Notas iniciais
Seja bem vindos, aventureiros! Ok, esse título não serviu para o nosso tipo de acompanhamento, não para Dalila e Pietra, porém saibam que também escrevo medieval ;) Não tenho nada a dizer sobre o capítulo, mas quem tiver alguma dúvida, comentário, saibam que sou disposta a responder. Vamos conferir.

Depois que Dalila cai no chão, sombras de pessoas aparecem correndo diante de seus olhos, pareciam jogadores de futebol americano, tamanha era a fúria em que corriam, pareciam ir atrás de alguém e vozes gritavam coisas como: “O que você pensa que está fazendo?” e outra, desta vez feminina, vociferava: “seu canalha, quer se aproveitar da menina!”. Depois disso, sem controle algum, Dalila começa a vomitar horrores, mas seu corpo, imóvel, nada pode fazer além de deixar todo o álcool jorrar para fora. Mas nesse exato tempo, parecia ter duas pessoas ao seu lado que a auxiliaram para que não se sujasse.

A iluminação do local logo muda, agora era possível perceber os corpos das pessoas que a rodeavam, não só presença amiga, ao que Dalila constata, mas também dos próprios moradores da área onde ela estava caída. E uma discussão que começa em tom de curiosidade, logo muda para um tom de acusação. Eram entre as duas pessoas que se mantinham ao seu lado com os moradores, eles não queriam que levassem a menina, ameaçando chamar a polícia. Uma senhora, nada interessada na discussão, se aproxima com água e limpa a calçada e em seguida ajuda a limpar o rosto de Dalila, oferecendo em seguida água gelada para ela beber, da qual Dalila bebeu com gosto, ficou até feliz de sentir o líquido gelado descendo por sua garganta.

“Essa menina está drogada, foram vocês que fizeram isso com ela, olha a cara dela, ela é menor de idade!”. Protestava um morador local, sem parar de ameaçar chamar a polícia, quando percebeu que a levariam para o carro com ou sem seu consentimento.

Dalila acabou por querer participar do bate-boca, tentava se levantar; movimentar a mão; chamar alguém, alguma coisa tinha que funcionar no seu corpo! Mas tudo o que ela podia fazer era tentar dar uma boa olhada ao redor, parecia estar sendo vigiada por muitos olhos, pareciam preocupados, então ela tinha que provar de alguma forma que estaria tudo bem em estar com aquelas vozes que a protegeram inicialmente, pois sabia exatamente quem eram. Ela faz mais um esforço, alguém tinha que captar a sua mensagem de alguma forma, mesmo sua boca não dizendo palavras. Com a sua vontade no volume máximo, ela consegue, de forma brusca, colocar a sua própria mão no seu colo e com mais um pouquinho de esforço, ela fecha toda a sua mão e deixa o polegar eriçado. O maior medo dela era que ninguém notasse seu movimento, mal ela sabia que estava sendo, o tempo todo, vigiada pela pessoa que permanecera agachada ao seu lado, ao contrário da outra pessoa, que se posicionara de pé, discutindo com os moradores, tentando tranquiliza-los.

“Ei, alguém viu isso? Dalila, mostra de novo”. Disse a voz da pessoa que permanecera ao seu lado.

Dalila repete o ato de fazer “joinha” com a mão e mais uma vez aquela voz feminina diz: “Viu, ela tá legal! Você tá legal, né?”.

Por fim, parece que alguém ganhou a discussão, Dalila estava sendo levada. Por um momento Dalila reluta apenas para ver o rosto de quem era que a carregava, óbvio que ela se sentiu uma otária querendo fazer isso, já sabia de quem se tratava pelo perfume. Essa pessoa percebe seus movimentos e para por um momento, de frente para o carro, as duas se encaram em silêncio.

— Mas o que foi que aconteceu contigo, meu docinho?

Pietra fica junto de Dalila no banco de trás, enquanto Mikael ia dirigindo o carro. A amiga ia conversando com o seu amigo, explicando que, a mocinha simplesmente sumiu de sua vista e de repente quando a encontra, ela já estava assim.

— O que vai dizer para os pais dela quando a verem assim? – Pergunta Mikael.

— Ora, os pais dela. Eles viajaram. Vamos direto para a casa dela, espero que ela não piore.

Deixando as duas na casa de Dalila, Mikael se despede e deixa seu número de telefone com Pietra.

— Se ela piorar, me liga imediatamente. Mas acho que ela só está alcoolizada mesmo.

Após fechar a porta, Pietra perde a sua coragem de cuidar da amiga, pois precisa subir a bebum escada acima. Ela vai até poltrona da sala, onde Mikael ajudou a colocá-la. Ao contrário da casa da festa, ali estava completamente calmo, escuro e com um frio indesejável para o momento.

Reunindo forças, Pietra carrega Dalila no colo, tão perto, ela conseguia sentir seu cheiro de álcool. Ela pensa que deveria lhe dar um banho, mas mole do jeito como Dalila está, é melhor não arriscar dar uma ducha e acabar sofrendo algum acidente, já basta por uma noite.

Durante todo o caminho até seu quarto, Dalila permanecera de olhos abertos, era um pouco assustador, pois ambos ficavam olhando vidrados para apenas uma direção, parecia até morta... Depois que a coloca na cama, Pietra apenas tira seus calçados e os da amiga, sentia-se psicologicamente cansada, mais por medo, por não saber o que aconteceu enquanto ela não estava olhando e reza em silêncio, torcendo para que não tenha sido algo desagradável demais para se lidar.

Pietra queria passar a noite vigiando, porém, assim que ela coloca Dalila na cama, não passa muito tempo depois e a guria fecha seus olhos e por muito tempo ficara daquele jeito, dormindo, respirando tranquilamente. Já que ela parecia bem, Pietra também descansaria, depois de um banho, ela se junta a Dalila na cama e tenta dormir também, já que esse assunto só dá para ser tratado depois que ela melhorar.

Lá pelas quatro da manhã, Dalila acorda sentindo seu corpo pesado, pior, a bexiga parecia que explodiria de tão cheia, talvez tenha até ultrapassado seus “limites de bexiga”, e ao seu lado estava Pietra, dormindo. Ela tenta mover os braços e pareciam ter quilos e mais quilos de tão pesados. Desesperada para ir ao banheiro, ela pensa em acordar a amiga para pedir ajuda, mas depois que olha em seu rosto de novo, ela se lembra da moça nos braços daquele cara metido a bonitão, ou ele realmente fosse bonito, mas independente disso, era insuportável amar alguém e a ver em braços de outro... Orgulhosa, ela simplesmente se joga no chão e vai se arrastando até o banheiro para se aliviar.

Mais tarde é Pietra quem acorda. Ela olha para o lado e se assusta com a ausência da bebum. A menina não estava na cama, no chão e em nenhuma outra parte do quarto, ela se levanta e vai correndo para o corredor e não precisou procurar muito mais, pois lá estava Dalila, jogada no chão com a cara enfiada no carpete, se arrastando ainda para retornar para o quarto.

Toda preocupada, Pietra vai até ela e vira a menina para si, ela percebe pelos olhos de Dalila que ela já estava ficando melhor, pois seus olhos não estavam mais fixados num canto, eles já se movimentavam e até estavam focados nela, então ela ajuda a menina a se levantar e percebe também que os movimentos da bebum voltavam também, pelo menos não precisariam ir a um hospital...

— Você está bem? Já consegue falar?

Dalila faz que sim com a cabeça.

— Ora, então diga alguma coisa.

E um grunhindo sai da garganta de Dalila.

— Hahahaha, deixa pra lá. Nossa, que noite doida, acho que eu nunca mais te chamo para uma festa, pelo menos não tão cedo. – Pietra joga Dalila na cama e observa ela mesmo se ajeitando debaixo dos lençóis. – Você tem que aprender os seus limites, não é porque a cachaça é gostosa, do qual discordo, que temos de beber como se fosse água. Amanhã acho que você ainda não vai estar 100%, então vou fazer o seu almoço antes de ir para a minha casinha e é para comer, viu?

Assim que amanhece, Pietra acorda com uma disposição valendo quase 0% de vontade de fazer alguma coisa, mas ao abrir seus olhos, ela se assusta, pois não estava na sua cama, acaba se esquecendo um pouquinho do incidente, ela sai dos lençóis e percebe a amiga com uma cara completamente desagradável para a história da humanidade, é melhor ela nem existir por algum tempo.

Preguiçosa, ela olha o relógio, 10h, se levanta, vai até a geladeira e vê o que tem, por acaso já tinha comida pronta, só teria o imenso esforço de colocar para esquentar no micro-ondas, então para começar, ela tira duas fatias de uma linda e convidativa melancia que estava dando sopa lá dentro e as leva para o quarto.

Por todo o tempo em que esteve ali ela vigiou a amiga e durante todo aquele tempo, a amiga se recusava a olhá-la. Então ela decide ir para casa e tentará retornar o assunto no dia seguinte, mas pela primeira vez voltava para casa com um pé atrás, o fato de Dalila não olhá-la a preocupava, não se sentia culpada pelo o que a menina fez, não antes, mas agora esse assunto estava começando a ficar preocupante e até sinistro. “Como assim, é culpa minha?” perguntava a sua consciência, “será que ela ficou chateada por que a larguei várias vezes? Mas nem foi de propósito...”. Ela já nem se lembrava de que quase se beijaram...

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Pietra chega à casa de Dalila com o amanhecer do sol, tamanha era a sua preocupação que os pais da menina a vissem daquele jeito e ela não pudesse se defender. Ela simplesmente decide que passaria o dia com ela, com ou sem aviso ou consentimento, como ela já sempre fez com ela.

Dalila passara o dia mais dormindo do que acordada e Pietra pouco se importou com isso, de noite, assistiram a um filme e dormiram novamente sem tocar no assunto.

Mas do terceiro dia não passariam, Pietra começa essa manhã contando para a amiga como aconteceu a coisa de seu ponto de vista:

“Estava te olhando perto dos meus amigos dos qual você chama de muralhas, mas depois de dançar um pouco, você já não estava entre eles, comecei a te caçar na festa toda, fui perguntando por você e algumas pessoas que socializaram contigo disseram-me que tu bebeste. Fiquei louca de raiva, como assim, Dalila bebeu? Quando entendi que já não te encontraria mais, fui para a rua a procura de ti, acabei encontrando Mikael no caminho, ao que parecia, ele estava vindo de uma festa também, apesar de ainda serem umas dez horas, achei cedo... Ah, enfim. Quando te encontramos, já estava até que perto da vila, mas um moleque desgraçado estava tentando te carregar para algum lugar, foi aí que eu pulei em cima dele, querendo bater muito nele, mas a vizinhança acordou e eu não queria sair correndo atrás dele e te deixar para trás, nossa, te ver jogada no chão... Achei que você estivesse morta, sua louca! E para piorar os enxeridões que foram chegando depois, ao invés de ajudar, só pioravam as coisas, não queriam deixar a gente te levar. Pode uma coisa dessas?”

Ao terminar, Pietra cruza os braços e aguarda Dalila dizer alguma coisa.

Começando a se sentir mal pelo silêncio da outra, que já durava alguns dias, Pietra se exalta e ameaça ir embora, ela escuta quase inaudível e um pouco grogue, mas escuta e paralisa, tal palavra a ver com “paixão” sem entender o porquê de Dalila dizer aquilo e naquele momento do qual ela julgou ser nada a ver.

Dalila se apruma na cama, deixa cair seu lençol e finalmente olha a amiga nos olhos, sem aquele olhar desprezível e deles, lágrimas os afogam. Ela entra numa tristeza profunda e palpável e por várias vezes pediu desculpas pelos seus sentimentos pela a amiga e soluçando, também revelou que estava com medo de si mesma por não querer perder a amiga.

As lágrimas grossas corriam descontroladas por seu rosto que, rapidamente fica vermelho e por instinto, Pietra a toma em seus braços e repete palavras gentis a amiga, fazendo “shhh” e dizendo que está tudo bem.

— Calma, meu docinho. Não chora assim, porque é muito triste...

Notas finais
Olá a todos que chegaram até aqui, muita coragem eu vejo, jovens gafanhotos, hehe Até a próxima, pessoinhas o/