Pov Edward Cullen

Eu havia visto Jacob apenas uma vez naquela parte da cidade, cerca de um ano antes em um dia em que ele havia ido buscar Bella no colégio. Aposto que ele nem mesmo me notou encostado no Volvo esperando por Alice e Jasper que saiam do corredor sul, enquanto Emmett estava inquieto dentro do carro para chegar em casa, já que Rosalie havia preterido ficar em casa.

Eu não entendia o porque, mas tudo nele me atraía, desde o modo descontraído como batia os pés no chão, a forma simples com que se vestia, á até mesmo a forma com que o vento brincava com seus cabelos, estes no meio das costas, divinamente preto e sedoso. Digno de qualquer mulher que cuidasse demais do cabelo.

Sua postura era totalmente altiva, o queixo erguido, os olhos fitando á todos que passavam, os braços fortes cruzados e um pé tocando o chão e o outro encostado na porta, fazendo com que sua perna fizesse um ângulo de 90° com relação ao chão.

O cheiro que seu corpo emanava era maravilhoso. Um perfume amadeirado, misto á um cheiro másculo que excitava cada vez mais meus sentidos. Senti uma vontade insana de me lançar em seu pescoço e sugar cada ínfima gota de seu sangue quente.

Isabella ou Bella Swan a garota nova que mal havia chegado á Forks e já havia me dado sérios problemas entre eles ter de matar um vampiro que ameaçava a estabilidade de minha família na cidade. Pois eu sabia que se alguém fosse transformado em Forks, os Quileutes apareceriam antes mesmo que pudéssemos fugir e nos dariam um fim.

Poderíamos fugir é claro, mas lobos são vingativos como nós e defendem a honra de seu clã, e eles poderiam rodar o mundo mesmo que separados em busca de nós.

É claro também que mesmo eles sendo maiores e mais forte que nós estando em grupo, uma mordida pode matá-los, pois nosso veneno é fatal, mas matar um lobo seria uma condenação de nossa família ainda maior, pois aí a caçada continuaria pois a nova geração de lobos estava quase se transformando e todas as células condenadas e mortas de meu corpo podiam sentir isso a cada dia que passava.

Senti um ódio profundo quando vi aquela garota estranha, desajeitada e encrenqueira se aproximar dele e o abraçar de um modo empolgado demais em minha opinião e o pior para mim foi ver que ele havia correspondido na mesma intensidade.

— O que foi, Edward ? — Questionou Jasper á meu lado — Algum problema com Bella de novo ?

— Não ! — Respondi sem desviar meus olhos do garoto magro e alto que entrava dentro de sua caminhonete, enquanto Bella fazia o mesmo do outro lado.

— Acho que tem alguém interessado no cara ! — Disse Emmett de dentro do carro.

— Não diga bobagens, Emmett ! — Disse eu desviando o olhar e entrando no carro.

— Qual o problema, Edward ? Todos nós sabemos que você já teve um romance com um dos guardas Volturi, o Fêlix ! — Disse Alice entrando no carro e se sentando á meu lado.

— Você disse bem, Alice, um vampiro e uma vez, isso não me torna gay ! — Disse eu ligando o carro.

— Mas Edward, qual o problema ? Nenhum de nós tem preconceito contra isso ! — Disse Jasper.

— Pelo que eu saiba, Rosalie odeia os gays ! — Disse eu — Não se esqueçam que ela é da época da moral e dos bons costumes ! — Completei com ironia.

— Quem é que Rosalie não odeia ? — Questionou Jasper.

— Olha o respeito com a minha Rose ! — Disse Emmett dando um tapa na nuca de Jasper — Você só fala assim porque ela não está aqui pra se defender !

— Chega deste assunto ! — Disse Jasper — Edward, não está ficando de bom humor !

Era melhor ignorar, esquecer pois sabia que não o veria novamente e assim foi feito, a não ser uma semana depois em que ao passar de carro pela rua de Bella para ver se tudo estava bem, vi a mesma caminhonete e o mesmo cheiro amadeirado e completamente másculo vindo até mim e dominando o controle de todos os meus sentidos novamente.

Havia um outro cheiro que não era de Charlie o chefe de policia da cidade, nem o cheiro doce de Bella, era um cheiro que eu conhecia há tempos e preferia nem mesmo de longe tê-lo sentido. Era o cheiro do velho quileute, Billy Black.

Saí rápido dali, pois não queria confusão.

Não que eu fosse preconceituoso, e todos sabiam que era muito pelo contrário. Nunca escondi de ninguém nem de minha família que anos antes de me tornar " vegetariano '' novamente eu havia tido um relacionamento de 3 anos com um vampiro da guarda Volturi, Fêlix. Mas este era esquentado demais. Levava tudo ao extremo e por diversas vezes chegara a me bater por ciúmes. Revidei é claro, e muitas vezes gostava desta violência com que ele me tratava. Com Fêlix, sexo era sexo, sem carinho algum. Mas não gostava dele o suficiente para poder me tornar " uma mulher de malandro ".

Tentei ignorar, mas quase sempre em que eu passava na rua da Bella para vigia-la, eu sentia aqueles cheiros, principalmente nos fins de semana e era como se ele estivesse ali dentro do carro, me enlouquecendo, eu via sua imagem, sentia seu cheiro, até mesmo o calor de seu corpo, mas nunca sua voz.



Eu queria muito ouvi-la, mesmo que fosse uma vez apenas.



— Tchau, Bella ! — Disse uma voz jovem próxima da porta e a sensação que percorreu meu corpo era a mesma de meu coração ter voltado á bater, pois algo se mexia em meu peito na ansiedade.

— Está cedo, Jake ! — Disse a voz de Barbie de Isabella — Convença o Billy á ficar !

— Billy não quer ficar, Bels ! — Disse a voz jovem e era tão doce, tão jovem para aquele rosto maduro.

Mas eu não podia me demorar em um ponto em que estivesse exposto aos olhos de Billy, nem mesmo de Bella, ela não poderia de forma alguma saber que era vigiada. Nem sequer pude vê-lo de longe que fosse.

E foi dessa foma que descobri que o nome daquele que não abandonava mais meus pensamentos era Jacob, vulgo Jake.

Juro que tentei me afastar, me isolar, ficando certo tempo longe da casa dos Swan, deixando Jasper e Alice responsáveis pelo fardo de vigia-la, o que com certeza atrapalhou as noites românticas deles por certo tempo, mas eu não podia. Eu sabia de todos os riscos.

Eu não devia, não podia e não queria transformar ninguém naquilo que agora eu era. E sabia que tudo podia me fazer fazer isto. Cheguei á passar um tempo no Alaska para tentar esquecer, mas não adiantou em nada.

Passado certo tempo eu conseguia me controlar, mas isso piorava quando acontecia de ele vir buscar Bella.

.................



Passado quase um ano depois, o vi descendo da caminhonete e correndo sentido á porta da entrada Norte, enquanto eu entrava pelo corredor sul. Bella o esperava, e ao prestar atenção em seus pensamentos apressei o passo tentando me livrar de seu cheiro, mas teria de suportar aquilo. Ele havia se mudado para Forks High School.



E o pior para mim, ele estava maior, a jaqueta marrom que ele usava não escondia a camiseta preta por dentro dela, e essas não conseguiam esconder de meus olhos o quanto ele estava forte. O vento brincava com seus cabelos exatamente iguais em tamanho e dedicação de cuidados que na primeira vez que eu o vira, e o modo como ele andava, o fazia se mover de forma tão sensual que se eu não tivesse me contido demais havia ficado excitado diante de todos.

— Acalme-se, Edward ! — Disse Jasper tocando meu braço.

— Está meio difícil, não é ? — Disse eu entre dentes.

— Por favor, Edward não me vá perder o controle e fazer qualquer besteira aqui ! — Disse Rosalie do mesmo modo que eu.

— Não sou uma criança, Rose ! — Disse eu de um modo irritado andando rápido em direção á sala do senhor Verner, professor de Biologia.

Me contive o máximo que pude, mas pelo que havia escutado na entrada da escola, ele viria para a mesma sala em que eu estava, junto com Isabella.

Me contive e quando estava praticamente calmo e respirando, aliás em uma sala repleta de humanos normais eu nunca poderia me esquecer de respirar por um minuto que seja.

Até que meus olhos e depararam com Bella desajeitada como sempre, e logo atrás ele, lindamente simples e preocupado como ela, mas o ventilador restava ligado e logo trouxe o cheiro de seus cabelos até mim, o que me fez mais que depressa tapar minha boca, pois a incitação das presas foi automática.

Para meu azar, a única cadeira livre era a meu lado onde ele se sentou, e logo eu estava me remexendo e me contorcendo na cadeira, crispando meus dedos na lateral da cadeira para não me lançar sobre ele, fechando meus olhos para que eles não se mostrassem ou pretos ou vermelhos. Eu os sentia queimando, oscilando de cor.

Nada na vida me foi tão desejado quanto aquela porcaria de sinal que nunca tocava e quando ele enfim tocou, peguei minhas coisas e sai o mais humanamente possível que consegui no momento.

Fazia quase meio século que eu não sentia tanto desejo, posso até dizer tesão por sangue humano. Não que a vontade não existisse, mas é como se aquele sangue quente do Jacob despertasse tudo o de pior que há em mim.

Fui direto para o banheiro onde me tranquei até o intervalo pois eu precisava respirar ar puro, mesmo que esse fedesse á urina era mais puro que sangue humano naquele momento, então que seja.

Apesar de estar com todos meus instintos instigados, minha mente não parava de pensar em coisas como Jacob com seu corpo forte me atirando contra a parede, contra mesa e minhas mãos se enroscando em seus cabelos e agora eu podia ficar excitado, pois com a porta trancada por dentro ninguém veria.

Eu tinha de me controlar mesmo assim, pois no intervalo eu não poderia ficar ali, as pessoas e suas necessidades humanas dependiam daquela porcaria de banheiro.

Naquele momento em que ele perguntou a Bella sobre mim, e que meus olhos encontraram seus olhos castanhos, soube que ele também estava interessado em mim, mas também soube que eu não era o único interessado em Jacob Black !

Creio que de toda a minha existência, aquela era a que eu havia feito mais uso de meu auto-controle, mas ele não cooperava, ele se entregava em pensamentos estes que eram praticamente os mesmos que os meus, me atirar nos armários, nas paredes, nas mesas, me fazer de gato e sapato, e isso me deixava excitado.

O pior de tudo era ter de tolerar os sermões de Rosalie me dizendo o quão arriscado aquilo era para mim e minha família, mas aquele idiota estava arrancando o resto de minha sanidade, se é que algum dia eu tive alguma.

No dia em que fazia uma semana que ele estava ali, decidi quebrar as regras, ou começar a fazer isso. Conversei e almocei com ele o que fez com que um novo sermão ainda maior me fosse aplicado, mas eu pouco me importava com isso.

A pior parte de tudo foi que quase estraguei tudo o livrando daquele acidente, e aí não tive saída, fui obrigado á falar com Carlisle obre ele. A conversa que filho nenhum quer ter com seu pai. Contar que eu estava apaixonado, sim esse era o termo correto, apaixonado por outro homem, homem esse que quase me fazia estourar todas as veias mortas de minha cabeça fazendo força para não me transformar de tão ansioso.

— Por onde podemos começar ? Pelo que você está sentindo ou pelo fato de você ter se exposto e não só na frente de uma pessoa, mas de uma escola inteira ? — Questionou Carlisle sentado á minha frente no sofá do outro lado da sala. Para me ajudar, para não dizer o contrário, todos haviam saído e me deixado naquela casa enorme com Carlisle.

O sermão que eu receberia seria maior do que todos os que Rosalie havia me dado até então.

— Pare de agir como se fosse uma garotinho assustado prestes a apanhar, Edward ! — Disse ele e no mesmo milésimo de segundo estava sentado á meu lado no sofá branco — Quero que me conte o que sente pelo garoto !

— Eu estou apaixonado por ele ! — Disse eu e minha voz passou a mesma segurança que eu queria — Eu não queria, mas estou com esse estranho na cabeça há quase um ano !

— E só me conta agora ? — Questionou meio irritado — Edward, quando te transformei pedi que confiasse em mim como pai, respeitei seus limites, dificuldades e tudo que eu esperava era transparência entre nós !

— Pai, eu estava me segurando para não investir nisso. Gastei tanto tempo pensando em lutar contra isso e não em aceitar. E quando dei por mim já estava apaixonado pelo Jacob ! — Disse eu — Eu juro que não fazia ideia de que ele era um deles !

— Edward você sabe que com Victoria vindo para Forks ele mais cedo ou mais tarde ! — Disse Carlisle — E sabe que se ele se transformar estando com você, ele pode te matar !

— Eu não tenho medo do que de morrer por amor, só tinha medo de vocês não me aceitarem ! — Disse eu.

— Ou você pode acabar o matando ! — Disse ele.

— NUNCA ! — Gritei — Eu o amo !

— Edward isso é muito mais que um monte de palavras bonitas ! — Disse ele e seus olhos azuis eram sérios ao fitarem os meus — Você sabe que seu veneno não pode transformá-lo e que se tentar ou vier á arranhá-lo, você pode matá-lo e ele vai sofrer muito mais do que se tivesse sido atropelado por aquela van ! — Sua voz foi suavizada pois o assunto me machucava e ele sabia — Ele pode ficar dias convulsionando até morrer e o veneno não sairia de seu corpo !

— Eu sei ! — Disse eu ficando de pé, mas a mão de Carlisle segurou meu pulso me trazendo para baixo novamente.

— Edward, eu nunca te pedi nada, mas peço agora apenas que pense antes de qualquer gesto e que antes de agir após pensar, pense em todos nós ! — Disse ele e seus olhos fitavam os meus — Eu não ligo de morrer por causa do seu amor, e do amor que cresceu dentro de mim te tornando meu filhos de verdade, mas caso alguém nesta casa tenha de morrer para sua felicidade, que tenha de ser somente eu !

— Ninguém morrerá, Carlisle ! — Disse eu — Digo, Pai ! Eu juro !

— Não jure nem prometa aquilo que não poderá cumprir, Edward ! — Disse ele — E não me diga que não está correndo o risco de morrer também porque ....

— Sei que quando ele se tornar a coisa, tudo que ele mais vai querer é a minha cabeça esmagada por sua pata ou entre suas presas ! — Disse eu e o pensamento me deu a sensação de que meu corpo tremia ressentindo o fato.

— Edward, não fale assim. Talvez o amor sucumba a isso e ele nunca tenha coragem de te ferir, nem nos ferir ! — Disse Carlisle — Não podemos ver o futuro, pois não somos a Alice ! — Disse ele sorrindo.

— Pai, isso não é hora para piada ! — Disse eu dando um sorriso descontraído.

— Não se preocupe antes da hora, só não vá se expor, por todos nós ? — Disse ele e seu olhar paternal me comprava.

— Me desculpe ? Eu sequer pensei. Eu só não queira perdê-lo ! — Disse eu.

— Eu sei ! — Disse Carlisle me puxando para um abraço.

.................



Jake e eu estávamos juntos e isto era um fato.


A cada minuto a mais que se passava e que eu estava ao lado de Jake, eu sentia sua temperatura aumentar mais. Seu corpo tremia e eu sabia e sentia que ele tinha dores a cada vez que eu o tocava, mas era difícil ficar sem tocá-lo, sem sentir seus lábios nos meus me roubando o ar que falsamente respiro, as mãos fortes me pegando de um modo que gemidos inconscientes escapem por meus lábios, que meu corpo verdadeiramente treme de excitação.



O lobo dentro dele pode me odiar, pode me querer em retalhos, mas eu queria também, já que ele era o Jacob, o meu Jacob. O Jake pelo qual eu estava disposto a enfrentar tudo e todos que se colocassem em nosso caminho, começando pelos lobos da reserva aos Volturi, enfrentaria a todos porque ele é a razão de eu ainda existir.

Eu sabia que o cheiro dos lobos era repulsivo, que tudo iria querer me afastar, que Seth se aproveitaria do fato de serem da mesma espécie para tentar seduzi-lo, se mostrando convidativo e disposto a ajudar em tudo quando ele se transformasse, mas eu devia deixá-lo livre para escolher. Que ele me odiaria em todos os momentos em que estivesse transformado e também que poderia morrer tendo sido morto por aquele que amava.

Mas eu não aceitaria fácil, e a situação não seria nada fácil de forma alguma.

Eu estaria disposto a lutar por ele até que seu coração parasse de bater e talvez até mesmo depois disso.

Notas finais
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