Eter-no
2 O Exílio
Exilo-me à noite em um devaneio,
tal qual insistes tu em usurpar:
fazes-me em teu colo me aconchegar,
dizes ser quimera e puxa-me o esteio!
Acordo só, à escuridão, alheio
com ambas mãos vazias a decifrar,
se o tal lençol, quiçá, a me flanquear
não serias ti invés de um mero anseio.
Cruel realidade da distância!,
que interpõe-se entre mim e a minha causa,
que ri da minha dor em abundância.
No peito, ansioso, bate sem pausa
um coração que anseia, sem ganância,
exilar-se em teu corpo, sem receios.
No peito, ansioso, bate sem pausa
um coração que anseia, sem ganância,
exilar-se em teu corpo, sem receios.
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