Eu, Eu Mesma E O Tempo

3 Capítulo 3: Tudo Pelos Ares


Trecho 100: Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.


Você já fez uma boa ação hoje?


Eu tenho um segredo para contar para você. Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta.


Albert Einstein disse isso. Certo dia minha professora de História, Rachel, me contou um fato de Einstein. Começava assim:


FLASHBACK ON

_A primeira apresentação sobre Einstein vai ser do grupo do Vitor. _ A professora apontou. Cada um deveria encenar algo que aconteceu com Einstein.


Isabella, Maria e Vitor eram o trio. Isabella sentou na cadeira do professor e Vitor continuou em sua classe, assim como Maria.


_... E é por isso que Deus existe. _ Isabella disse.


_Professora _ Maria ergueu a mão _ Se Deus existe, o Diabo também existe?


_O frio não existe. _ Vitor disse, Isa tentou interrompê-lo e ele continuou _ O frio é a ausência de calor. O Diabo é apenas a presença de Deus e das coisas boas na vida.


A turma aplaudiu e Isa voltou para a classe. Após todas as apresentações, a prof.Rachel disse:


_Tem uma história sobre Einstein muito interessante, e que eu gostaria que soubessem _ Por tudo de sagrado! Eu amo a professora Rachel, e já pressentia que eu ia gostar de saber o que ela estava prestes a falar. _ Há muito tempo, dois meninos de, aproximadamente, 7 anos, patinavam em um lago congelado, no mais frio dos invernos, com seus patins. Um dos garotos rachou o gelo, e ficou preso em um pequeno circulo rachado. Com a água gelada cobrindo seu corpo, ele poderia morrer de hipotermia. Um homem que observava a cena não se mexeu, e o outro, chamou a ambulância. Enquanto a ambulância não chegava, o outro menino tentava pacientemente quebrar mais partes do gelo com seu patins, para que o amigo pudesse sair. Quando a ambulância chegou, os meninos estavam do lado do lago, ambos completamente bem. Os bombeiros aqueceram o corpo do que havia caído, e um outro bombeiro à parte foi até o homem parado, e perguntou: "Como ele conseguiu quebrar o gelo? Ele tem apenas 7 anos". O homem sorriu, e respondeu: "Ele conseguiu, pois não havia ninguém dizendo que ele não conseguiria". O homem parado era Albert Einstein.


FLASHBACK OFF


O sinal bateu: Recreio. Eu estudo em uma escola particular. Como meus pais se separaram, procuraram me dar sempre do melhor para que eu esquecesse que a família não está mais unida. Fui até a fila da cantina. Olhei para as mesas próximas e pude vir a Julia, a "Popular" da escola, fazendo brincadeiras de mal gosto com a Nathalia.


Trecho 101: É mais fácil lidar com uma má consciência do que com uma má reputação.


Eu já estive nesse lugar. Eu sou estranha e não costumo pensar como alguém da minha idade, e é por isso, provavelmente, que não tenho muitos amigos próximos, só conhecidos, ou que falo pouco.


Trecho 97: Ter muitos amigos é o mesmo que não ter nenhum.


Trecho 98: Qual seria a sua idade se não soubesse quantos anos tem?


Meu próximo objetivo: Procurar a resposta do trecho 98. Com ele, me lembro do Trecho 93: Devemos julgar um homem por suas perguntas, não por suas respostas.


Olho para um lado e vejo garotos inúteis e infantis e garotas fúteis. Olho para o outro, e olho para a tia da cantina. É tão engraçado como ela pode ser mais simpática do que qualquer aluno. Todos comentavam a morte de Claire. A tia da cantina não é velha, mas sua aparencia lhe dá mais de 60 anos, pelos calos na mão e rosto cansado. Mas esse mesmo rosto cansado não para de sorrir, de compreender, de delinear. Como diz o Trecho 104: O ignorante fala, o imbecil duvida e o sábio reflete. Psicologicamente, a tia da cantina merece o alge de seus 28 anos. Claro, mais caseira, vendo filmes no sofá de casa embaixo dos cobertores, tomando um chá quente, no meio do inverno. Eu quero ser como ela na minha velhice. Mais valem os que sorriem, porque chorar por um minuto, é o mesmo que perder 60 segundos de felicidade.


Peguei meu lanche, lhe desejei um bom-dia tímido e fui para uma mesa, comer e escrever em meu diário.


" Trecho 109: Uma vida não questionada não merece ser vivida.

Trecho 111: Geralmente aqueles que sabem pouco falam muito e aqueles que sabem muito falam pouco.


Querido diário,

vai ser estranho não ir para a aula de canto com Claire no resto das tardes. Essa tarde vou ao velório dela, jogar-lhe algumas rosas brancas e tulipas roxas. Eu a conhecia a tanto tempo, mais de um ano, e ainda assim nem sabia quais suas flores favoritas. As vezes se descobre mais em um minuto de brincadeira, do que em um ano de conversa (Trecho 120)


Me deseje boa sorte. 10:05 am"



|NO ENTERRO DE CLAIRE|


Eu vestia uma calça jeans justa, um all star preto, uma blusa preta e uma jaqueta jeans. Eu nunca soube como me vestir para um velório. Mas confesso, nem todos usavam preto. O padre falou umas 523857258 palavras, e os pais de Claire também. Larguei as flores em seu túmulo. Era branco e alto, ali dizia: "Claire Monaire — 1997 a 2012 'Aqui jaz uma filha amada, aluna dedicada e amiga companheira' " em tábuas pretas, na cor dourada.


Ninguém soube que foi Jonathan quem jogou a bola nela, mesmo depois da autópsia, mas eu duvido muito que a autópsia tenha sido realizada com a boa vontade do homem do necrotério. É uma cidade média, nem grande, nem pequena, aposto que deram como acidente. Todos sabem que Claire não se suicidaria, e o homicídio culposo seria algo forte demais para uma brincadeira de Johnny.


Eu não chorei durante o velório, mas manti a expressão triste até sair de lá. Ao lado do nome de Claire na lápide, se via uma foto dela, pela primeira vez a vi com cabelo solto. Seus cabelos loiros eram meio ondulados. Ela usava uma sompra leve, e sorria docemente.


Saí do velório, voltando para a minha casa. Eu não tinha mais nada a dizer, e estava com preguiça de pegar meu diário.