"Há uma chama acendendo no meu coração

Chegando num ponto de febre, está me tirando da escuridão

Finalmente eu posso vê-lo claro como um cristal

Veja como eu o deixo com cada pedaço seu

Não subestime as coisas que eu vou fazer

Há uma chama acendendo no meu coração

Chegando num ponto de febre

E está me tirando da escuridão"

(Rolling In The Deep-Adele)

Todos ficaram calados quando escutaram a porta do quarto de hospedes abrir e verem uma ruiva sair de lá, totalmente diferente daqui havia entrado. Essa usava um vestido azul florido e saltos; seus cabelos estavam secos e arrumados e suas olheiras tinham sido cobertas com um pouco de base, porém nada mais que isso.

—Olá Lydia. Cumprimentou Alisson, usando o mesmo tom que usara com a mulher no quarto.

—Boa tarde... a todos. Respondeu, olhando nos olhos de cada um.

—Está com fome? Ou sede? Perguntou Stiles, se levantando e indo a até a amiga, entretanto, sem a tocar.

—Não, estou bem. Mas gostaria que Alisson me levasse para tomar um pouco de ar fresco, se possível.

—Mas é logico que sim. Vamos? Disse, levantando-se e pegando sua bolsa.

—Há algum lugar em especial? Perguntou a morena, dando partida no carro.

—Helena. Respondeu simplesmente.

Alisson encarou a menina que, neste momento, estava olhando fixamente para o lado de fora. A garota ficou surpresa, mas dirigiu até o local e parando lá após alguns minutos, já descendo do carro e tocando a campainha, sempre sendo seguida pela ruiva que permanecia calada.

A primeira reação de Malia foi dizer um “olá” para a amiga, isso até ver quem a acompanhava. Neste instante ficou paralisada, a encarando sem saber o que deveria fazer.

—Helena? Podemos entrar? As palavras ditas por Alisson a fizeram despertar do pequeno transe e responder.

—C-claro... Claro! Entrem. Gaguejou, mexendo a cabeça para desviar o olhar.

As meninas entraram e logo Lydia se sentou em uma poltrona da sala, olhando ao seu redor, analisando o ambiente.

—Quer algo, Lyd? Perguntou Malia, sem fazer a mínima ideia de onde havia vindo aquele apelido.

—Um copo d’água, por favor.

—Eu pego, afinal ela está aqui para falar com você. Diz Alisson, indo até a cozinha.

—Você quer falar comigo? Sobre o que?

—Sobre a Wolfsbane, sobre os Alphas, sobre você... Malia.

A menina ficou paralisada e Alisson, que vinha da cozinha, deixou o copo cair no chão.

Como ela sabe? Gritava Malia, sua própria voz berrando em sua cabeça. Quem mais sabe? Eu não fui cuidadosa o bastante, eu sabia que isso ia acontecer! Idiota, agora tudo corre perigo!

—Não, eu não vou contar para ninguém. E também, ninguém me contou. Descobri durante essa semana, enquanto coisas demais eram jogadas na minha mente e uma enxurradas de perguntas e poucas respostas passavam em uma alta velocidade passavam por ela.

—Então... Aiden não te contou? Perguntou Alisson, timidamente sentando perto dela, e a entregando a água em um novo copo.

—Não. Mas ele deu várias pistas, eu apenas não tinha percebidas até este momento. Mas eu sabia que ele havia lhe contado isso. No dia da festa, no momento dança para ser mais precisa.

—Como assim? Você sabia? Indagou fervorosamente à Alisson.

—Malia, acalma. Eu não vou falar até que você se sente, e penso que Lydia pensa o mesmo.

Nem uma das duas, Malia e Alisson, tinha percebido o quanto a arqueira havia amadurecido. Para Malia, ela sempre fora a “caçula” do grupo, sempre pensando no bem dos outros como uma criança inocente faria. Mas agora, vendo que Aiden tinha confiado nela quando ele sabia que a qualquer momento ela poderia lhe apontar uma flecha, talvez ela fosse a mais responsável; a mais adulta.

Malia se sentou e apoiou seus braços nos joelhos, intercalando o olhar entre as duas. Esperando uma explicação, ou quem sabe uma história que pudesse decifrar tudo aquilo.

—Vamos, Alisson. Também quero uma explicação. Incentivou Lydia, com uma voz calma, o que era surpreendente analisando toda a situação.

Alisson se sentou, mas logo se pôs de pé. A situação era estressante demais, até mesmo agoniante demais, para poder ficar sentada.

Ela puxou o folego, não ia ser interrompida, pretendia contar tudo do começo ao fim sem interrupções.

—Você está certa. Ele me contou enquanto dançávamos, disse que, ao contrário do Stiles, que nos perseguia, sempre focado no presente e no futuro, ele olhava o passado. Procurava todas as pistas, respostas e soluções na história de cada um de nós. Tanto que eu acho que foi assim que você descobriu o aniversário da Malia, não é mesmo Lydia? Por que ele te contou? E também, foi desta mesma forma que ele descobriu sobre, na verdade, sobre sua mãe, Mal.

A menina tomou folego e esperou que alguém falasse algo, mas como já era previsto, ninguém a interrompeu.

—Ele olhou nos registros da cidade, e ele descobriu apenas uma Helena Tate, sua mãe, que já estava morta e tinha deixado apenas sua filha: Malia Hale. Mas como você não é de NY, não tinha nenhum registro sobre você, nenhuma foto, nenhum documento... nada. Com exceção de uma foto, uma foto da inauguração da Hale’s Engineering, da qual você estava. E com reconhecimento fácil computadorizado foi fácil descobrir a verdade.

—Essa da qual ele descobriu, mas contou apenas para você. Disse Lydia, mais afirmando do que perguntando.

Lydia havia pensado nisso por dias, deitada na cama ou dentro daquela banheira, tudo o que ela fazia era tentar tomar a decisão correta. Já estava decidido.

Ela se levantou com sua bolsa, andou até o banheiro que havia no meio do corredor e entrou na porta que estava entreaberta.

—Vamos até a agência. Disse Lydia, mas foi quase como um comando.

A ruiva, que agora usava uma calça jeans preta, blusa branca junto com uma jaqueta e os mesmos saltos que usava antes. Pegou a arma que estava em cintura e a bloqueou e colocou dentro de sua bolsa e andou até a porta, sem esperar em ser seguida.

*******

A agência estava praticamente vazia, já que era um sábado. Para Lydia isso não importou muito. Ela andou a passos firmes, completamente calada, até a área de treinamento que ficava nos fundos, esta também estava deserta.

—Eu quero que vocês cronometrem tudo o que eu vou fazer. Sem perguntas, apenas o faça.

A menina organizou 10 alvos para o tiro, ligou os alvos que se movimentavam e os lasers, que simulavam os lasers de segurança reais.

—Agora. Ordenou a mulher para a Malia, que começou a cronometrar.

Lydia, usando a sua Glock, acertou 8 dos 10 alvos no peito e os outros dois na cabeça, logo após carregou a arma e conseguiu acertar outros 7 alvos em movimento no peito e depois, com uma destreza e graça impecável, conseguiu passar pelos lasers sem ser pega.

—E então. Perguntou sem fôlego.

—3:00 minutos. Lydia, isso foi... incrível. Disse Alisson, olhando para menina como nunca tinha olhado antes, olhando como iguais: duas meninas capazes de tudo.

—Com certeza foi, mas para que tudo isso?

—Eu quero vingança contra quem for que fez isso. Eu quero entrar para a Wolfsbane.

Notas finais
Lydia agora quer fogo no parquinho e eu não poderia apoiar mais hahaha Apóiem essa autora também e deixe seu comentário ♥