Notas iniciais
Olá a todos! =) Sim ... chegamos mesmo ao final. Quero agradecer a todos que passaram por aqui, que deixaram comentários, recomendações, mensagens, favoritaram, enfim, que leram e se deixaram cativar por essa história. ♥ A única coisa que resta fazer é desejar-vos uma boa leitura e quem sabe esperar que nos encontremos por aí numa outra oportunidade. Beijinhos e abraços a todos vcs. *__*

2 dias depois …

Há tanto tempo que não recebia pessoas que ver de novo a casa repleta de gente sorridente e festiva me trouxe um novo ânimo. Henry tinha convidado vários amigos e estava tão feliz como há muito tempo eu não o via. A pequena Emily com os seus cinco aninhos tentava acompanhar o irmão nas brincadeiras, mas nem sempre o mais velho lhe conseguia dar atenção. Então, a garota cruzava os braços e começava falando em um tom bravo uma série de palavras num italiano todo enrolado que ninguém conseguia entender. Todos ríamos, Gior a pegava no colo chamando-a de principessa e beijava-lhe o rosto rosado, e Henry corria até ela oferecendo-lhe uma bebida colorida enfeitada com uma sombrinha de papel.

Eu sorria com tudo aquilo, pensando em como a vida era curiosa. Henry sempre havia ganho uma irmãzinha no final de contas! De uma forma completamente improvável, mas a verdade é que Emily era sua irmã. Troquei um olhar com Giorgio, que me piscou o olho, e desviei a atenção para a porta que acabava de ser aberta pela moça da equipa de catering que contratei para aquele dia.

— Já estava achando que a minha mais recente sócia não viria. – falei, bem disposta, assim que vi Katia entrando com um presente nas mãos.

— Oi Regina! – trocámos dois beijos. – Só uma tragédia me faria faltar a essa festa! – respondeu, rindo.

— Oh não, nem fale uma coisa dessas! – revidei, puxando-a levemente pelo braço. – Já tive a minha dose de tragédia para a vida toda este ano!

Acabamos por rir juntas.

— Pode colocar o presente ali naquela mesa. – indiquei, apontando uma mesa cheia de embrulhos coloridos esperando o momento do “Parabéns” para serem abertos.

— Ah antes disso, — ela parou, se virando novamente para mim. – precisava dar uma palavrinha com você acerca da nova coleção de bolsas.

— Querida sócia, — comecei sorrindo, divertida. – o que foi mesmo que a gente combinou sobre isso?

— Desculpa! – exclamou, balançando a cabeça sem jeito. – Nada de assuntos de trabalho fora do trabalho! – dei-lhe uma pancadinha amorosa no braço e assenti.

— Exato! Faça tudo como eu, mas só não siga o meu exemplo. – me diverti com a minha própria contradição na frase. – Falamos segunda-feira sobre isso, ok?

— Claro que sim!

— Espero que se divirta. – ela assentiu, agradecendo, logo se afastando e indo até Gior para o cumprimentar.

— É isso mesmo que acabei de escutar? – dei um pequeno pulo com o susto, me virando para a mulher cuja voz eu reconheceria em qualquer circunstância.

— Emma! – nos abraçamos. – Você está maravilhosa.

Ela soltou uma gargalhada gostosa.

— É … a palavra certa é mesmo essa. – ela caçoava de mim, girando nos calcanhares para exibir os jeans claros, a camiseta vermelha e o cabelo preso em um rabo-de-cavalo. – Aliás, esses devem ser os trajes mais maravilhosos em que alguma vez você me viu!

— Boba! – peguei o embrulho das mãos dela, me dirigindo à mesa dos presentes. Ela me seguiu, logo atrás. – Você está com bom ar, oras! E eu sempre te adorei ver assim. – reparei no leve rubor que as suas faces adquiriram e sorri.

— Mas é sério isso? Você recusando uma conversa sobre uma linha de bolsas novas? – perguntou, retomando o assunto, que pelos vistos ela tinha pego parte da conversa.

— É sério. – confirmei, séria. – Até porque não foi pra isso que eu propus sociedade a Katia.

— Sociedade? Ela é sua sócia agora? – assenti, confiante.

— Nada mais lógico. Você sabe que ela se tornou o meu braço direito ali dentro, além do que competência é praticamente o nome do meio dela. E bem … — ponderei, antes de concluir calmamente. – … estava mais do que na hora de abrandar. Assim tenho mais tempo pra mim outra vez.

A minha resposta pareceu agradá-la ao mesmo tempo que a surpreendeu. Ela tocou o meu braço descoberto, afagando-me com ternura.

— Fico muito feliz por você. – disse, sorrindo com sinceridade.

— Eu sei que sim. – retribui o sorriso. – Me desculpa Emma, — ela retirou a mão do meu braço assim que disse isto. – mas acabou de chegar uma pessoa muito especial e eu tenho de ir recebê-la.

— Okay. – respondeu, erguendo a sobrancelha e dirigindo o olhar para a entrada onde um senhor de cabelos brancos surgia numa cadeira de rodas, acompanhado por uma mulher na casa dos quarenta.

Chamei a atenção de Giorgio que imediatamente sorriu para mim e me acompanhou até à porta.

— Tio Richard! Como vai? – cumprimentou Gior, dando uma palmadinha nas costas do meu pai.

Meu pai olhou durante alguns segundos para Gior, parecendo perdido, depois desviou a atenção para mim e num fio de voz murmurou:

— Querida é você? – estendeu o braço trémulo e me segurou a mão. – Minha adorada …

— Papai. – interrompi, emocionada.

— Papai? – questionou, perturbado. – Cora, meu amor. Sou eu!

Olhei para a enfermeira logo atrás do meu pai que me lançou um olhar complacente e depois para Giorgio que continuava sorrindo.

— Quanta saudade eu senti. – respondi, me baixando ligeiramente para o abraçar.

Ele me tomou nos braços com tanto amor e ternura que simplesmente todo o resto deixou de ter significado. Não importava se ele achava que eu era a minha mãe hoje ou se o meu rosto deixasse de lhe ser familiar amanhã. Se ele me chamava de Gina daqui a dois segundos apenas para se tornar a baralhar e me chamar de Cora no segundo seguinte. Nada disso importava mais, porque embora doesse tê-lo na minha vida por escassos minutos, ainda assim o tinha comigo naquele momento, me abraçando, inspirando a essência dos meus cabelos e me segredando que me amava. E isso não era mentira nenhuma. Pelo contrário, era uma das maiores dádivas que alguém como eu poderia ter na vida.

— Venha. – disse-lhe sorridente, substituindo a enfermeira e empurrando a cadeira de rodas. – Quero te apresentar o aniversariante.

— Aniversariante? – balbuciou. – Acho que não comprei presente. – disse, alarmado.

— Não se preocupe com isso. – tranquilizei. – Você encomendou um presente fantástico e mandou entregar. – inventei sem qualquer remorso.

— É mesmo? – pareceu aliviado. – Que bom! – abriu um sorriso satisfeito.

Gior passou por mim, me beijou o pescoço, sussurrando um “Questa è la mia Regina”, e se afastou de novo, indo na direção de Emma.

Nessa altura, ousei olhar para ela e nossos olhares se cruzaram e se entrelaçaram de forma inevitável. Ela ergueu o copo de refresco que tinha na mão e inclinou levemente a cabeça enquanto um sorriso cintilante se formava no seu rosto.

Eu retribuí o sorriso com naturalidade, antes de me tornar a virar para a frente, vendo imediatamente Henry que estava mais à frente nos olhando. Beijei o topo da cabeça do meu pai e continuei empurrando a cadeira até ao meu filho que me esperava com um sorriso tão maravilhoso quanto o que eu tinha no rosto.

*** *** ***

1 mês depois

Ainda antes da minha mão encostar na porta uma segunda vez, a porta se abriu para mim, revelando um sorriso comedido que eu imediatamente achei um charme nela. Sem mostrar os dentes, apenas os lábios curvilíneos preenchidos com um batom vermelho que me deixou em sérias dificuldades para desviar o olhar.

— Hey. – escutei-a dizer em tom baixo. Subi o olhar o mais depressa que consegui para os seus olhos, tentando não o descair por um só segundo para o decote generoso do vestido que ela usava. A cor? Vermelho.

Estava perdida. Como podia continuar sendo somente amiga dela?

— Regina. – escutei-a novamente. – Você está bem? – se aproximou um pouco com ar preocupado.

— Ah, claro. – balancei a cabeça meia aérea e tentando me controlar estendi a garrafa para ela. – Trouxe um vinho.

Ela baixou os olhos para a garrafa, esboçou um sorriso, e se preparou para pegá-la, acabando por tocar numa das minhas mãos no processo. Assim que senti o seu toque estremeci, sem sequer disfarçar. Uma vergonha! Ela fixou as esmeraldas em mim com uma intensidade tão grande que eu simplesmente me senti prestes a pegar fogo.

— Tinto. – disse.

— Uhm, desculpa?

— Vinho tinto. – um novo sorriso. – Adoro.

— Ah, claro.

— Tem a certeza que está bem? – escutei-a perguntar mais uma vez. O seu semblante estava ligeiramente contorcido em preocupação. – Venha, entre. – pediu, me conduzindo para dentro do seu apartamento com uma mão nas costas enquanto na outra levava a garrafa de vinho.

— Claro que estou bem. – finalmente consegui responder algo com convicção. – Apenas … não estava à espera do … — ela ergueu a sobrancelha sem entender, embora eu tivesse ficado com a leve impressão de ver um certo brilho de divertimento nos seus olhos. – … figurino. – completei, aproveitando para secá-la completamente de cima a baixo. – Você está de tirar o fôlego! – exclamei ruborizada.

Ela soltou uma gargalhada gostosa, tão solta e envolvente que parecia uma daquelas brisas quentes de verão que entram pelos ouvidos, mas se fazem presentes por toda a epiderme numa ligeira carícia. Eu tinha de acabar com isso!

— Emma, acho melhor eu ir embora!

— O quê? – o sorriso murchou completamente do seu rosto. – Mas você acabou de chegar!

— Sim, eu sei, mas é que … eu tenho, eu preciso … eu …

— Hey hey! – me interrompeu, pousando a garrafa na bancada e indo imediatamente na minha direção, me mantendo no lugar pelos ombros. – Eu te convidei pra jantar. Lembra? – assenti em silêncio, mordendo o lábio de nervoso igual a uma adolescente insegura. – Então … você deve … — agora era ela que parecia estar insegura. – …. ter fome. Imagino que não tenha comido em casa, então …. – nossa, ela estava se enrolando toda, e por mais absurdo que aquilo parecesse acabou por me deixar menos tensa. – … então você deve tar com fome.

— Sim … — murmurei num fiozinho de voz. – … eu tenho alguma fome. – acabei sorrindo.

— Que bom. – respondeu, descendo os olhos para a minha boca. – Eu também.

— Você também? – era oficial, meus neurónios tinham explodido.

— Sim. – segredou, ainda fixando os meus lábios. – Pra falar a verdade eu estou faminta.

Não houve tempo para uma resposta minha, porque os seus lábios se colaram aos meus de uma forma definitivamente faminta. Oh meu … ! Como senti saudades daquela boca macia, daqueles lábios engenhosos e daquele beijo afrodisíaco. Era tão mais fácil falar por essa via do que por meio das palavras …, mas precisávamos conversar, precisávamos ….

Nossa, aquela língua! Estava me fazendo uma lavagem cerebral através do céu da boca. Agarrei-a pela nuca e pela cintura e entrei naquele duelo sem o menor discernimento à medida que sentia o meu corpo ser elevado alguns centímetros no ar. Beijei-a nos lábios sem misericórdia, mordiscando-lhe o lábio inferior, descendo rapidamente para o pescoço para onde ela prontamente abriu espaço desviando a cabeça para trás. Mas foi apenas quando escutei o seu gemido que parei.

— Re … — suspirou. – … gina.

Estávamos ambas ofegantes. Nos olhámos ainda abraçadas, sentindo a respiração uma da outra no rosto. Nos mantivemos assim, segurando os ombros uma da outra, acho que no fundo, com receio que a outra desaparecesse dali como se tudo não tivesse passado de um sonho.

— Seu batom ficou destruído. – comentei alguns segundos mais tarde. – Ficava tão bem em você. – ela riu.

— Pois eu acho que fica bem melhor em você. – disse, se aproximando da minha boca e me dando um selinho.

— Emma, — fiz uma pausa, reunindo forças, olhando em seus olhos. – precisamos conversar direito sobre isso.

— Eu sei. – sorriu, recuando um pouco, fazendo as suas mãos deslizarem pelos meus braços. – Durante o jantar então?

— Durante o jantar. – assenti.

Ela me indicou o banheiro e seguiu para a cozinha. Depois de ter retocado a maquiagem e salpicado uma água no rosto, voltei para a sala onde Emma me esperava ao lado de uma bonita mesa. Jantámos em clima de descontração, apesar de tudo. Emma tinha feito uma comida leve como eu preferia quando se tratava do jantar: uma salada fria e salmão fumado. E estava completamente delicioso.

— Não é estranho eu não saber desses seus dotes culinários? – indaguei, levando à boca mais uma porção do salmão. – Hmm.

— Não fique alarmada. – respondeu. – É uma coisa nova.

— Sério?

— Ando experimentando uns cursos online. – disse, meio sem jeito.

— Emma! – exclamei, surpreendida. – Mas isso é fantástico! – sorri, maravilhada. – Está delicioso.

— Obrigada. – devolveu o sorriso e tomou um gole de vinho. – E você? Alguma revelação que queira fazer?

— Apenas uma. – ela esperou que eu continuasse, interessada. – Eu não consigo ser sua amiga.

— Não consegue? – arqueou a sobrancelha, embora o seu semblante continuasse tranquilo. – Como não se é o que tem sido esse tempo todo? – ela sorria, um sorriso resplandecente.

— Você entendeu o que eu quis dizer. – retorqui com a mesma tranquilidade que ela me transmitia.

— Já terminou? – perguntou, se referindo à refeição. Eu fiz que sim com a cabeça e ela se levantou, estendendo a mão para mim.

Aceitei a mão dela e me levantei, ficando à sua altura. Nos olhámos por breves momentos e depois ela simplesmente encostou a face na minha.

— Há quanto tempo a gente não dança? – assim que a pergunta soou no meu ouvido uma melodia eternizada pelo tempo começou tocando.

Assim que escutei os primeiros acordes e aquele primeiro “My love” a abracei forte e me deixei levar pelo leve balançar dos seus quadris.

— “Precious friend” …. – ela cantava muito baixinho no meu ouvido, entre uma carícia e outra feita através dos seus lábios que roçavam na minha face. – “with you I’ll always have a friend,…”

Sorri com aquilo e dei uma gargalhada forte quando ela exagerou na entoação tentando imitar o vocalista no “without you” o que acabou por sair completamente esganiçado no meu ouvido. Ela me empurrou de leve, dando a indicação que era para eu dar uma volta, e eu acabei soltando uma risada com as caras que ela fazia enquanto cantarolava.

— “God bless you,” – ela agora quase gritava e eu rindo, acabei por acompanhá-la, cantando junto e rindo ao mesmo tempo – “you make me feel brand new”

A melodia foi atenuando, baixando de volume, e ela me puxou novamente para uma última volta em torno de mim mesma, antes de me puxar de volta para ela. Abracei-a novamente, sentindo o aroma da sua pele mesclada com o perfume com notas de baunilha e jasmim.

A música terminou com alguma pena minha, e ela recuou um pouco, apenas o suficiente para me olhar nos olhos.

— Eu também quero mais. – ela disse, em tom baixo. – Eu preciso de mais.

— Eu tenho tanto medo de … — ela me silenciou com um dedo.

— Você não está sozinha. – beijei-lhe a ponta do dedo, agarrando a sua mão e beijando-a também.

— Eu só não quero voltar a te magoar. – confessei. – Eu não quero errar de novo. Não com você, Emma. Eu não tenho palavras pra dizer o quanto eu lamento tudo o …

— Shiuu. – sussurrou. – Eu também errei. Toda a gente erra.

— Eu sei, – baixei a cabeça. – mas …

— Eu amo você. – me cortou, me fazendo levantar a cabeça de forma imediata. – Pode ser loucura, coisa de novela, de gente delirante, romântica incurável, eu não sei …. A única coisa que eu te posso dizer é que nesse tempo que a gente teve afastadas, eu realizei que você é muito mais do que uma amiga …. uma amante …

— Emma … — meus olhos picavam ligeiramente pelas lágrimas que teimavam em querer surgir.

— Você é parte de mim. – concluiu. – E tudo que faz parte de você, integra imediatamente a minha vida. Os mexericos, as manchetes dos jornais em letras garrafais, as fotos com legendas imbecis com palpites sobre a nossa vida. Tudo isso, Regina, – suas mãos subiram até ao meu rosto, ficando uma de cada lado da minha face. – faz parte de quem você é. Tudo isso contribui para a mulher forte e maravilhosa que você é e que eu amo.

— Eu … — balbuciei, emocionada com tal declaração. – … nem sei o que dizer.

— Diz que aceita se casar comigo. – atirou, me deixando paralisada. – Já adiámos tanto.

Vendo que eu não falava nada, ela se afastou, me deixando respirar. Eu aproveitei para me sentar novamente e tomar um gole de água.

— Por quê agora? – perguntei passados alguns segundos.

Ela tinha ido até à cozinha, e como se fosse a coisa mais normal do mundo depois da bomba que lançou, trazia duas taças de mousse de chocolate.

— Acho que a pergunta é mais “por quê só agora?”. – respondeu, se sentando à minha frente. – Apesar de tudo, acho que nunca tive tanta certeza como agora. Eu … — esticou o braço sobre a mesa, segurando na minha mão. – … marquei uma consulta com a sua terapeuta.

— A Dr.ª Monique? – pisquei, pega de surpresa. – Para quê?

— O que você acha de a gente fazer terapia juntas? – perguntou, me deixando ainda mais estarrecida.

— Tipo terapia de casal? – quis entender.

— Sim, pensei que pudesse te deixar mais segura, ou melhor, a nós as duas. Não é um sinal de fraqueza … – vi que tentava-se justificar, com receio de ser mal interpretada.

— Claro que não é, querida. – tranquilizei-a. – Estou trabalhando nisso faz tempo. – acabei rindo. – Pedir orientação ou ajuda não é fraqueza. – reforcei, e ela sorriu, assentindo. – Pelo contrário, é sinal de força. – apertei a mão dela, transmitindo confiança; a mesma confiança que ela depositava em mim, em nós. – Eu não sei como eu esqueci de como você é incrível.

Me levantei, contornando a mesa, e me inclinando um pouco, me sentei no seu colo.

— Eu te amo. – declarei. – Muito.

— E? – ela provocou com um sorriso travesso nos lábios agora rosados, sem vestígio de batom.

— E eu aceito casar com você. – toquei os seus lábios com os meus, vagarosamente. – Aliás, — me afastei o suficiente para a olhar. – se você me der a provar um pouco dessa mousse de chocolate eu até aceito passar logo para a noite de núpcias.

Um sorriso cheio de malícia redesenhou-se pelos seus lábios que insistiam em me fazer convites indecentes. Ela então pegou na colher, enterrou-a na mousse, e levou-a até à minha boca, mas antes que eu pudesse provar do chocolate, ela mudou a direção da colher e enfiou-a toda na sua boca.

— Isso não se faz! – repreendi, tentando agarrar na colher. – Me dá!

E ela me deu. Um beijaço daqueles. Com sabor a chocolate e a promessa de muitas outras coisas doces pelo caminho que ainda havia para percorrer.

Notas finais
Caso o link para a música não abra, podem aceder aqui: https://www.youtube.com/watch?v=JfbSvbQiSqU
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!