Eu E Você Numa Melhor, Pedro Lucas.
32 Em solo mexicano.
Notas iniciais
28 de Julho de 2012.
- Vamos, você já fez e desfez essa mala umas 10 vezes. – dizia o Pedro Lucas me puxando pelo braço.
- Calma, enquanto eu não achar meu boné eu não vou sair. – respondi birrenta.
Ouvi ele soltar um ar pesado, típico quando fica impaciente, mas não quer brigar.
- Merion, a gente compra outro lá, falta 40 minutos para nosso vôo sair. – ele respondeu calmo.
- Calma, já sei onde esta. – e sai em disparada para a lavanderia.
- Ai ai. – ele bufou levantando a mala e levando em direção ao carro.
Sorri esplendidamente quando vi meu boné lá estendido, o coloquei para completar meu look meio “maloqueira” e desci atrás do Pedro, me despedi dos meus pais sem mais delongas, estávamos frios um com o outro.
Pedro Lucas me aguardava na portaria, ele estava um príncipe com blusa de frio e mochila de costa, e eu com um boné, blusa de frio e calça.
Depois de alguns minutos chegamos ao aeroporto, pagamos o taxista e tiramos as malas para fora, o aeroporto não estava não lotado.
Fizemos o check-in e andamos apressadamente para o portão de embarque, tanto pelo atraso que tivemos –que eu tive- quanto pelo numero de pessoas que amontoaram em nossa volta.
Chegamos á sala de espera e compramos pão de queijo e um achocolatado quente, para embarcarmos alimentados, Pedro sorria e parecia estar muito feliz, eu também, era como se a partir daquele momento, eu fosse esquecer-se de todos os meus problemas.
Minutos antes de chamarem os passageiros para o embarque meu celular tocou.
Inicio da Ligação:
- Oi Mé. – a Amanda falava animada.
- Oi Amandinha, e ai como foi a tal prova, já saiu o resultado?
Ouvi uma risada abafada do outro lado da linha.
- Já sim.
- E..?
- Eu passei. – ela dizia animada.
- Ai eu sabia que iria passar, eu sabia! – falei mais animada ainda.
- Obrigada amiga, vem aqui em casa comemorar?
- Não da, to indo pro México.
- México? Nossa realmente eu sou a ultima, a saber, das coisas.
- Desculpa você estava ocupada e eu não queria te encher com essas coisas.
- Claro pra você não faz diferença a minha opinião, nunca faz.
- Não é isso Amanda.
- É sim, todo mundo já percebeu. Tchau.
Final da Ligação.
Respirei fundo ao desligar o telefone, uma das coisas que eu menos queria nesse momento era brigar com a Amanda. Minutos depois anunciaram no alto falante o numero do nosso vôo, entrelacei minha mão na do Pedro e fomos em direção a fila de embarque.
Estávamos ansiosos, parecia a primeira vez que viajávamos juntos, na verdade era a primeira vez como namorados.
- Ta nervosa? – Pedro perguntou calmo.
Ele me fitava com um sorriso bobo no rosto.
- To, um pouco. – respondi enquanto caminhávamos em direção á aeronave.
- Acento 3 A o seu e 3 B o meu. – ele dizia enquanto olhava as passagens.
- É aqui. – coloquei minha bolsa de mão em cima da cadeira.
Guardamos as mochilas de costas e eu só deixei o necessário comigo, enquanto o resto da tripulação entrava no avião, nós fomos dar um “alô” no twitter pra avisar que já estávamos indo. Quando o embarque já estava concluído, prestamos atenção nas dicas de vôo, até que o avião começou a se movimentar, coloquei as mãos sobre meu rosto tapando os olhos. Pedro só ria das minhas reações engraçadas quanto mais a velocidade aumentava, faltando alguns segundos para o avião subir olhei para as suas mãos que estavam quase implorando as minhas, sem mas demoras segurei sua mão com força, ele abriu um sorriso iluminado, alegre.
- Pensei que ia esquecer-se de mim. – resmungou em meu ouvido enquanto meus olhos estavam fechados.
- Jamais. – eu respondi com a voz tremula.
Depois de alguns minutos o avião já estava à cima das nuvens, diferentes da outra vez, agora era á noite, então a visualização era bem pouca, encostei minha cabeça no ombro do Pedro coloquei meus fones “ultra potentes” de sempre –dividi um com ele- e fomos ouvindo musica até metade da viagem, conversei com ele em algumas horas, eu não estava com sono e aquele vôo era muito cheio de turbulência, não conseguia pregar o os olhos que acontecia alguma coisa, ou o avião dava uma pequena tremedeira, ou os avisos para colocar os cintos eram acionados. Confesso que estava morrendo de medo de sequer me mexer, depois de alguns minutos sendo acalmada pelo Pedro Lucas, a companhia de avião anunciou que iria fazer uma conexão em “Costa Rica” Pais da América Central, á 2 horas (de avião) do México.
Quando o vôo descia, mais uma vez segurei a mão do Pedro Lucas que dessa vez estava soada, como assim? Ele que me passava coragem e confiança, também estava com medo? Fiquei mais nervosa ainda.
Desembarcamos em Costa Rica e ficamos no aeroporto por 1 hora e 20 minutos, entendíamos bem pouco o que as pessoas falavam, mas conseguimos pedir informações concretas sobre o nosso vôo, eram 01h50 da manhã, eu estava caindo de sono naquele aeroporto.
- Nossa viagem já começou ruim. – reclamei.
- Para com isso, essas coisas acontecem, é normal. – Pedro respondeu beijando minha cabeça.
- Normal nada, o avião quase caindo, a gente veio de São Paulo até aqui com o coração não mão – sorri lembrando o livro- e você acha que é normal?
Eu estava uma pilha de mau humor, e meu medo naquela hora era de perder tudo o que eu tinha meu namorado e meu filho.
- Calma chuchu, to com você, vem cá. – e me apertou contra seu peito.
- Chuchu? – fiz cara de birrenta.
- Ta bom, princesa, assim ta melhor?
- Hum. Até que ta.
Encostei minha cabeça em seu peito e fechei meus olhos aguardando alguma noticia boa que me tirasse daquele lugar sem graça e irritante. Acabei pegando num sono ali mesmo, em seu colo. Horas depois fui acordada por ele.
- Acorda amor, finalmente vamos sair daqui. – ele dizia mexendo em meu cabelo.
- Graças a Deus, ufa. – eu dizia levantando da cadeira desconfortável.
- Já são 03h30, caramba. – Pedro dizia espantado ao olhar o celular.
- Vou processar essa companhia aérea, essa hora já era pra gente estar no México. – eu bufava irritada andando apressadamente pela sala de embarque.
“Que menina teimosa” ouvi Pedro reclamar baixinho.
- Como é? – me virei o encarando.
- Não nada, eu não falei nada. – e meu agarrou no meio do aeroporto me dando um abraço que chegou a me levantar do chão.
- Chega Pedro, vamos logo antes que a gente perca essa bosta de avião.
Mais uma vez pegamos fila de embarque e tudo mais, assim como foi em São Paulo. Dentre algumas horas estávamos sobrevoando Acapulco, vi o mar azul bebe de longe, já estava amanhecendo o sol nascia meio dorminhoco, após ser anunciada a aterrissagem agora sim NO MÉXICO. Os demais passageiros se espreguiçavam em suas poltronas, eu sorria em meio a uma gargalhada abafada vendo Pedro Lucas respirar pela boca, por conta de seu nariz entupido, ele dormia todo desleixado na poltrona.
- Pedro, acorda, nós chegamos. – o balancei umas 4 vezes.
- Me deixa, quero dormir. – ele resmungou quase que para ele mesmo, falou tão desanimado e sonolento que deu até vontade de deixá-lo dormindo mesmo.
Mas vocês acham mesmo que eu iria agüentar a aterrissagem sem pegar na mão dele e sentir aquela confiança que só ele passa? Não mesmo!
- Pedro, por favor, acorda. – eu implorei com voz de choro.
- Ai Merion, só você mesmo, sua dramática. – ele disse abrindo os olhos com um sorriso.
Pode parecer exagero da minha parte, mas quando ele abriu aquele sorriso e aqueles olhos tom castanho, o sol que estava nascendo preguiçoso, brilhou forte em seu rosto, vindo da janela. Foi uma das cenas mais lindas que já vi, ele coçando os olhos –como de costume quando acorda- dando um sorriso maravilhoso e falando meu nome e o sol iluminando-o.
- Lindinho, agora é sério, segura a minha mão vai.
Ele fez o que pedi e depois de 2 minutos no máximo já estavam em solo mexicano, com uma promessa de que essa viajem iria prometer, e não iríamos embora enquanto não fizemos tudo o que sentíssemos vontade, e enquanto não nos dermos certeza que valeu a pena.
Fale com o autor