pra ele antes de voltar andando até a sala.
Esme estava secando o rosto mesmo sem precisar. Emmett me olhava como se eu fosse explodir a qualquer momento. Alice parecia querer me abraçar e me sacudir ao mesmo tempo.
Edward…
Eu tentei não olhar muito pra ele.
Porque toda vez que olhava, meu peito doía estranho.
Como saudade.
Muita saudade.
Fui até o sofá e subi nele de joelhos, abraçando meu ursinho.
Então olhei direto pro Carlisle.
Ele sempre parecia o mais calmo quando as coisas ficavam confusas.
E eu lembrava disso também.
— Carlisle?
A voz saiu pequenininha.
Mas todo mundo ficou quieto na mesma hora.
Carlisle se aproximou devagar e sentou na poltrona na minha frente.
Os olhos dourados muito atentos.
Muito gentis.
— Sim, pequena?
Balancei o ursinho entre as mãos nervosamente.
— Posso conversar com você?
Ele sorriu pequeno.
— Claro.
Olhei rapidinho pros outros antes de continuar:
— Sobre como começou.
O silêncio da sala ficou pesado imediatamente.
Carlisle inclinou levemente a cabeça.
— As lembranças?
Assenti.
Meu coração começou a bater mais rápido sem eu querer.
Porque era difícil explicar.
Muito difícil.
Mas eu sabia que Carlisle ia ouvir direitinho.
Porque ele gostava de entender coisas que ninguém entendia.
Sempre gostou.
A palavra apareceu de novo na minha cabeça.
Sempre.
Engoli seco.
— No começo eram sonhos.
A voz saiu baixinha enquanto eu apertava o ursinho contra o peito.
— Quando eu era bem pequenininha.
Alice lentamente sentou no braço do sofá sem tirar os olhos de mim.
Continuei olhando pro Carlisle.
— Sonhos de floresta. Chuva. Uma casa branca.
Meu peito apertou estranho.
— E olhos dourados.
Edward ficou completamente imóvel perto da escada.
Eu senti.
Mesmo sem olhar.
— Depois começou a piorar.
Carlisle manteve a voz calma.
— Como?
Fechei os olhos tentando lembrar direito.
— Eu começava a saber coisas sem ninguém contar.
As palavras saíam emboladas às vezes porque era difícil explicar tudo que vinha na minha cabeça.
— Tipo… nomes.
Olhei pra Rosalie.
— Rose.
Depois pra Esme.
— Esme.
Então pra Emmett.
— E o Emmett fala muito alto.
Ele soltou uma risada fraca automaticamente.
Mas ninguém mais riu.
Continuei baixinho:
— Às vezes eu acordava chorando porque meu peito doía muito.
A expressão de Edward mudou instantaneamente.
Dor.
Tão forte que até eu consegui perceber.
— E aí começaram as lembranças de verdade.
Carlisle ficou ainda mais atento.
— O que você lembra?
Minha garganta apertou.
Porque algumas coisas ainda machucavam mesmo sem entender por quê.
— Frio.
Silêncio absoluto.
— Sangue.
Edward fechou os olhos imediatamente.
— E tristeza.
Minha voz ficou menor.
— Muita tristeza.
Esme começou a chorar baixinho outra vez.
Eu apertei mais forte o ursinho.
— Mas aí eu comecei a lembrar das coisas boas também.
Olhei lentamente pra Edward dessa vez.
E o mundo inteiro pareceu parar de novo.
— Das árvores.
O peito dele subiu rápido demais.
— Da música.
Uma memória atravessou minha cabeça imediatamente.
Piano.
Mãos frias.
Luz dourada.
Meu coração acelerou.
— E dele.
Edward parecia incapaz de respirar.
Carlisle permaneceu completamente imóvel.
Então perguntou muito cuidadosamente:
— Você sabe quem você era antes, Maliza?
A sala inteira ficou silenciosa.
Eu olhei pra minhas mãos por alguns segundos.
Porque aquela era a parte mais estranha de todas.
Mais difícil.
Quando respondi, minha voz saiu baixinha.
Confusa.
— Às vezes eu acho que lembro.
Levantei os olhos lentamente.
Direto pra Edward.
— E às vezes eu só sinto saudade.
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