Eu Consigo Te Enxergar
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Matthew se levantava com dificuldade naquela manhã de sexta-feira. Ele não tinha conseguido dormir bem ao refletir sobre as coisas que Arthur tinha lhe contado. Não é que ele tenha ficado com raiva de Alfred ou coisa do gênero, mas ele não conseguia entender o do por quer ele não ter se declarado logo de início para Arthur. Ele era tão inconveniente e abria a boca para falar qualquer coisa na hora errada, então não deveria ser difícil falar uma coisas dessas para Arthur, certo?
“A quanto tempo ele veio escondendo isso dele?”
Seguindo para o banheiro e se virando para o espelho, Matthew pode notar umas profundas olheiras. A que horas ele tinha ido dormir ontem só por pensar nisso? Ainda estava digerindo o fato de Arthur ser adotado... E logo depois vem a informação de que Alfred o amava... Isso era muita coisa ao mesmo tempo!
Ele nem teve tempo de explicar quais seriam os trabalhos de Arthur enquanto ele morasse por lá. Ele só queria ter tido tempo de falar mais coisas antes de começar a absorver aquelas informações.
“Espero que Francis não se incomode com olheiras...”
“Francis...?”
Ele molhou o rosto ao lembrar de um fato muito importante. O que Arthur acharia de seu “relacionamento” com Francis? Será que ele iria reprovar? Matthew não gostava de pensar assim. Afinal, fora Francis que lhe proporcionou ter um círculo de amizade maior e que lhe despertou sentimentos que ele nunca pensou que sentiria por alguém.
Será que iria dar tudo certo?
Ele não gostava realmente de pensar no pior, mas era inevitável. Por que a sua vida não poderia ter mudado para algo mais calmo e tranquilo? Agora os problemas estão surgindo um atrás do outro.
–- Matthew? Você vai tomar seu banho agora...? – Arthur surgiu atrás da porta com uma cara pior que a de Matthew.
–- Sim... Vou tomar um banho e me arrumar para ir ao colégio. – acho que Arthur tinha passado a noite em claro pensando nos acontecimentos recentes.
–- Se quiser, eu posso preparar o café. – ele finalmente esboçou um sorriso.
–- Não!! Eu preparo, não se preocupe! – Matthew saiu do banheiro e estendeu o braço como gesto para que Arthur entrasse e pudesse usar o banheiro primeiro.
Arthur estranhou aquilo, mas não retrucou. Ele simplesmente concordou e entrou no banheiro e trancando a porta logo em seguida. Matthew foi então se dirigindo até a cozinha para preparar logo as coisas para o café. Talvez ter a companhia de Arthur fosse um tanto problemática em relação à comida...
“Não já basta os problemas maiores... tenho que me preocupar com o fato de Arthur querer cozinhar também...”
Ele olhou para o relógio, ainda eram 06:10. Ele tinha tempo até começar a aula de 07:15, então resolveu fazer um delicioso café para o seu irmão.
Matthew realmente adorava cozinhar. Se sentia extremamente bem fazendo aquilo, pois esquecia de todos os problemas. E mesmo que só soubesse fazer comidas simples e caseiras, ele se sentia especial ao fazê-las. Era uma das poucas vezes que Arthur e Alfred o elogiavam por alguma coisa, mesmo que só por uns curtos segundos. E enquanto ele preparava o suco, ele lembrou do dia que Francis tinha ido jantar com ele. Lembrou como ele ficava muito bonito com o cabelo amarrado e como ele contara como aprendera pratos muito complicados e sofisticados.
–- Espero que você jante comigo mais uma vez... – Matthew sonorizava seus pensamentos e nem percebeu que Arthur tinha acabado de chegar.
–- Quem vem jantar? – Arthur enxugava os cabelos molhados com uma toalha.
–- A-Ah... Bem... Ninguém.
–- Ah?
–- Não é ninguém. Não se preocupe.
–- Hum... Bem, tanto faz. O café já está pronto ou você precisa de ajuda?
–- Já está pronto. Só estou finalizando esse suco aqui.
–- Vá tomar seu banho logo. Você precisa ir para o colégio.
–- C-Claro.
Ele não se sentia preparado para falar a respeito de Francis naquele momento. Arthur poderia compreender de uma forma errada. Ele só precisava saber como ele o abordaria sobre aquilo mais tarde. E ao encontrar e se trancar no banheiro, Matthew voltou a lembrar da situação do irmão.
“Alfred precisa me esclarecer algumas coisas.”
–-- X ---
"-- Francis... Eu...
–- Pode falar, Matthew... Estou aqui para ouvir os seus problemas.
–- Mas eu não quero deixa-lo triste...
–- Você nunca me deixará triste.
–- Mas o que eu vou falar vai deixar sim...
–- E o que seria?"
–- Ei, acorda!! O incrível eu não quer te esperar para sempre para acompanha-lo até o colégio! KESESESESE~ — e o sonho parou na metade por causa de Gilbert.
Francis acabou acordando com esse barulho e com um pássaro amarelo que estava pousado na sua testa. Ele logo se virou para que o pássaro saísse e fez sinal para que Gilbert o deixasse dormir. Aquilo realmente o deixou triste...
–- Ah?? Como assim você não quer levantar??
–- Me deixa dormir...
–- Anda logo! Hoje é sexta. Você vai poder dormir o quanto quiser amanhã. – Gilbert ficava mexendo, intensamente, o ombro de Francis – Anda, não me deixe ir sozinho para o colégio essa vez!
–- Sozinho...? – Francis acabou se interessando pelo o que ele disse.
–- Antonio saiu mais cedo porque disse que precisava falar com Lovino, e me disse para ir com você!
Antonio imprudente. Deixando Francis com Gilbert como se fosse algo muito normal e aturável. Droga! Ele vai seguir à risca o que Antonio pediu para ele fazer. O jeito era levantar mesmo. Mas ele só se animou depois de umas perguntas que Gilbert tinha feito.
–- Como foi ontem com o pequeno Matthew? Aconteceu alguma coisa? – Gilbert riu sarcasticamente, pois já esperava uma resposta.
–- Ontem foi... foi a melhor coisa que fiz na vida. – Francis sorriu ao lembrar do acontecido.
–- Você por acaso... o beijou? KESESESESE~
–- O que você acha? – Francis começou a sorrir e a gargalhar para o amigo.
–- Eu sabia! KESESESESESE~ Então se eu fosse você, se apressaria logo para encontra-lo! – Gilbert o tentava puxar da cama.
–- Ok... Eu já entendi.
Enquanto ele se arrumava para ir ao colégio, ele acabou se lembrando do sonho incompleto que tivera com Matthew. Mas o que será que ele iria dizer? Algo que o deixaria triste... Ele não pensava em nada. Será que ele voltaria com aquelas afirmações depressivas dele? Ele não queria vê-lo chorar mais uma vez.
Francis amarrava o cabelo e Gilbert ajeitava seus sapados, então Gilbird acabou piando da sala, fazendo com que o albino logo corresse em direção a ele. E quando percebeu que o pequeno pássaro estava em cima de seu celular, Gilbert fez um pequeno carinho em sua cabeça e agradeceu por lembra-lo daquilo. Mas antes de guardar o aparelho do bolso, ele recebeu duas mensagens.
MENSAGEM!
Remetente: Alfred F. Jones
Assunto: Visita
“Oi, Gil! Há quanto tempo! Eu queria te pedir um favor. Eu estou indo para a sua cidade esse fim de semana, e gostaria de saber se teria como eu passar uns dias aí na sua casa. Eu soube que você mora com seus colegas, então acho que não teria problema. Me responda até hoje à noite, por favor!”
Gilbert soltou um sorriso de alegria. Não via Alfred a tanto tempo... Seria muito bom ter mais amigos com ele. Então foi logo perguntando para Francis sobre o que ele achava da ideia. O loiro apenas expressou um “faça como quiser” e Gilbert foi logo respondendo o amigo que não teria problema ele passar um tempo com ele.
Então ele lembrou que teria que perguntar para Antonio também. Mas achou que Antonio concordaria sem problemas, afinal, Francis era um pouco mais chato de se convencer, e se por ele estava tudo bem, então Antonio concordaria. Ele lembrou logo da segunda mensagem.
O problema é que a segunda mensagem foi algo que tirou totalmente o sorriso do albino em relação à mensagem de Alfred. Ele só queria não ter lido aquela mensagem. Ele iria desmoronar mais uma vez.
MENSAGEM!
Remetente: DESCONHECIDO
Assunto:–--
“Sei que não quer falar comigo, e provavelmente o meu número nem existe mais na sua lista telefônica. Mas eu preciso falar com você. E se você correr de mim como fez naquele dia, eu não saberei como lidar com a situação. Deixe de ser um idiota que age como criança e venha falar comigo. Isso está durando tempo demais...
Roderich Edelstein.”
Por que aquela sensação de depressão estava voltando?
–-- X ---
Ele olhava a tela do seu celular por um tempo muito prolongado, e só se deu conta disso depois que Vash repousou a mão em seu ombro e começou a falar.
–- Você já enviou, não tem mais volta. Vá fazer outra coisa.
–- Me deixa! Eu não pedi a sua opinião sobre o que eu faço.
–- Isso que dar você querer aconselhar um idiota mauricinho... Idiota.
–- Não sei por quer eu ainda mantenho você do meu lado sobre esses assuntos... de certa forma, você que causou isso. – Roderich voltou a olhar para a mensagem na tela de seu celular.
–- Eu não causei nada! – Vash retrucou – Não fui eu que saí correndo e chorando para a minha casa quando alguém se declarou para mim!
–- Eu não chorei... – Roderich fez bico, mas não desmentiu toda a afirmação.
–- Se gostava dele, por que não disse desde o princípio??
–- Eu... estava assustado...
Vash deu um suspiro, apertou o cenho ao se aproximar de Roderich, o puxando para um abraço. Esse gesto foi quase censurado pelo ser de óculos, mas ele parou com a futura repreensão devido as palavras de Vash.
–- Vai dar certo, seu idiota. Para de se preocupar tanto com isso.
–- Eu não sou idiota...
–-- X ---
Matthew estava se aproximando do portão do colégio, quando percebe que Antonio estava parado logo em frente a ele. E apressando mais o passo para tentar falar com ele, ele percebe que Lovino estava do seu lado, então ele parou e ficou observando. Aqueles dois formavam um casal engraçado, mas ao mesmo tempo, era muito fofo vê-los juntos.
Logo ele percebeu que Antonio soltou o braço de Lovino e voltou suas mãos para segurar-lhe o rosto. Tanto Lovino quanto Matthew ficaram vermelhos ao ver aquilo. Era estranho para o pequeno Matthew vigiar essas coisas. Logo em seguida, Antonio se aproximou do rosto de Lovino e deu-lhe um beijo, que fez com que Lovino ficasse mais vermelho e se afastasse logo do maior.
–- Aqui na frente não!! SEU BASTARDO! – e a frase veio seguida de um tapa na cabeça do moreno mais velho.
–- Lovi~~ Você é tão gentil! ♥
–- Como você pode achar que um tapa na cabeça é gentil?? Idiota! Inútil que não sabe diferenciar um tapa de gentileza! E para de me chamar desse nome ridículo.
–- Mas essa é a sua forma de ser gentil comigo na frente de todos, não é? ♥
–- Isso não é... – Lovino parou para avaliar a situação — ... fica quieto... – ele abaixou a cabeça e virou o rosto corado.
–- Tão fofo!
Matthew testemunhava aquilo de uma distância segura dos dois. Ele começou a imaginar inúmeras coisas depois que tinha visto aquela cena. Poderiam até ser coisas bobas, mas ele tinha ficado curioso.
“Como será que alguém enxergaria eu e Francis nos beijando...?”
Logo após pensar isso, o pequeno Matthew ficou vermelho. E tentando voltar a pensar de uma maneira que não lhe causasse mais vergonha, ele nem percebeu que tinha alguém chegando para surpreendê-lo.
–- Oi, Matthew!! KESESESESE~ Estava esperando pelo incrível eu?
Com um susto desnecessário, e deixando os óculos escorregarem de seu rosto, Matthew tentou recuperar o fôlego e cumprimentar Gilbert. Estava rezando para que Antonio e Lovino não o descobrissem.
–- O-Oi Gilbert... Não precisava me assustar.
–- É que eu percebi você escorado aí, então resolvi te cumprimentar. KESESESESE~ O que estava olhando?
–- Nada.
–- MENTIRA! Deixa eu olhar também!
–- Por favor, não grite!
–- Não se preocupe, eu serei silencioso. – Gilbert encarou Antonio e Lovino – Ohhh! Você estava espionando eles?
–- Não estava espionando... Só não queria atrapalhar.
Então Matthew percebeu que Gilbert estava sozinho. Onde estava Francis? Ele não demorou muito a perguntar do albino sobre o mais velho. Gilbert disse que ele tinha ido numa loja próxima dali para comprar algo para comer, e que não demoraria muito para voltar.
Então Matthew se acalmou mais. Logo poderia ver Francis naquela manhã. Porém, ele pode ouvir o sinal do colégio soando, e ele não pensou duas vezes antes de sair correndo para chegar logo em sua sala. Mas foi detido por Gilbert.
–- Você não vai esperar o Francis?
–- Eu queria esperar... Mas o sinal soou agora.
–- Chegue atrasado uma vez na vida! KESESESESE~ Isso não vai te prejudicar tanto. Sem falar que você ficaria mais feliz ao ver Francis, não é mesmo?
–- Sim... – Matthew confirmou com a cabeça e ficou vermelho ao fazer isso.
Gilbert sorriu para o menor e falou para ele aguardar mais alguns minutos. Francis não seria louco de fazer Matthew esperar.
–- Gilbert!!! – uma voz veio do outro lado da rua, e o albino, institivamente, se virou para enxergar quem lhe chamava.
Logo de manhã. Justamente em uma sexta feira. O que aquela pessoa fazia ali? Queria deixa-lo mais mal do que ele já tinha ficado em casa? Foi uma luta para Francis tenta-lo reanimar e fazê-lo ir para o colégio. Ele não queria mais se sentir depressivo.
“O que Vash quer comigo? Me destruir ainda mais?”
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