Eu E Você Numa Melhor, Pedro Lucas.
30 Eu to amando outra pessoa.
Notas iniciais
Quando sai para a sacada senti um frio de me deixar arrepiada, estava extremamente gelado e ainda chovia, a chuva havia cessado um pouco, mas ainda caiam algumas gotas deixando o ambiente úmido. Thomas estava enrolado no edredom e sentado eu uma mini sofá que mal cabia o próprio e mesmo assim insistiu para que eu ficasse junto á ele, sentei em meio as suas pernas colocando a cabeça em seu peito, nos cobrimos e o frio que eu estava era anormal, Thomas ria das minhas reclamações enquanto comemos o lanche.
- Para de reclamar boba, eu te esquento vem cá. – ele disse passando seu braço em meu pescoço e colocando o cobertor em cima de nos dois.
- Não quero também, seu insuportável. – eu retruquei.
- Teimosa. – ele disse ao engolir o ultimo pedaço do big mc.
- Guloso.
- Mal criada.
- Burro.
- LINDA! – ele disse enquanto puxava minha nuca e se aproximava arriscando um beijo.
Colocamos algumas musicas para tocar e foi batendo o sono e estava tão bom ali, deitada sobre o corpo dele e ele alisando minhas costas e meus cabelos, acabamos dormindo, estava frio, mas ele me aqueceu durante toda a noite. No dia seguinte passamos um tempo juntos, tomamos café e almoçamos, depois fui embora.
Merion On-
Logo depois de responder a mensagem da Mayara aguardei o resultado enquanto colocava a cabeça no ombro do Pedro, eu já estava com sono, quando finalmente o médico me chamou para a sua sala e sem más enrolação, me entregou o exame. Eu já tinha certeza de tudo àquilo era apenas uma confirmação, não esperei muito para abrir, já estava impaciente e quando finalmente os papéis estavam em mãos pude apenas sorrir ou chorar, sim, eu estava grávida, mas o que me preocupou não foi o resultado e sim o aviso de “Gravidez De Risco” alem de tudo meu bebe ainda poderia sofrer por eu ser tão nova? Ah era só o que faltava!
Pedro Lucas pegou o papel de minha mão e leu todos os mínimos detalhes, fez perguntas para o médico e tudo mais, parecia bem mais animado que eu, nervoso sim, claro! Mas a alegria dele era tão magnífica que o nervosismo era só um detalhe, e era até normal para qualquer homem, descobrir que vai ser pai às vezes pode ser uma coisa difícil de acreditar.
Sai do hospital com todos os encaminhamentos necessários, médicos, pediatras, aconselhamento pré-natal e etc...tudo que eu precisaria para ter um gravidez tranqüila mesmo sendo de risco.
Entrei no carro em silencio, só pedi para o Pedro parar em alguma farmácia próxima para comprar os remédios que o médico receitou para enjôo.
- Ta brava comigo? – Pedro perguntou entrando no carro depois de comprar os remédios.
- Claro que não. – falei friamente.
- Te certeza?
- Tenho, só estou pensando em uma maneira de contar tudo isso para os meus pais de mudar totalmente a minha vida por causa de uma criança e tudo mais.
- Pensa nisso agora não! Vou tentar pegar férias o mais rápido possível e vamos pro México ficar um pouco longe disso tudo, ai a gente pensa em algo.
- Tem certeza que quer isso? – eu perguntei séria.
- Isso o que? – ele disse prestando atenção no sinal vermelho piscante que fechava o transito daquela madrugada fria e chuvosa.
- Que você quer esse bebe? Você sabe que não é obrigado, hoje em dia não ter um filho é a coisa mais fácil do mundo. – eu disse enquanto olhava aquela chuva que começou a cair em quantidade assustadora.
- Nunca mais repete isso ta? –e me olhou sério pegando em minha bochecha- se você cogitar isso algum dia novamente eu vou chorar e você não quer me ver chorando né? – e deu um sorriso gostoso.
- Obrigada. – e sorri.
- Pelo que?
- Por me fazer tão bem, confiar em mim e ser o homem mais maravilhoso que conheço.
- Você é tudo isso e mais um pouco.
- Lindo. – e mostrei a língua.
- Linda. – e fez aquele biquinho dele que só as fãs conhecem.
- Meigo.
- Meiga.
Ficamos assim o caminho inteiro até chegar em casa, entramos no apartamento e eu fui direto á cozinha tomar o remédio de enjôo para não vomitar.
Como estávamos mortos de cansaço por ficar naquele hospital fomos dormir, ou tentar não é?! Eu morava no ultimo andar, na cobertura e a chuva caia com tanta força que fazia barulho na laje com as coisas velhas que tinham do prédio, um tipo de porão.
O barulho era gostoso, mas muito alto então dormir nem pensar, não até que a chuva cessasse um pouco diminuindo o barulho, Pedro tirou a calça e deitou ao meu lado de ‘samba-canção’ e eu estava com uma camisola, me trouxe para perto de seu peito e aconchegou minha cabeça na curva de seu pescoço.
- Acho que tenho que te falar logo. – ele disse com a voz baixa.
- Falar o que? – e o olhei.
- Eu to amando outra pessoa. – logo após ouvir essa simples frases, suspirei já com mil coisas na cabeça, prestes a desabar em lagrimas, falhei em pensamento e fiquei sem o que falar, desgrudei meu corpo do seu rapidamente e encarei aquele sorriso forçado em seu rosto.
- E você me diz isso agora? – eu falei com os olhos marejando.
- É que descobri a pouco tempo que estava amando outra pessoa. – que cara de pau!
- Típico, trocou a Larissa por mim é claro que me trocaria por outra – eu falei vermelha de raiva – ai Pedro Lucas eu te odeio, seu idiota, trouxa, cafajeste... – e ele colocou a mão na minha boca.
- Shiu, calma, eu nem falei quem é ainda.
- E você ainda quer dizer o nome da vagabunda? Pra que pra me fazer chorar? – eu falei engolindo o choro.
- Não fala assim da nossa filha. – e deu aquele sorriso que descrevia basicamente um “ah boba te peguei”
- Oi?
- Ah ou filho também, mas quero uma menininha! – e deu uma gargalhada.
- Cara, na boa, seu otário. – eu disse enquanto dava uma travesseirada nele.
- Ai sua chata, você acha mesmo que vou te trocar por alguém, algum dia? Jamais, tudo o que um homem precisa nesse mundo eu tenho aqui na minha frente. – e sorriu.
- Você é inacreditavelmente perfeito. – eu dizia abismada com o poder que ele tinha de me fazer sentir medo de perdê-lo e segundos depois, ver que foi como um pesadelo que ao abrir os olhos acabou. Quando ele fazia essas brincadeiras se firmava mais do que nunca em mim que eu precisava dele, pra sempre comigo.
- E você é minha, vocês na verdade, vocês são meus e eu amo vocês. – ele dizia enquanto me abraçava e passava a mão em minha barriga.
- Ai menino meigo, agora vamos dormir. – eu disse me virando e puxando o cobertor já que a noite estava mais gelada que o normal.
- Quando a gente voltar pro México, você me da à mão de novo? – ele perguntou juntando seu corpo ao meu fazendo nos ficar de ‘conchinha’
- Sim claro, mas por quê?
- Porque, quando peguei na sua mão pela primeira vez naquela viagem e vi sua afeição de medo com os olhos fechados enquanto o avião decolava, senti que o meu mundo era seu, eu não sabia se tinha certeza, o que estava sentindo, por quanto tempo ia sentir e se ia ir pra frente, eu só sabia sentir! E vi que a partir daquele momento eu conheci a melhor pessoa da minha vida e reviver esse momento, ou pelo menos tentar mais uma vez, vai me fazer tão bem, mas tão bem que vou ter forças pra lutar com o mundo inteiro com uma só mão se você estiver segurando à outra, bem apertada, como no dia da viajem e que seja assim sempre, preciso de você BEM, mas BEM pertinho. – ele disse enquanto encostava a cabeça na curva do meu pescoço.
- Não sei o que dizer. – eu falei completamente encantada.
- Não diz nada, sente. – e colocou minha mão em seu coração – viu, ele só bate por ti.
- Pensa em um coração só te amando infinitamente, pensou? – e ele acenou que sim com a cabeça – aqui ó – e coloquei sua mão em meu coração – tem dois corações interligados batendo por uma pessoa só, você.
- Por isso que eu digo, repito e digo de novo. Eu amo vocês. – e me beijou.
Virei-me mais uma vez e ficamos conversando sobre a viagem tanto que fomos e o tanto que foi inesquecível, quanto a que vamos e será mais inesquecível ainda... e foi assim até pegarmos num sono com o barulho de chuva que caia lá fora.
No dia seguinte acordei tarde para ir á faculdade então levantei fui ao banheiro e fui tentar fazer café da manhã . Coloquei algumas torradas na torradeira, mas queimou, tentei fazer café, mas ficou amargo demais, tentei fazer pão de queijo, mas ficaram crus. Ah nada dava certo, que raiva!
- Bom dia amor. – disse o Pedro Lucas secando o rosto com a toalha.
- Bom dia xodó. – e correspondi o beijo de bom dia que ele me deu.
- Hum, café? – ele disse olhando á mesa.
- É, mas se eu fosse você não arriscaria tomar, o café esta amargo, o pão de queijo cru e as torradas queimadas.
- Nossa, por quê? – ele disse espantado.
- Não sei fazer comida. – e fiz bico.
- É assim amor, vem cá. – e me puxou para a pia.
Me mostrou a quantidade certa de pó de café e água á colocar e logo após o açúcar, colocou as torradas na torradeira e ficou de olho para que não queimasse, fez outro pão de queijo, mas dessa vez ficou douradinho e crocante e ainda de quebra fez um suco de goiaba.
- Chefe Munhoz o senhor esta contratado. – eu dizia apertando sua mão.
- Nossa, nem cozinhar sabe e já é a dona do restaurante? Tem que ver isso certinho, hein! – ele dizia rindo.
- Seu sem graça, vamos tomar café vai. – e me sentei á mesa.
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