Se Henrique não tivesse se recuperando ou se não houvesse o problema com Sandra, com certeza, Samuel daria um jeito de acompanhar sua avó até o Japão. Entretanto, essa missão caiu nos braços da sua mãe, que, apesar de estar contente com a oportunidade de rever alguns parentes que há tempos não via, também estava triste por ter que deixar o mercado que tanto amava sem a sua ilustre presença.

— Tem certeza que não vai te atrapalhar, meu filho? — perguntou Vera pela vigésima vez naquela tarde.

— Não, mãe. O semestre já tá terminando mesmo, e, também, como eu vou assumir a loja depois que me formar para a senhora poder se aposentar... Nada mais justo do que eu tomar a frente dela por um tempo, trabalhar só aos sábados aqui não me dá toda a visão de ser o dono.

A mãe sorriu e em seguida abraçou o filho, tentando não chorar. Não havia um motivo para ela chorar, mas aquela conversa mexeu muito com seu emocional.

— Bom, então, depois do jantar na casa da família do teu namorado, sua avó e eu vamos para o Japão — disse Vera para mudar o foco da sua mente. — Espero que esteja tudo bem com seu tio-avô.

— Vai ser bom para ela, ela tem tantas saudades.

— Eu sei — concluiu Vera. — Sabia que — continuou — sua avó só não voltou para o Japão antes porque seu pai e eu nos casamos, e ela não queria ir sozinha, apesar de ter uma parte da família lá?

— Que engraçado, né? A senhora ainda tem parentes próximos no Japão, mas o papai...

— É que a família do seu pai foi uma das primeiras a chegar no Brasil, né, meu filho? A gente já falou disso. Infelizmente, depois de um tempo, perderam contato com os parentes do outro lado. Isso acontece, sua avó chegou aqui nascida no Japão. Bem ou mal, tinha as ligações, que eram uma fortuna, e depois venho a internet. Agora, o contato é mais fácil.

— Já sabe o que vai vestir para o jantar? — perguntou Samuel, mudando de assunto.

— Sei sim — disse a mulher, animada. — Aquele meu vestido que seu pai me deu ano passado.

— O rosinha?

— Isso, aquele que é um pouco rodado na saia, sabe? Ai, eu adoro ele. Quando visto, me sinto uma menina de novo — disse Vera, sorrindo da mesma forma que fazia quando estava com o tal vestido, como uma menina.

— A senhora fica linda naquele vestido — respondeu Samuel, sorrindo também.

A conversa foi interrompida quando alguém bateu na porta da casa, mas o estudante sabia quem poderia ser, e por isso mesmo abriu um sorriso de orelha a orelha. Sua mãe não demorou para entender também de quem se tratava.

— Nossa, o Henrique já chegou? Não é cedo? O jantar é só à noite.

— Mas, como eu não tenho aula hoje, vamos aproveitar para darmos um passeio até a hora do jantar — respondeu Samuel, animado, enquanto caminhava em direção à porta da sua casa.

Assim que a porta foi aberta, Samuel se jogou nos braços de Henrique com cautela, porque o mais velho ainda estava se recuperando do acidente, mas já não precisava de muletas para caminhar.

— Ah, você já está bem melhor, querido — observou Vera do outro lado da sala.

— Sim, mas ainda caminho devagar — respondeu Henrique, sorrindo.

— Ah, mas um passo por vez, não é? — disse a sogra. — Eu vou para meu quarto deixar as roupas preparadas para mais tarde. Não esqueça de trancar o portão quando sair, Samuel.

— Certo, mãe.

Em seguida, Vera pegou a direção para os quartos.

Samuel sorriu para Henrique e pousou sua mão em seu ombro, e logo selaram o encontro com um beijo demorado.

— Preparado? — perguntou Henrique, quase não contendo sua animação.

— Mas para onde, exatamente? — questionou Samuel. Desde que o namorado havia dado a ideia, ele não explicou em que lugar iriam.

— É uma surpresa, mas é um pouco longe da cidade. Talvez a gente chegue atrasado para o jantar.

Samuel pensou. Parecia uma ideia bem perigosa mexer com o horário que a mãe do namorado estipulou com tanto rigor.

— Eu não sei, Henrique... Sua mãe não vai ficar brava?

— Ela já está sabendo.

Se a organizadora do jantar estava sabendo do possível atraso do casal, principalmente daquele que era o motivo da comemoração, então, para Samuel, estava tudo bem.

Como sua mãe havia pedido, o estudante trancou o portão da casa antes de entrar no carro do namorado, e, quando o fez, não demorou muito para que o outro entrasse na estrada rumo ao destino do qual Samuel desconhecia por causa de todo o suspense que Henrique queria fazer. Porém, parecia entusiasmado até demais com aquela pequena viagem.

— É sério que você não vai me contar? — perguntou Samuel, incrédulo.

— Sim — respondeu Henrique sem olhar para o namorado, focado na estrada. — Quando você vir, garanto que a surpresa vai ser maior.

A sobrancelha do outro levantou levemente, mas preferiu não dizer o que passou em sua mente porque o namorado poderia se ofender com o xingamento proferido pelos seus neurônios agitados pela raiva.

— Posso, pelo menos, conectar meu Spotify no seu carro?

— Claro que sim, meu amor. — Então Henrique se virou para o outro e sorriu com seus olhos fechados, mas a tempo suficiente de não perder o foco na viagem.

Samuel suspirou e fez a conexão com o aparelho do carro. Sabia que a música o ajudaria a não dizer poucas e boas para o namorado. Aproveitaria a melodia e as letras, por mais que não compreendesse completamente as que estavam em outro idioma, para o tempo passar mais rápido, e finalmente chegaram ao lugar em que Henrique queria levá-lo.

Depois de três horas de viagem, Samuel percebeu que eles estavam saindo da cidade. Isso acendeu um alerta em sua cabeça, talvez nem desse tempo de voltarem para o jantar, se estivesse muito escuro quando chegarem ao destino final. Olhou para Henrique, mas não parecia preocupado, e isso, mais uma vez, incomodou o estudante.

— Tem certeza que não vamos nos atrasar para o jantar da sua mãe?

— Ela já sabe. Não se preocupa, Samuel — respondeu o mais velho sem tirar os olhos da estrada.

— O lugar para onde você tá me levando... fica muito longe, mais do que já percorremos?

— Não se preocupa, tem um caminho para chegar mais rápido que praticamente foi feito só pra isso, para acessar mais rápido — explicou Henrique, mas a explicação não satisfez Samuel de maneira nenhuma.

Antes de Henrique acessar esse caminho, ele teve que estacionar o carro e abrir a porteira da entrada para a pequena estrada que ficava num desvio quase invisível na BR. Então Samuel percebeu que estavam indo para uma espécie de sítio, talvez chácara. O caminho mais rápido era resumido em uma estrada de chão batido onde nenhum outro veículo passava e apenas se via animais de criação. Depois de um tempo rodando nessa terra, entraram em um caminho onde não havia mais essa estrada, mas apenas rastros deixados por outros veículos.

Aos poucos, foram se aproximando de um aglomerado verde.

A paisagem parecia familiar para Samuel, mas apenas isso, pois poderia ser a entrada de qualquer lugar como aquele, poderia ter visto igual na televisão, numa fotografia, na internet...

Então Henrique virou em uma entrada e seguiu para frente. Aos poucos, a casa grande foi surgindo no campo de visão dos dois. Nesse momento, Samuel, por mais que não tivesse virado seu rosto, sentiu o olhar curioso de Henrique em cima dele.

Sentiu um vento em seu rosto, entre seus fios de cabelos. A mão formigou levemente quando o carro estacionou em frente ao casarão. Olhou bem para aquela escada que continha vários degraus para a gigantesca porta da frente feita de madeira polida e pintada com uma tinta marrom.

Desceu do veículo em sintonia com o namorado, mas não disse nada. Olhou ao seu redor, conseguia ouvir cantos dos pássaros e sabia que eles não estavam ali. Tudo começou a girar como se a gravidade não afetasse mais seu corpo.

— Henrique... — sussurrou Samuel com lágrimas nos olhos, e, então, prontamente o namorado se aproximou.

— O que foi, Samuel?

— Onde a gente está? — perguntou, sentindo a bola em sua garganta, mas não sabendo como continuar a falar.

— Calma, calma... — O mais velho abraçou o estudante, acariciando sua nuca enquanto também observava o casarão. Samuel apertou com força os braços do namorado, tentando recuperar aos poucos seu fôlego. — Eu acho que você sabe em que lugar estamos.

Samuel se afastou. Mais uma vez, olhou para aquela casa grande. Sem dúvidas, ela se encontrava diferente, mas não o suficiente para não voltar no tempo. Apertou forte a mão do amante, olhou-o dentro dos olhos e perguntou:

— Como?

— Essa fazenda é da minha família — respondeu Henrique. — Quer dizer, de uma parte da minha família. Meu pai ficou com o grupo, e meu tio, que agora já é falecido, ficou com essa fazenda, com os negócios de café. Mas o Grupo Barreto ainda distribui o produto. Atualmente, quem cuida de tudo aqui é uma prima minha. Ela está lá dentro nos esperando. Avisei que eu viria para te mostrar o lugar.

— Como pode...? — pensou Samuel, confuso.

Os dois subiram os degraus até a entrada da casa grande, sendo recebidos por uma das funcionárias do lugar, que os guiou até o escritório onde a prima de Henrique os esperava.

A mulher recebeu o casal com um café da tarde em seu escritório, tudo produzido ali mesmo na fazenda. Pão de queijo, bolo de cenoura com calda de chocolate e broa de milho, além do café. Para a visita ficar mais confortável, sentaram-se a uma mesa apenas para a refeição. Assim, parecia família mesmo.

— Obrigado por nos receber, Catarina — agradeceu Henrique.

— Ah, que isso, somos família, Henrique — disse a mulher de cabelos loiros terminando de servir as xícaras de café. — E logo você também será da família, Samuel.

— Obrigado — agradeceu o estudante pegando sua xícara.

— Queria que o Samuel conhecesse um pouco da fazenda. Afinal, eu vinha muito aqui quando criança, acompanhando o vovô.

— Ah, claro. Sintam-se em casa. Vão ficar para o jantar?

— Infelizmente, não — respondeu Henrique. — Estamos com o tempo curto, minha mãe organizou um jantar para conhecer formalmente a família do Samuel.

Catarina riu, conhecia bem como sua tia gostava das coisas.

— A tia não mudou muito. Bom, vamos comer e depois vocês podem passear pela fazenda — disse Catarina após beber um pouco do café e pegar uma broa. — Ah, aliás, fiquei sabendo o que a Sandra anda fazendo.

— Ficou? — perguntou Henrique, surpreso.

— Sim. Ela me ofereceu a compra da universidade. Pensei em comprar e depois passar para o nome de vocês, mas, no mesmo tempo que ela me sugeriu comprar, não quis mais falar comigo do assunto.

Henrique e Catarina ficaram assim, conversando sobre o que estava acontecendo nos negócios da família enquanto Samuel observava a troca de palavras, mas também pensando sobre tudo o que iria ver naquela fazenda. O sentimento nostálgico era diferente, não seria a mesma coisa se visitasse o Japão com sua avó. Já havia ido quando criança, e certamente teria a nostalgia, mas estar naquela fazenda se tratava de uma palavra que ainda não existia para explicar com exatidão o que se passava em sua mente e no resto do corpo.

O sol brilhava no vasto céu azul como se fosse naquela época.

Nada parecia ter saído do lugar. Algumas coisas que mudaram na paisagem se tratavam de uma cerca mais moderna ao fundo e os fios elétricos que se encontravam saindo da casa grande e indo em direção ao poste. Com sua mão firme na de Henrique, desceu pela pequena estrada tão familiar e ao mesmo tempo nova que saía da construção e descia para o campo.

Quase chegando à tal cerca, encontrou mais uma figura familiar e se surpreendeu de ainda estar ali. Sentiu seu coração bombear mais sangue para seu corpo. Um calor infestou seu peito como se tivessem jogando água quente nele. A mesma sombra da mesma árvore. Correu naquela direção e por alguns segundos se sentiu como Mio novamente.

Sentiu o calor do sol contra seu rosto. Com seus olhos fechados, ficava fácil demais imaginar que estava ali no passado, em sua vida anterior, mas também era possível sentir como se o tempo não tivesse passado, como se não houvesse um véu separando as duas existências de seu espírito. Tudo era uma coisa só, uma experiência, e nada além disso. Pela primeira vez, ele se sentiu como aquela jovem imigrante, e não como se fossem pessoas separadas.

A calmaria do canto dos pássaros, do vento da fazenda e da sombra daquela árvore acalmaram seu coração aos pouquinhos. De batida em batida, o bombeamento de sangue foi voltando ao normal e o calor de seu corpo deu lugar a uma sensação de aconchego, como se estivesse deitado em nuvens, apesar de sua cabeça se encontrar no colo de Henrique com as mãos dele passando pelos fios de seus cabelos.

Sentia a eternidade, mas como explicar o que seria sentir a eternidade? Talvez Samuel estivesse como uma pluma solta no vento ou como um objeto solto no espaço sideral, apenas flutuando na eterna escuridão que é nosso universo. Ou, então, poderia estar sentindo o específico sentimento de retornar ao lugar que Mio considerava seguro. Afinal, depois de ser levado dali contra sua vontade, ela apenas teria segurança se retornasse à fazenda ou aos braços de seu amado.

Nesse momento, Samuel conseguia as duas coisas, e ele gostaria de ficar ali por mais horas, dias, semanas ou meses.

Mas ainda havia um jantar para comparecer.

Assim, não tardaram a tomar o caminho em direção à mansão.

— Gostou? — perguntou Henrique enquanto dirigia de volta para a cidade.

— Sim — respondeu Samuel sorrindo, ainda anestesiado pela nova experiência. — Nunca me senti tão em paz... Acho que, antes de se suicidar, Mio queria muito isso. Voltar para aquele lugar.

— Vai ficar tudo bem, meu amor — respondeu o motorista, sorrindo. — Prometo que ninguém vai nos separar dessa vez. Nessa vida, não vamos repetir o final anterior.

Samuel apenas sorriu, confiando na segurança que Henrique tinha, mas, ao mesmo tempo, não podia deixar de pensar na sua conversa com Daniel. Pensaria em uma maneira de levar Sandra até o médium. Mas, antes disso, precisaria encontrar uma maneira de entrar em contato com a mãe dela.

Alguma coisa lhe dizia que saber mais sobre a família poderia ajudar até mesmo Daniel no momento em que Sandra estivesse de frente para ele. Não desistiria da sua história com Henrique, mas ainda havia culpa por como tudo ocorreu, e ajudar a jovem moça era uma maneira de diminuir essa sensação doída.

O casal chegou em cima da hora para o jantar, mas a família de Samuel ainda não havia chegado. Sendo assim, tiveram um tempo relativamente curto para tomarem banho juntos e se arrumarem. O azul em um tom claro como o céu de um dia ensolarado da camisa de abotoar caiu perfeitamente em Samuel, a cor clara destacava sua pele e seus cabelos escuros. A frieza do tom contrastava harmoniosamente com a cor quente e vermelha da camisa social escolhida por Henrique. Estavam como opostos que se atraíam em uma dança natural. Sorriram ao olharem para seus reflexos no espelho, e então Henrique pousou seu braço no ombro do namorado e deixou seu rosto próximo do dele.

— Fazemos um casal tão bonito — sussurrou o estudante de direito. — Eu poderia ficar a noite toda admirando sua beleza.

A bochecha de Samuel avermelhou, mas não apenas por causa do elogio. Também notou o brilho no olhar de Henrique vendo seu reflexo. Já havia percebido isso antes. Toda vez que aqueles lindos olhos castanhos claros o encontravam, brilhavam como duas pedras preciosas.

— Você também está lindo, Henrique. — Samuel se virou, pousou seus cotovelos em cima dos ombros do rapaz e em seguida desceu suas mãos até seu rosto.

Beijou delicadamente sua boca, e lentamente os dois fecharam seus olhos.

Quando Henrique segurou a cintura de Samuel, o beijo se transformou, mais agressivo e também amoroso. Estavam quentes, com energia e ar o suficiente para o fôlego não escapar facilmente. Samuel agarrou com força o cabelo de Henrique, fazendo o mais velho soltar um gemido e uma risada de puro prazer.

Como retribuição, Samuel recebeu uma mordida no seu lábio inferior.

Estavam prontos para se livrarem das roupas que haviam acabado de vestir.

— Sua família chegou, Samuel... — disse Renato entrando no quarto sem avisar. Quando avistou a cena, Henrique desabotoando a camisa de Samuel e, por sua vez, Samuel agarrando a bunda de Henrique, Renato conseguiu conter com maestria sua vontade de rir. — Opa... Ahm, me desculpem, mas acho que vão ter que deixar isso para mais tarde... Seus pais e sua avó estão aí, Samuel

Mesmo com a porta fechada por Renato, o casal ainda conseguiu escutar a risada do outro no corredor.

— Perfeito — sussurrou Henrique.

Samuel fechou seus olhos e apertou seus lábios, tentando não rir como o irmão do namorado.

“Nossa, mas isso parece uma cena de telenovela...”, pensou Samuel observando aquela cena que formava a primeira parte do jantar. Sua mãe e sua avó conversavam com Donna e, enquanto isso, Renato, Henrique e José Carlos conversavam com Akira sobre o estado econômico da universidade. “Só falta tocar uma bossa nova...”, continuou pensando o universitário com uma taça de água com gás em suas mãos. A empregada vestida com um uniforme preto e branco contribuía ainda mais para essa visão folhetinesca.

— Mas como é isso? — perguntou Donna, parecendo interessada na história contada por Vera e Sakura. Se não estivesse, estava atuando com a dignidade de um Oscar.

— É que a minha mãe veio aqui, no Brasil, e ficou. A família do Akira é que chegou no país com os primeiros imigrantes — explicava Vera. — Por isso que, quando alguém curioso, porque esse povo é bem curioso mesmo, pergunta sobre a ascendência do Samuel, a gente diz que ele é da terceira geração. É mais fácil.

— Nossa, que interessante — disse Donna e em seguida deixou sua taça de vinho de lado. — Eu vou ver como anda o jantar, não demoro.

— Tudo bem — sorriu Vera.

Quando Samuel percebeu sua sogra saindo na direção da cozinha, não pensou duas vezes na possibilidade de segui-la. Aquele seria o momento.

Quando entrou na cozinha, Samuel encontrou Donna conversando com a chef contratada por ela para saber como estava andando a preparação do jantar. Tratava-se de uma mulher com um sotaque hispânico muito forte, mas ainda assim Samuel conseguia entender algumas coisas que ela falava, e Donna não via problema, já que dominava alguns idiomas.

— Samuel? — perguntou Donna ao encontrar o namorado do filho. — Precisa de alguma coisa?

— Não... Quer dizer, sim. Na verdade, queria conversar com a senhora.

— Sobre?

— A mãe da Sandra.

Donna respirou fundo e olhou para os lados. Então perguntou:

— Por quê?

— Porque... eu quero entender mais sobre a Sandra. Quem sabe, ajudar ela... E também tentar convencer ela de não vender a universidade — explicou o mais novo.

Antes de falar qualquer coisa, a mulher olhou fixamente para o outro, julgando o que havia acabado de ouvir. No lugar de Samuel, ela nunca tentaria ajudar a outra pessoa, mas encontraria uma maneira de tirá-la do jogo.

— Você quer ajudar a Sandra?

— Sim.

— Bem, vamos conversar comigo no escritório. Acho que lá não vamos ser interrompidos — disse Donna, e em seguida começou a andar.

Samuel foi logo atrás dela.

Donna se sentou na primeira cadeira de frente para a mesa, Samuel na segunda. Um ao lado do outro.

— O que você sabe sobre a família da Sandra, garoto? — perguntou Donna.

— Algumas coisas que ela me contou, depois o seu marido.

— O que ela contou?

— Antes da gente saber que a gente estava com o mesmo homem, o Henrique... Sandra e eu estávamos desenvolvendo uma amizade. Ela me contou sobre o pai dela, ele se sui...

— Suicidou. — Donna foi seca.

— Sim — continuou Samuel. — E depois, bem, depois o Henrique me contou sobre como a mãe dela foi embora. O seu marido me deu algumas informações também, ele me disse que a situação é complicada.

— E realmente é — respondeu Donna. — Apenas a Helena pode te contar qualquer coisa. — Em seguida, a mulher se levantou, sentou-se na frente do computador e ligou a tela. Digitou então rapidamente alguma coisa.

— O que a senhora está fazendo? — Samuel perguntou.

— Espere um momento. — Ela continuou digitando. — Veja só, a Helena está online. Quer conversar com ela?

Samuel ficou imóvel, não esperava que isso aconteceria naquele momento.

Donna, sorrindo, ajeitou-se na cadeira estofada e cruzou seus braços esperando a resposta do outro.

— Vou perguntar novamente: quer conversar com ela? Eu posso perguntar — disse a mulher.

Pareceu que o tempo parou.

Sua conversa com a mãe de Sandra poderia auxiliar na sua tentativa de ajudar a outra, mas também poderia não servir para nada. Estava no meio do jantar em comemoração à melhora de Henrique, sua família estava na sala confraternizando com a família do namorado.

— Não precisa se preocupar com o Henrique — disse Donna parecendo ler a mente do rapaz. — Ele vai entender. Então, o que você me diz?

Juntando toda a sua energia, o garoto chegou a uma conclusão.

Notas finais
-Ritter
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.