Decidiu que não voltaria para sua casa.

Não estava com vontade, queria ir para qualquer outro lugar e por isso pensou no apartamento da sua amiga. Antes de chamar um carro de aplicativo para levá-lo até o local onde Eduarda vivia, Samuel enviou uma mensagem para o celular da garota. Quando ela respondeu afirmando que não havia saído, aí sim ele anunciou que estava pegando uma carona até lá. Confusa, porque sabia que Samuel iria sair com o seu “carinha misterioso”, ela perguntou se algo aconteceu, mas Samuel apenas disse que contaria tudo quando chegasse lá. Eduarda terminou a conversa com um sticker.

Quando estava no banco traseiro do carro que chamou pelo aplicativo de caronas, Samuel pegou o fone de ouvido que se encontrava no bolso da sua calça e conectou o cabo em seu celular. Abriu o Spotify e entrou em uma playlist de apenas músicas tristes. Enquanto a melodia lenta e melancólica tocava em um volume aceitável, a mente do jovem de cabelos pretos o levou à sensação de fazer parte de um clipe musical.

As luzes de uma São Paulo noturna ajudavam, com toda a certeza, naquela imersão quase psicodélica. A iluminação pública tipicamente brasileira, inconfundível para qualquer cidadão da nação verde e amarela, as placas dos comércios e as luzes dos prédios residenciais, tudo... absolutamente tudo contribuía naquele momento para que a mente de Samuel lhe presenteasse com aquela sensação que, por incrível que parecesse, deixava a sua dor emocional mais suportável.

A viagem até o apartamento de Eduarda durou uma hora, o restaurante onde ele foi com Henrique tinha sua localização do outro lado da cidade. Durante a viagem, a cabeça de Samuel tentou encontrar as peças daquele quebra-cabeças tão difícil que era o relacionamento... “Relacionamento” entre Sandra e Henrique, como ele não ficou sabendo? Como ele não pegou essa? O que ele deixou escapar? Afinal, ela tinha dito que o nome do seu noivo era Leonardo... Mas ela também disse que esse era o segundo nome do homem. Então... O nome completo de Henrique era “Henrique Leonardo Barreto”? Com essa lembrança, o quebra-cabeças finalmente parecia completo para Samuel.

Quando desceu do carro em frente à entrada do prédio em que Eduarda vivia, percebeu que Henrique havia lhe enviado algumas mensagens, cinquenta no total, mas decidiu ignorar ao apertar o botão que desligava o seu aparelho celular. Apertou o botão do interfone referente ao apartamento da amiga, logo o portão foi destrancado e o garoto entrou na área residencial.

Ao entrar no apartamento, Samuel encontrou Fernando fazendo companhia para Eduarda.

— Fernando já tava aqui? — Samuel perguntou, confuso e curioso.

— Não. A Eduarda me chamou depois que você mandou mensagem pra ela... Eu tava em casa — explicou Fernando, segurando uma latinha de cerveja.

— E como você conseguiu chegar antes de mim? — questionou ele se sentando ao lado do rapaz preto.

— O trânsito do meu lado tava menos caótico — Fernando explicou.

— Mas e aí, Samuel, o que aconteceu? — Eduarda perguntou, entrando na conversa. A estudante de Jornalismo se encontrava sentada na poltrona ao lado do sofá e também segurava uma latinha de cerveja.

— Quer uma cerveja? — ofereceu Fernando.

— Não, agora não — disse o nipo-brasileiro enquanto se preparava para contar sua história. — Lembram daquele carinha que eu tava saindo? Que eu não queria contar quem era até ficar firme?

— Sim, a gente sabe — respondeu o garoto olhando para o amigo, e como o outro não continuou, prosseguiu: — A gente pensou que seria sobre isso.

— Conta logo, Samuel! Que coisa! Eu tô morrendo de curiosidade aqui! Vamos! — disse a garota de cabelos castanhos de repente, ansiosa para saber da fofoca.

Samuel se assustou com aquela reação.

Um leve susto.

— Calma, Eduarda... — pediu Fernando.

— Eu vou contar... Agora. Bom, esse carinha é na verdade o Henrique...

Eduarda e Fernando trocam olhares, pareciam confusos, não tinha conseguido conectar o nome à pessoa, e então, depois de um breve silêncio, a ficha de Eduarda pareceu cair e ela ficou de boca aberta. Olhou para Samuel, ainda chocada e surpresa, até perguntar:

— O irmão do Renato? Meu ex-namorado?

— Sim — respondeu Samuel, ajeitando uma parte do seu cabelo atrás da sua orelha, olhando então para baixo, levemente envergonhado e com as bochechas rosadas.

— Foi por você que o Henrique desistiu daquela história de se casar com a Sandra por causa das ações do Grupo Barreto? — perguntou Fernando com um sorriso de risada em seu rosto.

Se ele pudesse, teria caído na gargalhada, mas pensou que fazer aquilo seria de péssimo tom porque sabia que a situação para Samuel ficaria pior com o tempo.

— Você sabe de alguma coisa? — questionou o estudante de Administração, encarando seu amigo de modo interessado.

— Sim... A Júlia... A garota que eu tô saindo, ela é amiga da Sandra...

— Amiga do Renato e do Henrique — completou Eduarda.

— Isso. Obrigado — agradeceu Fernando. — Bom, ela me disse que o Henrique conversou com o Renato e que ele iria terminar o seu relacionamento com a Sandra para ficar com essa pessoa que ele conheceu. O Renato ficou surpreso porque ter o controle da universidade de novo era um sonho antigo e ele iria abrir mão disso para poder ficar com essa pessoa... que agora eu sei que é você.

— Caramba, ai, isso parece coisa de novela — sussurrou Eduarda, processando o que havia escutado.

— O Renato sabe que sou eu essa pessoa? — perguntou Samuel.

— O Renato deve saber, mas ele não contou para a Júlia que era você — explicou Fernando.

O trio de amigos fez silêncio. Todos estavam digerindo aquela história, mas Eduarda foi quem conseguiu formular mais uma dúvida antes dos rapazes:

— Como você não ligou os pontos? — perguntou a garota, voltando a olhar para o amigo nipo-brasileiro. A garota ajeitou seus fios de cabelos enquanto falava. — Você conheceu a Sandra naquele dia, no dia da festa, lembra? Como que você não percebeu que o Henrique era o noivo dela?

— Primeiro que, naquela noite, não me apresentaram à Sandra como a noiva do Henrique, mas sim como uma amiga. Segundo que... a Sandra me disse que chamava o noivo pelo nome de Leandro, não de Henrique — explicou Samuel. — E o Henrique nunca me disse que estava nessa situação. Bom... pelo menos, eu não me lembro de nenhuma de nossas conversas ele me falar: “Olha, eu tô noivo de uma mulher que eu não amo para conseguir umas ações na empresa que um dia foi da minha família”.

— É... O nome completo dele é Henrique Leonardo Barreto, mas ele prefere ser chamado de Henrique. Todos, menos a Sandra, chamam de Henrique... Eu até esqueci que ele se chamava Leonardo também — disse Eduarda com uma leve risada presente durante sua fala.

— Tá... — disse Fernando para voltar ao assunto que era focado no amigo. — Então, o Henrique te contou isso e você foi embora do encontro de vocês?

Samuel percebeu que não havia contado a pior parte. Ele se preparou mais uma vez, e os amigos perceberam que o conteúdo mais interessante aconteceria naquele momento.

— Eu descobri quando a gente saiu do restaurante. A gente se beijou no estacionamento e daí apareceu a Sandra. Furiosa, quase louca e psicótica, gritando e fazendo um escândalo. Aí, todo mundo viu aquilo... E ela me bateu, acertou um tapa na minha cara. Felizmente, a marca dos dedos dela já saiu. Ela e o Henrique discutiram na minha frente, foi horrível... Uma cena constrangedora e horrível, francamente...

Mais uma vez, ficaram em silêncio.

Ninguém sabia o que dizer, mas alguém precisava quebrar aquela tensão depois da pior parte da crônica que foi a noite de Samuel.

— Desculpa, eu sei que é horrível... Mas eu queria muito ter visto isso. Parece cena de novela... — disse Eduarda com uma sinceridade segura na voz.

— Que horror, Eduarda... — disse Fernando em um tom baixo, olhando para a amiga com seus olhos quase fechados em uma expressão de negação do que havia acabado de ouvir.

Mais um pouco de silêncio entre os três.

De repente, eles começaram a rir de toda aquela situação. O primeiro foi Fernando, e Samuel o acompanhou. Eduarda se juntou ao final.

— O pior é que... — dizia o garoto, entregue ao riso, seu rosto um pouco vermelho já. — É que realmente parece coisa de novela! Eu levei um tapa na cara! Ela fez um escândalo no estacionamento do restaurante! Foi uma cena de uma novela!

— Vamos chamar o Samuel de Giovanna Antonelli a partir de agora — disse Eduarda, ainda rindo com sua mão sobre a boca.

— Por quê? — perguntou Fernando com sua sobrancelha arqueada.

— Porque, se fosse uma novela, com certeza seria uma protagonista, e não um protagonista gay... Certamente, por ser asiática, seria interpretada pela Giovanna — respondeu Eduarda, já conseguindo conter sua risada.

— Ai, que coisa horrível, Eduarda! — disse Samuel, começando a rir novamente, e logo em seguida eles reiniciaram a discussão sobre como seria aquela novela da vida de Samuel se fosse uma telenovela de verdade.

Aquela discussão bem produtiva se estendeu por alguns minutos, depois o trio trocou de assunto e continuaram conversando sobre outros temas que não tinham nada a ver com a primeira conversa daquela noite.

Quando passou da meia-noite, Fernando anunciou que iria embora. Ele queria dormir em sua cama, e não no sofá do apartamento da amiga, então se despediu de Eduarda e Samuel, que ficaram na sala de estar ainda bebendo.

Samuel se encontrava jogado no chão com suas costas pousadas no sofá da sala de estar, Eduarda ainda sentada na poltrona, os dois em completo silêncio. A garota tinha seu olhar fixo na lata de cerveja vazia, como se, por aquele objeto, conseguisse ver os segredos mais profundos e misteriosos de todos os universos. Com um estalo em sua memória, Eduarda se lembrou de uma coisa que gostaria de conversar com o seu amigo, então se levantou da poltrona e se sentou ao lado do amigo no chão.

— Me acompanha até a casa daquele médium amigo da sua avó? — perguntou a estudante de Jornalismo.

— Como assim? — Samuel respondeu com uma pergunta, a sobrancelha arqueada do nipo-brasileiro denunciava sua confusão em relação àquele pedido. — Por que você quer ver o médium amigo da minha bachan?

— Me falaram que eu deveria ir ver ele e conversar porque... Bom, porque esse problema que eu tenho de não durar muito com um namorado e sempre estar indo e voltando com o Renato pode ser uma questão espiritual, entende? — explicou a moça de cabelos castanhos olhando para o amigo.

— Você precisa de um bom psicólogo, Eduarda — disse Samuel.

— Não, eu sei que eu preciso disso também, mas por que não pode ser as duas coisas? Eu vou procurar um psicólogo... ou uma psicóloga, mas eu também quero ver qual é a dessa história de vidas passadas... — Ficou em silêncio por um breve momento e em seguida olhou para o amigo. — Você não acredita nessas coisas, Samuel?

— Não... Bom... Não, eu nunca fui de acreditar nessas coisas...

— Mas e aqueles sonhos que você tem com a garota japonesa e tudo mais? Sua avó sempre diz que eles podem significar algo, não diz? Ela diz isso...

— Sim, ela diz, mas... Eu só tenho esses sonhos quando... — Samuel parou para pensar, quando percebeu uma coisa que não havia notado. — Depois que eu conheci o Henrique, esses sonhos ficaram mais recorrentes e também novas partes desse mesmo sonho... — disse pensando naquilo que não havia notado antes. — Mas... Não, não deve ter ligação nenhuma.

— Será que não tem? Vamos comigo, ele me atende e depois você conversa com ele. Sua avó sempre quis que você e ele conversassem — disse Eduarda, olhando para o amigo com cara de pidona.

— Pode ser... Vamos fazer isso sim — concluiu Samuel.

— Beleza... — sorriu Eduarda. — Falando em Henrique, ele tentou falar com você?

— Sim — respondeu Samuel, ficando sério —, mas eu desliguei meu celular. Não quero conversar com ele agora, quero esperar um tempo até eu absorver essa história e ver o que vou fazer...

Eduarda, sorrindo e apertando seus lábios, passou a mão no ombro do amigo em solidariedade. Em resposta, Samuel sorriu para ela da mesma forma.

A casa em que o médium Daniel vivia era uma construção de apenas um andar, apesar de esse único andar ficar acima do pátio da casa. Por conta disso, em sua fachada, havia uma escadaria logo ao lado do portão, e as pessoas apenas conseguiam chegar ao pátio através do portão de carros ou, então, pela porta dos fundos.

Na sala de estar, onde Samuel e Eduarda se encontravam, havia dois sofás brancos e uma poltrona da mesma cor, uma mesinha de centro e prateleiras com fotografias da família do médium. Um pouco longe, havia uma mesa de jantar com uma toalha branca posta por cima. Daniel, um homem idoso na casa dos oitenta anos, estava de frente para a dupla de amigos. A sua pela escura tinha pequenas manchas por causa da idade e os seus olhos eram cheios de sabedoria.

— Que bom que vocês vieram, fico feliz — disse o homem, sorrindo. Olhou para Samuel. — Principalmente você. Eu sei que faz tempo que sua avó gostaria que você viesse falar comigo...

O garoto nipo-brasileiro apenas sorriu para o homem preto, então, como não teve uma resposta de Samuel, Daniel olhou para Eduarda, deixando sua atenção apenas nela.

— Você deve ser a Eduarda, não é mesmo?

— Sim, sou eu mesma... — respondeu a garota, ansiosa para sua consulta com o espírita.

— Certo, vou te atender em meu escritório — disse Daniel, sorrindo ainda. — Você pode ficar esperando aqui, Samuel. Vamos, Eduarda?

— Vamos, sim.

Os olhos negros de Samuel acompanharam Daniel e Eduarda até o momento em que a porta do escritório foi fechada, então o jovem ascendente de japoneses suspirou profundamente e se sentou no sofá, olhando para o nada em uma expressão pensativa.

Ficou naquela posição por algum tempo, não sabendo exatamente quanto, até o momento em que percebeu que aquela sala começou a girar. A testa de Samuel ficou franzida, seus lábios trêmulos e em seguida subiu sua mão para a região perto dos seus olhos. A sua visão ficou embaralhada, não conseguia distinguir mais o que via, e então escutou uma voz chamando pelo seu nome. A voz estava longe, parecia sair de um túnel e fazia eco na sua cabeça:

— Samuel!

O rapaz se levantou bruscamente do sofá, então, teve a visão de um carro capotando em uma rodovia e novamente ouviu a mesma voz chamar pelo seu nome. Perdeu os sentidos. Foi como cair em sono profundo.

Samuel caiu no chão desmaiado e ficou na mesma posição até o momento em que a consulta de Eduarda com Daniel acabou. Quando a amiga percebeu o estado em que o amigo se encontrava, ela correu em sua direção e se ajoelhou à sua frente, mas não tocou em seu corpo.

— Samuel! Meu Deus, Samuel! — dizia em desespero.

— Calma, menina... Ele deve ter desmaiado, vamos esperar... — disse o homem preto enquanto se aproximava, observando com preocupação e curiosidade.

— Mas... O que aconteceu? Por que será que ele desmaiou? — perguntou Eduarda, ainda preocupada. Passou sua mão na testa do rapaz e acariciou seus cabelos escuros.

Aos poucos, os olhos de Samuel se abriram.

Ele estava recobrando a consciência lentamente.

Nesse mesmo instante, Eduarda ouviu seu celular chamar, levantou-se e o médium ajudou Samuel a ficar sentado no sofá. O jovem nipo-brasileiro ainda recobrava a sua mente enquanto Eduarda parecia ter uma conversa séria ao celular, sua expressão de choque e surpresa denunciando aquilo.

— Está bem? O que houve com você, criança? — perguntou o idoso sentado ao lado do mais novo.

— Eu fiquei tonto, então, de repente, tudo ficou escuro e desmaiei — explicou Samuel, que, naquele momento, preferiu esconder a parte em que ouviu seu nome e viu coisas.

— Deve ter sido pressão baixa — argumentou Daniel.

— Sim, deve ter sido isso... — respondeu Samuel, apertando seus lábios.

Quando encerrou a ligação, Eduarda se aproximou do sofá. Olhava fixamente para o amigo, parecia nervosa e pensativa ao mesmo tempo, como se tivesse algo para contar, entretanto, não sabia como fazê-lo.

Eduarda respirou fundo antes de começar a falar:

— Samuel... eu tenho que te contar uma coisa. — A garota sentou no sofá, ao lado do amigo. Passou sua mão novamente em seus fios pretos, de forma carinhosa. — O Renato... irmão do Henrique, acabou de me ligar. Ele achou que você deveria saber de uma coisa... Como ele e eu namoramos, ele ainda tinha meu contato e pensou que seria melhor você ouvir de mim, que sou sua amiga...

— Ouvir o quê? — Samuel perguntou, estranhando aquele modo de falar, e sua ficha caiu assim que perguntou. Negou com sua cabeça, seus olhos bem abertos e suas sobrancelhas baixas. Lembrou-se da visão que teve, do acidente de carro, e o seu coração se apertou. Engoliu em seco. — Aconteceu alguma coisa com o Henrique?

Eduarda confirmou com sua cabeça.

— Ele sofreu um acidente de carro alguns minutos atrás, está indo para o hospital nesse momento — disse tentando conter seu choro enquanto contava a má notícia ao amigo. — Renato está indo de acompanhante, achou que você deveria saber, já que... que... bem, você sabe.

Samuel enterrou seu rosto em suas mãos, chorando em desespero por causa do acidente e também porque as coisas que sentiu, o acidente que viu, foram uma espécie de presságio, e ele não podia acreditar que aquele tipo de coisa estava acontecendo de verdade. O que mais poderia ser verdade se as coisas das quais ele era cético deram uma prova de que eram verdadeiras ou que poderiam ser verdadeiras?

— Calma, Samuel... Ele vai ficar bem, vamos torcer para que o Henrique saia dessa... — dizia Eduarda em uma tentativa de acalmar o seu amigo.

Samuel limpou suas lágrimas rapidamente, tentou parar seu choro bruscamente, mas não teve jeito, teve que esperar um tempo para que conseguisse domar seus sentimentos. Daniel o observava com curiosidade, interessado no que o jovem estudante diria em seguida.

— Não é só por isso que eu tô assim...

— Então, por quê? — perguntou Eduarda, confusa.

— Porque... Antes de eu desmaiar, eu ouvi alguém chamar meu nome e também tive uma visão... Uma visão de um acidente de carro em uma rodovia — explicou ele, contendo seus sentimentos para não começar a chorar.

— Samuel — disse Daniel, chamando a atenção para si mesmo —, você tem uma conexão com esse rapaz que sofreu o acidente? — perguntou o médium de uma forma interessada.

— Sim... Quer dizer... Sim, a gente teve... A gente tá tendo um caso, é uma história muito confusa! — Em seguida, Samuel se levantou do sofá e caminhou dando a volta no móvel branco.

— O Samuel costumava ter... quando ficava estressado com as provas da universidade, um sonho com uma garota japonesa. Nesse sonho... a garota sempre se suicidava — Eduarda começou a explicar para o médium. — Só que ele me disse que, depois que ele conheceu o Henrique, começou a ter esse sonho com mais frequência e até novos sonhos com essa mesma garota.

— Samuel, não acha que são coincidências demais? — Daniel perguntou, agora levando seu olhar no ponto em que o rapaz se encontrava parado.

Samuel ficou em silêncio por alguns segundos, pensando rapidamente na pergunta que o médium fez. Também pensou em tudo o que sua avó já lhe dissera sobre o sonho que tinha, sobre mensagens de vidas passadas e sinais. Eram muitos sinais, muitas coincidências. Em sua mente, surgiu a lembrança do surto que Sandra teve no estacionamento do restaurante quando descobriu da sua relação com Henrique. Havia algo ao lado dela, uma energia com uma figura quase humana.

Ele respirou fundo e então disse:

— O que eu preciso fazer... O que eu preciso fazer para ter uma terapia de regressão?

Notas finais
-Ritter