Estrela-do-Mar

10 Os passos de Pietra vs os de Dalila


Notas iniciais
Eu já estava com uma impressão muito estranha desses últimos capítulos, só não sabia o que era, foi então que resolvi dar uma olhada e então entendi que estavam mal editados. Não tenho pedido de desculpas que justifiquem tal erro, po, tava tudo sem nexo porque não prestei atenção na hora de tirar do word e passar para cá. Esse capítulo em si não está editado, mas o "A mãe de Dalila" está, quem quiser conferir para poder entender um pouco melhor o que eu estava querendo dizer, voltem lá. Caso contrário... hahaha, bem, não são obrigados a nada, não é mesmo? Até a próxima.

Depois de ter deixado Dalila dormindo, Pietra volta para casa com a cabeça pensativa. Como num quebra cabeça, ela tentava interligar as ações da amiga com os sentimentos que lhe confidenciara. Ela ainda não conseguia acreditar, “Como uma pessoa tão maravilhosa como ela está apaixonada por mim?”. Ficava ela, a pensar. E quanto mais ela cavava os pensamentos, menos ela ia gostando do que ia pensando. Pois ela mesma sentia atração pela menina, mas não sentia paixão, ela não poderia corresponder aos sentimentos dela.

Sua culpa era tamanha, que Pietra achava errado voltar a ver Dalila, ela não sabia lidar com essa situação e preferia manter-se oculta. Não queria, de maneira alguma, que a amiga saísse ferida da relação delas, então era melhor que ela fosse esquecida.

Vários dias iam se passando e Pietra mantinha-se enfiada na casa de seus pais. E eles, sempre que a viam sem nada para fazer, lhe davam diversos sermões: “vai procurar emprego; vai estudar; vai fazer alguma coisa, vai namorar”. Ela não podia parar um pouquinho para se entender? Não, pois o tempo, o tempo não para. Com muita insistência de seus pais, ela procura uma escola de cursos profissionalizantes, nada lhe chama realmente atenção, nada que tenha a ver com astrologia ou química. O que fazer? Seguindo as orientações das pessoas mais velhas, o mais essencial é “que faça”. Com essas pesquisas, sobre cursos e experiências profissionais dos outros, ela acaba mantendo sua mente bem ocupada. Somente de noite, depois de deitar e ficar encarando o teto é que Dalila passava por sua mente. E se perguntava “o que ela tem feito?”. Já era de madrugada quando todo o peso do seu corpo começou a se esvair e sua mente chegava a uma pergunta conclusiva. Controlamos nossos sentimentos? Quando sentimos medo, raiva, paixão, alegria. São coisas que simplesmente ligamos e desligando? Não. E por mais que sentisse angústia porque a amiga sentia paixão por ela, ela não poderia realmente culpá-la. “Eu sou incrível, é normal se apaixonarem por mim” refletiu ela. Mas acima de tudo, o que mais lhe doía no peito não era o fato de uma amiga estar apaixonada por ela e sim porque Dalila havia chorado por causa dela e se embebedado, se colocando em perigo, era por isso que ela se culpava e a única maneira de protege-la de si, era se afastando dela. Faz sentido?

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Dalila repetia na mente seus últimos momentos com Pietra e a ausência que a menina mantinha era sufocante, Pietra se fora e tudo culpa de seus sentimentos. As pessoas sempre vão embora depois de saberem que são amadas? Então deve ser errado amar...

A guria até que saía de seu quarto. Ia até a sala, ligava a tv e esperava que algum programa interessante começasse só porque ela queria. A situação com seus pais começava a ficar pior, pois ela já não se atentava para as tarefas domésticas e isso os estava irritando. “Por que não lavou a louça? Por que essa comida está mal feita?”. Mas sua mente, que não parava de pensar em Pietra, nem se incomodava com as inúmeras reclamações. Dia após dia seus pais iam ficando mais chatos, pois haviam se acostumado a tratar a filha como uma empregada dentro de casa, talvez eles não soubessem mais nem como se faz café, mas ela não queria mais servi-los. Tudo o que ela queria era ficar bem, mas como? O que tinha que fazer? O que é o tal do “toca a vida” e como se faz isso? São essas as questões que ela está lidando pela primeira vez e não sabe por onde começar. Ela estava razoavelmente bem antes de conhecer Pietra, porque não consegue voltar aquele estado anterior de espírito? As perguntas são tantas, mas a resposta não vem do além.

O dia de fazer a inscrição do curso técnico finalmente chega, Dalila p faz e depois de uma semana, precisa fazer uma prova de seleção, ela passa. E por último, uma cerimônia de abertura, com missa e orientações e ao final, a assinatura dos pais. A mãe de Dalila concordara em ir com ela, porém, durante a missa ela acaba ficando impaciente com a demora e vai embora, deixando a menina sozinha. Por mais que Dalila fosse de maior, mas como regulamento da escola, ela não podia assinar por si mesma, a presença da família era indispensável. A mãe ter ido embora acaba deixando Dalila abalada, ela já não estava bem, não estava ajudando...

Na entrada da escola alguém acaba chamando seu nome, Dalila olha para trás e logo encontra a prima, que lhe explica que assinaria como sua responsável. Um alívio, alguém se importa.

Dalila estava mais ou menos bem, novamente. Mas o gosto amargo de ter sido deixada sozinha pela mãe ainda persiste, porém, seus passos não param, não podia parar, a vida não permite. “Quem anda para trás se desintegra”, ela pensa. Distraída, andando sem olhar para frente, Dalila bate em um ou dois postes pelo caminho, ela já estava acostumada.

Num ônibus de cor verde, Dalila olhava para o troco que o cobrador havia lhe dado, conferia se estava correto. Uma pessoa desengonçada senta ao seu lado, fazendo ela perder as contas, tendo que começar de novo. O azedume foi tamanho que ela nem queria olhar para a cara da pessoa que sentou ao seu lado, ninguém precisava olhar para a sua cara azeda.

Ela recomeça a calcular, eram muitas moedas, mas desta vez murmurava enquanto contava e de vez em quando levava uma ombreada da pessoa ao lado, Dalila já estava inchando a cara de tanta impaciência, foi quando a criatura colocou um fone de ouvido e começou a cantarolar que ela realmente ficou mais impaciente, então ela guarda as moedas na sua bolsinha de “velhinha”, como dizem para ela, e decide trocar de lugar, quando ela se move para se levantar, a pessoa ao lado estava segurando um lado do fone, oferecendo para que ela usasse. Agora Dalila tinha motivos em ficar corada, além disso, seu coração disparava desesperado, dava a impressão que todo mundo no ônibus podia ouvir seu coração bater, pois ela sentia algumas pessoas a encarando, mas ninguém mais importava, somente ela, a pessoa ao seu lado lhe oferecendo uma banda do fone de ouvido para ouvir junto dela, Pietra.

Notas finais
Alguém quer me dizer alguma coisa?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.