Eu Me Lembro - Crepúsculo

88 O Morro dos Ventos Uivantes



Maliza’s p.o.v


Acordei ouvindo minha mãe me chamar lá de baixo.

— Maliza! Vai se atrasar pra existir!

Abri um olho só.

— Hoje é sábado…

— E nós trabalhamos no sábado!

Fechei o rosto no travesseiro dramaticamente por mais cinco segundos antes de levantar.

A casa tava fria ainda e eu coloquei o primeiro moletom que encontrei enquanto tentava acordar de verdade.

Quando desci, meu pai já tava tomando café e minha mãe terminava de arrumar a bolsa.

— Bom dia, criatura noturna — meu pai falou.

— São oito da manhã. Isso devia ser crime.

Minha mãe colocou um prato na minha frente.

— Come.

Sentei na mesa ainda meio dormindo enquanto a chuva caía fraca lá fora.

Hoje eu ia mais cedo pra casa dos Cullen porque meus pais iam trabalhar o dia inteiro.

Normalmente eu gostava disso.

Hoje… eu tava nervosa sem motivo claro.

Talvez por causa da conversa com Edward.

Talvez porque agora parecia que tudo tinha mudado.

Quando terminamos o café, meu pai pegou a chave do carro e fomos pra estrada silenciosamente.

Eu fiquei olhando a floresta passar pela janela enquanto minha cabeça ainda tava lenta de sono.

— Você dormiu bem? — ele perguntou.

Assenti pequeno.

— Uhum.

Ele sorriu.

— Milagre.

Quando chegamos na casa dos Cullen, a chuva tinha diminuído de novo.

Meu pai estacionou e bagunçou meu cabelo antes que eu saísse.

— Se comporta.

— Nunca.

Ele começou a rir enquanto eu pegava a mochila e saía do carro.

Subi a varanda correndo por causa da garoa e bati na porta só uma vez antes dela abrir.

Carlisle.

O sorriso dele apareceu imediatamente quando me viu.

— Bom dia, Maliza.

Sorri automaticamente.

— Bom dia.

Entrei na casa sentindo aquele cheiro familiar de madeira, chuva e alguma comida humana que Esme provavelmente tava fazendo só por minha causa.

Carlisle fechou a porta atrás de mim.

— Só eu e Esme estamos em casa. Os outros saíram.

Meu peito fez alguma coisa estranha ao perceber automaticamente quem não tava ali.

Edward.

Balancei a cabeça internamente tentando parecer normal.

Fui até a cozinha cumprimentar Esme, que imediatamente me abraçou.

— Você tomou café direito?

— Talvez.

Ela estreitou os olhos.

— Maliza.

— Tomei sim!

Esme riu baixinho e beijou minha testa.

Depois de conversar um pouco, perguntei:

— Posso ficar no quarto do Edward?

Carlisle e Esme trocaram um olhar rápido demais.

Mas Esme apenas sorriu gentilmente.

— Claro, querida.

Subi as escadas devagar abraçada na mochila enquanto a casa permanecia silenciosa.

O quarto do Edward tava exatamente igual.

Janela aberta.

Cheiro de chuva.

Livros em todos os lugares.

Meu peito apertou quentinho imediatamente.

Larguei a mochila perto da porta e me joguei no sofá que ficava perto da janela.

Foi aí que vi o livro.

Wuthering Heights.

O Morro dos Ventos Uivantes.

Peguei ele distraidamente.

A capa tava um pouco desgastada, como se tivesse sido muito lido.

Abri começando a ler em silêncio enquanto a chuva fazia barulho lá fora.

Mas quando fui virar uma das páginas…

Alguma coisa caiu no meu colo.

Um papel dobrado.

Franzi a testa.

Peguei o bilhete curiosa.

E abri.

A letra parecia familiar antes mesmo de eu entender por quê.

Então li:

“Se eu tiver outra vida, espero te encontrar mais cedo.”

Meu coração parou.

Literalmente parou por um segundo inteiro.

A garganta queimou imediatamente.

Porque alguma coisa dentro de mim reconheceu aquilo.

Profundamente.

Dolorosamente.

Levei a mão até o peito tentando respirar direito.

A letra.

A frase.

O sentimento.

Meu corpo inteiro parecia lembrar antes da minha mente conseguir acompanhar.

Fechei os olhos forte por um instante.

E por meio segundo…

Consegui quase ouvir uma voz rindo.

“Você literalmente brilha no sol.”

Minha respiração falhou.

Abri os olhos rápido demais olhando novamente pro bilhete.

As mãos tremendo um pouquinho agora.

Mas antes que eu pudesse pensar mais…

O cansaço começou a bater forte outra vez.

Talvez pelo silêncio.

Pela chuva.

Pelo cheiro familiar do quarto.

Encostei no sofá ainda segurando o livro perto do peito.

Tentando entender aquela frase.

Tentando entender por que ela parecia tão importante.

E sem perceber…

Acabei pegando no sono.