Eu Consigo Te Enxergar
6 Capítulo 6
Notas iniciais
As cobertas se mexiam, e delas, um fio de cabelo com um única espiral saía. Era hora de levantar! Mas por alguma razão, Matthew não conseguia sair da cama. Seu corpo estava pesado e seus olhos tão pesados quanto.
“O que está acontecendo?”
Com um pouco mais de esforço, Matthew conseguiu virar e se apoiar em seus braços para que pudesse dar uma olhada no relógio: 5 da manhã.
Por quer ele levantara a essa hora?
Bem, não fazia diferença, ele precisava sair da cama e fazer o café da manhã. Mas parecia que isso era impossível. Seu corpo estava muito pesado, sua cabeça estava doendo e sua pele estava quente... Droga!
“Não acredito que estou doente!”
Matthew só queria ligar para o colégio avisando a sua falta. Talvez assim, o histórico dele não piorasse. Mas ele resolveu que esperaria mais alguns minutos, até porque ninguém liga para uma escola as 5 da manhã!
Por morar sozinho, Matthew, infelizmente, precisava fazer as coisas por si só, estando doente ou não. Ele conseguiu juntar forças para ficar sentando à beira da cama e depois ficar em pé. Sua cabeça girava, realmente ele não estava bem.
Foi devagar até o banheiro onde pegou uns remédios para resfriado e dor de cabeça. E antes de sair do banheiro, ele olhou a sua face no espelho que ficava em cima da pia. Estava com os olhos cansados e as bochechas vermelhas. Sentia que soltaria um espirro daqui a poucos segundos, o que de fato aconteceu.
“Por que essas coisas acontecem comigo?”
Ele não aguentava mais olhar o seu rosto, e então foi o mais rápido possível para a cozinha, preparar algo para comer antes de se entupir com remédios.
Matthew parou por uns instantes apreciando a louça que estava secando desde o dia anterior. Francis. Francis havia jantado com ele. E em plena 5 horas da manhã, Matthew soltou um sorriso.
“Eu deveria ligar para ele...”
Suas bochechas ficaram mais vermelhas ao pensar nessa possibilidade. Talvez isso se tornasse um incômodo para Francis se ele souber. Então ele resolveu só ligar para o colégio mesmo.
Depois de uma rápida olhada pela sala para conferir se não tinha nada bagunçado ou sujo, Matthew resolveu voltar para o quarto e descansar um pouco. Mas antes de sair daquele cômodo, ele se dispôs a encarar a caixa retangular preta com as iniciais “G.B.”.
Aquele objeto se tornou estranho por alguns segundos até Matthew se lembrar de quem pertencia aquilo.
“Droga! Eu espero que ele não fique irritado...”
Mas não podendo fazer muita coisa e se sentindo cada vez mais tonto, Matthew resolveu voltar para sua cama e dormir por mais algum tempo.
–-- X ---
Francis acordou mais cedo que de costume. Ele acordou, ridiculamente, feliz e sem um pingo de sono. Isso era meio estranho vindo dele logo de manhã, porque normalmente se via um Francis cansado e mal humorado.
Na cozinha podia-se notar toda a diferença que esse novo jeito de agir se manifestava. Francis resolveu preparar os pratos favoritos dos amigos logo de manhã cedo!
Mas por que toda essa felicidade repentina?
Isso tinha alguma relação sobre o que ele estava refletindo de madrugada? Com coisas relacionadas a “conquistar algo na vida”?
Naquela noite, logo que Gilbert cansou de falar pela milésima vez, Francis se retirou da cozinha e foi direto para o seu quarto descansar. Sendo que o que menos fez naquela noite foi isso. Ele começou a lembrar das coisas que aconteceram com ele, sobre como tudo vinha fácil e que isso o deixava extremamente irritado. Ele estava à procura de algo que o fizesse ficar obcecado e que fosse extremamente importante para a sua vida. Ele queria algo que fosse apenas dele, e ninguém além dele pudesse conseguir aquilo.
Ele só queria ter e tomar conta de algo que ele... amasse?
“Amor... será isso que falta para mim?”
E depois de se pagar pensando nesse pequeno verbo várias vezes durante a madrugada, por alguns segundos em sua mente, ele visualizou grandes orbes violetas.
“Mas... como assim?”
Aquelas orbes... eram tão reconfortantes! Ele até podia sentir o calor que aquelas orbes transmitiam só de imaginá-las. Será que aquelas orbes eram a resposta para seu objetivo?
“Não. Não pode ser isso...”
Mas pensar nelas era, com certeza, a melhor coisa que já sentira. E ele gostava disso! E mesmo que elas não fossem a resposta, elas poderiam ajudar ele à encontrá-la.
Francis parou de pensar sobre a sua madrugada quando ele ouviu um grande bocejo vindo do corredor.
–- Ahhhh~~ Bom dia, Francis! Acordado à essa hora?
–- Eu não dormi direito ontem e resolvi levantar logo e preparar o café.
–- Você não é muito de passar a noite em claro. HAHA~
–- E você não é muito de sair de madrugada. Que horas você voltou?
–- Hã?? Vai dar uma de mãe agora?? HAHA~
–- Só fiquei curioso porque Gilbert disse que você não tinha jantado com ele.
–- Eu só saí com uma pessoa. Nada pra vocês se preocuparem. – Antonio estava estranhamente alegre naquela hora.
–- Você está saindo com alguém? E quem é a jovem dama que foi se apaixonar por um tonto que nem você?
–- Não é bem uma jovem dama... – Antonio ficou vermelho.
–- Ahhh~~ Então essa “jovem dama” seria um “nobre cavalheiro”?
–- Se você tirar o “nobre” e o “cavalheiro” da mesma frase, fica mais parecido com quem eu estou saindo. HAHA~
Francis começou a soltar umas risadas, mas ele começou a imaginar como seria a personalidade da pessoa que estava saindo com Antonio. E de certa forma, ele ficou curioso para conhece-lo.
Antonio disse que estava saindo com um dos garotos do primeiro ano que se chamava Lovino. Mas que Lovino não concordava com o termo “saindo”. Ele era extremamente hostil com algumas pessoas, e com Antonio, ele piorava. Mas devido a certos fatores, eles começaram a se ver com mais frequência. E na noite anterior ele só chegou tarde porque queria levar o seu “pretendente” até em casa e que acabou perdendo um ônibus ao voltar para a sua.
Francis disse que ele não precisava se explicar, afinal ele fazia o que bem entendia da vida. Ele só tinha ficado preocupado por causa do Gilbert. E por falar no albino, onde ele estava?
Francis deixou a cozinha e foi seguindo em direção ao quarto de Gilbert. O que ele estaria fazendo a madrugada inteira pra não acordar naquela hora? Ele sempre foi o primeiro a acordar, e por causa disso, acabava acordando todo mundo.
Ao entrar no quarto, Francis pode perceber que as cobertas se mexiam e que soltavam alguns barulhos indecifráveis. Então Francis chegou mais perto e puxou as cobertas, revelando o corpo encolhido de Gilbert que começava a reclamar que estava frio e que queria as cobertas de volta.
Francis apertou o cenho e começou a pensar que realmente deveria ser considerado a “mãe” desses dois. Só davam trabalho! Mas ao perceber que tinha algo se mexendo entre os braços do amigo dorminhoco, ele resolveu chegar mais perto. Francis levou um susto ao sair um pequeno passarinho amarelo dos braços de Gilbert.
O que ele está pensando? Trouxe animais para um lugar onde ninguém para em casa? Só traria mais trabalho. Mais sujeira. Mais uma boca para alimentar. Mais despesas.
A única coisa que Francis conseguiu falar foi:
–- Não podemos ficar com ele.
–- AHH??? Como assim??
–- Eu já disse. Não podemos ficar com ele.
–- Isso não é justo! Eu merecia algo também! E o Gilbird veio aqui para me animar!
–- Merecia algo? Gilbird? Do que está falando?
–- Você e Antonio fazem o que querem e tem o que querem! E Gilbird é o nome dele! – Gilbert apontava para o passarinho que acabou pousando em sua cabeça.
–- Mas você tem tudo que quer! Às vezes é até pior que eu quando morava com os meus pais! Sem contar que você não teria tempo de cuidar dele. E só sobraria pra mim!
–- Eu cuido!
Francis o encarou com um grande olhar de reprovação. Ele realmente não queria um animal em casa por saber do trabalho que dar. Ele ficou discutindo com Gilbert até o albino mencionar a flauta.
Droga! Isso era golpe baixo!
Usar a flauta como esquema para ter um bichinho de estimação era a cara de Gilbert mesmo. E depois de um certo tempo, Francis cedeu e soltou um “Faça como quiser!” e voltou para a cozinha.
“Um pássaro... era só o que me faltava.”
–-- X ---
Dentro da sala de aula, Francis aguardava ansioso o bater do sinal para que ele pudesse encontrar o jovem loiro de olhos violáceos mais uma vez. Ele queria sentir aquela pele macia e ver a face tímida daquela criaturinha que tanto o fascinava.
Ele achou até estranho que ele não o tinha visto logo de manhã cedo no colégio. Talvez tenha chegado atrasado. Ou acabou chegando cedo demais e foi direto para a sua sala.
“Estou pensando muito nele...”
E fazendo o desejo de Francis se tornar realidade, o sinal bateu para à hora do almoço. Então ele pediu licença de Antonio e Gilbert e disse que procuraria uma pessoa para almoçar com ele. Os dois estranharam, mas resolveram deixar o amigo ir.
–- Talvez assim ele esqueça do que aconteceu de manhã com o Gilbird. KESESESESE~~
Antonio só fez dar umas gargalhadas e olhou as costas de seu amigo dobrando o corredor.
Francis saiu correndo em direção as salas do primeiro ano com o intuito de chegar logo e encontrar o pequeno Matthew.
Desilusão.
Onde ele estava? A carteira dele estava vazia! O que tinha acontecido com ele? Francis foi perguntando para todos os alunos que pareciam do primeiro ano e para alguns que estavam na sala de Matthew sobre o paradeiro do mesmo.
A maioria sempre soltava um “Quem?” ou um “Não conheço” que deixava Francis cada vez mais irritado. Ele ficou imaginando o que Matthew sentia ao perceber como as pessoas reagiam quando se tratava dele.
Talvez devesse ser realmente triste ser sozinho.
Então ao se virar, Francis percebeu que um professor passava pela sala, e então ele foi logo perguntando sobre Matthew.
–- Não sei quem é.
–- Ahh... Desculpa incomodá-lo... – Francis estava perdendo as esperanças de almoçar com o menor.
–- Talvez ele esteja doente.
–- O que?
–- Tem um aluno dessa turma que ligou hoje mais cedo. Disse que estava doente e que não poderia participar das atividades escolares hoje. Deve ser esta pessoa que você está procurando.
–- Acho que sim. Obrigado.
Francis começou a pensar sobre Matthew estar doente. Ele deveria visita-lo? Ou isso era muito inapropriado...? Ele queria ver o menor, mas se ele estava doente, então era melhor esperar que ele melhorasse.
Francis foi andando pelos corredores até passar do lado da sala de música. Ele olhou os instrumentos que estavam por lá, e logo em seguida, olhou para o piano de parede onde tinha encontrado Matthew agachado. Ele realmente tinha feito bem em segui-lo naquele dia. Mas depois ele lembrou de algo que o deixou preocupado.
“A flauta está com ele!”
Francis começou a ficar agoniado e lembrou dos sermões de Gilbert sobre a flauta. Ele não iria aguentar ficar mais um dia se Gilbert lembrar que a flauta ainda não está com ele.
Ele iria na casa de Matthew no fim das aulas para pegar a flauta!
–- Tenho que recuperá-la logo!
–- Eu vou com você.
Ao perceber que tinha alguém atrás dele, Francis se virou logo para tentar reconhecer aquela voz. E acabou se deparando com a pessoa que não queria. Gilbert.
“Droga...”
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