Notas iniciais
. Ouçam Cut - Plumb, uma musica já tocada em TVD, aqui o link, recomendo: https://www.youtube.com/watch?v=xjEGBoZNg34#t=121 Bjs.

Capitulo

Com raiva aleijada
E lágrimas que ainda gotejam feridas

Uma flama frágil envelhecida
É miserável — Cut

Caroline

Estava tudo calmo. O vento frio batia nas folhas verdes das árvores ao redor.

Silencio.

Eu dava uma passada atrás da outra, meu coração calmo, minha mente ativa e acelerada. O céu estava sem uma lua visível por conta do tempo nublado, mas isso é melhor do que a lua cheia.

Meus calçados mesmo com bico alto não exerciam nenhum som e isso graças à pura experiência que eu adquirira com os Salvatores.

Eles, que anteriormente – quando eu era humana – mataria para ter um, não passavam agora de amigos para toda eternidade.

Isso assusta.

Ainda mais quando você tem noção que não irá poder passar a eternidade com seu amado. Que ele irá morrer ou que em um dia teremos que nos separar para ele poder ter filhos e continuar sua linhagem.

Agora, já não estou mais no chão de concreto de fora do hospital de Mystic Falls, estou no piso liso e branco do local, está silencioso e está ficando difícil não fazer nenhum som, pois, as solas de meus calçados não são forradas de borracha.

Ouço o batimento cardíaco do paciente na sala em que passo, ele está dormindo. Já estou ficando próxima a sala em que guardam as bolsas de sangue. A mochila onde colocarei elas estão em minhas costas. O cheiro está ficando forte, e o sangue humano é de vários tipos, todos diferenciados, todos de gostos diferentes.

Quando entro na sala em que está na temperatura certa para o sangue, coloco uma quantidade razoável dentro dela. Uma quantidade para três vampiros.

***

Natal. A melhor época do ano. Melhor. Sem exceção. E mesmo com tudo isso acontecendo iremos comemorar. Mesmo que com Stefan e Elena brigados vamos comemorar. Mesmo com o pressentimento de Bonnie com uma guerra chegando tentaremos manter o mais normal possível.

Noite passada, abasteci nosso mantimento com bolsas de sangue já que Damon foi da ultima vez.

Tyler estava me seguindo enquanto eu procurava a árvore perfeita de Natal para este ano, nada poderia dá errado. Nada.

Era uma feira ao ar livre que tinha todos os anos na mesma época, pinheiros eram cortados da floresta e eu sempre vinha aqui com Bonnie e Elena, contudo este ano não podíamos. Bonnie estava empenhada em descobri o nome desta outra bruxa que ajuda a nada querida Rachel, e Elena estava cansada com sua barriga ficando muito visível.

Eu tentava colocar todas as vibrações de lado e focar no meu novo modo indie que decidi adquirir a alguns dias atrás como forma de me desfocar desse estresse todo na penúltima semana do ano.

Penúltima semana do ano. Doze horas para o natal. E nada de uma árvore boa o suficiente para mim!

— Caroline, você não acha que essa daqui não é boa o bastante? Olha, ela é linda!

— O que? Essa? Amor tem um galho quebrado. —contestei ao olhar para ela atentamente.

— É só um galho, posso pegar a tesoura que o jardineiro deixou lá e cortar, ela ficará linda.

Ele se encaminha até mim, enlaçando minha cintura e suspendendo as sobrancelhas na tentativa de me seduzir e me convencer.

— Estamos juntos a tempo o suficiente para você saber que sobre o pinheiro eu não posso ser convencida.

— Tudo bem. — diz Tyler com a voz cansada, ele tira seus braços quentes de minha cintura.

— Prometo que tentarei ser rápida.

Achei o pinheiro perfeito meia hora depois.

***

— Não gosto de arroz com passas secas. — Damon faz um bico, separando as passas do arroz branco. — Por que você faz isso Jenna?

— É a única coisa que eu faço bem no Natal.

— Mas é só colocar o arroz junto com as passas e misturar! — diz Jeremy.

— E isso é um trabalho incrível. — fala Bonnie, depois de beliscar Jeremy e Damon. — Acho que eu nunca conseguiria fazer um arroz com passas assim.

Bonnie sorri carinhosa para Jenna que agradece com um aceno de cabeça. Estávamos sentados à mesa. A ceia de Natal servida e por mais que Stefan e Elena não estejam nos seus melhores momentos eles estavam sentados, juntos, em silencio.

Colocamos nossas meias na lareira. Abrimos os presentes e tomamos chocolate quente.

Eu fiz questão de fazer suéteres para Stefan e Damon com os dentes no meio e o de Tyler com um lobo negro.

Estávamos todos ali, pelo menos por enquanto, como família, rindo, brincando. Esquecendo o sobrenatural que tem lá fora e também que, talvez, diante a essa guerra, iriamos perder alguém muito cedo.

Éramos uma família, estruturada, com base e sem laços de sangue.

E por mais que tenha brigas e diferenciadas de espécie na mesa nós não nos importamos.

Fiquei surpresa quando Jenna havia dado um gorro branco de tricô para o bebê de Elena, já que no inicio ela não havia aceitado muito bem o fato quando decidimos contar a ela essa pequena parte e depois o restante. Elena havia chorado, se jogando nos braços maternos de Jenna e com a incerteza que aquele poderá ser o ultimo Natal para alguém.

Jenna tinha um olhar triste, uma coisa que eu nunca tinha visto nos Natais que passei com ela.

Os sinos tocaram.

***

31 de Dezembro.

Eu já sabia, eu já esperava, mas não poderia imaginar que iria doer tanto.

No mesmo dia do Natal eu a tinha interrogado. Na cozinha.

Eu ainda não poderia acreditar que Bonnie tinha concordado com esse sacrifício, poderíamos matar qualquer um. Damon poderia fazer isso ser remorso. Stefan faria isso por Elena. E eu, eu faria isso por ela.

Elena ainda chorava em minha frente, abalada, com a mão em seu ventre. Ela sempre ficava com a mão em seu ventre, sempre o acariciando. E agora ela o protegia. Assim como Stefan, que mesmo de longe, escorado na porta, zelava por eles.

E eu, que ainda estava com o copo de café e prestava atenção na explicação de Bonnie.

No dia trinta de dezembro, enquanto todos dormiam e eu passava a noite acordada sentada na cama esperando a noticia da morte de Jenna, que eu já tinha conhecimento. Ela havia se entregado definitivamente ao sacrifício humano que Bonnie tinha comentado. Ela se negou a morte de outro humano. Segundo a Bennet que dizia que havia rebatido, dizendo que ela é mais importante, e Jenna tinha dito que não era justo acabar com a vida de outra família pela nossa.

Depois de ouvir isso, Elena tinha se culpado.

Como sempre. Porque ela sempre tinha que fazer isso? Era ridículo e me irritava as vezes, igual agora.

Ela deveria saber que Jenna tinha feito isso por amor, e ela morreu feliz. Eu tinha que aprender, a saber disso também.

O sacrifício foi à noite. O sangue de Jenna tinha escorrido sobre uma pedra, o sangue saia de sua garganta cortada, aberta no frio da noite.

— Ela encontrou a paz, Bonnie? — pergunto.

— Eu não sei dizer Caroline, me desculpe. Mas ela se sacrificou por vontade própria, permitiu se ferir, se deixar morrer. Eu não tenho muito conhecimento para com isso, com os humanos, e apesar de viver nesse mundo eu acredito em Deus, e segundo a bíblia...

— Eu sei.

Segundo a bíblia quem comete suicídio não encontra a paz. Ela vai para o inferno e isso eu nunca ter certeza.

Era virada de ano.

Recebemos há noticia uma hora antes.

Alaric não estava no local, na minha casa.

Jeremy tinha sumido.

Faltavam alguns segundos para a meia-noite.

Sete.

Eu pensava no sorriso de Jenna, nos abraços dela.

Seis.

A bondade dela.

Cinco.

Não consegui controlar meu choro.

Quatro.

Não sinto mais nada ao meu redor.

Três.

Raiva.

Sem lagrimas mais.

Dois.

Tenho sede, e não é de sangue.

Um.

A sede é de vingança.

E depois da virada só se ouvia o som dos fogos misturado com a gritaria das pessoas lá fora e o choro de Elena.

Eu não sou um desconhecido
Não, eu sou seu
Com raiva aleijada
E lágrimas que ainda gotejam feridas

Notas finais
Pois é, a temporada de morte começou.