Notas iniciais
Olá gente linda =) Obrigada pelos lindos comentários. E desculpem a tensão rsrsrs .... então, será que esse capítulo tem como compensar vcs um pouquinho? Apenas pra respirar um pouco, até à estreia de OUAT!!!!! Daqui a pouco! Sem mais, por enquanto, Boa leitura!

Neal Cassidy.

Sabe quando o simples som de um nome tem o poder de lhe causar náusea? Sim, é esse o nome para mim. O nome do pai … de Henry. O meu Henry.

Esse homem, um ex-patife de rua, um delinquente recém-recuperado, segundo as explicações de Emma, tinha-a procurado para reatar os laços com o filho renegado. Após onze anos, quase doze no final desse mês, o sujeito tinha a cara de pau de reaparecer muito arrependido do que fizera no passado. Além de não ter assumido nem ter perfilhado Henry, ter deixado Emma adolescente sozinha com um bebé nos braços, ainda tinha o despautério de chegar agora como se nada fosse?

– Isso está completamente fora de cogitação! – Eu me esforcei para não gritar, pois Henry estava no quarto dele que ficava ao fundo do corredor. – Emma! Você endoideceu?

– Eu não tenho o direito de lhe negar isso Regina, por favor entenda. – Ela me dizia como se aquele pedido fosse a coisa mais sensata e normal à face da terra.

– Pelo que sabemos, que é absolutamente nada, esse cara pode muito bem ser um oportunista! Não seja ingénua querida! O que te leva a pensar que depois desses anos todos, ele tenha …

– Claro claro. Já faltava você esfregando o seu dinheiro na cara de todos os pobres e os chamando de oportunistas! Você acha que tudo gira em torno de você, não é mesmo? – Ela lançou exaltada, enquanto se preparava para sair do quarto, mas eu não deixaria. Não assim, dessa forma, como se eu é que fosse a má da fita dessa história.

– Escuta aqui, nós vamos conversar como as duas adultas que somos! – Eu a segurei pelo braço, e me virei para trancar a porta com a chave.

– Ah agora você quer conversar. – Ela atirou irónica, se afastando na direção contrária. – Muito bem, começa por me explicar porque o seu jantar com um cliente virou seu jantar com uma garota de programa! – Ela encarou o teto por segundos, e abanou a cabeça, voltando a me olhar com o olhar trémulo. – Desculpe, eu ia esquecendo que pra vocês o nome certo é acompanhante de luxo.

Ela estava um caco, e só por isso, eu escolhi não responder à provocação. Em vez disso me aproximei dela a passos largos e a abracei sem que ela esperasse, o que fez com que ela não tivesse outra opção a não ser me deixar envolvê-la com os meus braços.

– Querida. – Murmurei com a boca encostada à sua têmpora, enquanto desenhava círculos invisíveis pelas suas costas, permitindo que ela fosse se acalmando progressivamente. – Me perdoa, tá bom? Eu sei que isso não muda o facto de você ter de ficar vendo essas mentiras horríveis sobre mim … sobre nós … mas Emma, eu não quero mais ninguém. – Senti as minhas próprias lágrimas derramando pelos meus olhos, e a abracei mais forte. – Eu não preciso de mais ninguém.

Senti os braços dela me envolvendo também, e me apertando contra ela, retribuindo o meu abraço. Ela encostou a cabeça no meu ombro, e descambou completamente, afogada em lágrimas.

Meu coração doía ao vê-la assim e não poder fazer nada. De todas as coisas que mais me custava não poder controlar, decididamente todas as lágrimas e dor de Emma eram as piores delas. Não disse nada durante alguns minutos, até porque tinha receio de acabar afastando-a novamente. Deixei-a chorar, deixando em simultâneo, de forma silenciosa, algumas das minhas próprias lágrimas juntarem-se às dela salpicando algumas mechas dos seus cabelos que tocavam o meu rosto. Subitamente senti um solavanco vindo dela na forma de um soluço forte no meio do choro, o que me levou como reflexo a apertá-la mais contra o meu corpo.

– Vai ficar tudo bem. – Sussurrei baixinho, sem ter a certeza se ela me havia conseguido escutar. – Você não está sozinha. – Assegurei-lhe desta vez um pouco mais alto.

Levei uma mão ao seu rosto, mas sem a afastar de mim, afastando alguns fios dos seus cabelos do seu rosto molhado. Beijei-lhe a bochecha mais rosada do que o habitual devido ao choro compulsivo que se ia esmorecendo aos poucos. Mais um soluço no meio de um estremecer, e ela parecia uma menina pequena assustada. Puxei-lhe com delicadeza os cabelos para trás, e procurei pelo elástico no seu pulso, e retirando-o, prendi as suas mechas loiras num rabo-de-cavalo frouxo como se ela fosse minha boneca, e eu, sua protetora. Só aí me permiti voltar a fixar o meu olhar no seu, e passando ambos os polegares por debaixo dos seus olhos, tentei enxugar a maior parte das lágrimas vertidas.

– Eu … — Ela tentou expulsar as palavras para fora, com dificuldade, pois logo um novo estremecer percorreu momentaneamente o seu corpo trémulo. – Eu … não …

– Está tudo bem. – Repeti eu, sem dizer quase. Foi um gesticular de lábios sem som, enquanto eu deixava cair as minhas mãos do seu rosto para os seus ombros, descendo para os braços, sentindo os músculos estirados pela tensão. – Nós vamos resolver isso … — Tentei ser firme, embora todas as incertezas que envolviam essa declaração assombrassem o meu coração.

– Eu não sei porquê … — Ela recomeçou, desta vez mais alto, respirando fundo, tentando parar de chorar. — … porque é que ele foi aparecer agora.

Ela levou as próprias mãos ao rosto, limpando-o bruscamente, frustrada. Deixei que minhas mãos escorregassem dela, quebrando o contato direto com a sua pele. Encarei-a em silêncio, pressentindo que ela falaria de novo o inevitável.

– Ele quer conhecer o filho … ele disse que está diferente, se mostrou arrependido. — Seu transtorno era real, então não a interrompi, deixando-a continuar. — … Regina … eu não posso impedi-lo… entende? Ele é …

Fechei os olhos automaticamente num segundo antes dela completar a frase que era metáfora de desencadeamento de bomba na minha vida.

– O pai de Henry, eu sei. – Terminei por ela num ápice, tornando a abrir os olhos lacrimejantes. – E infelizmente nem de doador de esperma eu posso chamá-lo. – Completei com uma ponta de cinismo na voz, mas logo me arrependi. Ela não tinha culpa. – Nós vamos arrumar uma solução. Vou ligar aos advogados e eles …

– Você não entendeu o que eu disse? – Ela me segurou o braço para que eu voltasse de novo a atenção para ela. Ergui uma sobrancelha evidenciando o meu desentendimento. – Ele tem direitos.

Fiquei perplexa com as suas palavras. Ela estava mesmo falando sério. Ela ia permitir que aquele homem entrasse nas nossas vidas. Porque ele tinha “direitos”? O direito de ejacular para dentro dela e logo depois afrouxar, em ambos os sentidos, e se desresponsabilizar de qualquer dever? Direitos?

Sim … nessa equação, os deveres eram meus, os direitos dele. Suspirei.

– Muito bem. – Respondi secamente. – Mas por favor não se esquece que Henry também é meu filho. Eu tenho uma palavra a dizer.

– Claro que sim amor! Todas as palavras. – Ela puxou as minhas mãos, apertando-as nas dela. – Nunca ninguém vai tirar o seu lugar, isso nem se coloca em causa … você é tão mãe de Henry como eu. Só que … não podemos agora fechar os olhos a isso … — Ela mordeu o lábio de forma nervosa, e esboçou uma cara de comprometida. — … ele tem um pai.

Não consegui evitar que as linhas da minha face se contorcessem com aquelas palavras, mas nada disse. Estava cansada demais. Exausta na verdade. Baixei o olhar para os nossos dedos ainda entrelaçados e trazendo as nossas mãos juntas até à altura do peito, beijei as costas das mãos dela.

– Está bem querida. – Esbocei um pequeno sorriso cansado. – Vamos pensar na melhor forma de falar com Henry antes de alguma coisa, tá bom?

Ela aproximou o rosto do meu e me beijou os lábios delicadamente, muito breve, e murmurou com um sorriso tão cansado como o meu:

– Eu te amo.

– Me ama é? – Atirei ironicamente enlaçando o seu pescoço com os meus braços. – Só porque te dá jeito.

Ela alargou o sorriso, me beijou de novo, e murmurou nos meus lábios um “você sabe bem que sim.”, antes de me apertar forte, fechando mais um abraço que se tornava cada vez mais essencial entre a gente.