Em uma certa cadeia de montanhas existia um pico montanhoso que se mantinha a cima de todas as outras elevações adjacentes ao seu redor. Este era o monte Fuxi.

Ele servia como cemitério para os membros honrados da guarda local que haviam perecido. Sendo em combate, ou não.

Em meio ás lápides era um grande campo de flores. O cemitério era tão colorido que quase parecia como um jardim. O lugar era completamente quieto. O som dos pássaros de dia, e dos grilos no entardecer, era a única coisa impertinente neste lugar.

Como um cemitério da guarda territorial este lugar possuía uma enorme diversificação de lápides. Além das lápides comuns, que praticamente eram a maioria. Existiam também monumentos. E estátuas que empunhavam espadas modeladas á pedra, além de uma área especial que havia algumas torres pagoda[1], que serviam como edificações figurativas de "descanso final" para membros mais idosos. Pertencentes a elite da guarda territorial.

Estas torres em questão possuíam uma aparência mais zelosa, diferente das lápides e monumentos representativos ao redor. Elas possuíam deslumbrantes e diversificadas ornamentações. Que eram visualmente mais intrigantes e agradáveis de se ver. Além de incitar o respeito e admiração para aqueles que jaziam sepultados em seus interiores.

As lápides e edificações variavam em seu tamanho, acabamento, e texturas. Dependendo da glória e patente do falecido durante sua vida.

.....
Em uma lápide bastante humilde
Um jovem vistoso coberto por um robe azul marinho se mantivera sentado por muito tempo em frente a lápide. Seus cabelos azuis escuros esvoaçavam ao ar e ao seu lado mantinha-se em sua posse uma cabaça de vinho. Além de um copo de cerâmica. Ao qual ele constantemente despejava licor.

Sua expressão era calma e quase melancólica. Cabisbaixo, ele mantinha seus olhos fechados. Enquanto os feixes lunares constantemente debatiam contra sua pele esbranquiçada. Tornando ainda mais aparente sua feição delicada.

O jovem era muito bonito, mas ao mesmo tempo possuía um aspecto fraco. Era uma figura bonita e delicada. Que exalava um tipo específico de fraqueza que geralmente apenas se vê em pessoas doentes.

Após esvaziar a cabaça de vinho ele levantou sua cabeça, enquanto abria seus olhos castanhos. Encarou a lápide por um tempo, sorrindo. Um sorriso simples e tímido. Que ao mesmo tempo carinhoso e sincero. Enquanto mantinha escondido em seu olhar uma reminiscência quase óbvia de saudade.

​Neste momento a lua crescente já havia desaparecido do céu, e o sol estava começando a se sobrepor.

— Tio Zhao ... — A saudade era bastante evidente quando ele começou a falar. Sua voz era rouca e fraca, e pelas longas pausas que ele fazia dava uma impressão que já fazia um bom tempo desde que ele conversou com alguém pela última vez.

— Hoje é o dia que eu completo meu vigésimo aniversário. Tio Zhao... —

O jovem deu um pequeno sorriso forçado, enquanto direcionava seu olhar para cima. Vislumbrando o sol nascente por alguns segundos, antes de suspirar e voltar sua atenção a lápide.

​— ... —
O silêncio pairou. E o jovem continuava a encarar a lápide.

​Mas após alguns segundos...Ele riu amargamente. A princípio ele era bastante cético sobre a existência do rio das almas, mas de todo modo ele nunca deixou de mostrar respeito com aqueles que se foram.

— Bem. Não importa. — Ele pensou consigo mesmo.

— Tio Zhao. Se o senhor pode me ouvir...Eu quero que saiba que eu tentarei passar no exame acadêmico este ano. —

Novamente ele pausou em sua fala. O silêncio reinou enquanto o jovem se mantinha pensativo.

Ele estava pensando no passado, relembrando suas memórias, tentando descobrir o que seu tio pensaria dele hoje.

Tantas memórias marcantes...Que ele não pôde deixar de derramar lágrimas.

​Seu tio era e sempre foi a figura paternal que ele tinha em sua vida.
Fang Wei desde pequeno viveu com seu tio. Seu pai era um ancião do alto escalão da Igreja Santa Orquídea, pertencente a sede principal, na capital. Sua mãe sempre foi fraca e doente, e durante o parto de seu primeiro filho, Fang Wei... Ela havia morrido. Seu pai a amava de todo coração e estava disposto a fazer tudo por ela. Com seu falecimento ele entrou em confusão... Tudo que restou dela estava em sua memória.

E o seu filho?

Qualquer pai teria um sentimento paterno de extremo amor com seu filho. Mas com o pai de Wei era diferente...

Ele odiava o seu filho pois ele o culpava pela morte de sua esposa, ele o odiava pois após ele nascer ele havia a perdido.

È claro, ele o odiava. Mas ainda sentia amor paterno por ele. Mesmo que não demonstrasse e mantive-se trancado no fundo do seu coração.

Mesmo com sua profunda dor e ódio ele havia decidido cuidar do garoto. Por causa de sua esposa. Porém aos dois meses de vida o garoto foi avaliado com uma doença. A mesma que a sua esposa tinha.

Este foi um golpe para o coração de Zhao Tenfei, o pai de Wei.

Ele não podia suportar acompanhar a vida do garoto, desenvolver amor por ele por vários ciclos de vida, para ele simplesmente ser tomado tão cedo pelo destino.

Ele não suportava o fato de ter que assistir seu filho sucumbir como sua mulher. Então ele havia o abandonado...

Se não fosse graças ao seu irmão Zhao Sidan, que decidiu cuidar dele, certamente ele estaria servindo como servo de alguém. Ou pior... Estaria morto.

​.....
Por causa de sua falta de contato com seu verdadeiro pai, ele via seu tio como uma figura paterna, e seu tio o via como o filho que ele nunca teve. Pela sua doença ele sempre desfez, sem magoá-lo, qualquer intenção do garoto em entrar no caminho do cultivo. O mesmo que o seu verdadeiro pai, a sua mãe, e inclusive o seu tio, trilhavam.

Mas após sua morte. Ele estava determinado !

— Eu sei que você morreu em uma missão da guarda, tio Zhao. —

— Eu não posso fazer nada para vingá-lo? Você me deu tanto carinho e eu não posso fazer nada para retribuí-lo? —

Seu olhar era feroz, enquanto ele encarava a lápide com uma grande determinação e coragem. Claramente estampado em suas palavras.

— Eu sei que você não esperava muito de mim, como todos, por causa da minha doença. —

— Mas eu prometo pelo juramento dos Nove Ventos, que eu, Fang Wei, um dia... Irei orgulhá-lo ! —

​O jovem se levantou, com seu punho cerrado, e uma determinação de fogo e sangue. Arregaçando suas mangas e recolhendo rapidamente a cabaça e o copo, enquanto saía com uma expressão determinada.

— Eu definitivamente vou passar no exame, para que ele possa ter orgulho de mim. Definitivamente! —

Com isso ele foi embora.


....
O lugar continuou calmo e inalterado. Mas acima da lápide do velho Sidan qualquer espiritualista presente poderia sentir uma aura ondulando. Não era uma aura de um espiritualista, nem de uma Besta. Muito menos uma causada por uma relíquia ou artefato.

Era uma aura fraca e arcaica... Como se ela existisse, e ao mesmo tempo não.

Esta sensação estranha deixaria qualquer espiritualista com os pelos em pé. Mas ao mesmo tempo que a aura era incomum ela também era extremamente amigável com o jovem.

Mesmo que ele fosse um mortal e não pudesse sentir a aura vindo da lápide, ele ainda sentiu um sentimento quente ao redor de seu corpo, como um abraço quente de um pai ao redor de seu filho.

Ele virou-se para olhar para trás um pouco assustado, mas não viu nada. Ao mesmo tempo o sentimento desapareceu e ele voltou ao seu caminho.


....
No lugar aonde estava a lápide, em outra dimensão. A dimensão espectral
Um homem velho com uma barba mal-feita e vestindo vestes brancas taoístas riu.

— Então tudo que eu fiz para evitar você de trilhar o caminho do cultivo, foi em vão. —

Ele acariciou sua barba enquanto sorria.

— Sua determinação é como a da sua mãe, mesmo sendo uma mortal ela ainda incitava admiração das pessoas ao seu redor. —

— Você é um pouco como ela, Wei'er[2]. —
— Mas ao mesmo tempo é tão diferente...Mas antes eu não percebia isso. —

— Mas hoje eu consigo ver em você o que antes eu não conseguia. . —

— A sua determinação.... —
— Você sempre aceitou meus conselhos sem relutar, mas no fundo você nunca desistiu. Igual a sua mãe você é muito valente, e a sua determinação é talvez até maior que a dela. —

— Mas quanto mais uma pessoa é determinada, mais perigos a espreita. Não vai ser fácil, mas se têm uma pessoa com a personalidade e capacidade de dominar os céus. Este é você.. —


— Meu único pesar é que durante a minha vida eu não pude perceber isto em você... —
— Não importa o que aconteça, eu nunca teria vergonha em lhe chamar de filho. —
— Mas eu sinto muito que não possa observá-lo por mais tempo. —
— Eu sinto muito Wei'er... —


....
Após o desabafo do velho uma faísca azul começou a transpor sobre o seu corpo. Ocasionalmente se transformando em uma boca ilusória flamejante. Ao qual lhe abocanhou.
A silhueta do velho sorrindo foi destruída junto com a sua aura, esvaindo-se em um clarão que expandiu por todo o seu corpo.
Em seguida...
Foi a vez da boca ilusória se extinguir.


.....
Descendo a cadeia de montanhas, se avistava uma grande cidade.

Ela estava cercada pelas montanhas e atuava uma posição central no meio delas. Seus muros eram enormes e bem constituídos, além de possuírem algo que os diferenciava de muros normais.
As diversas escrituras que foram talhadas e revestidas sobre a muralha. Formações de runas e técnicas defensivas de curto e longo alcance, controladas pelos encarregados de proteger a muralha.

Mas o seu próprio tamanho já era o suficiente para reter medo em todos os visitantes que vieram com más-intenções. Os muros eram tão grandes que qualquer mortal se sentiria como uma pequena gota de água na imensidão do mar aberto.

Setecentos e oitenta metros de altura. E os portões eram ainda mais assustadores, chegando a incríveis oitocentos metros. Ainda existindo nove deles !

Fora as cidadelas e torres dentro da cidade que conseguiam um tamanho ainda mais assustador do que as muralhas. Podendo ser vistas de muito longe.

As torres de vigia que guarneciam em cima das muralhas contribuíam para uma visão ainda mais periférica do seu redor. Contendo incríveis noventa metros cada torres de vigia. Que realçava ainda mais o esplendor militar da cidade.

Se fosse só isso, seria assustador. Mas nem tanto para assustar poderosos espiritualistas.

Porém, a quantidade de guardas que guarneciam nas muralhas era simplesmente inimaginável. Dezena de milhares !

Para falar verdade não era um número tão grande, se comparado a toda força militar da cidade. Que alcançava casa das centenas de milhares. E sua população geral? Muito mais do que três milhões !


Só pela quantidade de pessoas que residia aqui já poderia notar que a quantidade de terra que a “cidade” ocupava, era imensa. E nem mesmo cinqüenta por cento das habitações dentro da cidade eram ocupadas.
Peritos poderosos muitas vezes tinham varias habitações de campo, dentro ou fora de cidades. Para quando forem visitar específica região.

Apesar do enorme aglomerado de terras, essa cidade não era nem perto da extensão da capital.

Essa “simples” cidade era a cidade dos Nove Ventos. Conhecida assim por causa do seu fundador, o poderoso especialista conhecido pelo seu nome daoísta, reverendo Dáfeng (Nove Ventos).
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​Wei Fang veio descendo calmamente na direção do portão. Nesse instante existia quase uma centena de pessoas que estavam se dirigindo ao portão.

Incluindo mercadores e comerciantes de todas regiões. Que se dirigiam em vagões de carga voadores, que obviamente eram tesouros mágicos controlado pelo mercador ou algum espiritualista contratado para escolta.

Wei não estava impressionado com essa vista, pois por aqui na verdade era muito normal.

Desta centena de pessoas, na verdade quase todos estavam em tesouros voadores semelhantes.

Ou montados em algumas bestas voadoras e exóticas.

De vez em quando ele via até mesmo alguns cultivadores mais poderosos que voavam acima da muralha. Sem o uso de artefato ou qualquer ajuda externa para voar.

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Não era exclusivamente que a cidade dos Nove Ventos abrigava vários espiritualistas, na verdade era que os espiritualistas eram a maioria nesse mundo ...

Cultivo do espírito era uma questão quase como de cultura. Desde os tempos antigos até hoje, as técnicas de cultivar o espírito foram repassadas por incontáveis linhagens. Mesmo as pessoas humildes de classe baixa podem cultivar.

Cultivo do espírito não era algo raro, alcançar a primeira etapa do cultivo não era difícil, e geralmente as crianças de dez anos ou menos já alcançavam esse nível.


O grande problema era conseguir a iluminação para traçar as etapas superiores. Que era necessária muito mais Chi[4] que poderia conseguir meditando.


Assim forçando incontáveis jovens a se aventurarem em locais perigosos. Em busca de artefatos, relíquias ou alguma boa sorte capaz de ser trocada por pedras espirituais. Inclusive resultando em muitas vezes roubando e ocasionando a entrarem em brigas até a morte. Esta que era uma realidade comum neste mundo.


Pedras espirituais eram pedras que possuíam um vórtice azulado na superfície de seu epicentro. Ao qual eram preenchidas pela essência de Chi da própria terra, e podia ser usada para abastecer e preencher o Chi de espiritualistas.


È claro que cada pedra espiritual poderia abastecer uma diferente quantidade de Chi, normalmente dependendo do seu tamanho. O Chi absorvido para fora da pedra espiritual também não poderia ser resposto de volta para ela. E quando a pedra fosse drenada até a última gota, voltaria a sua aparência normal de uma pedra comum.


Apesar de serem facilmente absorvidas, também eram facilmente mineradas. Mas com o passar do tempo todas as potências já haviam tomado essas minas para si, tornando-se muito mais difícil encontrar uma mina sem dono, e mesmo se encontrasse, apenas se tivesse força suficiente para protegê-la que seria de algum lucro.


Com a tomada das minas de pedra espiritual, um monopólio nasceu. Ao qual essas mesmas pedras seriam utilizadas como moedas, em troca de artefatos, tesouros e relíquias.

Cultivo nada mais é remodelagem do seu espírito. Espiritualistas são aqueles que através de técnicas conseguem cultivar um Dantian [3] em seu espírito, uma esfera que serve como a primeira base de apoio para sustentar o crescimento da sua alma.


È como se você plantasse uma semente em sua própria alma, você a alimentaria e faria a semente germinar, e crescer cada vez mais. Para que quando ela atingisse etapas de crescimento do caule, da muda e das folhas em geral, o solo que você plantou também seria afetado de maneira positiva, crescendo mais verde, com mais nutrientes, e muito mais forte/duradouro.

Mas de toda forma ao cultivar Dantian é apenas um passo em uma longa caminhada. Formar o Dantian era o mesmo que atingir a primeira etapa do cultivo, e como dito acima, crianças já poderiam formar um Dantian.

E após as primeiras etapas do cultivo, Chi não seria tudo para fazer o seu cultivo evoluir. A quantidade de energia que precisaria para fazer seu dantian expandir, é incontável. E como dito antes pedras espirituais eram as moedas desse mundo. Serviam para comprar desde alimentos, até moradias, e um estilo de vida mais confortável.

A melhor forma de cultivar não é necessariamente absorver pedras espirituais. È bom quando você ultrapassa um gargalo e entra em meditação, faltando apenas um pouco de energia para ultrapassar para a próxima etapa. E esse pouco de energia que precisa, pode ser constituído com pedras espirituais.


A verdadeira forma de se cultivar é se aventurando pelo mundo e absorvendo o Chi da própria terra. Mas nessas aventuras também pode usufruir de várias de oportunidades para fortalecer sua força, seja encontrando técnicas, formações, ou encantamentos.


Os artefatos mágicos também podem ser úteis, mas todo artefato consome uma quantidade de energia, ou seja o Qi[5] do seu corpo. Assim devem ser usados apenas para batalhas críticas.

E a melhor maneira de conseguir essas coisas é se aventurando nas ruínas do tempo.

Este mundo é repleto de mistérios que até hoje não foram desvendados, mas de acordo com os especialistas que se aprofundaram á fundo nessas ruínas, essas ruínas foram de uma civilização perdida constituída apenas de cultivadores poderosos!

A grande razão para a geração atual ter tantos espiritualistas era por causa dessas ruínas. Que praticamente existiam em todos os continentes. Embaixo da terra, uma espécie de nação escondida, apelidada de ruínas do tempo pois por mais que o tempo tenha se passado, a cidade nunca foi afetada pelo tempo. E suas ruínas também não foram causadas pelos incontáveis anos. E sim por um poder muito misterioso...

Mas é claro que são apenas teorias, ninguém sabe o certo como uma civilização tão poderosa havia sido destruída.
Aqui no Sul, no continente da Glória, as ruínas eram um pouco menores em quantidade.

A única razão de um continente ter um nome tão soberbo, e com a menor quantidade de ruínas, era porque nos tempos passados especialistas que se aventuraram nessas ruínas encontraram tremenda boa sorte. Alguns patriarcas de clã's e seitas deste continente tiveram sortes incríveis nestas ruínas.
O que levou suas seitas e clãs á grande glória. Mas tanto tempo se passou que a maioria das técnicas poderosas já foram encontradas e armazenas em cofres de grandes seitas e clãs.


Mas felizmente existiam ruínas inexploradas que ainda não foram encontradas, esse fato não era só nesse continente, mas sim em todo o mundo.

De todo o modo a boa sorte ainda existia nessas ruínas. Além de artefatos e técnicas, também existiam lugares de grande têmpera para o corpo carnal e para seu Dantian.


Lugares que o Chi natural do céu e da terra era mais vasto, e lugares que a taxa de absorção do Chi de pedras espirituais eram multiplicados!

Tudo isso contribuía para o rápido avanço de um cultivador. Mas cada ruína era repleta de perigos, não só pelas armadilhas, mas pela cobiça de outros cultivadores..

Mas claro, as bestas que residiam ali também possuíam uma base de cultivo, sendo tão poderosas quanto espiritualistas ordinários.

Não era somente os humanos que podiam cultivar, estas bestas também podiam, e se estabeleceram em lugares como estes há muito tempo.

De acordo com sua base de cultivo eles poderiam falar ou se comunicar mentalmente, e alguns possuíam base de cultivo tão grande que poderiam se transformar temporariamente na forma humana.

​​Deve se saber que existem vários níveis de cultivo e etapas. Sendo que para romper uma etapa para outra era mais difícil que avançar um nível. Pois era necessário alcançar o mais alto nível naquela etapa, aonde sua fundação nela teria que ser totalmente estável.


E então neste momento você passaria por um gargalo, que decidiria se você passaria para a próxima etapa, ou não. O caminho do cultivo era traiçoeiro e perigoso, e se a pessoa falhasse, ela ficaria eternamente naquela etapa, ou até mesmo iria beirar a loucura tentando ultrapassar aquele gargalo.


Mas se superasse, além de poder armazenar maior quantidade de Qi em seu corpo, também poderia exercer técnicas e artefatos mais poderosos. Os quais exigem um maior consumo de energia.


Além disso, sua longevidade também seria aumentada a cada etapa do cultivo, mas para chegar a imortalidade, era necessário um cultivo que desafiaria os céus, algo que em incontáveis gerações ninguém havia conseguido.

​Tudo isso era de conhecimento comum, até mesmo para mortais como Wei Fang, na verdade ele já sabia sobre as etapas do cultivo há muito tempo. Seu tio especialmente o contava, afinal ele era um cultivador da guarda territorial pertencente da guarnição Yǒnggǎn, da cidade dos Nove Ventos.


Uma das guarnições expeditivas, que se aprofundava nas ruínas mais perigosas do continente da glória, e as vezes de outros continentes. Por isso era natural ele saber de bastante coisa, e querer que o seu filho saiba disto.

Mesmo ele tendo nunca aprovado que ele se tornasse um cultivador, era natural ele informá-lo sobre o cultivo. Afinal era uma parte da cultura deste mundo, ele saberia de uma forma ou outra.

.....
​Durante sua caminhada na direção do portão principal ele se deparou com várias pessoas importantes, que obviamente não deram atenção a ele.

Mas ele sempre foi respeitoso. Fazendo um arco com as mãos ou se curvando para as figuras autoritárias que passavam voando ou sobre tesouros voadores.

Ao chegar no portão ele deu um grunhido baixo, mas sua expressão continuava calma.

​A sua frente eram dois homens corpulentos, que usavam grandes armaduras de placas, totalmente douradas. Talhadas com símbolos antigos, e figuras de bestas e animais míticos. E havia naturalmente um símbolo que representava a cidade dos Nove Ventos. Afinal estes eram os guardas da cidade, para ser mais exato, os guardiões.

— Os guardiões não costumam proteger o portão principal do lado de fora, me pergunto o que esta acontecendo. —

Fang Wei questionou para si mesmo, e continuou a caminhar, claramente pensativo.

Apesar deles serem uma espécie de "guarda-portões", eram na verdade merecedores de serem reconhecidos como guardiões. Pois cada um desses guardiões possuíam cultivos insondáveis.
Eles só haviam se submetido a guardar os portões por causa das grandes recompensas.

Mas eles nunca guardavam do lado de fora, afinal quem se atreveria a atacar a cidade? A menos que eles estivessem em guerra com outra cidade ou senhorio.
O único dever dos guardiões era ficar posicionados por mera demonstração de poder e soberania.

Isso ajudava a manter os especialistas poderosos que residiam na cidade comportados.

Alguns cultivadores que estavam a sua frente entraram sem problemas, então chegou a sua vez.

​Um dos guardiões se aproximou de Fang Wei, seu olhar era afiado e continha uma misteriosa ressonância com vários DAOs.

Mas apesar disso, o olhar não foi de ameaça. Era como se essa pessoa estivesse viva por milhares de anos, não era um olhar assustador, e sim calmo e insondável.
Apesar de não ser um olhar ameaçador era suficiente para entender a força do homem, com este simples olhar ele conseguia manter cultivadores mais fracos na linha, para não dizer nada de pobres mortais.

— Senhor? — Wei se surpreendeu com o avanço do homem em sua direção, afinal ele era só um mortal.

O suor frio começou a sair de sua testa. Mesmo assim ele era corajoso e detinha um coração forte. Mas como não possuía uma base de cultivo, ele não conseguiu resistir de tremer, não importava o quanto tentasse.

— S-senh... — O homem já estava a sua frente, encarando-o em silêncio. Tudo que Wei Fang poderia fazer, era ficar calado.

Ele encarava Wei Fang atentamente. Com um olhar investigativo, como se ele pudesse descobrir tudo sobre a vida dele com uma única olhada. Como se nenhum segredo poderia ser guardado de seu olhar senciente.
​
Após alguns segundos o homem se virou e saiu em direção a sua antiga posição.

— Não é ele. —

O outro guardião que barrava o porta, assentiu com a cabeça, e depois liberou o caminho. Wei Fang caminhou, ainda tremendo e confuso, afinal o que esses dois guardiões estariam procurando? Eles não iriam se mover para a entrada exterior sem nenhuma ameaça.

E o que era ainda mais curioso; para ignorar os cultivadores e inspecionar mortais como Wei Fang, isso era... Muito estranho!

Mas de todo modo não tinha nada a ver com ele, afinal a sua meta agora era ser aceito no exame acadêmico da Kāishǐ DAO-University. Dao-University nada mais era do que organizações de ensino privadas, diferente de seitas e clãs.

Seitas aceitavam discípulos com talentos latentes altos, e clãs era devido a linhagem. Você poderia entrar em um clã sem uma linhagem, mas adquirir seus tesouros e técnicas era muito difícil. E de todo modo, para entrar em uma seita ou clã, era necessário já ser um cultivador.

​Já as Dao-University eram focadas no ensinamento de mortais. Um dos motivos pela grande quantidade de cultivadores é por causa dessas grandes organizações de ensino. O único requisito é que tenha duas décadas de vida para prestar o exame. Como dito antes, com dez anos o Dantian já poderia ser formado, mas a qualidade do Dantian dependia da técnica usada para criá-lo.


Ninguém sabe o certo o porque das DAO-Universitys apenas aceitarem aqueles com uma década de vida a mais que o mínimo para formar o Dantian. Exceto talvez alguns espiritualistas mais poderosos.
Eles possuíam técnicas de cultivar o dantian, artefatos mágicos e técnicas, capacidades divinas, de todos os tipos.

È claro, a maioria dessas academias só possuíam técnicas e artefatos de baixo grau.
Maioria das técnicas foram criadas por seus professores e diretores das gerações passadas, quase nenhuma foi encontrada nas ruínas do tempo, afinal essas técnicas eram melhor manter para si próprio.


Por isso era muito raro uma Dao-University ter formado um espiritualista realmente poderoso. Mas mesmo assim atraia muitos alunos, muitos cultivadores não tinham o luxo de ter uma técnica de criação do Dantian decente. Sendo de baixo grau, ou não, seria muito bem vinda.

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Mas é claro que isso era diferente com Wei Fang, seu pai e seu tio não eram espiritualistas tão poderosos, mas ainda assim não eram ordinários. Conseguir uma técnica de Dantian decente seria fácil, porém, nenhum dos dois queria que Wei Fang iniciasse no mundo do cultivo.

Igual a sua mãe ele possuía uma doença estranha que afetava o corpo e o espírito.

Mas é claro, isso não o impediria de cultivar, mas quanto mais níveis e etapas ele alcançasse, maior seria a atrocidade da doença.

....

Além da Kāishǐ que era a principal Dao-University, existiam outras duas na cidade dos Nove Ventos, a Nine Clouds, e a Yuán Sanctuary DAO-University.

Apesar de não serem as principais, elas continuavam sendo formidáveis. E para falar verdade não era que a Kāishǐ tinha técnicas melhores que as outras instituições. Ser “principal” era apenas um título.

Na verdade para ser exato, um posto. Existia várias competições entre as academias para avaliar seus dotes de batalha, o talento latente era importante, mas alguém com grande cultivo e que não sabe se comportar ao meio de uma batalha, seria um alvo fácil.

Através dessas competições que se elegia o representante da Dao-University, a academia que dominasse a competição com maior número de provas de fogo vencidas, poderia enviar um de seus professores ou mesmo o diretor para ser um representante das academias, no salão do Grito Sussurante.

Que nada mais era do que uma espécie de assembléia da cidade. As maiores potências dentro da cidade não eram os peritos solitários.
E sim representantes de grandes seitas e clãs. Para manter a boa ordem, representantes escolhidos por esses poderes mantinham um lugar na assembléia, aonde leis poderiam ser levantadas e votadas, caso contasse com a maioria dos votos, entraria em vigor.

Claro que as academias não podiam ser contadas como potências. Mas pelo auxílio na fundação de novos espiritualistas, elas poderiam escolher um representante anualmente, que seria de uma das três academias.

De todo modo a assembléia tinha um poder figurativo, quem realmente controlava a cidade era o lorde da cidade.

O lorde da cidade em questão era um dos descendentes da família do próprio fundador da cidade.

A família Vento Nevado.

​....