Notas iniciais
Bem, olha eu aqui para infernizar a vida de vocês de novo. Achei o bônus pequeno e fiz um capítulo. Porque eu que mando nessa bagaça. Brinks. Só sou muito legal. Peço que as Chiard Shippers não me matem, em primeiro lugar. E quero agradecer a minha migs Rebeca por fazer o look do capítulo (o que tá no polyvore) Obs: Quem gostar de ouvir a música que boto, abre e só da play quando eu disser.

"Isso te faz sentir melhor? Porque me machuca"

Better – Kodaline

P.O.V. Narrador

Apesar de conversar animadamente com a mãe, Chiara estava temerosa em relação a seu namoro com Richard. Não que não gostasse dele, mas sabia que teria 90% de chances de o relacionamento não funcionar.

– Por que está assim, querida? – Mirela perguntou um pouco preocupada com a filha

– Assim como?

– Parece preocupada. Não deveria estar feliz? – Acariciou o cabelo ruivo da garota, que estava deitada com a cabeça em seu colo.

– Eu estou, mamãe. Gosto do Rich. – suspirou.

– Mas...

– Mas somos da realeza. – se sentou e encarou a mulher – Ele já tem 18 anos. Logo vai ter que se casar com alguma princesa. Quando o Jonathan assumir o trono, ele vai governar a Irlanda do Norte.

Esse foi um acordo que o rei fez com os ministros quando o filho mais novo nasceu. Para não haver disputas pelo trono.

– Verdade, querida. Mas não pense nisso. Só aproveite o momento.

– E também tem eu. Vocês não falaram, mas sei que provavelmente já estou condenada a casar com alguém. Próximo mês faço 17 anos. Como vou aproveitar isso sem pensar que tem data para acabar? – mexeu no anel que estava em seu dedo.

– Não pense nisso – a rainha tentou acalmar a garota, mas também estava preocupada – Esqueça e só aproveite. Tenho que ir. Vou resolver alguns detalhes com as outras rainhas.

– Vou tentar. Pode ir – tentou sorrir e deu um beijo na bochecha da mãe.

Como ficaria sozinha no quarto, decidiu colocar algo mais confortável. Vestiu uma legging vinho e uma blusa cinza de mangas compridas. Se jogou na cama logo depois. Começou a pensar no que poderia fazer. Tinha que tomar uma decisão sobre o que estava acontecendo. Acabou dormindo ali.

Despertou com o som de sua criada a chamando para se arrumar para o jantar. Tomou um banho quente e foi para o pequeno closet.

A noite estava fria. Deveria ser umas 19h. Se estivesse em sua casa, vestiria uma calça jeans e um suéter. Mas estava em outro palácio. Colocou uma meia calça preta, um vestido rosa claro com a parte do colo em renda e um cinto claro. Colocou um casaco preto que parecia um terno, calçou uma bota com saltos baixos e saiu do quarto.

Chegou a sala de jantar. Somente se encontravam ali Jonathan, Richard e Adele. Quando o príncipe inglês mais novo viu a garota, dirigiu-lhe um sorriso, que foi retribuído sem muita animação. Desejou boa noite, se sentou ao lado da princesa alemã e começaram a conversar.

Richard estava intrigado com o modo que foi tratado pela namorada. Em situações normais, ela aproveitaria a ausência dos pais para conversarem ou algo do tipo.

Todos foram chegando aos poucos e preenchendo a grande mesa. Por sorte, ou azar, Richard tinha ficado na frente de Chiara. A comida chegou uns dois minutos mais ou menos. A entrada era tartare de salmão. Enquanto comiam, cochichavam entre si.

Quando já estavam na sobremesa, mousse de limão, Chiara estava pensando em como chamar a atenção de seu namorado, que parecia pensativo. Deu um leve chute em sua canela. O rapaz logo fez uma careta pelo incômodo, mas levantou o olhar para a ruiva, que sorriu.

A irlandesa fez o sinal tão conhecido por ambos quando precisavam se encontrar. Mexeu em sua orelha, como se estivesse coçando. O inglês fez um leve aceno com a cabeça e voltaram a comer.

Annelise estava estranhando aquilo. Era a melhor amiga da ruiva e sabia de toda a situação. Não sabia o motivo da distância de Chiara.

Com o jantar terminado, os presentes se espalharam pelo palácio. Havia chegado a hora da tal conversa.

P.O.V. Richard Anthony Russel

Ainda estava estranhando as atitudes da Chi. E pensativo em relação a conversa que tive com minha mãe. Ela veio com a conversa de que eu não deveria ter saído às escondidas com a garota, que foi irresponsável da minha parte. E coisas do tipo. Eu, que ainda tinha juízo na cabeça, só fiz concordar e me desculpar. Nenhum de nós três discordava da imponente Diana Russel.

Fui para meu quarto e tirei o sapato e as meias. Sentei na cama, esperando alguns minutos antes de me dirigir ao encontro com Chiara. Como sempre, iríamos a uma parte quase inutilizada do jardim para conversar a vontade.

Passei os 30 minutos seguintes encarando o teto, já que não tinha nada pra fazer. Calcei de novo o sapato e coloquei a camisa social verde clara até o cotovelo, então saí do quarto.

Me dirigi até o “nosso canto” esperando não encontrar ninguém no caminho. Passei pela “parede” de plantas, vendo logo uma parte onde eu e Jonathan entrávamos. Mostrei o local para a ruiva quando éramos crianças. Pedimos para minha mãe fazer pequenas mudanças. Fizeram um canteiro com vários tipos de flores, uma fonte e bancos foram colocados.

Vi os cabelos alaranjados no meio do canteiro. A minha namorada estava ajoelhada ali no meio, olhando as flores.

– Chiara! – falei um pouco alto e me aproximei, com um sorriso. Ela se levantou e me abraçou apertado. Achei estranho, afinal não tínhamos ficado longe por muito tempo.

– Oi, Rich – deu um sorriso meio forçado – Vamos sentar?

– Sim – passei meu braço por sua cintura e ela se aproximou mais, pousando a cabeça no meu ombro. Dei um beijo em seu cabelo e fomos até um dos bancos.

– Por que me chamou?

– Precisamos conversar – se afastou de mim e começou a me encarar, o que me deixou um pouco nervoso. O assunto parecia ser sério.

(N/A: se quiserem dar um clima a mais, coloquem a música do capítulo)

– Então... Você sabe que gosto muito de você. Somos amigos desde crianças e mesmo que a gente só tenha começado a namorar ontem... Eu tenho sentimentos fortes. E também já estávamos ficando algumas vezes, mas... – parou de falar de repente.

– Mas, o que? – tentei colocar a mão no seu rosto, mas ela segurou e negou com a cabeça.

– Eu acho que... – fechou os olhos e respirou fundo – Não vai dar certo. É melhor terminar.

– O quê? Você tá brincando, não é?

– Não, Rich...ard. Estou falando sério – se levantou.

– Você acabou de falar que gosta de mim – me levantei e a segurei pela cintura, a encarando – E sabe que eu também gosto de você, ruiva – sussurrei. Tentei me aproximar para beijá-la, mas ela colocou as mãos no meu peito, me impedindo.

– Só esquece isso... Não dá – ela sentou no chão.

– Por que não dá? – ainda queria que ela falasse que era uma brincadeira.

– Porque somos da família real. Você vai assumir o trono e eu vou casar com alguém. Eu sei que meus pais já devem ter me vendido pra alguém. Afinal é pra isso que princesas servem, não é? – riu sem humor.

– E se você estiver enganada? Se não tiverem feito isso?

– Eu teria que ser muito ingênua para acreditar nisso, Richard. É melhor pararmos.

– Vamos tentar. A gente pode falar com nossos pais ou sei lá.

– Se for um acordo, não haveria como mudar – falou com uma voz mais chorosa e aproximou os joelhos do corpo, colocando o rosto entre eles.

– Rich, eu não quero me machucar com uma coisa que sei que não vai pra frente.

– Você está desistindo sem nem tentar.

– Ok, vamos supor que a gente continue. Podemos chegar ao eu te amo com o tempo. Mas você já tá com 18 e eu vou fazer 17. Vão aparecer os noivos, a gente vai se separar e sofrer. Não quero um coração quebrado. Me entende por favor. – sabia que ela estava prestes a chorar. Me aproximei e sentei ao seu la – Ei, não fica assim. Olhe pra mim – levantou o rosto – Não quero te ver triste. Se acha que é melhor... Mas podemos continuar essa noite juntinhos? Só pra durar no mínimo um dia? – ri sem humor.

– Ok. – sorriu e encostou a cabeça no meu ombro

– Pera aí. Já volto. – fui até o canteiro e procurei por um tempo uma flor específica.

Voltei para o banco com um pequeno buquê formado por quatro tulipas vermelhas. O entreguei para minha atual ex-namorada. Excluí esse pensamento.

– Obrigada.

– Por nada. – sentei de novo e dessa vez, tirei o sapato e as meias, deixando os pés na grama.

– Então... O que iremos fazer?

– Não sei. Só queria ficar perto de você mesmo – me aproximei e passei um braço por seus ombros.

– Então vamos ficar assim mesmo. – sorri e me abaixei um pouco para beijar sua bochecha e voltei a minha posição.

P.O.V. Chiara Aileen O'Connel.

Não queria realmente terminar com ele, mas tinha que fazer isso. Não queria ter um coração quebrado por insistir em algo que não daria certo.

Ficamos uns 5 minutos em silêncio, somente olhando para o céu. Não sabia direito o que fazer, então simplesmente me ajoelhei e segurei seu rosto. Me aproximei devagar, o encarando. Primeiramente, dei um selinho, mas depois comecei um beijo de verdade.

Não havia pressa, somente a saudade antecipada. O beijo era lento, carinhoso. Ele passou as mãos por minha cintura e eu, instintivamente e por questão de conforto, fui para seu colo. Continuamos até o ar acabar e ficamos nos encarando com as testas juntas.

– Vou sentir falta disso – falou.

– Também. Mas não vamos falar disso, ok? – dei um rápido beijo e voltei a minha posição.

Passamos umas duas horas ali, entre conversas aleatórias e alguns beijos. Depois disso, preferimos entrar. Então, ele me acompanhou até meu quarto. Eu ainda segurava as flores.

– Então... Podemos continuar amigos, pelo menos.

– Acho que não... Pelo menos por enquanto. – falei – Ficaria um clima estranho...

– Mas a gente não pode cortar relações totalmente. E do nada.

– É melhor você ir, antes que alguém nos veja. Preciso descansar.

– Tá – ele parecia com raiva – Boa noite – falou frio, virou as costas e sumiu pelo corredor, provavelmente indo para seu quarto.

Entrei no quarto e coloquei as tulipas no criado mudo. Dirigi-me ao banheiro e tomei banho, pensando nos acontecidos desses dois dias. Vesti um pijama bem confortável ao sair e logo me joguei — literalmente — na cama e dormi rapidamente.

Dois dias depois...

Somente uma palavra poderia definir os dois dias: merda. Lise só faltou me bater, minha mãe achou que eu agi precipitadamente e Richard... Bem, ele mal olhou na minha cara. E quando conversava, o resultado era uma pequena discussão.

Tinha acordado um pouco cedo naquele dia. Meu pai havia avisado que eu teria uma "reunião" com ele. Não sabia sobre o que poderia ser, então estava bastante nervosa.

Tomei um banho e decidi colocar algo um pouco mais formal. Nunca se sabe, certo? Coloquei um vestido estampado lilás e rosa claro e um blazer rosa escuro. Calcei um salto nude e botei alguns acessórios. Conferi se estava tudo ok no espelho e desci as escadas. Só se encontrava uma pessoa na sala de jantar. Como sou alguém muito sortudo, essa pessoa era Richard.

– Bom dia – tentei ao menos ser educada, mas só recebi o silêncio como resposta. Me sentei um pouco constrangida – Também não precisa ser um cavalo – falei para mim mesma, mas ele deve ter ouvido, pois bufou. Revirei os olhos e comecei a comer.

Quando terminei, o que não demorou muito, limpei a boca e me levantei.

– Passar bem – falei irônica e saí, indo para o escritório.

Ao chegar, chequei num relógio da parede se era o horário combinado. Ainda faltavam cinco minutos, então sentei para esperar.

Em pouco tempo, meus pais apareceram no corredor. Pareciam conversar algo sério. Ao me verem, sorriram.

– Chegou muito cedo, filha? – perguntou minha mãe.

– Não, só uns cinco minutos. Vão começar agora?

– Sim – meu pai, Ryan O'Connel, falou. Entramos no amplo escritório e sentei numa cadeira ao lado da minha mãe. Ele tinha ficado em pé.

– Então, querida – começou minha mãe – Eu e seu pai temos uma notícia importante. Certo, Garve? – ela era a única que o chamava pelo segundo nome.

– Falem logo. Sem enrolações.

– Vou tentar – começou o ruivo – Como você sabe, não há forma melhor de selar uma união entre países do que um casamento – assenti com a cabeça – A maioria das princesas são prometidas ao nascer. E mesmo que não tenhamos contado, é o seu caso.

– Isso eu já sei faz tempo – falei baixo e minha me lançou um olhar repreensivo.

– Como você já está perto de completar os 18, queremos que se acostume com a ideia. Então... Seu futuro marido está do outro lado da porta. – enquanto eu estava chocada, minha mãe foi até a entrada e abriu.

P.O.V. Narradora

Do outro lado da porta, a rainha tentava acalmar seu filho e ajeitava várias vezes seu terno e o do marido. Quando Mirela abriu a porta, a monarca suspirou e entrou com o resto da família.

O choque dos dois adolescentes foi enorme. Como assim? Eles eram as pessoas com quem tinham que casar?

– Richard?

– Chiara? Mãe, o que é isso?

– Primeiro, sentem-se. Vamos explicar – o rei Robert começou – Como todos sabem, meu filho mais novo governará a Irlanda do Norte. Isso foi decidido quando o próprio nasceu. E assim que soubemos que a Rainha estava grávida de uma garota, procuramos a monarquia irlandesa para propor casamento. Dessa maneira, Irlanda e Irlanda do Norte ficariam ainda mais próximas.

– Então... Se vamos ter que casar, por que nunca contaram? E por que tanta raiva quando a gente saiu? – Richard tirou as palavras da boca da ruiva.

– Não importa se vai casar, ainda é minha menina – o ruivo falou. – E bem, estamos falando agora. O casamento ocorrerá poucos meses depois do aniversário de 18 anos de Chiara. Então, desde agora, vocês devem começar a agir como um casal para a mídia. O noivado provavelmente será durante a Seleção. Bem, podem sair, garotos. Nós quatro temos assuntos a tratar.

– Tchau – falaram em uníssono ao sair. Assim que passaram da porta, Chiara saiu andando rapidamente para fora do palácio, indo até a parte secreta do jardim, a fim de pensar um pouco.

Richard entrou ali alguns minutos depois, encontrando sua futura esposa sentada na grama, com os joelhos juntos ao corpo e o rosto ali no meio.

– Chiara? Tá tudo bem? – se sentou.

– Não. Não está. – levantou o rosto e passou a mão nas bochechas, limpando as lágrimas. Richard percebeu que os aneis que ele tinha dado ainda estavam ali.

– Ainda está usando? – falou um pouco risonho.

– O que? – logo percebeu o que era e ficou um pouco vermelha – Sim... Achei eles bem bonitos e continuei usando.

– Sei...

– Então... Esperava isso? – tirou os saltos e colocou os pés descalços na grama.

– Não. Quando minha mãe falou que eu iria conhecer minha noiva, foi um baque. Não pensei que seria tão rápido.

– Nem eu... Só nos resta aceitar. E mostrar o público o quanto estamos felizes e ansiosos.

– Senti ironia aqui?

– Sim. Não quero casar...

– Quê? – o rapaz não entendia. Primeiro ela gostava dele, mas não ficavam juntos pelo compromisso com outra pessoa. Agora, ela não queria.

– Entenda. Eu até gosto de você, Rich. Mas casar... E ainda mais tão cedo... Não sei. Pensei que iam esperar pelo menos eu ter uns 20 anos.

– OK. Acho que vamos começar a atuação durante a Seleção dos nossos irmãos. – saiu dali com raiva.

Chiara se deitou ali e suspirou, derrotada, pensando o quanto era idiota e só fazia coisas erradas. Precisava conversar com sua amiga.

Se levantou e saiu dali, procurando Lise. Precisava desabafar com alguém e a loira era a única.

P.O.V. Chiara

Achei Lise na sala de música, tocando piano. A chamei para meu quarto e contei todos os ocorridos.

–... E ele saiu com raiva – suspirei e me joguei na cama, agarrando um travesseiro logo depois.

– Você é uma idiota, Chiara Aileen O'Connel.

– É, eu sei.

Notas finais
Então, garotas... O que acharam? Eu sei, sou um monstro. Mas vamos a duas coisinhas. Coloquei as tulipas vermelhas porque elas significam amor eterno. Olha que lindo. E recomendo a banda que toca essa música. Sou apaixonada por Kodaline. Kisses, Nessa.