Estrela de Cadente
1 Capítulo I - Turn the Page
Notas iniciais
Um pé afundando o acelerador e os olhos nunca abandonando o céu – ela sabia que não era a maneira mais segura de dirigir a lata-velha que ousava chamar de carro, mas não podia evitar. A luz da lua e de cada luzeiro que brilhava lá em cima conseguiam roubar a atenção de qualquer ser humano; com ela, que tinha sangue de estrela, não seria nada diferente.
Naos Barros Cadente era tatara-tatara-tatataraneta de uma estrela que caiu por vontade própria, “Pulsar PSR J2222-0137” a quem os humanos chamavam de estrela morta, foi quem se jogou do céu e fez um pedido... Desejou que cada estrela que se cansasse da imensidão tivesse a opção de viver com terra sob os pés e o brilho de todas suas irmãs sobre suas cabeças, desejou que os humanos tivessem suas preces atendidas sempre que uma estrela cadente aparecesse na abobada celeste, desejou ser feliz e fazer todos felizes no processo.
Pulsar Cadente se apaixonou por um humano qualquer e deu o nome de sua filha em homenagem a uma de suas irmãs e é assim desde então. Pulsar, Aldebarã, Altair, Vega e outras várias gerações culminaram em Naos.
A garota não tinha mais de vinte anos e, em completa antítese a seus antepassados, viveu cada dia desejando estar no céu – cada instante odiando o sobrenome de seu pai que lhe prendia ao barro do chão e o nome que sua mãe lhe escolheu que lhe acorrentava ao mar e seus navios... Mas, em algo ela se parecia muito com sua tatara-tatara-tatataravó, Naos acreditava com todas suas forças que era hora de fazer um pedido para uma estrela cadente e virar a página.
Era exatamente por isso que ela estava na estrada novamente, por isso que ela estava bancando a estrela novamente. E lá foi ela.
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