Eterno enquanto dure

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Essa é uma história que acabei de escrever. Trata-se de uma reflexão interna minha (autor) com a vida (o que eu vivi até o momento). Pode parecer meio confuso, até mesmo porque misturei a narração (que é de um gênero um tanto, hã, autêntico) com um poema (que é real e escrevi justamente para esta ocasião). Já escrevi notas demais entre parêntesis, portanto se esqueçam dele e partam para a leitura! Pode ser até legal. Obrigado!

Eterno enquanto dure

—Vocês pararam pra pensar em como tudo tá maluco hoje? Fulano chega para mim e diz “E aí, cunhado? Sua irmã é gostosa, hein?”… E eu devo respondê-lo como se fosse normal: “Pô, cara! Sua mana também é top. Ô lá em casa!” — Olho para a plateia esperando alguma reação. Diante do vácuo só me resta prosseguir. — Eu sou o chato que diz não fale assim da minha irmã. Ao mesmo tempo me retrucam isso é coisa de amigo, cara. E eu sou forçado a dizer: não! Essa é a diferença entre ter uma irmã que dá pra galera com uma irmã que entende sua sexualidade. A sexualidade tornou-se doença – um vício – que corroeu os valores mais básicos da nossa sociedade. Não entro nem no mérito de discutir bullying. Afinal, já pratiquei e já sofri, e não só estou vivo como acredito que sou uma pessoa melhor porque aprendi a lidar com as críticas – das mais positivas às mais negativas.

Vejo alguém acenando a cabeça lá no fundo. É um singelo “sim”, mas que me motiva a seguir em frente.

— Acho que o mundo do politicamente correto está se confundindo com o do incorreto. Tudo que antes servia de proteção agora nos envolve numa casca, redonda e dura, que isola o mundo de nós. A Internet, então, é o melhor meio de exemplo! Aqui qualquer um pode ser o tal, o rico, o famoso, o gostoso… Mas a Internet é só um pedaço da vida, e não a vida é um pedaço da Internet. Ela é apenas uma rede que liga o mundo, este que um dia ainda vai chamar quem se acha o tal, o rico, o famoso e o gostoso de volta à realidade. A queda pode ser terrivelmente dura! — Trago um longo gole d’água seguido por um suspiro. — Já vi todo tipo de gente mentirosa por aqui. Gente que se corta, gente que se odeia, gente que se corta e se odeia, gente que odeia o pai e a mãe… Gente que quer apenas um pouco de atenção! Ah, — gargalho gostosamente — eu não tenho saco pra isso. Não mais. Minha época de adolescência já se foi e tenho muito a fazer. Tenho um mundo a conhecer e a Internet não é mais suficiente pra mim.

Uma moça, que observo há algum tempo, parece um pouco desconfortável pelo meu comentário inicial. Teria ele soado um pouco sexista? Acho que preciso fazer meu ponto melhor, já que o feminismo também ficou deturpado.

— Voltando ao começo: qual seria o problema da mina que dá pra todo mundo? — Vejo que alguns riem de mim em desconforto. Eu rio também, só pra transmitir uma segurança que nem sempre tenho. — Nenhum! Obviamente, a vida é dela e faz-se com ela o que quiser! Mas quem se lembra bem do que eu disse sabe que meu ponto é a sexualidade ter se tornado uma doença – não que um dia não o tenha sido (talvez seja o pior marco da humanidade… O vício da sexualidade) –, não uma moça poder transar com quem bem entender. Hoje, qualquer um transa. Até criança transa. — Finjo um desconforto que existe, já que eu sou praticamente virgem. — Só que será o sexo uma bala que, se consumida com tanta frequência, não passa a ser engolida diretamente com papel? É tipo trident: nada a ver essa história de conservar o sabor. Puta ilusão. Sexo em demasia não é prazeroso! Não é desafio! Não é quente. É apenas uma desculpa do mesmo tipo de gente que se finge na Internet, só que agora para conseguir um pouco de contato. Acho que meu poema expressa mais o que eu quero dizer:

Não travo jornadas que logo cessem

Não traço rotas que em metros padecem

Busco no encalço do eterno a minha andança

Sem temer sobre mim qualquer insegurança

Busco o prazer que me dure o eterno

Para quanto quer que seja esse eterno

Dez minutos, vinte minutos, …horas talvez (*)

Vivendo uma intensidade de cada vez

Intensidade que pode essas horas durar

Ou por segundos, na faísca de um olhar

(*) Para bom entendedor poucas palavras bastam. Para quem não entendeu, estou falando de sexo. Sejam dez ou vinte minutos, horas ou dias, o que importa é a intensidade. Isso faz de qualquer momento, mesmo que seja um segundo (numa troca de olhares), parecer eterno.

Dou uma piscadela para a plateia, que agora me acompanha e cai em gargalhadas.

— Deem uma olhada pela janela. Descansem em seus quartos, mas aventurem-se no mundo! Não façam o contrário, pois isso pode adoecê-los sem que percebam. Sofram e pratiquem bullying, não faz diferença!, pois ninguém pode dizer quem vocês são a não ser vocês mesmos; façam sexo e não fodam, pois quem só fode perde o sexo, enquanto quem faz sexo ainda pode foder; vivam cada dia, cada hora, cada minuto, cada segundo como se fossem eternos. — Sorrio ternamente para a plateia, que parece pasma. — Assim… Garanto que não perderão nada.

Notas finais
Por que "façam sexo e não fodam"? Porque quem faz sexo ainda pode foder, mas quem fode não pode fazer sexo. Lembrem-se de que um dos mais profundos modos de nos comunicar com as pessoas, sejam do mesmo sexo ou do sexo oposto, ainda é o sexo (risos)! Ele não foi feito para ser qualquer coisa, mas sim um mecanismo de satisfação e prazer conjunto. Façam dele uma excelente experiência! Brinquem, fodam, abusem do que puderem... Mas não o façam tornar-se algo singelo que acaba com a mesma futilidade que começou. Obrigadíssimo pela leitura!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!