Exilo-me à noite em um devaneio,

tal qual insistes tu em usurpar:

fazes-me em teu colo me aconchegar,

dizes ser quimera e puxa-me o esteio!

Acordo só, à escuridão, alheio

com ambas mãos vazias a decifrar,

se o tal lençol, quiçá, a me flanquear

não serias ti invés de um mero anseio.

Cruel realidade da distância!,

que interpõe-se entre mim e a minha causa,

que ri da minha dor em abundância.

No peito, ansioso, bate sem pausa

um coração que anseia, sem ganância,

exilar-se em teu corpo, sem receios.

No peito, ansioso, bate sem pausa

um coração que anseia, sem ganância,

exilar-se em teu corpo, sem receios.