Estúdios Vocaloid
3 A verdade dita
Notas iniciais
Kaito e Big Al deixaram a inconsciente Teto em sua cama, ainda forrada com uma coberta rosa e então o primeiro suspirou de alívio.
— Ai ai! Sabe, ela não é gorda. Mas ficar carregando de um lado pro outro... dói!
— Sério? Ela até era leve...
— Por favor, não me compare com você! Eu tenho uma voz bela, e você... — Neste momento, Kaito se sentiu ameaçado pelo sorriso amedrontador do parceiro. — ... é alto...
— Que interessante. Parece que você reconhece seu lugar nesse mundo.
Kaito estava fazendo um sorriso forçado, ou então poderia pagar o preço.
— De qualquer jeito... vamos procurar os outros para ver se eles estão fazendo algo divertido!
— Agora não dá para mim. Eu estava fazendo coisas importantes no meu quarto, antes da garota aparecer. E eu preciso completar.
— Então tá, até! — Fugiu para longe do quarto. — Ufa! Estou vivo!
Enquanto isso, longe dali, Rin e Len estavam caminhando de mãos dadas no interior do maior shopping da região, enquanto garçons passavam no caminho deles para entregar as refeições que seus clientes pediram.
Len estava com sua face avermelhada. Mais por causa da companhia ao seu lado, do que serem o único "casal" jovem próximo da praça de alimentação.
— Ah, Len! O dia está maravilhoso! Compramos algumas coisas idiotas, sorvete, dançamos naquela tal de máquina que esqueci o nome, e até compramos um rádio pro nosso Road Roller!* — A garota abraça seu irmão, os obrigando a pararem de se mover. — EU TE AMOOOOOOOO!!
Len sabia que esse valor do "eu te amo" não era como o dele por ela. Não era amor fraterno, mas sim amor de homem e mulher... diferente da Rin.
"Eu... não quero mais sofrer. Eu preciso... preciso falar para ela." As palavras ecoaram na mente do jovem.
— Rin.
— Hn?
— Preciso falar com você. — Len desarmou o abraço e segurou a mão da irmã com força, a guiando para uma escadaria longa, onde haveriam poucas pessoas. Estava como ele tinha imaginado, o lugar perfeito.
— O que foi, Len? — Ela estava atrás do irmão, que estava virado de costas para Rin. Houveram alguns segundos de silêncio, mas finalmente, Len se virou para ela.
— Rin... suki**...
No começo, ela ficou um pouco atordoada. Pensou que ele estava falando isso no sentido de fraternidade... mas não. Não podia ser, a face dele aparentava ser outra coisa. Foi então que pronunciou:
— O... quê?
— Dai suki!! Rin, eu te amo! — E fechou seus olhos, como se tivesse sido um sacrifício mantê-los abertos.
Rin decidiu blefar, acreditando que era amor fraterno.
— Ah, eu também te amo, Len! — Ela abriu um pequeno sorriso.
— Não! Não é esse tipo de amor!! — Uma ideia repentina surgiu na cabeça dele. Parecia loucura, mas ele estava cego de amor naquele momento. Estava insano. Decidiu por em prática.
— É... este...
Com um movimento rápido, Len se aproxima de Rin, de forma a fazer seus lábios tocarem os dela. E assim, permaneceu por alguns poucos segundos: Len com os olhos fechados, mantendo os lábios dos dois se tocando e aproveitando o momento. Rin, só podendo fitar a face de seu irmão sem acreditar no que acontecia.
Quando eles se afastaram, ambos estavam com as faces avermelhadas e mantiveram o silêncio, excetos pelos passos poucos frequentes dos visitantes do shopping. Quando a garota abriu a boca para falar algo, Len ganhou uma linha de tristeza em sua face.
— Já está na hora de irmos, não é? — Ela evitou olhar nos olhos dele e deu meia-volta.
— Sim. — Murmurou de cabeça baixa, arrependido.
A volta dos gêmeos para casa seria silenciosa, se o som de passos e de conversas alheias não existisse. Mas, eles entre si, não disseram uma palavra até a volta para o estúdio.
Enquanto isso, por lá... Kaito estava de pé em frente ao microfone, que estava apontado para sua boca, se preparando para começar a cantar.
— ***Ha, ha ha ha ha. Saa, hizamazuku ga ii!
E então, a melodia aguda do teclado vinha por uma caixa de som próxima para auxiliar o cantor em sua música.
— Mukashi, mukashi...
Antes que ele pudesse continuar sua letra, Miku invade o local com uma batida estrondosa da porta.
— Boa tarde!
— Ah, Miku!? Eu estou no meio da música!
— Não importa, o produtor vai pedir para você repetir ao acabar!
dito cujo dá um tapa na própria face do outro lado do vidro.
— Ai ai... — Kaito se afastou do microfone e a fitou com um sorriso puro, de sinceridade. — O que você quer~?
— Eu vim deixar isto... — Ela soltou uma cesta no chão. — Para meu namorado!
Kaito abriu um sorriso para ela após ouvir suas doces palavras.
— Ah, obrigado, amor~
Ela também esboçou um sorriso e a caminhou até ele para beijá-lo de leve com significado de um "de nada". Ela se afastou um pouco e disse:
— Estarei te esperando na fonte do jardim quando você acabar aqui, certo?
— Sim, estarei lá.
Miku se despediu dele com mais um selinho, e então, saiu do aposento.
— Certo. Vamos continuar, Kaito. — O produtor falou, colocando novamente seu fone de ouvido.
Kaito se pôs novamente na frente do microfone. Esperou pelo sinal de seu superior, e começou:
— Ha, ha ha ha ha. Saa, hizamazuku ga ii!
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