Esvaecidos de sua memória

3 Capitulo lll - E talvez isso será real


Dia 21 de abril de 1992,

Não tenho com quem partilhar minha história, e acho importante o registro, se não ele, o que mais poderia comprovar a sua, a minha, a nossa existência? Mas eu existi! e preciso registrar isso. Me encontro presa em algum lugar bem húmido, julgo que essas paredes são feitas da mais forte rocha. Sou alimentada duas vezes ao dia, uma no amanhecer, e outra ao cair do sol. E não há meio de conseguir enxergar quem é o meu sequestrador, tal anonimo que me alimenta e me mantém sua refém. Pelas minhas contas já fazem seis dias que estou aqui, o lugar é húmido, pareço estar no espécime de um quarto. É pequeno. Sem tomadas, apenas uma lampada e infelizmente não há nada que eu possa jogar para tentar criar um incêndio e força-lo a me tirar daqui, sempre sou monitorada durante minhas refeições, o quarto é semelhante a uma solitária, como via nos filmes policiais. Então eu deduzo estar numa prisão, e há um bom tempo. Não me lembro de como vim parar nesta situação, nem me lembro de quem eu sou direito, ás vezes, não sei dizer o que é real e imaginário, o que estou vendo ou não, o que são lembranças ou apenas sonhos... Espero que alguém um dia saiba da minha história, ou pelo menos saiba de quem eu sou, porque eu não sei, e por isso quero registrar tudo. Talvez estejam tentando me apagar, me tornar indigente. Mas me manterei firme. Espero ter alguém lá fora a minha espera, ou pelo menos, a minha procura. Não sei mais ao certo quanto tempo aguento cercada por este silencio. Venho anotando tudo em papeis higiênicos, ao que parece, eu era no minimo uma pessoa esperta, pois escondido comigo estava esta velha caneta movida a tinta, por incrível que pareça, isso é tudo que eu tenho agora.